Nesta edição de Violão+, treinaremos os exercícios
básicos de comparação. Faz-se necessário sempre o fundamento teórico e começaremos a fazê-lo a partir da definição de intervalo:
“Intervalo é uma denominação técnica e precisa para estabelecermos a distância entre duas notas”.
Não nos esqueçamos da definição do termo “nota” usada nestas matérias. Antes de qualquer movimento, vamos estabelecer alguns critérios:
• As notas musicais serão grafadas por meio dos monossílabos conhecidos, ou seja, Dó, Ré, Mi etc.
• Quando devemos ser mais específicos em relação à altura ou “grau de entoação”, usamos o índice (número colocado ao lado direito inferior do nome da nota) para designarmos a oitava em que a nota se encontra no teclado: Dó3, Si5, etc.
• Quando nos referirmos aos acordes ou tonalidades, usaremos as letras A, B, C etc. Por exemplo: escala de C, escala de Dm, acordes de Am7, C7 9 etc.
• Como vimos anteriormente, a régua para contabilizar os intervalos é a Escala Maior de C:
Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó
• A menor distância entre duas notas é o meio tom ou semitom. Tom inteiro ou simplesmente “tom” é a unidade de medida em nossa música, a música ocidental. É conveniente ressaltar que a música popular, o jazz e a música da mídia em geral, seguem a teoria do “Sistema Temperado”, onde a oitava é dividida em 12 partes exatamente iguais. Deixaremos de lado, por enquanto, os sistemas diferentes, que prezam por intervalos diferentes ou menores do que o semitom.
Reinaldo Garrido Russo
www.musikosofia.com.br [email protected]
VIOLÃO+ • 39
de ouvido
Para perceber a diferença entre o tom inteiro e o semitom, o leitor terá de fazer o terceiro dos três exercícios auditivos aqui propostos.
Para começarmos com segurança devemos ter bem gravado em mente o que se segue:
Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó 1tom 1 t ½ 1 1 1 ½ ...
Há uma grande e linda história que deu origem à proposição acima, mas é importante, por agora, saber que não é à toa que existe um semitom entre as notas que terminam em “i” e a seguinte:
Mi Fá e Si Dó ½ ½ Dos exercícios propostos
Todo exercício de percepção auditiva tem como base pedagógica a reflexão de seu conteúdo e o aprimoramento do menor tempo gasto para o reconhecimento do objeto percebido. Em outras palavras: quanto mais rápido e preciso for o aprendiz no reconhecimento dos elementos musicais, mais eficaz será no trabalho musical. Portanto, ouça com atenção.
Existe, entre um item e outro, um espaço de tempo suficiente para refletir e escrever. Não pare, mesmo que não consiga reconhecer ou escrever o que ouviu. No final de cada exercício, repita a operação e ouça a gravação sem parar. Esse procedimento é fundamental para que a mente consiga o “foco” no objeto que se quer perceber. Após essa fase, o leitor poderá parar a gravação em cada item e tentar ouvir/escrever o que não conseguiu fazer. É preciso procurar a certeza em sua mente. Lembre-se da célebre frase: “Navegar é preciso, viver não é preciso”, na qual o ato de navegar no mar cabe à precisão do operador e seus instrumentos. O viver está sujeito às tempestades e calmarias imprevisíveis. Os exercícios servem para desenvolver a habilidade e precisão. Confie!
Exercício 1
Nesta gravação, o leitor deve seguir o procedimento acima. Escreva a ordem dos intervalos que se apresentam em cada item. Cada item contém dois intervalos tocados ao piano consecutivamente. Exemplo para o item 1 do exercício 1: você ouvirá um intervalo de uníssono sucedido por um de oitava e escreverá em suas anotações assim: 1) u/8
O Intervalo e a classificação temporal
As duas notas que formam um intervalo podem ser tocadas, cantadas ou percebidas de duas formas:
• Forma melódica, como ocorre no exercício 1: um som após o outro;
• Forma harmônica: quando os dois sons de um intervalo são tocados, cantados ou percebidos ao mesmo tempo, no mesmo instante.
Quando você canta o Dó3 no mesmo instante em que
uma amiga canta o Dó4, obtém-se um intervalo de oitava
harmônico, e escrevemos 8 harm. O mesmo se dá para o caso do uníssono harmônico, que escrevemos assim: u harm.
Exercício 2
Trata-se de um exercício igual ao Número 1, porém será inserida a forma harmônica em alguns itens. Como o exercício contém dois intervalos em cada item, devemos escrever, se for o caso: item) u/8 harm
Os intervalos e a classificação por quantidade
A compreensão é muito simples, pois trata-se apenas de contar quantas notas existem – em nossa régua musical – entre um som e outro. Por exemplo: Dó3 e Fá3. Contamos quatro notas da nota mais grave à mais aguda (Dó à Fá): portanto, trata-se de um intervalo de quarta (4).
Tendo como base a nota Do3, veja no quadro abaixo os
intervalos formados com as notas vizinhas.
Sol2 Lá2 Si2 Dó3 Ré3 Mi3 Fá3 Sol3
4 3 2 u 2 3 4 5
Nota base
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Os intervalos e a classificação por qualidade
Qualidade do intervalo é o atributo diferencial entre duas quantidades de intervalo iguais. Vamos isolar os intervalos de segunda de Dó3 da tabela acima.
Si2 Dó3 Ré3
2 u 2 ½ t 1 t
Reparem que o intervalo de 2 (segunda) que existe entre Si2 e Dó3 é de semitom.
O intervalo que existe entre Dó3 e Ré3 é de 1 tom.
Podemos dizer que um deles é maior do que o outro, e que um deles é menor do que o outro. É a relatividade do fato.
Podemos chamar o intervalo maior de 2g ou segunda grande; o intervalo menor, de 2p ou segunda pequena. Ou até de 2 elefante e 2 formiga – as crianças adorariam. Mas nós, músicos, fazemos o mais simples: dizemos 2 Maior e 2 menor e escrevemos de diversas maneiras: • 2M e 2m;
• 2# e 2b;
• #2 e b2 – a cifra mais consagrada no mundo inteiro.
Muitas outras, como 2+ e 2-, causam confusão e não são recomendadas pelos professores, embora a escrita seja mais rápida.
Exercício 3
Escreva o que ouve em cada item. Cada um contém dois intervalos tocados ao piano na forma melódica, consecutivamente.
Espero que tenham êxito na execução dos exercícios. Aguardem, na próxima edição, as respostas para a conferência. Eu recomendo que ouçam cada item muitas e muitas vezes, até ter certeza.
Até a próxima!