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Transversalidade

No documento Topologiadiferencial2016 (páginas 116-132)

7.53 Definição. Sejam X e Y variedades diferenciáveis com S subvariedade de Y , e seja x ∈ X. Uma aplicação f : X → Y diferenciável é transversal a S em x, e escrevemos f −t S em x se vale que ou f(x) /∈ S ou Dfx(TxX)+Tf (x)S = Tf (x)Y.

7.54 Definição. Sejam X e Y variedades diferenciáveis com S subvariedade de Y . Uma aplicação f : X → Y diferenciável é transversal a S e escrevemos f −t S se para todo x∈ X vale que ou f(x) /∈ S ou Dfx(TxX) + Tf (x)S = Tf (x)Y.

7.55 Proposição. Sejam X e Y variedades diferenciáveis, com S ⊆ Y subvari- edade. Suponha que dimS + dimX < dimY (i.e., dimX < codim S) com f : X → Y diferenciável. São equivalentes:

(i) f −t S

7.6. TRANSVERSALIDADE 107

Demonstração. (i) ⇒ (ii) Suponha que vale (i), e suponha, por absurdo, que

não vale (ii), então existe x∈ X tal que f(x) ∈ S. Segue que f −t S em x assim

Tf (x)S + (df )x(TxX) = Tf (x)Y, agora note que

dimY = dim(Tf (x)Y ) = dim(Tf (x)S + (df )x(TxX)) ≤ dim(Tf (x)S) +

dim((df )x(TxX))

dim(Tf (x)S) + dim((df )x(TxX)) ≤ dim(Tf (x)S) + dim(TxX) = dimS +

dimX < dimY, contradição. Vale (ii).

(i) ⇐ (ii) Se para todo x ∈ X temos que f(x) /∈ S, segue da definição que

f −t S. Vale o desejado.

7.56 Proposição. Sejam X e Y variedades diferenciáveis, S ⊆ Y subvariedade, com n = dimX, m = dimY e s = dimS com f : X → Y diferenciável. Seja p ∈ Xe f (p) ∈ S. Suponha que exista V vizinhança de f(p) em Y e Ψ : V → Rm−s

(onde m− s = codimensão de S) tal que S ∩ V = Ψ−1(0).Existe p ∈ U ⊆ X aberto tal que f (U )⊆ V . Então

f −t S em p se, e somente se, Ψ ◦ f é uma submersão em p.

Note que tal V sempre existe, pois basta tomar a carta V de f (p) em Y com ψ : V → Rm e a decomposiçãoRm = Rs × Rm−stal que V ∩ S = {q ∈ V :

ψs+1(q) = ... = ψm(q) = 0}. Segue disso que ψ(V ∩S) = ψ(V )∩Rs×{0}, onde

{0} ⊆ Rm−s. Seja π : Rm =Rs× Rm−s → Rm−s. Note que ψ−1(Rs× {0}) =

V ∩ S = (π ◦ ψ)−1(0) onde {0} ⊆ Rm−s. Definimos Ψ := π ◦ ψ : V →

Rm−s. Observe que Dψ

f (p) : Tf (p)Y → Rm e Dψf (p) : Tf (p)S → Rs × {0}

são isomorfismos. Portanto Ψ é submersão em f (p), pois D(π◦ ψ)f (p)· Tf (p)Y =

Dπψ(f (p))· Dψf (p)· Tf (p)N = π◦ Rm =Rm−s.

Demonstração. Temos que p ∈ U ⊆ X fixo e arbitrário com f(p) ∈ S, assim p ∈ U ∩ f−1(S). Definimos Ψ ◦ f : U → Rm−s, note que U ∩ f−1(S) =

108 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE◦ f)−1(0) = (π ◦ ψ ◦ f)−1(0). Temos que D(Ψ ◦ f)p : TpX → Rm−s não-necessariamente isomorfismo. Note que: f −t S em p ⇐⇒ Dfp(TpX) + Tf (p)S = Tf (p)Y f −t S em p ⇐⇒ Dψf (p)· Dfp· (TpX) + Dψf (p)· Tf (p)S = Dψf (p)(Tf (p)Y ),

pois Dψf (p)é isomorfismo linear

f −t S em p ⇐⇒ D(ψ ◦ f)p· (TpX) +Rs× {0} = Rm

Mas π(E) =Rm−s⇐⇒ E + Rs× {0} = Rmse E é subespaço vetorial.

Assim, f −t S em p ⇐⇒ π(D(ψ ◦ f)p· (TpX)) =Rm−s f −t S em p ⇐⇒ D(π ◦ ψ ◦ f)p · (TpX) =Rm−s, pois π = Dπ(ψ◦f)(p) f −t S em p ⇐⇒ D(π ◦ ψ ◦ f)p · (TpX) =Rm−s f −t S em p ⇐⇒ D(Ψ ◦ f)p · (TpX) =Rm−s f −t S em p ⇐⇒ Ψ ◦ f é uma submersão em p. f −t S em p ⇐⇒ p é um ponto regular de Ψ ◦ f.

7.57 Observação. Como Ψ é submersão em f (p), se f for um difeo local em p, então Ψ◦ f é uma submersão em p, e portanto f −t S em p.

