• Nenhum resultado encontrado

Foto 58 – Igreja e Convento do Carmo

2. ARQUEOLOGIA E TURISMO: UM DIÁLOGO INTERDISCIPLINAR E

2.3. Turismo Arqueológico Sustentável: conceitos, práticas e princípios

O patrimônio arqueológico se apresenta ao turismo como mais um dos atrativos possíveis de serem visitados. Todo destino tem sua história e os vestígios deixados por ela referente ao passado, algumas já não estão tão evidentes, outras mascaradas para turista ver, outras bem preservadas. O fato é que todo destino apresenta vestígios de sua história.

O Turismo Arqueológico é visto como uma prática que permite ser utilizada como fonte de cidadania, cultura, aprendizado, respeito, desenvolvimento sociocultural e ambiental. Desde a antiguidade, no continente europeu, a gruta pré-histórica de Laucaux, na França; como exemplos do México, suas edificações arqueológicas Teotihuacan, Palenque e Chichen Itzá; Peru com as Machu Picchu, dentre outros vem apresentando fluxos turísticos cada vez mais intensos, demonstrando o interesse de uma demanda em conhecer culturais diferenciadas, assim como seus vestígios.

Carr e Walker (2013), no livro Tourism and Archaeology - Sustainable Meeting Grounds, reuniram uma série de artigos que demonstram a consolidação dessa modalidade no

contexto global, apresentando a sustentabilidade como mote das preocupações dos arqueólogos, que enfrentam os dilemas da atividade turística e seus gestores: Exploração vs. exploração, educação vs. entretenimento e sensibilidade cultural vs. Imersão.

Esta tese transcende a proposta para sensibilidade cultural, educação e imersão. Corroborando do pensamento de Hughes et al (2013):

Archaeological tourism includes a variety of possible experiences, including physically passive viewing of a museum display to active participation in an archaeological investigation. Tourists might make a destination out of an archaeological region such as the island of Crete, the Yucatán, or the Four Corners area of the US Southwest to visit spectacular archaeological ruins. An archaeological attraction might be a side trip, such as visiting Tulum while on a beach trip to Cancun in Mexico. Travelers may find themselves unexpectedly in a position to visit an archaeological investigation in progress. Such opportunities can occur in the field in settings as varied as national parks and city centers, particularly as more cultural heritage management firms open their excavations for public education. (HUGHES, pg. 66. 2013)16

Sua prática não pode ser entendida enquanto segmento, e sim como uma modalidade, uma vivência turística em sítios arqueológicos, por se tratar de uma forma de fazer turismo mais sensível e que requer interpretações mais aprofundadas.

Os turistas que visitam sítios arqueológicos vêm sendo caracterizados pela busca em conhecer a cultura de povos antigos sob outra vertente, representam um ponto onde os interesses do turismo e da arqueologia se sobrepõem. Para alguns arqueólogos essa prática corresponde dois extremos: ou sentença de morte ao patrimônio ou instrumento de conservação do mesmo.

Uma definição pode ajudar a entender a preocupação desses arqueólogos em compreender que há uma procura de turistas, cada vez mais frequente, em visitar a esses bens arqueológicos, baseada na curiosidade, interesses intelectuais visando uma satisfação de seus desejos e ganho de capital social de suas experiências, ou seja, um novo perfil de visitantes ancorados em necessidade de garantia de tempo de lazer, renda discricionária e sanções locais positivas.

16 O turismo arqueológico inclui uma variedade de experiências possíveis, incluindo visualização fisicamente passiva de uma exibição de museu para participação ativa em uma investigação arqueológica. Os turistas podem fazer um destino fora de uma região arqueológica, como a ilha de Creta, o Yucatán ou a área de Four Corners, no sudoeste dos Estados Unidos, para visitar as ruínas arqueológicas espetaculares. Uma atração arqueológica pode ser uma viagem paralela, como visitar Tulum durante uma viagem de praia a Cancun no México. Os viajantes podem encontrar-se inesperadamente em posição de visitar uma investigação arqueológica em andamento. Tais oportunidades podem ocorrer no campo em cenários tão variados quanto parques nacionais e centros urbanos, particularmente à medida que mais empresas de gestão do patrimônio cultural abrem suas escavações para o ensino público. (Traduzido pela Autora).

