O socorrista que “mexe” num queimado deve ter o cuidado de não por em contacto com os tecidos queimados material que não esteja esterilizado, nem lançar de qualquer modo sobre eles produtos contaminados (não tossir, nem respirar directamente sobre a queimadura).
Se houver a certeza de que o queimado vai receber cuidados médicos durante as três primeiras horas, o melhor é envolvê-lo, num lençol limpo. Caso não haja a certeza do queimado não vir a ser assistido neste prazo, teremos mesmo que fazer qualquer coisa, o objectivo principal é proteger a queimadura contra maior contaminação, diminuindo assim, as possibilidades de infecção:
1. Se houver roupa a cobrir a queimadura, cortá-la e retirá-la, sem tocar nesta; não tentar puxar fragmentos que fiquem agarrados aos tecidos queimados.
2. Não perfurar as vesículas, maiores ou menores, características das queimaduras de 2º grau.
3. Não aplicar qualquer produto, anti-séptico ou não (proibido o uso de tintura, álcool, água oxigenada, etc.).
4. Aplicar um penso, sendo obviamente preferível um penso esterilizado, ou na sua falta um pano limpo. Ligar a região com certa firmeza (o que além de fixar o penso, faz diminuir a dor).
5. Uma vez feito o penso, não o mudar até à observação pelo médico.
CONCLUSÃO
O homem em contacto com a natureza, pode ser vítima de mordeduras dos diferentes animais.
As mordeduras provocadas pelo cão, gato, rato, vaca, porco, são feridas que têm dois perigos;
primeiro a infecção, segundo a transmissão da raiva. Destes animais citados a mordedura do gato é a menos frequente, mas a mais perigosa.
Tratamento: É importante apoderar-se do animal que causou a mordedura e levá-lo a um laboratório de animais.
Sem perda de tempo deve consultar o médico, por insignificante que pareça a ferida da mordedura, quase sempre se infecta e por vezes com gravidade. O tratamento deve ser feito mediante a resposta do laboratório. Ter em conta que os animais que possuem a raiva, transmitem o micróbio não só mordendo, como lambendo as pessoas.
Mordeduras de Serpentes Venenosas
Em Portugal podemos encontrar este tipo de animal, a mais frequente é a víbora, que abunda mais na região da Serra da Estrela.
Após a mordedura os sintomas podem ser imediatos, ou surgirem passadas várias horas. No primeiro caso consiste; dor local. Produz-se inchaço e vermelhão no local da mordedura, passado 15 a 20 minutos surge o estado de choque.
Tratamento: Não perder tempo, fazer tudo com o máximo de rapidez.
No caso de uma mordedura no braço:
• Atar uma ligadura no membro mordido logo acima da ferida, de modo a interromper a circulação.
• Cortar ligeiramente unindo os pontos de mordedura (desinfecte uma faca na chama de uma fogueira).
• Deixe que sangre.
• Chupar o veneno com a boca e cuspir, o indivíduo que executa esta operação se tiver alguma ferida nos lábios não o deverá fazer, utilizar uma ventosa.
• Colocar na ferida água oxigenada. Caso não tenha este produto, lavar com água limpa ou queimar a ferida com um ferro quente.
• Levar o paciente a um Centro Médico onde possa ser injectado contra o veneno da serpente.
• Dar ao doente bebidas alcoólicas e café forte, de meia em meia hora (sem excesso).
• Não se levantar da cama, beber chá de Tília e fazer um banho de vapores na zona mordida.
Picaduras perigosas: Escorpião, Aranha Tropical, Lacrau.
Sintomas: dor, febre, delírio, convulsões, angústia, ataques com forte dor na zona do coração. As picaduras nas crianças são mais graves, pelo qual o tratamento deve ser urgente e rigoroso.
O tratamento a seguir mencionado pode-se estender a diferentes animais desde que apresentem os sintomas atrás referidos.
Tratamento: (picadura num membro) colocar uma ligadura logo acima da picadela.
• Tirar o agulhão suavemente.
• Ampliar a ferida e deixe sangrar.
• Aplicar água oxigenada ou tintura de iodo.
• Transportar o doente a um Centro de Saúde.
• Colocar o doente na cama bem agasalhado para transpirar. Fazer banhos de vapor no local afectado.
HIPOTERMIA
A temperatura normal do corpo deve ser de 37º. Quando a temperatura corporal desce abaixo de 35º e o corpo não é capaz de gerar calor para recuperar, fala-se de hipotermia, que pode ocorrer quando o corpo é submetido a um ambiente muito frio. Se o indivíduo se encontrar muito debilitado fisicamente, os mecanismos de defesa do corpo ficam diminuídos, do qual aumentam os riscos de hipotermia.
Os principais sintomas são os calafrios. Conforme a temperatura vai diminuindo, aumenta a gravidade da hipotermia; consequentemente surge a diminuição da actividade muscular, que chega a desaparecer quase por completo, pulso fraco, arritmias e, inclusivamente pode surgir uma paragem cardíaca. Se a temperatura corporal desce abaixo de 20º, entra-se em coma.
Tratamento: Agasalhar bem o acidentado (principalmente a cabeça e o pescoço), caso tenha roupa molhada deve ser retirada e levá-lo para um lugar seco e protegido do vento.
Se não houver contra-indicações dar-lhe bebidas quentes em pequenas quantidades e com frequência. As bebidas com potássio também são aconselhadas, como os sumos de laranja e limão, ou bebidas exóticas. No caso dos alimentos sólidos, devem ter sal, como frutos secos salgados.
DESIDRATAÇÃO
Os sintomas variam conforme a quantidade de perda de líquidos e sais minerais. Os primeiros indícios são a sensação de sede, lábios gretados, falta de apetite, sonolência, mau humor e náuseas.
Para evitar a desidratação, deve-se beber pequenas quantidades de água de meia em meia hora. Se a água for ligeiramente açucarada ou em combinação com sumo de laranja ou limão o combate à desidratação é melhorado.
CONGESTÃO
A congestão é conhecida como “paragem de digestão”, resulta quando o corpo é submetido a uma mudança brusca de temperatura. O corpo reage, sendo afectada a função circulatória. Os principais sintomas é a palidez e um pulso fraco.
Como prevenção, nunca realizar uma actividade física com o estômago cheio, evitar águas muito frias sem um fato apropriado e principalmente quando se está a fazer a digestão.
Uma congestão pode também produzir um estado de hipotermia.
Destina-se a todos níveis de piloto