O seguinte corolário é imediato.

7.58 Corolário. Nas condições da proposição anterior, as seguintes condições são equivalentes:

(i) Se para todo p∈ U ∩ f−1(0)temos que f −t S em p.

(ii) Se para todo p ∈ U ∩ f−1(0) = (Ψ◦ f)−1(0)temos que p é um valor regular de Ψ◦ f : U → Rm−s.

7.6. TRANSVERSALIDADE 109

7.59 Teorema. Sejam X e Y variedades diferenciáveis com S subvariedade de Y . Seja f : X → Y diferenciável tal f −t S. Então f−1(S)é uma subvariedade de X onde codim f−1(S) = codim S.

Demonstração. Para cada p ∈ f−1(S), seja q = f (p), e tomemos um sistema de coordenadas ψ : V → Rm em Y com q ∈ V com p ∈ U aberto em X

tal que f (U ) ⊆ V nas condições da proposição anterior com U ∩ f−1(S) =◦ f)−1(0) = (π◦ ψ ◦ f)−1(0). Como f −t em p pelo corolário anterior, temos que 0∈ Rm−sé um valor regular de Ψ◦ f : U → Rm−s. Daí, U∩ f−1(S)é uma

subvariedade de U , de dimensão n−(m−s). Assim, todo ponto p ∈ f−1(S)tem uma vizinhança U em X tal que U ∩ f−1(S) é uma subvariedade em U . Logo

f−1(S)é uma subvariedade em X.

7.60 Lema. Sejam X e Y variedades diferenciáveis com S subvariedade diferen- ciável de Y . Se S é fechado em Y então o conjunto

TS = {f ∈ C∞(X, Y ) : f −t S} é aberto na topologia de Whitney C1 ( e

portanto na Whitney C∞).

Demonstração. Defina ˜U = {j1f (x) ∈ J1(X, Y ) : f ∈ C(X, Y )| ou (i)

f −t S em x com x ∈ f−1(S)ou (ii) x /∈ f−1(S)}. Assim

M ( ˜U ) ={f ∈ C∞(X, Y )|∀x ∈ X temos que j1f (x) ∈ U} M ( ˜U ) ={f ∈ C∞(X, Y )|f −t S}

Como M ( ˜U ) = TS, basta mostrar que ˜U é aberto em J1(X, Y ), e portanto

TSé um aberto da topologia de Whitney C1. Ou equivalentemente, basta mostrar

que J1(X, Y )\ ˜U = F é fechado. Sejam σ

1, σ2, ... ∈ F tal que σn → σ, com

σ = j1f (x)para algum x∈ X. Devemos mostrar que σ ∈ F .

Temos que cada σi = j1fi(xi) ∈ F com fi ∈ C∞(X, Y ). Seja γ ∈ F

arbitrário, digamos γ = j1g(y). Afirmamos que g(y) ∈ S . Caso contrário,

g(y) /∈ S, teríamos que j1g(y) ∈ U, o que é uma contradição, pois ˜U ∩ F = ∅.

Segue que para todo i, fi(xi)∈ S.

Afirmamos que f (x) ∈ S. Temos que fi(xi) ∈ S com S fechado, suponha

por absurdo que f (x) /∈ S, então existe aberto A tal que f(x) ∈ A com A ∩ F =

110 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE j1fi(xi) ∈ J1(A), assim fi(xi) ∈ A, contradição. Logo f(x) ∈ S. Assim para

que σ = j1f (x)com f (x)∈ S (i.e, x ∈ f−1(S)) esteja em F devemos mostrar a

seguinte a afirmação:

Afirmação: f −t S em x não-ocorre.

Sejam (ϕ, U ) e (ψ, V ) cartas locais de x e f (x) em X e Y respectivamente tal que f (U ) ⊆ V e S ∩ V = ψ−1(Rs × {0}) onde s = dimS com n = dimX e

m = dimY com Ψ = π◦ ψ onde π : Rm → Rm−se ψ : V → Rm.

Usando essas cartas podemos reduzir o problema para o caso em que X =Rn,

Y =Rm, e S =Rs× {0} onde S claramente é fechado, agora ψ = Id, e Ψ = π.

Considere a função contínua η :Rn×S×Hom(Rn,Rm)→ Hom(Rn,Rm−s)

dada por η(x, t, B) = π◦ B = Ψ ◦ B, onde Hom(Rn,Rm−s)é conjunto das

funções lineares deRnparaRm−scom sua topologia usual induzida pela identi-

ficação comRn(m−s).

Defina G = {D ∈ Hom(Rn,Rm−s) : rankD < (m − s)}, note que

Hom(Rn,Rm−s)\ G é aberto (pois o posto é uma aplicação semi-contínua, não diminui), segue que G é fechado em Hom(Rn,Rm−s). Como η é contínua, temos

que η−1(G)é fechado emRn× S × Hom(Rn,Rm).