Para Holtorf (2006), é evidente que o turismo pode encorajar morphing, uma transição e transformação suave, de sítios arqueológicos e artefatos em herança e, em alguns casos, colocando arqueólogos em desacordo com os planejadores do turismo. Contudo, é importante considerar que a prática do turismo arqueológico é uma realidade, e isso só ratifica a importância de estreitar o diálogo.

O turismo arqueológico vai além do ato de viajar, contribui para a preservação de edifícios e artefatos, mas também revela as histórias ocultas ou perdidas de um lugar, aumentando a responsabilidade em conduzir sua prática mais educativa e autêntica.

Embora a modalidade seja ampla e inserida em diversos termos do turismo: patrimonial, turismo cultural, ecoturismo e turismo voluntário, turismo de natureza, para citar apenas alguns exemplos, não limitaremos a transformá-lo em uma ramificação do chamado turismo cultural, pois esta tese entende que o turismo arqueológico transcende o cultural, permeia no campo do turismo de experiência. Carr e Walker (2013) advertem que essa modalidade corresponde a um fenômeno global, que foi separado em muitos subtipos e diversos segmentos, e não de uma modalidade que está dentro de sítios arqueológicos. Talvez seja esse o impedimento de aceitação de arqueólogos pela prática turística.

De acordo com muitos conceitos que vêm sendo debatidos, a tese se identifica com o conceito que entende o turismo arqueológico como um modelo sustentável, que promove experiências autênticas pautadas na exigência de manutenção na base de recursos arqueológicos, sobretudo na preservação, levando em consideração o envolvimento comunitário (BASTOS, 2002).

O’Neill (2004) aponta que o turismo arqueológico como uma modalidade cresce rapidamente, já com fluxo massivo em países como México, Peru, Espanha, França, entre outros, e essa observação não diz respeito apenas visitação terrestre, mas aquática. Para Nogueira (2003), o turismo arqueológico aquático vem atraindo um grande número de turistas para esses países. Além disso, países como Irlanda, Belize, Argentina, China e Reino Unido vislumbram o patrimônio arqueológico como um de seus principais atrativos, recebendo milhares de visitantes a cada ano e sendo grande fonte de geração de renda para as populações (ALMEIDA, 2012; MANZATO, 2013).

Com esse crescimento, surgem novas terminologias na tentativa de compreensão dos usos e práticas dessa forma de fazer turismo. A exemplo, o termo arqueoturismo passa a ser utilizado, segundo Silva (2002), internacionalmente como denominação simplificada ou técnica para a prática sistemática do turismo arqueológico a partir de 1995, através de uma série de publicações do pesquisador hispano-cubano Georgeos Dias Montexano. O autor

entende como síntese da terminológica do turismo arqueológico que na sua execução combina o histórico e o cultural com o rural ou o ecológico.

O fato é que o arqueoturismo ou turismo arqueológico aparece como um instrumento capaz de proteger, promover e potencializar o patrimônio arqueológico, além de possibilitar ao visitante “experiências mais autênticas e genuínas, passando do ter para ser” (BENI, 2003, p.25).

Por turismo arqueológico, Manzato (2005) define ser o processo de deslocamento e permanência de visitantes a locais determinados sítios arqueológicos, com vestígios remanescentes de antigas sociedades sejam históricas ou pré-históricas e aquáticas.

El arqueoturismo o turismo arqueológico es una modalidad bajo la que se presentan propuestas y productos culturales y turísticos en los que la arqueología es el ingrediente principal. Cierto es que en el imaginario cuando se habla de turismo arqueológico vienen a la mente imágenes de Egipto, Grecia, Italia, Túnez, Turquía, México o Perú. Curiosamente pocos son los turistas que asocian España como destino de turismo arqueológico”. (TRESSERAS, 2009:02)

O Brasil, segundo Tresseras (2009), ainda ocupa o 13º lugar como destino para turismo cultural e o 17º lugar em turismo arqueológico, fato que demonstra que o país ainda se encontra em um processo prévio à promoção e à comercialização turística de destinos, produtos e serviços relacionados especificamente com turismo arqueológico. Existem exemplos brasileiros de iniciativas bem-sucedidas quanto ao arqueoturismo como o Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí, o Engenho dos Erasmos e o Pátio do Colégio em São Paulo, porém, ainda há muito a ser feito para socializar o patrimônio arqueológico no Brasil.

