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“Um Convite Especial”

No documento Conquistando o Infinito (páginas 22-51)

Tudo estava escuro, eu só ouvia o meu coração, calmo, tranquilo, sereno, fazia pouco tempo que não via o meu coração assim, calmo, sem agitação, e o mais engraçado, sem dor.

Era incrível, ficar um minuto sem dor, e sem pensamentos atordoados era mágico, eu podia ficar assim para sempre, e não estou totalmente morta, ainda estou viva, mas não vou sentir dor, não vou ter que resolver

problemas, não serem cega e um verdadeiro fardo para muitos ou para todos.

Eu nunca estive em conflito antes, nunca tive esses pensamentos

antes, sempre fui uma garota controlada, forte, inteligente, nunca hesitei em responder e em ser eu mesma, nunca pensei que com os meus 26 anos eu teria conflitos tão intensos e tão angustiantes como estou tendo agora, parece que eu não sei de nada, parece que eu nunca vi nada, parece que eu nunca vivi, passei a viver somente agora.

Como se eu estivesse acordando de um sono profundo, eu abri os olhos, nada, escuridão, havia esquecido que eu estava cega, mas senti as emoções voltarem, e isso me fez ter a certeza de que, eu estava acordada.

-Querida Está acordada? – falou minha mãe, e senti ela segurando a minha mão.

-Mãe? Estou. Como foi a cirurgia? Tudo está de volta no lugar? – perguntei.

Minha mãe deu uma risada e disse:

-Sim minha princesa, tudo está de volta no lugar. Colocaram as suas costelas de volta, e a sua perna também. Vai ter que colocar o gesso, e aí, poderá voltar para casa. Não é incrível filha? – ela sorriu com esperança.

-É sim mãe, é sim. – eu sorri tentando manter a calma e fingir que aquelas palavras me confortavam.

-a enfermeira vai subir aqui pra te trazer o almoço, e você vai

melhorarem breve. Trocaram o seu curativo dos olhos, disseram que está cicatrizando. – falou ela, com calma.

-Demorou muito a minha cirurgia? – perguntei curiosa.

-não, somente 2 horas e meia. Achei que iria demorar mais. Você se saiu muito bem minha querida, se comportou direitinho lá. E ainda por cima, sua costela está novinha em folha, nem vai precisar fazer muita coisa.

Agora, descansa, e relaxa, em breve, estaremos em casa. – Falou ela fazendo carinho no meu cabelo.

Eu sorri, mas eu não estava feliz.

Alguém bateu na porta, os passos novamente vieram, era o doutor, senti o perfume dele, masculino. Que irradiou a sala, incrível como os meus sentidos estavam aguçados. Eu já havia percebido isso.

-E então? Como vai a nossa paciente preferida? – falou o Dr com um tom de voz animado.

-Ah eu estou bem, acho que boa. Quando poderei ir para casa? – perguntei querendo que a resposta fosse “Hoje mesmo.” Mas ele não respondeu isso.

-Calma, calma. Parece que você acordou animada hein?!. – ele riu e eu sorri – veja bem, voltará para casa em breve, inclusive – senti sons de papéis passando, e ele disse: - Nós aqui do hospital, temos um grupo de apoio a deficientes, e se, um dia quiser aparecer. Poderá ir. É a nossa convidada de honra. – ele falou sendo totalmente honesto e verdadeiro.

-Filha, isso é maravilhoso! Viu?! Um grupo de apoio, vai te ajudar muito. E como! – falou minha mãe colocando as mãos no meu cabelo, e segurando minhas mãos.

-Sim. E o melhor, temos projetos que vão incluir você no mercado de trabalho Olívia, e, em faculdades, e até mesmo na sua carreira. O Estado simplesmente te apoia, e cobre todos os gastos. Você só precisa ir. É no final do meu turno, mas no primeiro dia, posso te acompanhar. Olhe, é as 22:00 horas, se você quiser ir, toca no telefone e eu te acompanho. – falou o Dr, cordial.

-Ah, ótimo. Certo. Ahn….vou pensar sobre. – coloquei a mecha de cabelo, para trás.

O Doutor ficou em silêncio, e então se despediu e saiu pela porta.

Quando escutei a porta se fechar, minha mãe me olhou, e então falou:

-filha, você precisa ir. Precisa se reerguer. Sua cirurgia foi feita, e precisa fazer algo para te ligar no mundo real, na vida real. Isso não é justo Olívia, não é justo consigo mesma. – falou ela, e eu suspirei.