Temos que f −t S em p ⇐⇒ Ψ ◦ f é uma submersão em p, pelo lema anterior. Note que f −t S em p ⇐⇒ Ψ ◦ f é uma submersão em p f −t S em p ⇐⇒ π ◦ f é uma submersão em p f −t S em p ⇐⇒ D(π ◦ f)p · TpRn= Tπ◦f(p)Rm−s f −t S em p ⇐⇒ π · DfpRn=Rm−s f −t S em p ⇐⇒ π · Dfp ∈ G/

Sub-afirmação: Podemos identificar F como η−1(G)e vice-versa.

(⇒) De fato, seja j1g(y)∈ F , segue que g(y) ∈ S. Assim, devemos ter que g −t S em y não-ocorre. Pelo que acabamos de fazer, isso é quivalente a dizer que π· Dgy ∈ G.

Assim para cada j1g(y)∈ F identificamos com (y, g(y), Dg

7.6. TRANSVERSALIDADE 111 e π· Dgy ∈ G. Segue que (y, g(y), Dgy)∈ η−1(G).

(⇐) Seja (y, t, D) ∈ η−1(G), segue que π◦ D ∈ G. Existe h ∈ C∞(Rn,Rm) tal que h(y) = t e Dhy = D. Devemos mostrar que j1h(y) ∈ F . Como π ◦

Dhy ∈ G , pelo que fizemos acima, segue que h −t S em y não-ocorre. Assim,

j1h(y)∈ F , como desejado. Vale a sub-afirmação.

Como η−1(G)é fechado, segue que σ = j1f (x)com identificação (x, f (x), Df

x)

η−1(G), e portanto σ = j1f (x)∈ F e temos o desejado.

7.61 Corolário. Sejam X, Y, e Jr(X, Y )variedades diferenciáveis e S subvarie-

dade de Y tal que Si ⊆ S com Sifechado em Y . Então

Ti = {g ∈ C∞(X, Jr(X, Y )) : ou (i) g −t S em (g)−1(Si)ou (ii) x /∈

(g)−1(Si)} é aberto.

Demonstração. Defina ˜U ={jrf (x) ∈ J1(X, Y )|f ∈ C∞(X, Y )tal que∀x ∈

Xtemos que ou (i) f −t S em f−1(Si)ou (ii) x /∈ f−1(Si)}. Note que M( ˜U ) =

Ti, pois

M ( ˜U ) ={f ∈ C∞(X, Y )| ∀x ∈ X, jrf (x)∈ U}

M ( ˜U ) = {f ∈ C∞(X, Y )| ∀x ∈ X, ou (i)f −t S em f−1(Si)ou (ii)x /∈

f−1(Si)}

M ( ˜U ) = Ti

Se mostrarmos que ˜U é aberto de J1(X, Y ), segue que T

i é aberto. Defina

F = J1(X, Y )\ ˜U, devemos mostrar que F é fechado. Seja Limi→∞j1fi(xi) =

j1f (x)com j1f

i(xi)∈ F .

De maneira análoga, para γ ∈ F arbitrário, digamos γ = j1g(y). Temos que

g(y)∈ Si, e portanto f (x)∈ Si. Assim para que σ = j1f (x)com f (x)∈ Si(i.e,

x∈ f−1(Si)) esteja em F devemos mostrar a seguinte a afirmação:

Afirmação: f −t S em x não-ocorre.

A partir de agora, a demonstração é igual a anterior basta fazer a seguinte alteração na definição de η : Rn × S

i × Hom(Rn,Rm) → Hom(Rn,Rm−s)

112 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE 7.62 Lema. Sejam X, Y, B variedades diferenciáveis com S subvariedade de Y . Seja j : B → C∞(X, Y )função (não-necessariamente contínua) e defina Φ : B× X → Y tal que Φ(b, x) = j(b)(x). Suponha que Φ é diferenciável e Φ −t S. Então o conjunto

{b ∈ B|j(b) −t S} é denso em B.

Demonstração. Pelo teorema7.59, temos que SΦ := Φ−1(S)é uma subvariedade

de B× X. Seja ˜π : B × X → B projeção e ˜π|SΦ = π : B× X → B.

Note que b /∈ Im(π) ⇒ j(b)(X)∩S = ∅. De fato, se j(b)(X)∩S ̸= ∅, existe

x∈ X tal que y = j(b)(x) ∈ S, mas Φ(b, x) = y, assim (b, x) ∈ Φ−1(S) = SΦ,

e portanto π(b, x) = b∈ Im(π) .

Segue que para b /∈ Im(π) ⇒ j(b)(X) ∩ S = ∅, e portanto j(b) −t S. Assim,

B\ Im(π) ⊆ {b ∈ B|j(b) −t S}. (Caso 1) dimSΦ < dimB

Segue que π(SΦ) = Im(π)possui medida nula em B pelo Corolário7.10.

Assim B\ Im(π) é denso em B, e portanto {b ∈ B|j(b) −t S} é denso em B.

(Caso 2) dimSΦ ≥ dimB

Como o conjunto dos valores críticos de π tem medida nula em B pelo Te- orema de Sard, temos que o conjunto dos valores regulares de π é denso em B. Logo basta mostrar que para todo b ∈ Im(π) valor regular temos que j(b) −t S. (Pois daí teremos que{b ∈ B : b valor regular de π } ⊆ {b ∈ B|j(b) −t S}, e portanto{b ∈ B|j(b) −t S} é denso em B e teremos o desejado.)

