• Nenhum resultado encontrado

oBJetiVoS eSpecÍFicoS

1.4. tRanSpoRte doS GametaS

O transporte dos gametas refere-se às vias pelas quais o ovócito e o espermatozóide pas- sam até se encontrarem na ampola da tuba uterina, o sitio normal da fertilização.

Transporte dos Espermatozóides - quando os espermatozóides deixam o testículo, estes gametas não são nem estrutural nem fun- cionalmente capazes de fecundar o ovócito. Como foi visto no Fascículo 1, o epidídimo é responsável em absorver o líquido testicular, produzir um ambiente especializado para de- senvolvimento da motilidade e da capacidade fertilizante do espermatozóide além de estocar espermatozóides até a ejaculação. Durante o armazenamento no epidídimo, os esperma- tozóides são poucos móveis e adquirem sua

capítul

o 4

59

motilidade nesse órgão, porém para alguns autores, a motilidade plena dos esperma- tozóides somente é adquirida mediante adição das secreções das glândulas sexuais acessórias (glândulas prostática e seminais) no ejaculado. Através das contrações peristálticas da espessa camada muscular do ducto deferente os espe- rmatozóides são transportados do epidídimo, principalmente na cauda, em direção à ure- tra. As glândulas sexuais acessórias (glândulas seminais, prostática e bulbouretrais) produ- zem secreções que são adicionadas ao fluido, contendo espermatozóides nos compartimen- tos tubulares do sistema genital. Entretanto a capacidade definitiva de fertilização somente é obtida no trajeto dos espermatozóides no útero e, tuba uterina, por meio de processo denominado Capacitação (Ver adiante).

Aproximadamente de 200 a 600 milhões de espermatozóides são depositados no fórnice posterior da vagina e no colo do útero durante o ato sexual. O primeiro obstáculo que os espe- rmatozóides devem transpor é o pH presente na parte superior da vagina. Nesta região, o meio é ácido, cumprindo desta maneira fun- ções bactericidas, para proteger o canal do útero (canal cervical) contra infecções causa- das por organismos patogênicos. Esta barreira pode ser vencida graças ao pH do líquido sem- inal (entre 7,2 e 7,8) e, além disso, ao próprio pH vaginal, que se modifica no momento da cópula, elevando-se, em poucos segundos, de 4,3 a 7,2. O pH mantém-se, assim, durante alguns minutos, permitindo, desta maneira, o acesso dos espermatozóides ao canal cervical, em um meio com pH que se situa nos limites entre 6,0 e 6,5, valores ótimos para a mobili- dade dos gametas masculinos.

A próxima barreira que os espermatozóides devem vencer é o canal cervical, que apre- senta um muco espesso que o bloqueia. Al- guns espermatozóides alcançam o útero e os ovidutos em um período entre 5 e 30 minu- tos, depois de haverem sido depositados na região superior da vagina. Nesta fase os esper- matozóides já adquiriram mobilidade própria, contudo a passagem é facilitada por alterações na pressão intravaginal e movimentos muscu- lares das vias genitais femininas, que geram um efeito de aspiração. Existe uma segunda

onda de ingresso de espermatozóides, que depende unicamente da motilidade desses gametas (aproximadamente 3 mm/h na região cervical).

É importante dizer que a composição e a vis- cosidade do muco cervical variam consider- avelmente ao longo do ciclo menstrual. Entre o 9º e 16º o dias do ciclo (período próximo à ovocitação), o muco cervical torna-se mais fluido e, portanto, mais facilmente penetrável. Após esse período e por efeito da secreção de progesterona, o muco cervical volta a ser modificar, diminuindo a proporção de água e tornando-se mais espesso, dificultando a pas- sagem de espermatozóides.

Os espermatozóides atravessam o canal cer- vical, utilizando o movimento de suas cau- das. O sêmen (líquido que contém os esper- matozóides) apresenta a enzima vesiculase, produzida pelas glândulas seminais que têm a função de coagular uma parte do sêmen formando um tampão vaginal que impede o refluxo do sêmen para a vagina. Em conse- qüência da ovocitação, a quantidade de muco cervical aumenta, e o sêmen se torna menos viscoso, facilitando, dessa maneira, o trans- porte dos espermatozóides.

Como foi visto no Fascículo 1, as vesículas seminais são as responsáveis pela secreção da frutose e prostaglandinas, sendo sua função controlada pela testosterona. A secreção pros- tática é rica em enzimas proteolíticas, sendo a mais importante uma fibrolisina com papel na liquefação do sêmen. Essa glândula tem a função de neutralizar o pH vaginal, que é ácido e desfavorável aos espermatozóides. O líquido seminal ativa os espermatozóides, pois contém substâncias nutridoras e energéticas, tais como a frutose.

