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A entrada pela Toca do Coelho...

Entrar no mundo de Alice por meio da leitura compartilhada exigia o encontro com pessoas que estivessem dispostas a me acompanhar por um caminho que sabia onde começaria, mas que não tinha ideia de como e aonde chegaria, que estivessem dispostas a seguir os passos de Alice por meio da leitura de sua história. O primeiro passo para que esta caminhada se iniciasse foi buscar a entrada na toca, ou seja, a entrada em uma escola que oferecesse o ensino da modalidade “Educação de Jovens e Adultos” e que se dispusesse a ouvir e aceitar a proposta do trabalho que pretendia. O acolhimento foi encontrado junto a uma Unidade Escolar da Rede Municipal de Rio Claro denominada Escola Municipal “Prof. Sylvio de Araújo”, localizada no bairro São Miguel neste município. A referida escola oferece o ensino em três períodos, sendo que nos dois primeiros, manhã e tarde, recebe crianças do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental I, atendendo no período noturno os alunos da modalidade Educação de Jovens e Adultos – EJA – das etapas I, Termos I à IV (1ª à 4ª séries) e II (5ª à 8ª séries).

A primeira parte do caminho não foi tarefa difícil. A equipe gestora me recebeu, mostrando-se totalmente aberta à proposta apresentada. No entanto, restava ainda conseguir a aprovação e autorização para desenvolver o trabalho nesta escola junto a Secretaria Municipal de Ensino.

Após atender âs primeiras exigências, voltei à escola para o encontro com aqueles que pretendia ter como companheiros de caminhada literária, os quais foram encontrados em uma sala de EJA I – Termos III e IV (3ª e 4ª séries) que atende a educandos da faixa etária de vinte a quarenta e oito anos.

Neste primeiro dia na escola, inicialmente entrei em contado com a Professora Coordenadora, para quem expliquei a proposta e os detalhes do trabalho que pretendia desenvolver. Após esta conversa, que ocupou o primeiro período da aula, fui encaminhada à professora, para quem expliquei também a proposta, convidando-a a dividir e compartilhar do

7 (CARROL 1999, p. 86). Título do Capítulo VII em Alice no País das Maravilhas; tradução de Isabel de

meu trabalho. Com o aceite da professora, acompanhei-a, assim como Alice seguiu o coelho branco até a entrada da toca, me dirigindo à sala para conhecer os alunos, apresentar a eles minha proposta e fazer-lhes o convite para me acompanharem na caminhada de leitura do mundo de Alice.

Durante a queda na Toca...

Iniciei a conversa com os alunos explicando as razões que me traziam ali, o trabalho que pretendia realizar e o porquê de sua realização. Em seguida apresentei o livro que gostaria de compartilhar a leitura com eles, fazendo um breve contexto da obra e de suas traduções em nosso idioma. Expus ainda, que esta versão havia sido escolhida devido ao número de exemplares a que tive acesso nas bibliotecas públicas e sebos da cidade. Considero importante destacar essa informação, pois somente um aluno tinha conhecimento sobre essas bibliotecas públicas e sobre a possibilidade de se emprestar livros.

Com o livro e a proposta de leitura apresentados, fiz o convite aos educandos, informando que, se aceito, a leitura seria realizada durante o período de um mês e que eles poderiam decidir a quantidade e duração dos nossos encontros, além de que poderíamos escolher alguns trechos do livro para realizar a leitura. Ressaltei que a participação não era obrigatória, e que eles, mesmo tendo aceitado o convite, tinham total liberdade para deixar de participar a qualquer momento, se assim o quisessem.

Os alunos consideraram interessante a proposta, aceitando compartilhar a leitura da história de Alice. Assim, combinamos que o encontro se iniciaria na semana seguinte.

Expliquei aos alunos que, por se tratar de uma pesquisa, precisaria registrar nossos encontros, solicitando a eles a autorização para utilizar um gravador de voz durante os encontros, o que serviria como suporte para nortear o estudo, não sendo o material divulgado. A quantidade de livros com a mesma edição foi encontrada em número suficiente para que cada aluno pudesse acompanhar a leitura com o livro em mãos. Além dos livros, foi preparado e entregue os alunos um Caderno de leituras, onde poderiam registrar os encontros realizados, o lido, o pensado, o experienciado, da maneira que desejassem; não havendo cobrança de escrita, o material destinava-se ao registro individual da leitura coletiva, realizado se e quando da vontade dos educandos, bem como seriam entregues à mim no final da leitura, somente se desejassem.