Seja b∈ B valor regular de π. Fixe (b, x).

(Sub-caso 1)

Se (b, x) /∈ SΦ. Afirmamos que j(b)(x) /∈ S. Suponha que não, assim

j(b)(x) ∈ S, e portanto (b, x) ∈ Φ−1(S) = SΦ, contradição, vale a afirmação.

Como j(b)(x) /∈ S, segue que j(b) −t S em x.

(Sub-caso 2)

7.6. TRANSVERSALIDADE 113 projeção com dimSΦ ≥ dimB. Assim,

T(b,x)B× X = T(b,x)B + T(b,x){b} × X = T(b,x)SΦ+ T(b,x){b} × X

Aplicando (DΦ)(b,x)em ambos os lados,

(DΦ)(b,x)T(b,x)B × X = (DΦ)(b,x)T(b,x)SΦ+ (DΦ)(b,x)T(b,x){b} × X

Agora, note que:

(i) (DΦ)(b,x)T(b,x)SΦ= TΦ(b,x)Φ(SΦ) = Tj(b)(x)Φ(SΦ)⊆ Tj(b)(x)S = TΦ(b,x)S

(ii) (DΦ)(b,x)T(b,x){b} × X = TΦ(b,x)Φ({b} × X) = TΦ(b,x)Φ({b} × X) =

= TΦ(b,x)Φ({b} × X) = TΦ(b,x)j(b)(X) = Tj(b)(x)j(b)(X) = (dj(b))xTxX

Assim, (DΦ)(b,x)T(b,x)B× X = Tj(b)(x)Φ(SΦ) + (dj(b))xTxX

Mas Φ −t S segue que:

Tj(b)(x)Y = TΦ(b,x)Y = TΦ(b,x)S + (DΦ)(b,x)T(b,x)B× X Assim, Tj(b)(x)Y = Tj(b)(x)S + (DΦ)(b,x)T(b,x)B× X = = Tj(b)(x)S + (Tj(b)(x)Φ(SΦ) + (dj(b))xTxX) = (Tj(b)(x)S + Tj(b)(x)Φ(SΦ)) + (dj(b))xTxX = = Tj(b)(x)S + (dj(b))xTxX Logo, Tj(b)(x)Y = Tj(b)(x)S + (dj(b))xTxX, e j(b) −t S em x.

7.63 Corolário. Seja G : B × X → Y uma função diferenciável com G(b, x) = gb(x). Seja Φ : B × X → Jr(X, Y )diferenciável tal que Φ(b, x) = jrgb(x)e

assuma que Φ −t S onde S é uma subvariedade de Jr(X, Y ). Então {b ∈ B :

jrg

b −t S} é denso em B.

Demonstração. Defina j : B → C∞(X, Jr(X, Y )) com j(b) = jrg

b, e segue

114 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE 7.64 Teorema. (Teorema de Transversalidade para Jatos)

Sejam X e Y variedades diferenciável e seja S subvariedade de Jr(X, Y ). Então

TS ={f ∈ C∞(X, Y ) : jrf −t S}

é a intersecção enumerável de abertos densos na topologia de Whitney C∞ (e portanto denso, pois C∞(X, Y )é espaço de Baire nessa topologia).

Demonstração. Vamos mostrar que TSé a intersecção enumerável de abertos den-

sos em (C∞(X, Y ), topologia de Whitney C∞). Para isso iremos construir uma cobertura aberta enumerável de S S1, S2, ...tal que para cada i ∈ N temos que

Si satisfaz as seguintes condições:

(i) Si ⊆ S com Sicompacto.

(ii) Existe Uiuma vizinhança coordenada em X com Uicompacto e Viuma

vizinhança coordenada em Y tal que (α× β)(Si)⊆ Ui× Vionde α× β :

Jr(X, Y )→ X × Y , i.e., α(S

i)⊆ Uie β(Si)⊆ Vi.

De fato, para cada σ ∈ S ⊆ Jr(X, Y )com fonte α(σ) = p ∈ X e alvo

β(σ) = q ∈ Y existem cartas (ϕσ, Uσ)em X para p e (ψσ, Vσ) em Y para q,

s.p.g. podemos supor Uσ compacto. Como Uσ e Vσ são abertos de X e Y res-

pectivamente, temos que Uσ × Vσ é aberto em X × Y , assim como α × β é

contínua, temos que σ ∈ (α × β)−1(Uσ × Vσ)é aberto em Jr(X, Y ). Como S

é locamente compacto, existe Kσ vizinhança compacta de σ tal que σ ∈ Kσ

(α×β)−1(Uσ×Vσ)∩S, como S é T3, existe Sσaberto tal que σ ∈ Sσ ⊆ Sσ ⊆ Kσ,

assim Sσ é compacto (pois é um fechado em um compacto). Daí temos que

σ∈ Sσ ⊆ Sσ ⊆ (α × β)−1(Uσ× Vσ)∩ S, segue que α(Sσ)⊆ Uσe β(Sσ)⊆ Vσ.

