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Tratamento e/ou abordagem do conteúdo

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Capítulo III – O jornalismo no interior paulista

2. A pesquisa empírica

2.1 Conteúdo editorial

2.1.5 Tratamento e/ou abordagem do conteúdo

a) Jornal da Cidade

Com relação ao tratamento ou à forma de abordar o conteúdo38, 96 (48,7%) deles se apresentam predominantemente descritivos, 22 (11,2%) de abordagem político-partidária, 17 (8,6%) estatístico, 15 (7,6%) instrutivo, 14 (7,1%) explicativo, 13 (6,6%) burocrático, 7 (3,6%) humanístico, 5 (2,5%) histórico, 4 (2%) contestatório, 2 satírico, 1 analítico e 1 reflexivo. Aqui, questiona-se qual o papel do jornalismo quando este é muito mais descritivo do que analítico e contestatório, por exemplo, principalmente no contexto e em uma perspectiva local, onde a cobertura jornalística por diferentes mídias nem sempre é abundante.

GRÁFICO 13 - Tratamento e/ou abordagem do conteúdo - Jornal da Cidade

38 Neste tópico, buscou-se classificar cada texto de acordo com aquela abordagem que se julgou predominante. É

claro que um texto descritivo também pode ter algo de político-partidário. No entanto, aqui se apontou aquele tipo de tratamento que, para nós, predominava. Não se parte de categorias pré-definidas, mas de uma análise exploratória. Classificou-se como contestatório os conteúdos que, de alguma forma, traziam uma abordagem que contestava, questionava ou debatia alguma medida, ação ou promoção local, seja pública ou privada.

b) Cruzeiro do Sul

No caso do Cruzeiro do Sul, do total de conteúdos publicados no período, 63 foram construídos numa abordagem apenas descritiva (32,6%), 21 com tratamento humanístico (10,9%), 20 instrutivo (10,4%), 17 estatístico (8,8%), 17 explicativo (8,8%), 17 político- partidário (8,8%), 15 histórico (7,8%), 10 contestatório (5,2%), 9 burocrático (4,7%), 3 crítico (1,6%), 1 religioso (0,5%).

GRÁFICO 14 - Tratamento e/ou abordagem do conteúdo - Cruzeiro do Sul

c) Correio Popular

Do total dos conteúdos publicados pelo Correio Popular, 116 tem tratamento apenas descritivo (66,3%), enquanto que 24 são explicativo (13,7%), 11 são estatístico (6,3%), 6 analítico (3,4%), 6 burocrático (3,4%), 4 humanístico (2,3%), 4 político-partidário (2,3%), 3 histórico, 1 instrutivo.

2.1.6 Gêneros jornalísticos

Trazemos a análise dos gêneros e formatos porque também neles e por eles se conhece e reconhece a prática jornalística. Por eles também se capta a essência do exercício de uma função social do jornalismo: ora para informar, ora para entreter, orientar, esclarecer, oferecer opinião.

Para tanto, baseamo-nos na categorização proposta por José Marques de Melo e Francisco de Assis (MARQUES DE MELO, ASSIS, 2016), a qual considera: a) gênero informativo: nota, notícia, reportagem, entrevista; b) gênero opinativo: editorial, comentário, artigo, resenha, coluna, caricatura, carta, crônica; c) gênero interpretativo: análise, perfil, enquete, cronologia; d) gênero diversional: história de interesse humano, história colorida; e) gênero utilitário: indicador, cotação, roteiro, serviço.

a) Jornal da Cidade

Quanto aos gêneros jornalísticos, 163 (81,1%) dos conteúdos são informativos, 29 (14,4%) são utilitários, 6 (3%) são do gênero diversional e 3 (1,5%) são opinativos. Aqui, questiona-se em que medida um jornalismo escasso em conteúdos opinativos, por exemplo, pode contribuir na construção de leitores críticos e com capacidade analítica. Analisaremos melhor este aspecto no próximo Capítulo.

GRÁFICO 16 - Gêneros jornalísticos - Jornal da Cidade

b) Cruzeiro do Sul

No Cruzeiro do Sul, 139 conteúdos eram informativo (72%), enquanto que 34 eram utilitário (17,6%), 14 opinativo (7,3%), 3 interpretativo (1,6%), 3 diversional (1,6%).

GRÁFICO 17 - Gêneros jornalísticos - Cruzeiro do Sul

c) Correio Popular

No Correio.com, do total de 175 conteúdos publicados, 120 se enquadram como gênero informativo (68,6%), 37 como utilitário (21,1%), 7 como diversional (4%), 6 como opinativo (3,4%), 5 como interpretativo (2,9%).