Para preservar a identidade dos participantes, assegurando o sigilo de seus nomes, serão utilizados nomes fictícios nos registros apresentados a seguir.

Caminhando pelo País das Maravilhas...

O primeiro encontro foi realizado no dia 08 de abril de 2013, contando com a presença de nove pessoas, sendo sete alunos, com idade entre 20 e 48 anos, a professora da turma e eu.

Neste primeiro encontro, fui à sala antes da entrada dos alunos e organizei o ambiente para recebê-los, arrumando as carteiras em circulo e colocando sobre a mesa além do livro, um pequeno bolo com o escrito “coma-me” e um copo com suco escrito “beba-me”. A intenção era introduzi-los no mundo de Alice e também, verificar qual seria a reação dos alunos diante disso.

Conforme entravam na sala escolhiam seu acento e demonstravam curiosidade em relação ao que encontravam. Iniciei a conversa explicando mais uma vez sobre os livros, que deveriam ser devolvidos no final da leitura, pois se tratava de livros emprestados, mas o bloco de anotações poderia ser utilizado da maneira como quisessem, sendo destinado aos registros e reflexões dos encontros. E os mantive sem uma explicação sobre o bolo e o copo, o que os deixava cada vez mais intrigados.

A princípio a turma ficou em silêncio, houve alguns comentários sobre o bolo, até que Paulo8, um dos educandos, direcionou o assunto para os livros. O aluno fez referência ao filme que assistiu, perguntando se ambos traziam a mesma história, e que se o fosse, tratava- se de uma história complicada, pois achou difícil de entender a questão feita por uma das personagens.

Com os comentários se finalizando, propus o inicio da leitura pelo primeiro capítulo do livro, todos ficaram em silêncio novamente, e um dos alunos sugeriu que eu fosse a primeira a ler. Assim, iniciei a leitura do capítulo 1, Na toca do Coelho, fazendo algumas pausas para perguntar aos educandos se gostariam de fazer algum comentário ou compartilhar algo. Da leitura e da conversa realizada, transcrevo alguns trechos do livro que foram destacados durante a leitura e comentários dos leitores.

No instante seguinte, Alice entrou na toca atrás dele, sem ao menos pensar em como é que iria sair dali depois. (CARROL, 1999, p. 19) Eu: Alguém já fez algo assim? Entrar em um lugar ou fazer alguma coisa sem pensar em como seria depois?

8 A fim de preservar a identidade dos sujeitos da pesquisa, todos os nomes verdadeiros foram alterados por

Paulo: Quando eu vou pescar, eu entro no meio do mato e nem sei como vou sair, daí depois que eu faço arte, eu fico pensando né, meu Deus do céu, que uma cobra podia pegar eu, ou ter caído num buraco lá.

Enquanto passava, pegou em uma das prateleiras um pote: tinha o rótulo “GELÉIA DE LARANJA”, mas para seu desapontamento estava vazio [...]. (CARROL, 1999, p.20)

Murilo: Ela comia? Ana: Tava vazio o pote.

Iara: Geléia de laranja eu nuca comi. Paulo: Viu, e geléia de limão, é horrível.

Ah, como eu gostaria de poder encolher como uma luneta! (CARROL, 1999, p.23)

Murilo: O que é uma luneta?

Paulo: É aquilo que os piratas usam, já assistiu Piratas do Caribe? Marcio: Dá pra ver as estrelas, não é?!

Paulo: Acho que esse é aquele que serve pra ver de longe, que diminui.

Presa no gargalo, havia uma etiqueta de papel com as seguintes palavras: “BEBA-ME” [...] Era fácil demais dizer “BEBA-ME”, mas a inteligente e pequena Alice não iria fazer isso com tanta pressa. “Não”, disse ela, “vou olha primeiro e ver se não está escrito „veneno‟” [...]. (CARROL, 1999, p.24)

Enquanto lia a palavra “beba-me”, Paulo bateu no peito e, olhando para o copo, disse “Ué”. Quando terminei o trecho, perguntei se alguém gostaria de faz algum comentário.

