6. Organização dos serviços para o Tratamento Diretamente Observado
6.7. Tratamento Diretamente Observado da Tuberculose
O TDO da tuberculose consiste na tomada diária (de segunda a sexat-feira) da medicação sob supervisão do profissional de saúde, possibilitando uma interação, co-responsabilidade e aprendizado de todos os atores (enfermeiro, técnico e ou auxililiar de enfermagem, agente comunitário de saúde) e
Identificação do sintomático respiratório pelos profissionais de saúde Atendimento de enfermagem Solicitação da baciloscopia do escarro Resultado positivo ** Encaminha para consulta médico Enfermeiro inicia o esquema básico da TB conforme protocolo do MS Resultado negativo, sem sintomas Orientação Resultado negativo, com sintomas Consulta *medica
eventualmente por outra pessoa, desde que devidamente capacitada e sob monitoramento do enfermeiro com finalidade de conduzir o paciente em tratamento até a cura. No entanto, se para o doente a opção de três vezes por semana for necessária, deve ser exaustivamente explicado sobre a necessidade da tomada diária, incluindo os dias em que o tratamento não será observado. Excepcionalmente, pode ser considerado o envolvimento familiar e ou comunitário desde que monitorado pelo enfermeiro. Para fins operacionais, ao final do tratamento, para a decisão se o tratamento foi supervisionado convenciona-se que este doente deverá ter tido no mínimo 24 tomadas diretamente observadas na fase de ataque e 48 doses na fase de manutenção.
6.7.1. A quem se destina o Tratamento Diretamente Observado?
Para todos os pacientes com diagnóstico de tuberculose, prioritariamente os bacilíferos.
6.7.2. Objetivos do Tratamento Diretamente Observado
• Melhorar a atenção ao doente por meio do acolhimento humanizado; • possibilitar a adesão, garantindo a cura;
• reduzir a taxa de abandono;
• interrromper a cadeia de transmissão da doença; • diminuir o surgimento de bacilos multirresistentes; • reduzir a mortalidade;
• reduzir o sofrimento humano, uma vez que se trata de uma doença consuptiva, transmissível e de alto custo social;
• realizar uma educação em saúde mais efetiva, de forma individualizada voltada para orientar e co-responsabilizar o indivíduo, família e comunidade nas ações de saúde.
6.7.3. A organização dos Serviços de Tuberculose deverá assegurar que: • O doente receba o tratamento de tuberculose na Unidade de Saúde mais próxima de sua residência;
• seja administrada a medicação no domicílio, unidade de saúde ou trabalho auxiliado pelo profissional de saúde (enfermeiro, técnico e ou ou auxililiar de enfermagem, Agente Comunitário de Saúde);
• eventualmente o TDO poderá ser ministrado por outra pessoa, desde que devidamente treinado e monitorado pelo enfermeiro, onde serão analisadas as condições de administração e efetivação da tomada da medicação;
• a pessoa que participa da administração dos medicamentos, deverá ser identificada e aceita pelo paciente;
• dois profissionais da Unidade de Saúde se responsabilizem concomitantemente pelo TDO do doente, em virtude de licenças, férias e doença;
• seja disponibilizado o tratamento para cada doente que ingresse no programa de tuberculose;
• se viabilize fluxo para a realização dos exames de escarro e a entrega dos resultados;
• seja garantida a internação do paciente (± 10,0% dos casos novos), quando necessário.
• seja garantida a referência/ contra-referência.
• na Unidade de Saúde haja uma organização dos registros e de informações dos usuários sob investigação e em tratamento da tuberculose, a saber:
1) Registro de Sintomático Respiratório no Serviço de Saúde;
2) Registro de pacientes e acompanhamento de tratamento dos casos de tuberculose;
3) Ficha de Notificação/Investigação de Tuberculose (SINAN); 4) Registro dos contatos
5) Boletim de Acompanhamento de casos de tuberculose (SINAN) 6) Ficha de Acompanhamento da Tomada Diária da Medicação, 7) Agenda para marcação de consulta, e;
a) Registro de Sintomático Respiratório (Anexo VI)
Após a abordagem do paciente sintomático respiratório, o enfermeiro/técnico/auxiliar/ACS deverá proceder à entrevista e solicitar a baciloscopia de escarro e preencher adequadamente os dados no livro de Registro de Sintomático Respiratório no Serviço de Saúde. Este registro é importante em função da identificação do sintomático respiratório para efetivação do diagnóstico de tuberculose e início do tratamento, subsidia o alcance de metas anuais de sintomáticos a serem examinados por cada serviço de saúde. Permite também verificar o tempo decorrido entre a identificação do caso e a realização do exame pelo paciente, o seguimento do protocolo que preconiza a coleta de duas amostras de escarro para o diagnóstico e ainda o índice de positividade em cada serviço. Os dados no sistema de registro deverão ser preenchidos corretamente e atualizados regularmente, inclusive as informações “em branco”, logo que os resultados dos exames cheguem à Unidade de Saúde. Observar as instruções de preenchimento de acordo com as normas do Ministério da Saúde. Cada equipe de saúde (ESF e PACS) deve utilizar todos os instrumentos de registros padronizados pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose.