GRÁFICO 18 - Gêneros jornalísticos - Correio Popular

2.1.7 Formatos jornalísticos

a) Jornal da Cidade

No que tange os formatos jornalísticos, encontra-se 138 (68, 7%) conteúdos como notícia, 22 (10,9%) como serviço, 20 (10%) como nota, 6 (3%) histórias de interesse humano, 5 (2,5%) indicadores, 4 (2%) reportagens, 2 caricaturas, 2 roteiros, 1 crônica e 1 entrevista.

GRÁFICO 19 - Formatos jornalísticos - Jornal da Cidade

b) Cruzeiro do Sul

No Cruzeiro do Sul, 90 conteúdos foram classificados como notícia (46,6%), 49 como nota (25,4%), 22 como serviço (11,4%), 10 como indicador (5,2%), 5 como artigo (2,6%), 3 como carta (1,6%), 3 como editorial (1,6%), 3 como perfil (1,6%), 3 como história de interesse humano (1,6%), 2 como roteiro, 2 como crônica, 1 como coluna.

GRÁFICO 20 - Formatos jornalísticos - Cruzeiro do Sul

c) Correio Popular

No Correio Popular, 82 dos conteúdos eram no formato notícia (46,9%), 35 eram nota (20%), 27 eram serviço (15,4%), 10 eram roteiro (5,7%), 7 eram história de interesse humano (4%), 5 eram análise (2,9%), 3 eram entrevista (1,7%), 2 eram artigo (1,1%), 2 eram caricatura (1,1%), 2 eram coluna (1,1%).

GRÁFICO 21 - Formatos jornalísticos - Correio Popular

2.1.8 Fonte ou personagem

O processo de seleção de fontes faz parte do cotidiano do profissional, no fazer jornalístico. Tal prática também se configura como uma das fases de tratamento das informações, dos conteúdos, dos fatos. Por essa característica, a escolha das fontes também se constitui como um critério de produção jornalística.

Para tanto, nesta pesquisa, utilizamos da proposta de Marcelo Kischinhevsky e Luãn Chagas (2017), que elucida a categorização das fontes da seguinte forma: a) oficiais: ocupantes de cargos públicos; b) empresariais: executivos, associações de setores comerciais; c) institucionais: organizações do terceiro setor, movimentos, sindicatos; d) testemunhais: personagem que presenciou um acontecimento com valor-notícia; e) populares: pessoa comum; f) especialistas: profissional com algum conhecimento técnico específico; g) notáveis: celebridades e artistas.

a) Jornal da Cidade

No caso do Jornal da Cidade, no período analisado, 74 conteúdos não traziam qualquer fonte expressa no texto (36,8%), enquanto que 59 deles recorriam a fontes oficiais (29,4%), 24 a fontes notáveis (11,9%), 8 populares (4%) e 3 especialistas (1,5%). Os demais conteúdos traziam uma combinação de fontes, como 7 com empresariais e oficiais (0,5%) e com empresariais e notáveis. Percebe-se, portanto, que 114 conteúdos, ou seja, mais de 55%, não trazem a pessoa comum como fonte expressa.

GRÁFICO 22 - Fonte ou personagem - Jornal da Cidade

b) Cruzeiro do Sul

Dos 194 conteúdos publicados pelo Cruzeiro do Sul, no período, 53 não traziam uma fonte expressa (27,3%), 41 eram oficiais (21,1%), 27 eram notáveis (13,9%), 22 empresariais (11,3%), 9 populares (4,6%), 6 especialistas (3,1%) e 1 testemunhal. Os demais traziam fontes conjugadas, sendo 10 empresariais e oficiais (5,2%), 6 oficiais e testemunhais (3,1%), 5 oficiais e populares, 4 oficiais e empresariais, 3 empresariais e populares, 3 empresariais e notáveis, 2 notáveis e oficiais, 2 oficiais e especialistas.

GRÁFICO 23 - Fonte ou personagem - Cruzeiro do Sul

c) Correio Popular

No Correio Popular, do total de 175 conteúdos publicados, 68 não traziam uma fonte expressa (38,9%), 43 eram fontes oficiais (24,6%), 32 notáveis (18,3%), 10 populares (5,7%), 6 especialistas (3,4%), 5 empresariais (2,9%), 2 testemunhais. Ainda, com mais de uma fonte, 3 traziam fontes oficiais e notáveis, 3 oficiais e populares, 1 oficiais, testemunhais e populares, 1 populares, oficiais e especialistas e 1 oficiais e especialistas.

GRÁFICO 24 - Fonte ou personagem - Correio Popular

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