Assim S =σ∈SSσ, como S é segundo enumerável, temos que existe uma

subcobertura enumerável de S, daí S =i∈NSi com Si satisfazendo as condi-

ções acima para cada i∈ N. Vale a construção.

Defina TSi = {f ∈ C∞(X, Y ) : ∀x ∈ X vale que ou (i)jrf −t S em

(jrf )−1(Si)ou (ii)jrf (x) /∈ Si}.

Afirmação 1: TS =

i∈NTSi

(⊆) Seja f ∈ TS, assim para todo x ∈ X temos que jrf −t S em x. Fixe i

árbitrário, com x ∈ X fixo, se jrf (x) /∈ S

7.6. TRANSVERSALIDADE 115 hipótese que jrf −t S em x. Assim, f ∈ T

Sipara todo i, temos que f

i∈NTSi.

(⊇) Seja f ∈i∈NTSicom x∈ X fixo e arbitrário. Se jrf (x) /∈ S, temos que

jrf −t S em x. Se jrf (x)∈ S =i∈NSi, existe i tal que jrf (x)∈ Si ⊆ Si, mas

f i∈NTSi, segue que f ∈ TSi, e portanto jrf −t S em x, temos o desejado.

Vale a afirmação.

Devemos mostrar portanto que cada TSi é aberto e denso.

(Cada TSié aberto). Defina Ti ={g ∈ C∞(X, Jr(X, Y )) :∀x ∈ X vale que

ou (i)g −t S em (g)−1(Si)ou (ii)x /∈ (g)−1(Si)}. Note que (jr)−1(Ti) = TSi,

pois:

f ∈ (jr)−1(T

i)⇔ jrf ∈ Ti

∀x ∈ X vale que ou (i)jrf −t S em (jrf )−1(S

i)ou (ii)x /∈ (jrf )−1(Si)

f ∈ TSi, temos o desejado.

Assim, (jr)−1(T

i) = TSi, como jr : C∞(X, Y ) → C∞(X, Jr(X, Y )) é

contínua, e Tié aberto pelo corolário7.61, obtemos que TSié aberto.

(Cada TSié denso). Seja f ∈ C∞(X, Y ).

Temos que α(Si) ⊆ Ui com Si compacto, segue que ϕi(α(Si)) ⊆ ϕi(Ui),

onde ϕi(α(Si))é compacto e ϕi(Ui)é aberto, assim existe Oiaberto tal que ϕi(α(Si))

Oi ⊆ Oi ⊆ ϕ(Ui). Podemos escolher uma partição da unidade η diferenciável

subordinada a cobertura aberta{ϕi(Ui),Rn \ Oi} com η : Rn → [0, 1] tal que

η = 1em Oi e η = 0 fora de ϕi(Ui).

De modo análogo, como β(Si)⊆ Vi, existe Oi′aberto de Rmtal que ψi(β(Si))

Oi ⊆ O′i ⊆ ψ(Ui), e existe uma partição da unidade ηdiferenciável subordinada

a cobertura aberta{ψi(Vi),Rm\ O′i} com η : Rm → [0, 1] tal que η′ = 1em Oi′

e η = 0 fora de ψi(Vi).2

Seja B′o espaço das funções deRm → Rm nos quais todas as funções coor-

denadas são polinômios de grau r. Note que a topologia usual de B′ faz de B′

2Note que η e ηsão diferenciáveis pois toda cobertura aberta de variedade diferenciável ad-

116 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE

uma varieadade diferenciável. Para cada b∈ B′definimos gb : X → Y como:

gb(x) = f (x)se x /∈ Ui, e

gb(x) = ψi−1(ψi(f (x)) + b(ϕi(x))η(ϕi(x))η′(ψi(x))), se x∈ Ui

Note que para todo b∈ B′temos que gbé uma função diferenciável de X em

Y. Além disso, repare que gb é uma pertubação polinomial de f a qual é igual a

ffora de Ui. Repare que g0 = f.

Defina G : B′ × X → Y como G(b, x) = gb(x), pela expressão de G(b, x)

segue que também G é diferenciável.

Defina Φ : B′ × X → Jr(X, Y ) como Φ(b, x) = jrg

b(x). Como G :

B′ × X → Y com G(b, x) = gb(x)é diferenciável, pelo teorema 7.35, item

(iii), temos que jrG : B× X → Jr(B× X, Y ) é diferenciável, o que segue que

Φé diferenciável.

Para aplicar o corolário7.63, devemos mostrar que vale a seguinte:

Afirmação 2 : Existe uma vizinhança aberta B de 0 em Btal que Φ|B×X −t S

em alguma vizinhança aberta de Φ−1(Si).

Seja ϵ = 1

2min{d(supp(η′),R

m\ ψ

i(Vi)), d(ψi(β(Si)),Rm\ Oi′)}, onde d é

a métrica euclideana. Defina B := {b ∈ B′|∀x ∈ supp(η) : |b(ϕi(x))| < ϵ},

note que 0 ∈ B. Seja ∆ = B × X ∩ Φ−1(Si), vamos mostrar que Φ|∆ é um

difeomorfismo local C∞(e isso basta, pela observação7.57).

