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Conquistando o Infinito

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Academic year: 2022

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Conquistando o Infinito

"O Amor, derruba as barreiras"

Volume 1

Thatty Santos

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Capítulo 1:

“ O Acidente”

Olá, eu sou Olívia Cooper, tenho 26 anos, e estou com uma baita dor de cabeça.

O que houve comigo? Bem, eu também não sei direito.

Me lembro de estar acordando cedo,tomado o meu café da manhã, ido ao júri assinar algumas papeladas, lembro de estar saindo mais cedo, almoçar com o meu noivo Jake, e , ir provar o tão sonhado vestido de noiva, o resto é tudo um borrão para mim.

O que eu sinto? Bem, eu só consigo sentir frio, será que estou no céu? Dizem que o céu é gelado porque é nas nuvens, mas eu acho que é bobagem, mas será que não é tão bobo assim?!

Mas no céu é tudo escuro?...

Porque não acendem a luz aqui?...

Céus! Eu estou completamente confusa!

Onde eu estou?...

- Sra? Moça? Consegue me ouvir? - uma voz masculina veio com clareza nos meus ouvidos.

- Sim? Sim. O que houve? Onde que eu estou? Porque está tudo escuro? - perguntei desesperada.

- Jovem se acalma!, Você sente alguma dor? Alguma coisa? - perguntou a voz masculina.

- Ahn....não sei...- a dor veio com tudo na cabeça e no corpo - dor...eu sinto dor.... - falei sentindo aquela dor horrível.

- Dor? Onde? Pode me dizer? - falou a voz.

- Nas pernas, aqui na minha cintura, minha cabeça. Moço? Porque está escuro? o que aconteceu? - perguntei sem entender nada.

- você sofreu um acidente. Como se chama? - perguntou a voz, um pouco arrastada do que o normal.

- Olívia, Olívia Cooper. - falei respirando forte e rapidamente.

Acidente?! Ele disse acidente?

Como assim?

- Por favor, se acalme, vamos te levar para a maca e estará em segurança, mas por favor, permaneca calma e tranquila, em breve estará melhor. Não durma está bem Olívia?

Fique comigo, não durma. - falou a voz masculina, segurando meus pulsos e eu senti um monte de mãos erguendo o meu corpo.

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Como posso dormir, sabendo que sofri um acidente? E como ele pode me dizer que é pra manter a calma nessa escuridão? Não dá.

É impossível!

Eu só queria saber o que está acontecendo, e porque não estou a caminho de casa?, Isso não é certo, porque ninguém me explica exatamente o que está acontecendo?

-Injetando Epinefrina. Ela vai apagar daqui a pouco. - Disse, a voz masculina.

Senti um sono profundo,

E em pouco tempo, eu adormeci.

E eu apaguei. Não senti mais nada.

O sono veio chegando, lentamente, a minha cabeça doía muito. E bem no fundo, com uma voz bem distante. Ouvi uma voz, masculina, branda.

Que dizia:

- Olivia Cooper? Está está se sentindo bem? - Disse ela, com sua voz calma.

- Só com uma dor de cabeça horrível! Onde eu estou? - perguntei confusa.

- No hospital Olívia. Poderia me passar um número, para o hospital entrar em contato com a sua familia? - Perguntou o Doutor.

- Acho que sim. - E passei o número dos meus pais, e também, do meu noivo. - e a voz novamente, disse: - você precisa de alguma coisa?- Perguntou ele, com calma.

- Não, somente respostas. O que aconteceu comigo? -Perguntei, já cansada de me questionar isso o tempo todo.

- você sofreu um acidente Olívia, um acidente bem grave, que poderia ter custado a sua vida. -Explicou a voz.

- Como? - falei, e abaixei a cabeça.

- Um caminhão. Quando você estava atravessando, deu ré e acertou você, o vapor

quente foi direto para o seu rosto. - falou ele, com a voz baixa, quase como um sussurro.