Segundo Manzato (2005), Valle (2003) e Scatamacchia (2005), a arqueologia brasileira ainda não trata com a devida intensidade da utilização e visitações de sítios arqueológicos para o turismo e em consequências muitos áreas e locais onde estes se inserem acabam sendo objeto de destinos turísticos, como é o caso de Sergipe, sem devidos controles técnicos essenciais a preservação e/ou conservação. Conforme esses autores, não só a literatura como também a atuação de cientistas é tímida na utilização destes sítios para o turismo.

Funari (2003) atribui o conceito de Sítios Arqueológicos previstos e definidos em lei, no art. 2 da lei nº 3924/61, como testemunhos da cultura paleoameríndia do Brasil, representados por vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico. A carta de Lausanne, define em seu art. 1º que:

“Patrimônio arqueológico" compreende a porção do patrimônio material para a qual os métodos da arqueologia fornecem os conhecimentos primários. Engloba todos os vestígios da existência humana e interessam todos os lugares onde há indícios de atividades humanas, não importando quais sejam elas; estruturas e vestígios abandonados de todo tipo, na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como o material a eles associados.17

Mas não é um demérito da prática do arqueoturismo, mas da falta de modelos viáveis estruturados, problemas recorrentes, observado no uso turístico em sítios arqueológicos, decorrente de uma análise e diagnóstico preciso acerca da viabilização da composição de roteiros turísticos em sítios arqueológicos que gere desenvolvimento local e regional.

É preciso sair da contemplação para formação de cenários planejados para atender a essa demanda. É importante frisar que neste estudo a ideia não é propor que não haja uma contemplação no sentido amplo da palavra, mas de sair da inércia, do individual, e partir para o coletivo, pois estamos tratando de uma atividade dinâmica que é o turismo, que sem um planejamento pode causar danos irreversíveis ao patrimônio arqueológico.

Para Cuty (2007), na contemplação encontramos uma ideia de fixação e imutabilidade na relação sujeito/objeto, bem como de distanciamento e de alcance limitado ou impossível, no que se refere a um tempo passado, guardado nos armários da memória. Para a autora, a contemplação transmite também uma noção de que o observador/contemplador está fora da cena observada/contemplada, ele já não participa mais daquela história. É por essa razão que o título desta tese propõe uma transição de contemplar para construir.

Observar é promover o resgate da memória coletiva, cultura e autoestima, possibilidades de espaços de experiência consiste na ideia de ratificar o termo conservação, permanência da história, do contexto cultural e ambiental de uma localidade, é ir além do conceito de vivência, trabalhado pelo filósofo Walter Benjamin18 com uma acepção de isolamento ou algo que se dá na individualidade, diferenciando-se da experiência - ligada a uma prática coletiva. Para tal, faz-se necessário ordenar esses elementos, componentes dessas duas atividades, em um processo interveniente na efetivação de uma viagem a esses sítios que compõem cenários arqueológicos com vocação turística. A efetivação de roteiros turísticos apresenta ser uma importante ferramenta, pois estabelece diretrizes para desencadear uma posterior circulação turística, desenvolve trajetos, possibilita a criação de fluxos que gere um aproveitamento racional e sustentável dos atrativos a visitar (BAHL, 2004).

17 http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Carta%20de%20Lausanne%201990.pdf, acessado em 15 de abril de 2016.

18 “Para Benjamin, a estrutura da experiência se encontra na do conhecimento e só se desenvolve a partir dele” (Matos, 1999, p. 132).

Novos roteiros são criados a todo instante, nos mais distintos países, não mais limitando essa atividade a locais como Grécia e Egito, e nos mais diferentes formatos seja terrestre, seja no campo da arqueologia subaquática. Para Rambelli (2008), as visitas subaquáticas, estimuladas pela convenção da UNESCO, são viáveis desde que não coloquem em risco o sítio, preparadas através de um plano de visita ao sítio antes de mergulhar, com indicações do que é cada coisa e essa é uma forma de incentivar o mergulho, criando um mercado melhor.