b) Registro de pacientes e acompanhamento de tratamento dos casos de tuberculose (Anexo I)
Após o diagnóstico do paciente com tuberculose no serviço de saúde, o “caso” será registrado no livro de Registro de pacientes e acompanhamento de tratamento dos casos de tuberculose. O enfermeiro deverá preparar a equipe para observar o preenchimento de todos os campos obrigatórios, a fim de mantê-los atualizados. As informações “em andamento” devem ser atualizadas logo que os resultados cheguem à Unidade de Saúde. Esse instrumento de registro vai permitir a análise do paciente inscrito no serviço, o acompanhamento do tratamento e o motivo da alta, além dos indicadores operacionais e epidemiológicos, contatos registrados e examinados, além do acompanhamento mensal das baciloscopias. Subsidia a inclusão das informações para a Ficha de Notificação/Investigação de Tuberculose e de Acompanhamento de Tuberculose, mostrando assim, a
evolução atualizada da totalidade dos pacientes com tuberculose sob sua responsabilidade.
c) Ficha de Notificação/Investigação de Tuberculose/ SINAN-NET (Anexo VII)
Após o registro do caso de tuberculose, será realizado o preenchimento da Ficha de Notificação/Investigação de Tuberculose/SINAN-NET. O enfermeiro deverá verificar o preenchimento destas informações, particularmente, dos campos obrigatórios e providenciar atualização sistemática dos dados “em andamento” e ou de acompanhamento do paciente. O objetivo desta informação é manter o sistema de registro no banco de dados (SINANNET) de forma consistente e atualizado nos três níveis do sistema (municipal, estadual e federal). Assinala-se também, que os dados da ficha de notificação devem ser revisados pelo enfermeiro antes da digitação no SINAN-NET, para que ele avalie as informações prestadas nos campos obrigatórios, em branco e as inconsistências.
d)Registro de contatos
Estabelecer um sistema de registro que contemple os contatos identificados, examinados, assim como os exames realizados e as condutas adotadas.
e) Boletim de Acompanhamento de casos de Tuberculose (Anexo VIII)
O Enfermeiro deverá informar ao sistema de informação (SINAN-NET) sobre os dados de acompanhamento do paciente com tuberculose, imediatamente após o encerramento do caso. Identificar os campos obrigatórios que incluem os resultados mensais das baciloscopias, a forma de tratamento e a situação de encerramento do doente até o 9º e/ou 12º mês. Providenciar atualização sistemática dos dados “em andamento” (HIV, Cultura e Histopatológico) e “em branco”.
f) Ficha de Acompanhamento da Tomada Diária da Medicação
(Anexo IX)
Esta ficha deverá ficar no serviço de saúde ou pode acompanhar o profissional de saúde/ pessoa indicada durante a administração do tratamento diretamente observado. Após a administração do fármaco o profissional de saúde/ pessoa indicada deverá registrar a informação na Ficha de Acompanhamento, considerando o dia da tomada, a dose empregada e as intercorrências observadas,
sendo este o registro oficial do tratamento diretamente observado. Cabe ao enfermeiro orientar e realizar o monitoramento dos profissionais de saúde/pessoa indicada no preenchimento destas informações, observando as legendas do cartão.
g) Agenda manual para marcação de consulta
A agenda faz parte da organização do serviço para o atendimento dos doentes com tuberculose, uma vez que o paciente terá que ser acompanhado na Unidade de Saúde para exames, consulta com o enfermeiro e o médico. O agendamento manual deve ser utilizado em locais onde o serviço de tuberculose não esteja informatizado.
h) Boletim de transferência
No caso de transferência do paciente de tuberculose de um serviço a outro, de um município a outro por qualquer motivo, é necessário o encaminhamento do mesmo com dados da unidade de origem do paciente, início e evolução do tratamento, forma clínica, descrição de reação adversa se for o caso, controle de contatos, entre outros aspectos.
6.8. A humanização da assistência do paciente em tratamento para