Foi aí, que o pior eu estava sentindo. Se estava tudo escuro, então...

Não, não poderia ser. Será que era isso? Eu devo ter quebrado alguma coisa.

- E o que eu quebrei? - perguntei para ele.

Eu ouvi a respiração profunda do doutor, e ele respondeu:

- Sua perna, suas costelas. E infelizmente, você está cega Olívia. - Falou o doutor, com uma voz sem emoção nenhuma.

Cega? Eu estava cega? Não pode ser, não pode. Tem que haver alguma coisa. Em um mundo tecnológico como esse, deve ter um concerto.

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- E minha visão não tem recuperação? - perguntei, aflita. E coloquei as mãos sobre os meus olhos, senti o curativo.

- Infelizmente não, é irreversível. O vapor quente queimou as suas retinas. - falou ele, com uma voz de pesar.

Com as mãos ainda nos curativos, eu comecei a tremer. E extremamente confusa, senti o desespero a tomar conta de mim. Sem muito o que dizer, perplexa demais para assimilar tudo. Eu perguntei:

- E minha família já sabe? - perguntei, engolindo a seco.

- não,ainda não. Vim aqui para buscar o número de telefone e contactar. falou ele: - Mas, por hora, descansa está bem? Faremos todo o procedimento,em breve, estará melhor. Agora, preciso ir contactá-los. -Disse a voz, e eu ouvi os sons dos passos do douto e a porta rangendo.

Ele ia me deixar sozinha aqui? E eu nem sei onde fica "aqui", cega. Eu estava

completamente cega, e de repente, eu comecei a chorar. E a dor novamente veio a tona.

A dor nos meus olhos, aquela que me fez gritar. Mas, a dor, não se comparava com a dor de saber, que eu estava estou cega. Certamente sem emprego, e a minha vida acabou!

Eu não sei o que fazer mais, estou completamente confusa e perdida. como reagir? não sei como vou fazer, o que fazer.

E agora? Só me restava adiantar meu casamento, os meus casos recentes, adiantar tudo, exatamente tudo. Eu realmente não sei o que vou fazer, preciso planejar e reorganizar, tanta coisa mas tanta coisa, tanta coisa que...

Como vou fazer isso estando cega?....

oh céus! Eu estou cega. Não acredito!

totalmente cega...eu nunca vou ver o rosto dos meus amigos, familiares, nunca vou ver TV, nunca vou saber como é um sorvete, a Torre Eiffel, nunca vou ver o rosto do meu noivo outra vez..

E agora?

O que será de mim?

Porque isso tinha que acontecer justo comigo? Justo comigo.

Meu coração, estava acelerado demais. A dor nos olhos, aumentou, eu não conseguia parar de chorar. Comecei a gritar novamente, ouvi a porta ranger, e sapatos vindo na minha direção. Senti um toque leve, sobre os meus joelhos e uma voz disse:

-Olivia?, Está se sentindo bem? -Perguntou a voz, doce.

-Quem está aí? Quem é você? -Disse com receio.

-Me chamo Laura, sou a enfermeira. Está sentindo dor? -Perguntou ela, com delicadeza.

-Muita dor, nos olhos. Eu não consigo, eu tentei chorar e... -O toque da mão, ficou mais firme e ela respondeu:

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-Não se preocupe, eu vou te dar algo que vai desaparecer essa dor. --Disse ela, o toque sumiu e então, eu só consegui dizer:

-Obrigada... Muito... Obri.. -Não consegui terminar a frase, eu adormeci.

Acordei, ainda meia confusa. E de fundo, ouvi uma voz feminina:

- Liv? Filha? - falou minha mãe, com a voz embargada.

- Mãe? é a Sra? - falei ainda sonolenta, mas desesperada e ergui a mão para frente.

Senti o seu leve a doce toque, meus olhos se encheram de lágrimas outra vez, mas veio a dor e eu exclamei:

-Ai! - E respirei fundo.