Através das contrações da musculatura da parede uterina e tubária, os espermatozóides são transportados até o sítio de fertilização. E, como já foi dito, uma fonte importante de energia para os espermatozóides é a frutose, secretada no sêmen pelas glândulas seminais. O ejaculado tem em média, 3,5ml, variando de 2,0 a 6,0ml. Os espermatozóides movem-se de 2,0 a 3,0mm/minuto, mas a velocidade varia em função do pH do ambiente. Eles se movem

capítul

o 4

60

lentamente, no ambiente ácido da vagina, e muito rapidamente no ambiente alcalino do útero.

Por outro lado, o líquido seminal impede que os espermatozóides estejam completamente aptos para fecundar o ovócito, pois a este líquido também se associam Fatores de Des- capacitação.

O tempo gasto pelos espermatozóides para alcançar o sítio da fertilização é curto. Esper- matozóides móveis foram colhidos da região da ampola da tuba uterina 5 minutos após sua deposição próxima ao orifício uterino externo. Por outro lado, alguns espermatozóides levam 30 ou até mais de 45 minutos para completa- rem a jornada. Aproximadamente 200 esper- matozóides alcançam o local da fertilização. A maioria se degenera e é reabsorvida pelo trato genital feminino.

Apesar da falta de consenso, alguns pesquisa- dores assinalam que os espermatozóides po- dem ser orientados para uma ou outra tuba, devido à presença de fatores quimiotáxicos produzidos pelo ovócito e/ou pelas células fo- liculares. Esses fatores poderiam orientar os espermatozóides em direção ao ovócito libera- do na tuba uterina. Experiências in vitro suger- em que espermatozóides modificam sua orien- tação, sendo atraídos, por exemplo, quando se adiciona uma suspensão de espermatozóides líquido, como o líquido folicular. Levando-se em consideração que a população de esper- matozóides em um ejaculado é heterogênea, somente alguns deles se encontrariam em condições ótimas de fecundar, enquanto out- ros seriam imaturos ou pós-maturos, portanto os fatores quimiotáxicos parecem atrair sele- tivamente os espermatozóides em melhor condição. Esses fatores ainda não são con- hecidos, contudo se sabe que eles não agem em todos os espermatozóides, mas somente, naqueles que foram capacitados.

Podemos dizer que o trajeto dos esperma- tozóides pelas vias genitais femininas normal- mente é passivo e ativo. No primeiro caso, ocorrem contrações da genitália feminina, que acontecem durante o coito e se mantém al- gum tempo depois. Estas contrações são de- terminadas pela presença de prostaglandinas

no sêmen e ocitocina no organismo feminino que tem função análoga às prostaglandinas. Na migração ativa, os espermatozóides uti- lizam-se de movimentos de suas caudas para progressão nas vias femininas, considerando as barreiras já descritas e também para mantê- los em suspensão.

Transporte do ovócito - na ovocitação (Figura 05), o ovócito II é expelido do folículo maduro juntamente com o líquido folicular. Durante a ovocitação, as fimbrias da tuba uterina aprox- imam-se intimamente do ovário, movendo-se para frente e para trás sobre o ovário. A ação de varredura das fímbrias e a corrente de fluid- os produzidas pelos cílios das células da muco- sa das fímbrias “varrem” o ovócito secundário para a ampola da tuba, principalmente como resultado da peristalse – movimentos alterna- dos de contração e relaxamento da parede da tuba em direção ao útero.

SaiBa maiS

A capacidade de armazenamento de espermatozóides é limitada em alguns animais e, provavelmente no homem, podem permanecer armazenados durante dois ou três meses. Quando o limite é ultrapassado, os espermato- zóides passam a apresentar sinais de senilidade e termi- nam por regredir. Nos casos de continência prolongada, acabam por degenerar, sendo reabsorvidos pelo próprio epitélio do epidídimo ou simplesmente eliminados pelo peristaltismo normal das vias espermáticas.

Figura 05 – Desenho esquemático de uma ovocitação. Verifica-se o folículo maduro rompido e o seu ovócito II, sendo captado pelas fím- brias da tuba uterina. Fonte: Sadler (2005).

capítul

o 4

61

Figura 06 – Desenho esquemático de espermatozóides em diferentes etapas do processo de reação acrossômica. Observa-se em A - o arranjo da membrana citoplasmática e da membrana externa do acrossoma; B - formação de vesículas que resultam na fusão das membranas citoplasmática e acrossômicas; em C - formação de poros que resultará na exposição da membrana interna do acrossoma. Fonte: Dumm (2006).

1.5. matuRaÇÃo