-Mãe, não acho que eu esteja pronta para isso ainda, eu nem me

recuperei da perna e agora, vou simplesmente em um grupo de apoio? – falei sendo bem sincera.

-Porque não tenta?, So vai para visitar. Sem compromisso. Ve o que eles dizem, e como trabalham e então, se não gostar pode desistir. – falou ela. – mas por favor, prometa que vai pelo menos conhecer, faz esse esforço por mim? – falou ela com um tom doce e amável.

- tudo bem, eu vou. Fale pro Doutor, eu….ahn…..eu vou. – falei sem nenhum ânimo.

Ir para um grupo pra cegos era muita piada, não bastasse a péssima situação de eu estar simplesmente em um hospital, e de tudo ter acontecido comigo, eu ainda ir a um grupo de apoio?.

Não havia engolido muito bem, mas quando o Doutor citou sobre emprego, aquilo me deu esperança e eu até passei a bolar um plano. O plano era o seguinte: eu vou lá, finjo estar interessada, aí então, faço o que eu tiver que fazer para agir na minha área, e tcharam!

Abandono eles logo na primeira oportunidade, eu preciso de uma direção, e não ficar grudada com alguém o tempo todo me dizendo o que preciso fazer, esse era o melhor plano de todos.

-Alguém me chamou? Está tudo bem? – falou o Dr, depois de eu apertar o botão e chamar o doutor.

-Liv, conte a sua decisão. – falou minha mãe e beijou a minha testa e escutei ela saindo do quarto de fininho.

Qual a parte de “Ela vai contar.”, Que ela não entendeu?

-E então? Qual sua decisão? – perguntou ele, curioso.

Respirei fundo e então falei:

-Eu vou nesse grupo de apoio, apenas para conhecer. – Falei levantando as mãos como uma forma de proteção.

-Tudo bem, tudo bem. Apenas para conhecer. Venho no seu quarto te buscar com a cadeira de rodas, as 22 horas, não vão se importar com atrasos. Vai por mim! – ele sorriu e eu sorri de volta – fez uma excelente escolha Olívia, você vai ver. Vão te ajudar muito, tanto emocionalmente, quanto em todas as outras áreas. – falou ele.

Abaixei a cabeça e perguntei:

-Como o Sr sabe disso? E se não for mais um marketing? – falei sendo bem desafiadora.

Ele tossiu fraco e foi dando passos por perto da minha cama:

-Minha esposa. – falou ele.

-O que tem ela? – falei curiosa.

-ela sofreu um acidente terrível, houve um incêndio na nossa casa, e ela ficou trancada no banheiro, quando ela finalmente saiu do banheiro, ela passou pela cozinha de casa, o fogão explodiu e queimou o corpo dela. E não bastasse isso, a cegou. Minha esposa, muito fraca e com 70% do corpo

queimado, veio para esse hospital, e então, com muita luta e perseverança e muito tratamento, minha esposa se recuperou. Porém……- ele hesitou.

-A visão dela…..ela ficou cega. – falei meio que já sabendo do que houve.

-sim. Ela ficou cega. Pra ela foi o pior dia da sua vida, cega, machucada e toda remendada, ela não sabia mais o que fazer naquela condição, até que ela teve uma brilhante ideia, criar um grupo de apoio para os deficientes, primeiro foram os visuais, e depois foram chegando diversos e

diversos deficientes, foi a coisa mais linda que eu já vi. – falou ele que parecia emocionado.

-Sinto muito pelo acidente com a sua esposa Doutor. Foi realmente muito trágico o que houve com ela. E hoje?, Como ela está? – perguntei curiosa.

-Morta. – ele parou, e o clima ficou meio estranho e pesado.

-Aí meu Deus….ela morreu….- tentei perguntar se ela havia morrido por conta de algo relacionado a queimadura ou a visão e ele me deu uma resposta mais incrível ainda.

-Não, não – ele balançou a mãos, eu pude sentir o vento das mãos balançarem – ela morreu de câncer, no cérebro. Ela escondeu de todos nós.

– ele falou baixinho. – mas foi um grande exemplo para todos e o grupo seguiu firme e forte, liderado pelo mais antigo depois dela. O que estou dizendo Olívia, é que mesmo com todas as chances sendo nulas, você não pode parar. Em nenhum momento, minha esposa, nunca desistiu de tentar,

de lutar, de se empenhar. E se, certamente ela tivesse me contado do câncer….. – ele parou, respirou fundo e disse: - Eu a abraçaria e diria que ela não sabe a força que ela tem. Dentro dela. E a força dela, ainda iria salvá-la daquele câncer. – ele falou fazendo barulho de nariz escorrendo.