- Sou eu minha filha, sou eu. Como você está hein?! Fala pra mamãe. - falou minha mãe, e eu senti o seu toque firme nas minhas mãos. E a voz preocupada.

- Mãe, eu estou cega. Por completo, cega. -Disse em desespero.

Houve um silêncio, onde eu pensei que havia acontecido algo. Vendo o silêncio da minha mãe, eu disse:

-mãe? A senhora está aí? -Perguntei, desesperada.

-Cega? Mas, não tem como você voltar a ver? -Lerguntou ela, com a voz aflita.

-Nao mãe, eu estou completamente cega. O doutor disse que, eu acho que era o doutor que foi irreversível. Além da visão, eu quebrei duas costelas, a unha perna, e agora, estou...estou cega. - falei e cobri o rosto e chorei, e veio a dor novamente, mas eu não liguei.

Minha mãe ficou em silêncio, sem saber exatamente se ela havia entendido, eu ouvi o suspiro dela novamente e a voz dela veio, com tom de choro:

- oh minha filha... - e me abraçou: - tudo vai ficar bem, você vai ver. Tudo vai dar certo, a gente vai superar e dar um jeito nisso, você vai ver, vamos dar um jeito nisso. - falou ela com voz de choro.

- Obrigada mãe. Mas, e o Jake? Onde ele está? Ele já sabe? - falei com esperança, eu não sabia como o meu noivo iria reagir.

Ela respirou fundo e disse:

- Bem, eu não sei filha. e

Ele disse que vai tentar passar aqui.

-Não se preocupa isso agora tá bem? Precisa se recuperar. - ela beijou minha testa, e de repente, eu fiquei um pouco mais tranquila.

Sabia que ele viria, ele me amava, e sabia que enfrentariamos isso juntos.

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Capítulo 2:

“Meu noivo Jake”

Eu nunca imaginei que um dia isso teria acontecido comigo: estar cega, ter sido atropelada, e estar passando por um momento delicado. E hoje, recebi a notícia de que terei que fazer uma cirurgia.

Inspirador não é mesmo?!

A melhor parte foi a visita que eu tive essa manhã, Jake, o meu noivo,

finalmente veio me visitar depois de quase 4 dias depois do meu acidente. E saber que ele viria, era exatamente tudo para mim, me confortava ao

máximo o meu coração. E eu só quis beijá-lo e abraçá-lo, mesmo que eu não pudesse vê-lo, meu coração acelerou assim quando eu senti o perfume dele, e o meu sorriso invadiu o meu rosto.

Assim que escutei o ranger da porta, e a enfermeira anunciou o seu nome.

Eu senti uma alegria infinita.

E finalmente, o meu amor veio me ver, e com certeza, ele estaria com um baita buquê de flores, e iria dizer que tudo ficaria bem, e que daríamos um jeito de resolver tudo e até quem sabe, não adiantarmos o nosso casamento porque, o amor supera tudo não é mesmo?.

Ah como que eu gostaria que isso fosse verdade, e que, não era mentira.

E que, ele realmente falaria aquilo, mas não foi bem assim, não mesmo. De jeito nenhum. Jake, não flores, tudo o que ele trouxe foi uma voz cheia e repleta de desprezo:

- Amor Que bom que você está aqui! – falei sorrindo, e eu sabia que ele estava sorrindo também, mas a respiração profunda, me provou que ele estava totalmente desconfortável.

-Oi meu amor, Como você está? – ele falou meio forçado, e não tocou em momento algum em mim. Não senti o seu toque.

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Soltei a respiração lentamente, e tentei manter o tom habitual:

-Bem, agora eu estou bem. Com você aqui do meu lado. – Falei sorrindo, e houve um silêncio absurdo.

Com isso, os pensamentos vieram a tona:

Porque ele ainda não me beijou?

Será que eu estava com bafo?

Mas, isso é ridículo.

Me deram escova de dente esta manhã.

