II Como olhamos «azilha»
Desenhos 20 50 subordinados ao tema “ A minha sala de aula Textos 20 com o seguinte tema: “Um dia na escola”
1.4. Tratamento de dados
1.4.1 - Análise de conteúdo
Neste trabalho, recorremos à análise de conteúdo para o tratamento da informação recolhida. A análise de conteúdo utiliza-se em vários ramos das ciências sociais e humanas. A sua definição tem evoluído ao longo do tempo, privilegiando na sua abordagem, ora o conteúdo manifesto na informação, ora a procura da inferência.
Para Vala (1986) a análise de conteúdo tem por finalidade efectuar inferências, com base numa lógica explicitada sobre as mensagens cujas características foram inventariadas e sistematizadas. Desta forma, a análise de conteúdo é utilizada como uma técnica, que pode ser aplicada a diferentes métodos e a diversos níveis de investigação.
I. Guerra define análise de conteúdo partindo do “pressuposto que é uma técnica e não um método, utilizando o procedimento normal da investigação – a saber, o confronto entre um quadro de referência do investigador e o material empírico recolhido. Nesse sentido, a análise de conteúdo tem uma dimensão descritiva que visa dar conta do que nos foi narrado e uma dimensão interpretativa que decorre das interrogações do analista face a um objecto de estudo, com recurso a um sistema de conceitos teórico-analíticos cuja articulação permite formular as regras de inferência” (2006: 62).
A análise de conteúdo, segundo Carmo e Ferreira (1998), compreende várias etapas. Primeiro são definidos os objectivos da investigação e um quadro teórico de referencia. Depois procede-se à constituição de um corpus.
Decorrente do corpus existente, definem-se as categorias em função das quais o conteúdo é classificado. I. Guerra define categoria como “uma rubrica significativa ou uma classe que junta, sob uma noção geral, elementos do discurso. O sentido da identificação da categoria deve ser bem explícito” (2006: 80).
O desenvolvimento de categorias de significação “resulta da interacção entre os eixos de análise que presidem à concepção e operacionalização do dispositivo de recolha de dados e as regularidades, padrões e tópicos que emergem da leitura analítica dos textos. O
investigador vai, assim, construindo uma lista de categorias internamente consistentes mas distintas umas das outras” (Afonso, N. 2006: 121).
Carmo e Ferreira (1998) consideram que a escolha de categorias é fundamental na análise de conteúdo e que estas devem possuir as seguintes características:
- Exaustivas: o que significa que todo o conteúdo que se decidiu classificar, deve ser integralmente incluído nas categorias consideradas. - Exclusivas: os mesmos elementos devem pertencer a uma e não a várias
categorias.
- Objectivas: as características de cada categoria devem ser explicitadas sem ambiguidade e de forma suficientemente clara.
- Pertinentes: devem manter uma estreita ligação com os objectivos e com o conteúdo que está a ser classificado.
Neste estudo, o corpus, ou seja o conjunto dos documentos recolhidos para proceder posteriormente à análise de conteúdo, é formado, como já foi referido, pelas entrevistas aos professores, entrevistas aos professores do IP, entrevistas a diferentes especialistas, questionários aos alunos do último ano do curso de professores do EB, observações de aulas e de salas de aula, desenhos e textos de crianças.
Todas as entrevistas foram transcritas, reproduzindo com exactidão as palavras utilizadas pelo entrevistado, embora ignorássemos aspectos que considerámos desnecessários ao objecto de estudo. Fizemos a leitura repetida de todos os textos para nos familiarizarmos com a informação recolhida, ganhando alguma competência em gerir o volume de informação. Progressivamente, aprofundámos o conhecimento sobre o material empírico, fomos retendo na memória os actores, as situações, incidentes críticos, citações, frases carregadas de significado, isto é, produzindo categorias e subcategorias que foram definidas à posteriori do trabalho de campo.
Apresentamos, em seguida, os blocos fundamentais de análise e a justificação das respectivas categorias, tendo em consideração as subcategorias. É evidente que a consolidação desta lista de categorias passa pela sua organização numa hierarquia, na medida em que as categorias vão sendo conceptualizadas com diversos níveis de abrangência e especificidade que estão patentes nas subcategorias. Assim, configuram-se as seguintes categorias distribuídas por três blocos:
Bloco A: Desenvolvimento curricular para o ensino/aprendizagem da LP
1ª Categoria: Currículo. Centra-se nesta categoria a opinião dos inquiridos sobre constituição, organização e caracterização do currículo cabo-verdiano. Nomeadamente sobre a caracterização, os dados seleccionados relacionam-se com a qualidade, coerência e eficiência do currículo.