Paulo: Claro que quero! Você falou “veneno” e eu falei “Meu Deus do Céu!”, já pensou se fosse veneno?

Claudio: Pensei que fosse chá.

Marcio: Eu pense que era alguma lembrancinha.

Paulo: Ah, eu pensei comigo: “será que é algum trabalho que ela quer fazer com a gente?”.

E assim, continuamos a leitura.

“Vamos, de que serve chorar assim?” disse Alice a si mesma, asperamente. “Aconselho você a parar com isso agora mesmo!” Ela geralmente dava conselhos muito bons a si própria (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia tão severamente que seus olhos se enchiam de lágrimas; [...] – pois essa menina curiosa adorava fingir que era duas pessoas![...] (CARROL, 1999, p.25)

Após a leitura desse trecho, fiz uma pausa, a turma ficou em silêncio, sem comentar ou continuar a ler. Então, perguntei se alguém ali já havia feito como Alice, de falar consigo sozinho.

Paulo: Eu já dei bronca em mim mesmo, e falar sozinho então... Uma vez até numa empresa que eu fui fazer bico.

Murilo: Ah, às vezes eu falo sozinho quando eu tô vendo televisão...

Claudio: Eu falo sozinho também, mas não é... É que muitas vezes a gente tá com tanta coisa na cabeça que começa a falar.

Logo, seus olhos deram com uma caixinha de vidro que estava embaixo da mesa: Alice abriu-a e encontrou um pequenino bolo, com as palavras “COMA-ME” lindamente escritas sobre ele com groselha. “Bom, vou comê-lo”, falou Alice, “e se me fizer crescer de novo, poderei alcançar a chave; se me fizer diminuir ainda mais, poderei passar por debaixo da porta” [...]. (CARROL, 1999, p.25)

O capítulo finaliza com um parágrafo após esse trecho. Enquanto lia, Paulo riu e repetiu a palavra “COMA-ME” pegando o bolinho nas mãos e observando-o. Quando acabei a leitura, perguntei se alguém gostaria de dizer algo. A turma ficou em silêncio, então perguntei se haviam comido o bolinho entregue no início da aula.

Paulo: Não, não comi, tá aqui. Depois vou ver se eu vou crescer.

O grupo queria dar sequência à leitura, partindo para o próximo capítulo, como o sinal da saída estava prestes a tocar, sugeri que continuássemos no próximo encontro. Aproveitei o momento para lembrá-los que não conseguiríamos ler todo o livro nos encontros que havíamos programado, mas que poderíamos escolher alguns dos capítulos para acompanhar um pouco da história da menina. Assim, abrindo o livro no sumário, lemos os títulos dos capítulos da história, e a partir disso, o grupo decidiu que no próximo encontro faríamos a

leitura do segundo capítulo, pois queriam saber o que aconteceria com a menina; entre os demais capítulos, todos os títulos despertaram curiosidade dos alunos, assim os escolhidos pelo grupo foram: Porco e Pimenta; Um chá de loucos; Depoimento de Alice. Este último foi escolhido por ser o final da história.

No segundo encontro realizamos a leitura do segundo capítulo do livro, intitulado O

Mar de Lágrimas. Antes de iniciar a leitura, lembrei-os que poderiam ler quando desejassem,

se quisessem, e que poderiam destacar trechos da história e fazer comentários.

A professora da sala perguntou se poderia iniciar a leitura, e assim que terminou um trecho, Murilo continuou. Mesmo com um aluno tendo a iniciativa de ler, senti o restante do grupo ainda com um pouco de receio, entretanto, fizeram alguns destaques e contribuíram com suas percepções.

“Que estranhíssimo, que muito estranhíssimo!” gritou Alice (ela estava tão surpresa que, por um momento, esqueceu-se de falar conforme a gramática). “Agora estou espichando como a maior luneta que já se viu” [...].

Pobre Alice! O máximo que pôde fazer foi deitar-se de lado e espiar o jardim com um olho só Agora, mais do que nunca, não havia a menos esperança de passar por ali: então ela sentou-se e começou a chorar outra vez. (CARROL, 1999, p.29, 30)

Ana: Ela cresceu demais e ficou grande né. Paulo: Aqui ela era pequena e depois cresceu.