De fato, tome (b, x)∈ ∆ = B × X ∩ Φ−1(Si), temos que b∈ B e Φ(b, x) =

jrg

b(x) ∈ Si, daí gb(x) ∈ β(Si) ⊆ Vi e x ∈ α(Si) ⊆ Ui segue que ϕi(x)

ϕi(α(Si)⊆ Oi, daí η(ϕi(x)) = 1.

Como x∈ Ui, temos que gb(x) = ψ−1i (ψi(f (x))+b(ϕi(x))η(ϕi(x))η′(ψi(x))) =

ψi−1(ψi(f (x)) + b(ϕi(x))η′(ψi(x))).

Seja z = d(ψi(f (x)), ψi(gb(x))). Segue que ψigb(x) = ψi(f (x))+b(ϕi(x))η′(ψif (x)).

Note que f (x) ∈ Vi, caso tivéssemos f (x) /∈ Vi, teríamos que η′(ψif (x)) =

0, e assim ψigb(x) = ψi(f (x)), logo f (x) = gb(x) ∈ Vi contradição. Assim,

0 < η′(ψif (x))≤ 1. Segue que:

7.6. TRANSVERSALIDADE 117

|b(ϕi(x))| < ϵ, pois 0 < η′(ψif (x))≤ 1. Logo z = d(ψi(f (x)), ψi(gb(x))) < ϵ.

Observamos também que ψi(f (x))∈ O′i. De fato, caso contrário, ψi(f (x)) /∈

Oi′, como gb(x) ∈ β(Si), consideremos z = d(ψi(f (x)), ψi(gb(x))). Mas pelo

que acabamos de fazer z < ϵ e por definição de ϵ, ϵ < z, contradição. Portanto

ψi(f (x))∈ O′i, e daí η′(ψi(f (x))) = 1.

Assim, para (b, x)∈ ∆ temos que x ∈ Ui, daí

gb(x) = ψi−1(ψi(f (x)) + b(ϕi(x))η(ϕi(x))η′(ψi(x))) = ψi−1(ψi(f (x)) +

b(ϕi(x))). Segue que para (b, x)∈ ∆ temos que x ∈ Ui, daí Φ(b, x) = jrgb(x) =

jr−1

i (ψi(f (.)) + b(ϕi(.))))(x) (*). Por continuidade da Φ, existe uma vizi-

nhança aberta W(b,x)de (b, x) tal que vale (*).

Considere σ = jrg(y) ∈ Φ|

(W(b,x)) ⊆ Jr(X, Y ), seja b′ o polinômio

de B tal que σ = jrg(y) = (ψ−1

i (ψi(f (.)) + b′(ϕi(.))))(y). A função Γ :

Φ|(W(b,x)) → B × X dada por Γ(σ) = Γ(jrg(y)) = Γ(jr(ψ−1i (ψi(f (.)) +

b′(ϕi(.))))(y)) = (b′, y)é diferenciável e é bijetora.

Vamos mostrar que Γ é bijeção com W(b,x), sejam Γ(σ1) = Γ(σ2)com σ1 =

jrg(y) = (ψi−1(ψi(f (.)) + b′(ϕi(.))))(y) e σ2 = jrh(z) = (ψi−1(ψi(f (.)) +

b′′(ϕi(.))))(z). Portanto Γ(σ1) = (b′, y) = (b′′, z) = Γ(σ2), daí b′ = b′′e y = z

segue daí que σ1 = σ2. Seja (b′′′, x′) ∈ W(b,x), pelo parágrafo anterior, temos

que Φ(b′′′, x′) = jrgb′′′(x′) = jr(ψi−1(ψi(f (.)) + b′′′(ϕi(.))))(x′), basta tomar

σ3 = jrgb′′′(x′)e segue o desejado.

Segue que Φ é um difeo local na vizinhança aberta W(b,x) de (b, x). Vale a

afirmação 2.

Como vale a afirmação 2, pelo corolário 7.63, temos que A = {b ∈ B :

jrg

b −t S em uma vizinhança aberta de Φ−1(Si)} é denso em B. Como 0 ∈ B,

existe bn → 0 com bn ∈ A. Considere gbn : X → Y com bn ∈ A. Segue que

gbn ∈ TSi ={f ∈ C∞(X, Y ) :∀x ∈ X vale que ou (i)jrf −t S em (jrf )−1(Si)

ou (ii)jrf (x) /∈ S i}.

Afirmação 3: gbn → f na topologia de Whitney C∞em C∞(X, Y ).

Pela proposição7.42, basta mostrar que para todo s ∈ N ∪ {0} temos que

gbn → f na topologia de Whitney Csem C∞(X, Y ). Fixado s∈ N, pela propo-

sição7.44, temos que mostrar que: Existe um compacto Ks ⊆ X tal que:

118 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE

(a) jsgbn converge uniformemente para jsfem Ks

(b) existe n0 tal que para n ≥ n0temos que ds(jsgbn(x), jsf (x)) = 0para

todo x /∈ Ks.

Considere Ks = Ui compacto. Vejamos:

(b) Qualquer que seja bn onde bn → 0 quando nto∞. Temos que se x /∈

Ks = Ui, segue que x /∈ Ui, então segue da definição que gbn(x) = f (x), assim

jsgbn(x) = jsf (x), e portanto ds(jsgbn(x), jsf (x)) = 0para todo x /∈ Ui, temos

o desejado.