-eu nem sei o que dizer…..ahn….. o Sr ainda vai me pegar? -, falei tentando mudar o clima.

-Claro, claro. – ele falou enxugando os olhos das lágrimas. – às 22 está bem?, esteja bonita. – falou ele, tocando na minha mão.

-Obrigada doutor, mas mais bonita que isso eu não posso estar. – falei brincando.

-Eu tenho certeza de que isso é um equívoco. Boa noite Olívia, durma bem. – E eu escutei o toque dele sobre o interruptor.

-Doutor? – falei, e a porta rangeu e depois parou.

-Sim Olívia? – perguntou ele.

-Não me disse o dia do grupo. – sorri.

-Amanhã Olívia. Amanhã. – e escutei a porta se fechando.

Não conseguia parar de pensar sobre o grupo, e a conversa com o Doutor na noite interior, e, até o presente momento, meu humor era felicidade e esperança, uma coisa que eu não havia sentido fazia a muito tempo!. Inclusive, eu até acredito que, era esse o sentimento que eu estava tendo quando sai do ateliê e fui para a Avenida, que era o caminho mais próximo de minha casa, o humor eu me lembro, mas o momento exato do acidente não, só me lembro de ver uma luz muito branca e sentir algo muito quente na minha cabeça, de resto, não me lembrava de mais nada.

Além claro, do meu humor,que hoje, está bem parecido com o meu humor no presente momento.

*Pela manhã*

-Toc toc! – disse minha mãe, e a porta rangeu novamente.

-Um passarinho de jaleco me contou que você aceitou que você aceitou conhecer o grupo de apoio. Isso é verdade? Eu trouxe o seu café da manhã - falou ela, e senti o peso da bandeja sob os meus pés.

-Ora ora….esse pássaro é bem fofoqueiro né? – sorri e ela deu uma risada novamente.

Silêncio novamente.

-Mãe? O que houve? O que eu falei? – falei rapidamente tentando localizar o meu erro.

-É só que, é bom te ver sorrir! – ela falou toda emocionada.

-Oh meu Deus! Mãe, não me faça chorar. - e abri os braços, e ela colocou a cabeça no meu peito.

Minha mãe, fez barulho de choro . E limpou a garganta e tentou se recompor, ainda fazendo o barulho com o nariz entupido, ela disse:

-Trouxe para você de casa, aquele suquinho natural de laranja que você tanto gosta. E um sanduíche de mortadela e queijo, água, e um iogurte para você. O hospital não me permitiu trazer o bolo de chocolate, estou brigando por isso . – cochichou ela e eu sorri.

-Não tem problema, traz na bolsa. – eu brinquei e nós demos risada juntas.

Era bom ter essa sensação de esperança e felicidade e renovação, da dias que eu não me sentia assim, e isso eu achava que iria demorar muito ou então que eu nunca feira. Encarar a cegueira com um sorriso verdadeiro no rosto era a melhor coisa do mundo, e até parecia um mero detalhe do acaso estar cega, eu realmente não me importava com o fato de estar cega, e nada poderia estragar esse momento precioso!

Eu realmente estava feliz.

Mesmo estando tão insegura...

Capítulo 5:

“A Reunião”

O Doutor bateu na minha porta era 22:00 horas como havíamos planejado, eu estava com a roupa do hospital ( não podia usar outra), e o Doutor veio caminhando lentamente, sabia que era ele, devido ao seu perfume típico, e quando eu ergui a cabeça, eu sorri e disse:

-O senhor está cheiroso, esta manhã. -Comentei, e ele limpou a garganta.

E o doutor sorriu e retrucou:

-Você ainda não viu o estoque de perfumes nos armários do hospital. – e eu sorri e o Doutor também.

Após o momento de risadas, escutei ele limpando a garganta e disse:

- E então? Como você está diferente hoje, passou maquiagem?, essa roupa é nova? – falou ele brincando, e eu sorri.

-Sim, a minha stylist enfermeira que me encomendou, veio lá da lavanderia do hospital. Achei um charme. Mesmo, não tendo visto como eu estou. – e eu sorri e ele também

-Muito bem madame, vou te ajudar a se livrar daí, está certo? – ele falou ainda com um tom divertido, e eu senti ele se aproximando.