Paulo: Vou fazer uma pergunta, pode? Por que ela começou a chorar?

Murilo: Acho que porque ela não consegue ficar dum tamanho só e ela tá presa ali. Eu: É, ela não consegue entrar no jardim porque cresceu tanto que o olho dela agora está do tamanho da porta. Então acho que ela ficou triste porque queria muito alguma coisa, mas parece que tudo está dando errado. Acho que isso é normal de acontecer com a gente.

Ana: Eu sou assim. Fico chateada, ai eu choro porque fico com aquela mágoa. Às vezes passa e às vezes não. A psicóloga falou que não pode ficar lembrando, porque tem coisa ruim que a gente não pode lembrar.

Iara: Eu também choro. Principalmente quando vejo coisa errada, sabe?! Eu sou muito sentimental.

Paulo: É meio difícil de eu chorar. Mas eu sou também assim, como se diz?! Sentimental. Fico emocionado, principalmente quando vejo alguma reportagem, quando é com criança. Já fiquei emocionado de assistir um desenho. Tem desenho que ele mexe com o

psicológico da gente, você vai assistindo assim, por exemplo, aquele “Por água a baixo”, o “Lucas e o formigueiro”, já viu? Fiquei muito emocionado, nossa, muito da hora! Na parte final é muito emocionante. Um menino via, assim, um negócio de formiga, ia lá e jogava água, era um terror pras formiguinhas... Posso contar? – Então, aí o capitão das formiguinhas faz uma poção mágica, que ele tem que dá um jeito no menino que tá acabando com o formigueiro. – Daí a gente vê né... puxa, às vezes vejo uma formiga e piso no formigueiro. É a natureza, tá entendendo?! Tá matando a natureza. – Aí ele faz uma poção assim, sobe lá na casa dele, e pingam bem na orelhinha dele e ele fica pequeno, e eles levam ele no formigueiro.

Murilo: Eu vi esse desenho, tem pelo menos uns três desse desenho. Tanto que ele foi um herói pra eles.

Paulo: É... Enfim, levam ele no formigueiro, ai ele vê e muda a atitude dele, é obrigado a ajudar no formigueiro, ele teve que defender a formiga depois. E no final, ao invés dele jogar água, ele pega e joga docinho lá, aí a formiguinha vai lá e pega. – Então, eu fiquei emocionado nessa ultima parte aí, parece brincadeira, mas que mexe. Nós somos adultos, mas a gente tem um lado dentro da gente que é criança, eu mesmo tenho... É muito legal.

[...] “As coisas estão piores do que nunca” pensou a pobre menina, “pois nunca fui tão pequena assim antes, nunca! E declaro que é ruim demais, isso é o que é!”

Ao dizer essas palavras, seu pé escorregou e, num segundo – splash! – estava mergulhada até o queixo em água salgada. A primeira idéia que lhe passou pela cabeça foi que tinha caído no mar, “e nesse caso, posso voltar de trem”, disse para si mesma. [...] Porém, logo deu-se conta de que estava no mar de lágrimas que chorara quando tinha dois metros e meio de altura. (CARROL, 1999, p.33)

Paulo: Aqui também não fala porque ela foi, como diz, transportada. Eu queria entender a história... Ela também não sabe o que tá acontecendo com ela. Que nem quando eu vim pra Rio Claro, fiquei perdido aqui, e até hoje não me acostumei com esse negócio de rua tal com rua tal, eu vou por rumo, é interessante... E Alice tá perdida no País das Maravilhas, ela teve uma transformação radical, como dizem, mas ela tá sozinha, não tem com quem conversar. E ela tá na praia mesmo? É uma história complicada... que ela ta no mar porque a água é salgada. – Já fui no Guarujá, cheguei lá a água era cristalina, fiquei quase quatro meses lá, e quase morri rapaz, uma vez engoli um monte de água do mar, vem com gosto dos bichos que tem lá, de peixe.

Ana: Eu já fui pra Santos uma vez, mas voltei no mesmo dia, e nem entrei no mar. Iara: Já fui com a outra professora, ela me levou e vai me levar de novo.

Murilo: Fui em quase todas da onde eu morava, no Pará.