Há práticas turísticas possíveis de serem devolvidas em sítios arqueológicos que possam receber turistas: rotas temáticas, representações teatrais de rituais, alojamentos, trilhas e rotas de sítios integrado às cidades patrimônio da humanidade, roteiros subaquáticos e até participação monitorada em escavações (TRESSERAS, 2009).

Murta e Goodey (2001) e Murta e Albano (2002), apontam para a valorização do patrimônio arqueológico ter uma funcionalidade turística, uma vez que este pode estimular e sensibilizar para uma maior preservação dos bens patrimoniais e democratização do saber e conhecer a ciência. Mas advertem que isso só causa um efeito positivo se for passível de uma interpretação bem direcionada.

Outra prática representativa e que foi umas das primeiras ligações entre arqueologia e turismo foram os museus. Os museus sempre tiveram um papel importante na preservação do passado, como ferramenta que evoca a memória, em perspectiva de entendimento do presente e consolidação da cultura no futuro. A sua ligação com a arqueologia e com o turismo é antiga. Na arqueologia como sendo o principal modo de guardar seu acervo, para o turismo a principal forma de conhecer o passado através deste acervo. Contudo, Tresseras (2009) entende que o próprio sítio arqueológico onde o material arqueológico encontrado está situado in situ, e pode corresponder a uma compreensão de museu a céu aberto. Como exemplo, podemos citar o Museu de Sítio Arqueológico Praça do Sambaqui da Beirada localizado em Barra Nova, município de Saquarema, no Rio de Janeiro.

Figura 2 - Museu de Sítio Arqueológico Praça do Sambaqui da Beirada/RJ.

Fonte: http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/museu-do-sambaqui-da-beirada, acessado 10 de abril de 2018. Foto: Cris Isidoro

Este sítio está sinalizado de forma didática, de modo que quem o visite possa interpretar melhor o contexto no qual ele está inserido, sem danificar nem denegrir o contexto e material nele inserido, seguindo normas de visitação, pode indicar um instrumento potencial na interpretação e conservação das pesquisas arqueológicas.

Figura 3 - Sinalização Interpretativa da definição de sambaqui/RJ

Fonte: http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/museu-do-sambaqui-da-beirada, acessado 10 de abril de 2018. Foto: Cris Isidoro

Outra prática destacada pelo autor são os parques arqueológicos, considerados um conjunto de sítios arqueológicos de interesse geral. Para Bonano (2004), a palavra parque

implica a museologia ao ar livre, com uma paisagem aberta, em muitos casos pertencentes a áreas de proteção ambiental, caracterizadas unidades de conservação.

Há possibilidade de composição de complexos e parques sob essa temática, essa tem sido uma das possibilidades de arrecadar investimento para manutenção e continuidade das pesquisas arqueológicas, a exemplo da própria Serra da Capivara, ou, como aponta Tresseras (2004), traz o exemplo do Parque na Castilha-La Mancha, na Espanha.

Figura 4 - Conjunto de Parques Arqueológicos na Castilla-La Mancha/Espanha

Fonte: http://www.lacerca.com/blockpages/view/3144, acessado 10 de abril de 2018.

Contudo, neste aspecto ocorre que grande parte desses complexos e parques são inseridos também em contexto de unidades de conservação, e como nesses casos o repasse de verbas públicas tem sido um dos entraves cada vez mais frequentes de manutenção e monitoramento desses ambientes preservados, apresenta-se a viabilidade de visitas com taxação monetária para acarrear mais fundos de preservação, alicerçado as normas que regem a regulamentação das práticas turísticas em unidades de conservação. Na África do Sul e Nova Zelândia, locais onde o fluxo turístico é consideravelmente maior que no Brasil, assim como na Espanha como o exemplo acima, vem sendo considerado a gestão desses ambientes sob coordenação de concessões privadas, o que permite a taxação de um valor monetário para gerenciamento desses ambientes protegidos. Uma realidade distante das normas e regulamentos brasileiros.