-Existem pessoas que estão participando e que estão internadas? – perguntei, e ele me auxiliou a colocar a perna boa no chão e senti o frio.

-Olha, existem sim, a maioria. Porém, cada um tem a sua deficiência, não vai se sentir um peixinho fora d’água, isso eu te prometo. – falou ele

segurando a minha mão, e me ajudando a fazer força para levantar.

-Muito bem, porque eu não quero me sentir assim, e demora muito? Como farei para retornar ao meu quarto? – perguntei curiosa.

-A sua stylist já foi chamada, não se preocupe ela vai te ajudar. – falou ele, brincando e travando a cadeira de rodas.

-Certo. – falei, acomodando as mãos no colo.

A porta rangeu, e a enfermeira Cláudia se apresentou, e com a mão sob os meus ombros disse:

-Vamos? -E eu assenti.

-Encontro vocês lá. -Disse o doutor.

A sensação de estar “indo embora”, do quarto, era maravilhosa, eu

conseguia respirar um ar diferente do meu quarto, toquei nas paredes por diversas vezes, e estava totalmente confortável na cadeira de rodas, mas uma coisa eu te digo: passar uns dias no hospital, não era como passar férias em resorts, ou sei lá, a casa da sua tia, era terrível, conseguia ser mais terrível do que a piada do “Pavê ou pra Cumê.”,

Mas para mim, só o fato de estar fora do meu quarto, daquela cama, para mim já era o máximo, um verdadeiro passeio. Fomos então, eu acredito que seja, no elevador, pude ouvir o barulho do elevador subindo a cada andar, e quando tocou o mesmo barulho duas vezes, eu sabia que a porta estava abrindo e que eu iria se levada para lá, o mais incrível que eu estava vendo com estar cega, era a minha audição, o meu paladar, o meu fato, o meu tato, tudo estava perfeitamente aumentado acho que umas 5 vezes, eu conseguia ouvir, sentir, e cheirar e provar que eu sabia exatamente o que era, o meu cérebro também estava mais ligeiro ( eu diria),prestava atenção em cada informação que ele recebia.

E tudo isso, era pra suprir a necessidade dos olhos,que agora, estavam descansando.

Descansando, assim que eu gosto de chamar o meu problema de agora, eles estavam descansando, estavam cansados, e merecem o devido descanso. Eu confesso que estava tensa, um grupo de pessoas continham bem….pessoas.

e eu sempre fui meia que na minha, e apesar da dificuldade de aceitar de que, agora, eu era uma cega,eu não conseguia ver o ruim em participar desse grupo, achava que até seria aturável, e me ajudaria a passar o tempo neste hospital, até os meus pontos secarem, e eu ir para casa finalmente.

Escutei o barulho do elevador, a enfermeira Cláudia disse que em breve, desceríamos o andar. O Doutor, assumiu o controle e a Cláudia se despediu. Ele estava detalhando cada detalhe para mim, de como era o corredor, se eu estava próxima da porta, passamos por duas portas grandes e cinzas, e então, chegamos na última porta Doutor parou e então ele falou:

-Pronta? – ele colocou a minha mão no meu ombro.

-Pronta. – eu ouvi vozes vindo da porta, não muitas, mas ouvi o suficiente para deduzir que tinha umas 10 pessoas, mais ou menos.

Foi então que eu respirei fundo, e o Doutor abriu a porta, escutei ela se abrindo e rangendo. Nesse instante, todos olharam para mim, eu não vi, mas pude sentir a presença de todo o mundo me olhando, todos curiosos, ou me julgando, ou então, surpresos.

Eu podia sentir, o peso dos olhares, o peso dos corpos, o peso das emoções e sentimentos turbulentos, e o peso das perguntas, eu posso sentir, cada pessoa me olhando, cada pessoa estando fixamente me olhando. As pessoas me olharam, e eu estava de mãos dadas comigo mesma, trêmulas, e suando frio, eu realmente não sabia como agir naquele momento, será que deveria sorrir? Ou acenar?

No final das contas, preferi abaixar a cabeça, e ficar quietinha, assim, não era apontada por fazer nenhuma bobagem. O doutor, falou no meu ouvido:

-Fica aqui, vou conversar com a Lisa. – ele me rodou e me colocou do lado de uma outra pessoa que eu não sabia quem era.