(a)Vamos mostrar que jsg

bnconverge uniformemente para jsfem Ui. Para

cada n∈ N, defina λn : X → R tal que λn(x) = ds(jsf (x), jsgbn(x)), como Uié

compacto, existe xn∈ Uital que ds(jsf (x), jsgbn(x)) ≤ ds(jsf (xn), jsgbn(xn))

para todo x∈ Ui, defina max(n) := ds(jsf (xn), jsgbn(xn)).

Como G : B′×X → Y com G(b, x) = gb(x)é diferenciável, pelo teorema de

jatos, item (d), temos que jsG : B× X → Js(B× X, Y ) é diferenciável. Agora,

também jsf : X → Js(X, Y )é contínua, pois f : X → Y é contínua. Repare

que como Ui é compacto, f (Ui)é compacto. Note que para todo n, xn ∈ Ui

compacto e f (xn)∈ f(Ui)compacto também.

Sub-afirmação: limn→∞max(n) = 0

Suponha que não, então existe δ > 0 tal que para infintos n′s, digamos n′ks,

temos que max(nk)≥ δ > 0. Assim, ds(jsf (xnk), jsgbnk(xnk))≥ δ > 0.

Como para todo n,xn ∈ Ui compacto e f (xn) ∈ f(Ui)compacto também.

Por compacidade, podemos supor s.p.g. que limxnk = x0 ∈ Uiquando k tende

para o infinito. Segue que limk→∞jsf (xnk) = jsf (x0)e limk→∞jsG(gbnk, xnk) =

jsG(lim k→∞(gbnk, xnk)) = jsG(g0, x0) = jsg0(x0) = jsf (x0). Agora, ds(jsf (x nk), jsgbnk(xnk))≥ δ > 0 ds(jsf (xnk), jsG(bnk, xnk))≥ δ > 0 limk→∞ds(jsf (xnk), jsG(bnk, xnk))≥ δ > 0 ds(limk→∞jsf (xnk), limk→∞j sG(b nk, xnk))≥ δ > 0 0 = ds(jsf (x

7.6. TRANSVERSALIDADE 119 afirmação.

Agora, dado ϵ > 0 arbitrário como limn→∞max(n) = 0, existe n0 tal que

para n ≥ n0 temos que max(n) < ϵ segue que ds(jsf (x), jsgbn(x)) < ϵpara

todo x∈ Ui, e vale (a).

Como vale a afirmação 3, temos qualquer que seja a vizinhança V de f , te- mos que V ∩ TSi ̸= ∅, donde se concluir que TSi é denso, pois f foi tomada

arbitrariamente em C∞(X, Y ). O que prova o teorema.

7.65 Corolário. Sejam X e Y variedades diferenciáveis com S subvariedade de Jr(X, Y )tal que α(S) ⊆ U onde U é um subconjunto aberto de X. Seja f ∈

C∞(X, Y )e Vf uma vizinhança aberta de f em C∞(X, Y ). Então existe uma

função diferenciável g : X → Y em Vf tal que g = f fora de U e jrg −t S.

Demonstração. Fixado uma f ∈ C∞(X, Y )Definiríamos TS′ como{g ∈ C∞(X, Y ) :

jrg −t S e g = f fora de U}. Como estamos supondo α(S) contido em algum

aberto U de X, na construção anterior devemos escolher os Ui′sabertos tais que

Ui ⊆ U. De modo análogo, definimos TSi′ = {g ∈ C∞(X, Y ) :temos que

g = f fora de Ui e para todo x ∈ X vale que ou (i) jrg −t S em jrg−1(Si)

ou (ii)x /∈ jrg−1(S

i)}. Assim para x /∈ U, temos que x /∈ Ui, e portanto as

pertubações gb são iguais a f fora de U . Seguindo a demonstração do teorema,

concluímos que TS é denso, e segue que existe g ∈ Vf tal que jrg −t S e g = f

fora de U .

7.66 Teorema. (Teorema de Transversalidade de Thom)

Sejam X e Y variedades diferenciáveis com S subvariedade de Y . Então

(i) o conjunto{f ∈ C∞(X, Y )|f −t S} é denso, e se S é fechado então esse

conjunto é também aberto.

(ii) Sejam U1e U2subconjuntos abertos de X com U1 ⊆ U2. Seja f ∈ C∞(X, Y )

e Vf uma vizinhança aberta de f em C∞(X, Y ). Então existe uma função

diferenciável g : X → Y em Vf tal que g = f em U1e g −t S fora de U2.

Demonstração. (i) Lembre que J0(X, Y ) = X × Y e j0f (x) = (x, f (x)). A

120 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE

submersão, então β−1(S)é uma subvariedade de J0(X, Y ) = X× Y . Note que

j0f : X → X × Y = J0(X, Y ).