No Brasil, Pardi (2007) aponta que essas novas práticas envolvendo um novo momento para o turismo acerca de sítios arqueológicos são frutos de três ações inseridas e desenvolvidas em projetos e iniciativas. A autora assinala que a primeira delas corresponde às

pesquisas desenvolvidas por Niède Guidon, que concentrou grande parte de sítios vinculados a proteção legal com o caso Serra da Capivara. A segunda diz respeito à criação de projetos compensatórios no campo do licenciamento ambiental, o que garante que sejam realizadas pesquisas arqueológicas antes de intervenções para práticas turísticas, como foi o caso da Serra das Andorinhas, no Pará. E a terceira ação corresponde às iniciativas municipais, dos pequenos empreendedores e profissionais da área que vem desenvolvendo pesquisas e projetos locais.

Como citado acima, o Parque Nacional Serra da Capivara, no Estado do Piauí, vem desenvolvendo práticas mais inclusivas para portadores de necessidades especiais, assim como propostas de um turismo de base comunitária como exemplo o projeto na comunidade de São Vitor intitulado “Patrimônio cultural e turismo comunitário em áreas quilombolas: o sítio arqueológico e paleontológico Lagoa de São Vitor sob a ótica da ciência e da sabedoria popular”, de autoria do doutorando Bruno Vitor de Farias Vieira e orientação da docente Nívia Paula Dias de Assis, da Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF, PI. O projeto compreende em uma das possibilidades de inclusão de práticas turísticas educativas em envolvimento com a comunidade.

Dentre muitas práticas desenvolvidas, há o Arqueobus. Trata-se de um acervo móvel que pode ser levado a diversos lugares, com cunho educativo, mas de pesquisa também, que possibilita divulgar e democratizar o patrimônio arqueológico, podendo chegar a locais onde o acesso a museus é complexo ou impossibilitado por alguma razão.

Na Espanha, é comum usar como práticas turísticas as aulas arqueológicas, como na França onde torna-se comum as aulas gastronômicas. Castaño (2006) diz serem espaços de divulgação e aprendizado próximos a sítios arqueológicos, a autora caracteriza como encontros de curta duração, com elementos audiovisuais, que tem como objetivo incentivar a visita a museus, promovendo melhor entendimento do patrimônio arqueológico.

Woodward (2007) aponta que os enredos narrativos, sejam eles falados por indivíduos ou grupos, geram uma influência maior em uma população, como um discurso, um objeto é processado praticamente invisível dentro de uma cultura. A autora traz reflexões e abordagens sobre a narrativização de objetos, ou seja, a forma como as pessoas falam sobre objetos é como uma maneira de falar sobre suas vidas, valores e experiências. Harré (2004) afirma que um objeto passa atribuir uma existência quando passa a fazer parte de uma narrativa. Os elementos que compõem o turismo precisam de narrativas para existir enquanto atrativo,

trabalha com o imaginário. Como em um passeio turístico, como da Rota do Sertão19, em Canindé do São Francisco, onde tem o local exato onde Lampião morreu, e somente depois que elaboração da rota com essa narrativa, os objetos ali ganharam sentido, as pessoas registram fotograficamente até a pedra que pesquisas indicam que ele sentou e tomou café antes da tocaia.

O grande desafio dessas práticas é o seu planejamento, assim como sua manutenção. Bastos (2002) aponta o turismo arqueológico como uma possibilidade efetiva de modelo sustentável, por possuir elementos culturais e sociais significativos. Contudo, exige manutenção como base de sustentação. É preciso envolvimento, mudança na forma de agir. Planejar talvez seja o verbo mais apropriado para a organização de novas realidades. Uma vez que se sabe que uma atividade gera impactos, por que não os mitigar?

Silva e Andrade (2011) relatam a palestra do professor Mateo Estrella (2009), da Universidade de Cuenca do Equador, quando ele afirma que a sustentabilidade turística deve ser aplicada por todos os setores, principalmente pela comunidade. Este é o desafio da sustentabilidade turística, entender o processo de forma qualitativa. E Zaoual (2009) aponta que as novas dinâmicas e práticas turísticas devem estar voltadas para a sustentabilidade. Mas adverte que as concepções teóricas (modelos e teorias) e a gestão dessas novas práticas não são fortes suficientes para competir com o turismo tradicional. No entanto, o pluralismo de