Assenti com a cabeça, mas no pensamento pedi para que ele viesse rápido.

Após longos minutos, o Doutor veio e me virou para ele e eu senti a sua respiração:

-Liv, ela vai te apresentar para o grupo, a enfermeira vem te buscar logo em seguida, vai te ajudar a subir na cama e tudo mais. Eu preciso ir embora agora, mas, ficará em boas mãos. Espero que goste e fique com o grupo, vai te ajudar muito a crescer profissionalmente agora, nessa nova etapa da sua vida. Te vejo amanhã está bem? – e ele levantou me virou com a cadeira e então, escutei seus passos desaparecendo.

-Muito bem pessoal, alguns devem estar se perguntando quem é a nossa nova convidada, e eu também estou curiosa para conhecê-la, por isso, vamos deixar ela ficar a vontade e apenas assistir. Peço primeiro que ela pelo menos queira se apresentar para nós, e contar um pouco da sua história. – falou ela com um tom animado e tentando manter a seriedade e eu gostei daquilo. – então, fique a vontade para falar quem é você, e sua história. – falou ela.

Eu hesitei, eu estava confiante, porém, com vergonha:

-Me chamo Olívia Cooper, tenho 26 anos, sou advogada, e, sofri um acidente. Fui atropelada, estou de passagem por aqui, e, é isso. – falei rapidamente abaixando a cabeça.

-Muito bem! É um prazer ter você aqui conosco Olívia. Seja muito bem vinda. Aqui você vai aprender a lidar com a sua dificuldade, com a sua fragilidade, com o seu momento atual, e aqui, poderá sair mais forte e mais confiante, e a lidar com tudo isso que está passando. Qual sua fragilidade? – Perguntou ela.

-Como? Como assim fragilidade? – sorri e perguntei, sem compreender.

-Certo, lá fora chamam de deficiência, aqui não, nos chamamos de

fragilidade, deficiência é muito pesado e até fraco. Gostamos de chamar de

fragilidade, porque, realmente essa palavra se encaixa perfeitamente com a sua situação. – ela falou muito pacientemente.

-Sou cega. Quer dizer…..não enxergo. – sorri, com timidez.

-muito bem, muito bem. – e todos bateram palmas. – espero que realmente goste daqui Olívia, queremos te ver mais vezes. – falou ela com um certo tom animado.

-É um prazer também, estar aqui presente com vocês. – falei sendo realmente sincera e franca.

Sabe aquela sensação que nós temos, de estar sendo observadas?, Pois é, de repente, eu tive aquela sensação estranha e até incômoda, alguém estava olhando para mim.

Na reunião inteira eu diria, eu recebia olhares tensos e nervosos, mas não era como esse olhar específico, era como se, como se essa pessoa quisesse falar comigo e não conseguia.

A reunião foi bem animada, teve música, e algumas atividades, eu aprendi a tocar um instrumento mesmo sendo “Fragilizada”, e até mesmo, aprendi a pintar,tocar e pintar duas ações que eu achei que nunca mais iria fazer na vida, duas propostas que eu achei que nunca, jamais seria permitido, mas naquela noite, eu fiz.

Houve uma pausa para o café, e foi nesse momento, que eu senti o olhar mais curioso e observador, com mais força vindo na minha frente:

-Oi! – falou uma voz masculina, porém gentil.

-Oi. – falei timidamente.

-Seu nome é Olívia né? – falou Ele.

-Sim olhar misterioso. -falei divertida.

-olhar misterioso? Do que está falando? – falou ele totalmente fingindo que não sabia do que eu estava falando.

-Posso ser “ Fragilizada”….- ele deu risada- porém sei quando tem um olhar misterioso me olhando. – falei erguendo a sobrancelha.

-olha, você é impressionante. Achei que vindo tímido não te assustaria. – ele falou brincando e eu sorri.

-timidez não é comigo! Não viu o meu médico? Me trazendo até aqui? – falei brincando.

-eu vi. E fiquei surpreso até achei que tinham algo. – ele falou.

-não, não sou namorada dele. Ele é apenas o meu médico. E você? Namora?

– o papo estava indo para um ramo legal, mas perigoso.

Será que eu vou desencalhar?

Assim tão rápido? Será?

-sim. Sou noivo. – ele sorriu. – vi você aqui toda acanhada, achei que será

-sim. Sou noivo. – ele sorriu. – vi você aqui toda acanhada, achei que será

No documento Conquistando o Infinito (páginas 22-51)