2ª Categoria: Operacionalização do currículo. Nesta categoria estão expressas as declarações dos inquiridos no que respeita às formas de flexibilização curricular, aos tipos de documentos que produzem para o desenvolvimento do ensino/aprendizagem, assim como os suportes técnico/estratégicos que utilizam na prática pedagógica.
Bloco B: Espaço pedagógico
1ª Categoria: Organização da sala de aula. Fazem parte desta categoria todos os elementos que se referem à disposição das mesas na sala de aula, às áreas de trabalho e aos instrumentos organizativos.
2ª Categoria: Materiais de ensino. Esta categoria é composta pelas subcategorias relativas aos materiais pedagógicos colectivos e individuais.
Bloco C: O ensino/aprendizagem de LP
1ª Categoria: Ensino da escrita e da leitura. Agrupam-se nesta categoria os dados referentes: aos modelos de ensino no geral e aos modelos de ensino de L2, utilizados nas escolas aos conteúdos e actividades de LP abordados na sala de aula e às dificuldades que os alunos apresentam na aprendizagem da leitura e escrita.
2ª Categoria: Técnicas e estratégias. Pertencem a esta categoria todos os elementos que nos possam esclarecer sobre a utilização diversificada de estratégias.
Bloco D: A avaliação dos alunos do EBI
1ª Categoria: Sistemas de avaliação em Cabo Verde. Incluem-se aqui as funções e as modalidades da avaliação apontadas pelos inquiridos.
2ª Categoria: Operacionalização da avaliação na escola/turma. Seleccionámos para esta categoria as respostas dos entrevistados sobre intervenientes, critérios, estratégias e instrumentos de avaliação e ainda a justificação das retenções.
3ª Categoria: Avaliação em LP. Incluem-se nesta categoria todos os elementos sobre os aspectos a avaliar, assim como as estratégias e os instrumentos de avaliação específicos de LP.
Bloco E: A formação dos professores para o ensino/aprendizagem da LP
1ª Categoria: Formação inicial. Encontram-se, nesta categoria, os elementos referentes ao desenvolvimento desta formação e às atitudes que ela provoca nos formandos. Também fazem parte desta categoria os pareceres dos inquiridos sobre a articulação entre disciplinas e a contextualização dos programas ao sistema educativo, especificamente no que diz respeito ao EBI.
2ª Categoria: Formação contínua/em exercício. Esta categoria é constituída pelas subcategorias relacionadas com o desenvolvimento e as modalidades de formação, com especial ênfase para a autoformação.
3ª Categoria: Formação em LP. Esta categoria congrega subcategorias que definem e caracterizam a formação ministrada em LP e ainda mostra quais os conhecimentos adquiridos, para os professores diversificarem técnicas/estratégias para a prática pedagógica.
4ª Categoria: Competências em LP. Seleccionámos para esta categoria as subcategorias respeitantes à proficiência linguística dos professores em LP.
5ª Categoria: Representação da formação. Congregam-se aqui as opiniões dos inquiridos sobre as dificuldades sentidas pelos professores e futuros professores na formação para o ensino, assim como os aspectos positivos e negativos da formação e os aspectos do sistema a melhorar.
Bloco F: A reforma curricular
1ª Categoria: Diagnóstico. Agrupam-se nesta categoria os aspectos positivos e negativos do EBI que na globalidade o caracterizam.
2ª Categoria: Directrizes. Constituímos esta categoria com todos os indicadores que nos dão a percepção do desenvolvimento e implantação da reforma em curso no sistema de ensino caboverdiano.
3ª Categoria: Perspectivas futuras. Consideram-se nesta categoria todos os indicadores que fazem o prognóstico do EB no que se refere às inovações curriculares, às novas áreas programáticas e à LP na reforma curricular.
Apresentamos em anexos (anexos 15, 16, 17) os quadros de tratamento do corpus, onde estão expressos os blocos, as categorias, as subcategorias e os respectivos indicadores.