Paulo: E ela tava na praia mesmo? Quando ela vai pra aquele lugar lá, ela cresce, de repente era a lagrima dela mesma, e depois ela tá na praia. É isso mesmo (leu um trecho do livro em voz baixa). Aqui fica meio complicado porque já mudou né. É complicado, mas é interessante.

Enquanto conversavam, senti que procuravam nesse capítulo compreender o que estava acontecendo com a protagonista, e estabeleciam uma relação entre o que acontecia na história com o que conheciam ou já haviam vivido. Neste dia, finalizamos a leitura do capítulo.

Nos capítulos que se seguiram, Porco e Pimenta e Um chá de loucos, cuja leitura foi realizada em três encontros, observei um maior interesse por parte dos alunos em ler a história, o que talvez tenha sido o motivo de pouco destaque de trechos e menos conversa, já que estavam concentrados e preocupados em acompanhar a leitura. Alguns não acompanhavam a história enquanto lida, pois tentavam ler no seu ritmo, decifrando as palavras. Paulo quis iniciar a leitura do capítulo Porco e Pimenta.

Paulo: É meio complicado essa letra aqui né... Ler eu leio, mas é muito devagar, eu demoro muito pra ler.

Eu: Não tem problema o tempo que a gente leva, você pode ler o quanto você quiser também.

Paulo: Mas tá bom, então vamo lá. É engraçado, esse „dezão‟ aqui faz parte daquela letra lá...

Eu: Faz parte da primeira palavra do texto. Em alguns livros, como nesse aqui, a primeira letra da primeira palavra do capítulo vem em letra maior.

Paulo: Brincadeira viu, você viu que complicado?! Por que se a pessoa não prestar muita atenção, como é que ela vai ler aqui né?! Vou ler um pedacinho tá?! Devagar...

No trecho lido por Paulo havia duas palavras desconhecidas e não utilizadas em nosso cotidiano. Nelas, havia indicação de nota de rodapé, que destaquei para que buscássemos no final da página o significado das palavras. Murilo deu continuidade a leitura, e quando finalizou, Paulo pediu para ler novamente. Isso talvez tenha despertado coragem em Marcio, que pediu ajuda à professora para ler uma frase.

Márcio leu um trecho, seguido por Murilo e Paulo novamente. Ana destacou um trecho:

“Você não sabe muita coisa”, disse a Duquesa, “esta é a verdade.” (CARROL, 1999, p.77)

Ana: Que grossa que é essa duquesa hein. Eu: Por que Ana?

Ana: Xingou ela de burra, falar que ela não sabe.

Paulo: Eu tô tentando estudar pra isso. É brincadeira, já passei por isso... “você não vai conseguir”... Meu Deus do céu, se eu consegui sobreviver até aqui que é o mais difícil, por que eu não vou conseguir levantar uma parede, por que eu não vou conseguir pintar uma parede... Atravessar o rio nadando, se eu aprendi a nadar.

Ana: Ninguém nasce sabendo né...

Paulo: Ninguém nasce sabendo. A coisa mais difícil que é, tem gente que acha né, que é andar de bike, não é mesmo?! E eu aprendi. A coisa mais difícil que tem é aprender a dirigir, e eu aprendi... Agora mais difícil mesmo é tirar carta né?! Mas eu vou conseguir. E nem só nisso... Eu tive depressão, quer coisa mais difícil que isso? E eu sai dela, sabe como? No susto... Eu descobri uma coisa, que não tem nada difícil. Só lutar e ir em frente que vai conseguir.

Ana: Eu tenho depressão também... Depressão não tem cura, mas tem tratamento. Paulo: Tem cura sim, é o psicológico, você não nasceu com ela. Pra tudo tem um jeito, tudo tem uma saída. Sempre tem um que quer ser mais sabidão que você, que quer te derrubar, te ver lá no chão. Mas você tem que ajudar o próximo, você tem que levantar, daí, levanta que você vai conseguir.

[...] O Chapeleiro arregalou os olhos ao ouvir isso, mas tudo o que disse foi: “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?” (CARROL, 1999, p. 87)

Paulo: Ah, olha aí o que eu falei... Aquele chapeleiro é doidão né?! Do nada ele coloca uma palavra ali e fala, e vai embora, ninguém responde, ninguém fala nada... Que nem

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