Afirmação: Se j0f −t β−1(S)em x então f −t S em x

Seja x ∈ X fixo e arbitrário. Se f(x) /∈ S, então f −t S em x e temos o desejado. Se f (x) ∈ S, logo (x, f(x)) ∈ β−1(S). Segue da hipótese que j0f −t

β−1(S)em x, daí

T(x,f (x))X×Y = T(x,f (x))β−1(S)+(dj0f )x(TxX), aplicando agora (dβ)(x,f (x))

em ambos os lados, obtemos

(dβ)(x,f (x))T(x,f (x))X×Y = (dβ)(x,f (x))T(x,f (x))β−1(S)+(dβ)(x,f (x))(dj0f )x(TxX)

mas

a) (dβ)(x,f (x))T(x,f (x))X × Y = Tβ(x,f (x))β(X × Y ) = Tf (x)β(X × Y ) =

Tf (x)Y

b) (dβ)(x,f (x))T(x,f (x))β−1(S) = Tf (x)β(β−1(S))⊆ Tf (x)S

c)Note que f = β ◦ j0f. Daí

(dβ)(x,f (x))(dj0f )x(TxX) = d(β◦ j0f )x(TxX) = (df )x(TxX)

Obtemos que:

Tf (x)Y = Tf (x)β(β−1(S)) + (df )x(TxX), no que segue que:

Tf (x)Y = Tf (x)S + (df )x(TxX), e portanto f −t S em x. Vale a afirmação.

Acabamos de mostrar que {f ∈ C∞(X, Y ) : j0f −t β−1(S)} ⊆ {f ∈

C∞(X, Y ) : f −t S}. Agora, pelo teorema anterior, {f ∈ C∞(X, Y ) : j0f −t

β−1(S)} é denso, logo {f ∈ C∞(X, Y ) : f −t S} é denso também. Por fim, se

Sé fechado basta aplicar diretamente o lema7.60, e portanto{f ∈ C∞(X, Y ) :

j0f −t β−1(S)} é aberto, vale (i).

(ii)Note que S′ = β−1(S)∩ (X × Y \ α−1(U2))é uma subvariedade de

X× Y pois X × Y \ α−1(U2)é um aberto de X× Y . Note que α(S′)⊆ X \ U1,

pois S′ ⊆ X × Y \ α−1(U2), onde U := X \ U1 é aberto, logo pelo corolário 7.65temos que existe uma g : X → Y em Vf tal que j0g −t S′e g = f fora de U .

7.6. TRANSVERSALIDADE 121 portanto g = f em U1. Note que j0g −t S′ se, e somente se, j0g −t β−1(S′)fora

de U2, decorre diretamente da definição de S′. Logo j0g −t β−1(S′)fora de U2, e

portanto g −t S′ fora de U2 como em (i). Vale (ii), e temos o desejado.

Existe uma generalização do teorema de transversalidade o qual é muito útil para o estudo da injetividade de funções diferenciáveis. Precisamos de algumas definições. Sejam X e Y variedades diferenciáveis. Lembre que Xs = X× X ×

...× X produto cartesiano (s-vezes), seja ∆Xsa ‘‘diagonal” de Xs, assim ∆Xs =

{(x1, ..., xs) ∈ Xs : x1 = x2 = ... = xs}. Defina X(s) := Xs \ ∆Xs. Seja

α : Js(X, Y )→ X a função fonte, e β : Js(X, Y )→ Y a função alvo. Definimos

o s-fold fonte e alvo funções como:

αs : (Jr(X, Y ))s → Xsdada por (jrf 1(p1), ..., jrfs(ps)) 7→ (p1, ..., ps) Xsonde f1, ..., fs ∈ C∞(X, Y ). βs : (Jr(X, Y ))s → Ysdada por (jrf 1(p1), ..., jrfs(ps))7→ (f1(p1), ..., fs(ps)) Ysonde f 1, ..., fs ∈ C∞(X, Y ). Definimos Jr

s(X, Y ) := (αs)−1(X(s))chamado de s-fold r-jato fibrado. Note

que X(s)e Jr

s(X, Y )são abertos de Xse (Jr(X, Y ))srespectivamente, e portanto

são variedades diferenciáveis. Agora considere f : X → Y função diferenciável, podemos definir s-fold r-prologação como sendo a seguinte função:

jr

s : X(s) → Jsr(X, Y )dada por (p1, ..., ps)7→ (jrf (p1), ..., jrf (ps)).

Apresentamos agora a generalização do teorema de transversalidade para jatos da qual a prova será omitida (veja (??) p. 57-59), isso por que a idéia principal da demonstração desse teorema é a mesma do teorema de transversalidade para jatos.

7.67 Teorema. (Teorema de transversalidade para Multijatos) Sejam X e Y vari- edades diferenciáveis com Z subvariedade de Jr

s(X, Y ). Seja

TZ ={f ∈ C∞(X, Y )|jsr−t Z}

Então TZé um subconjunto residual de C∞(X, Y ). Mais ainda se Z é compacto

então TZé aberto.

7.68 Observação. Dizer que tranversalidade é uma propriedade genérica significa, do ponto de vista físico, que apenas aplicações transversais são observáveis. Neste sentido, quase todas as aplicações são transversais.

122 CAPÍTULO 7. TRANSVERSALIDADE

No documento Topologiadiferencial2016 (páginas 116-132)

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