Vendo ainda que ele seguia em silêncio, eu falei:

-Olha, eu sei que é muita coisa pra digerir mas,vamos dar um jeito não é mesmo? Entendo que você não veio me ver nesses dias, eu até compreendo.

Comigo aqui nessa cama e nesse hospital, não dá pra resolver as coisas do casamento não é? – falei rapidamente, sem respirar e só depois, soltei a respiração.

Mais um silêncio, porque ele estava tão quieto assim? Conheço Jake, e ele me conhece. O que há de errado?

-Jake, fala alguma coisa. Porque está tão quieto? -Perguntei apreensiva.

E Jake, explodiu:

-Olivia! Olha, não estava lidando com as coisas do casamento tá legal?! – ele respirou fundo e segurou a minha mão.

“Enfim, um toque.” – eu pensei.

- Como assim Jake? Como assim? Do que esta falando? – questionei com um aperto no coração e a respiração acelerada.

Jake, soltou minha mão e disse:

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- Eu precisei de um tempo, com o seu acidente. Eu...precisei de um tempo – E sua voz, veio carregada com desprezo e aquilo, acabou comigo.

-Tempo? Você precisou de tempo? Para que? – cutuquei, eu sabia que o pior estava por vir.

Se ele fosse falar o que tiver que falar, que se dane!, Mas que pelo menos ele fale logo e pare de me matar com a agonia de não saber o que ele queria dizer. – pensei, rapidamente.

Mais um silêncio, e ele limpou a garganta e respondeu:

- Não sei. Não posso dizer isso, vou parecer um inútil, um babaca, um....um.... imbecil! – Falou ele, explodindo.

- Sabe que pode me falar o que for, você sabe disso Jake, então ande, fale! – Eu falei e o meu coração do nada começou a acelerar e a desacelerar.

- NÃO POSSO CASAR COM UMA CEGA! O QUE VAI SER DE MIM?! - Ele gritou e eu me assustei, e o mix de sensação foi indescritível, eu estava assustada, confusa, com medo, com dor e profundamente triste.

- O que? O que você disse Jake? – falei sem nem acreditar.

- Olívia você é maravilhosa, perfeita, carismática, doce, uma mulher incrível, uma mulher forte, uma mulher perfeita para mim. Mas o erro, o erro está em mim! Não posso casar com uma cega, é muito pesado, é muito fardo para mim. Será que você consegue entender?. Por favor, não há nada de errado com você, você é realmente perfeita, mas eu realmente não posso ficar com você, com um fardo tão pesado. – falou ele e eu parei por um segundo pra processar, e ele ficou novamente em silêncio, mas, eu não sabia o que dizer.

Mas eu não falei nada.

Eu não conseguia dizer mais nada, eu não estava acreditando no que estava acontecendo, no que ele estava me falando, e então eu fiz uma pergunta:

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- Você acha mesmo que você tem problemas? Acha mesmo que eu sou o fardo?, quem é o fardo é você, egoísta! Mesquinha! Preconceituoso! Nojento!

Não é obrigado a ficar comigo, e não venha com esse papinho. – Disse, e ele tentou contrapor e eu respondi: - só vai embora! – falei, abaixando a cabeça e cobrir os meus olhos.

- Olívia olha, não me leve a mal....eu....eu.... não posso assumir algo que não vou dar conta entende? – ele falou novamente tentando se justificar.

- E eu não estou pedindo para que você faca isso, apenas vai embora. VAI! – Gritei, e eu ouvi o som da a porta se abrindo e ele dizendo:

- Eu sinto muito Olívia, eu sinto muito. – e escutei a porta se fechando.

Eu podia ouvir as batidas do meu coração, podia ouvir na minha orelha, podia simplesmente arrancar pela boca se eu abrisse ela, pelo menos,eu não sentiria mais dor. Essa dor, essa sensação de inútil, essa sensação de

traição, de nojo, de vergonha, de ser descartada como se eu não fosse nada, como se o que eu sentisse nesse exato momento não valesse, como se, por mais duro que fosse, eu precisava me permanecer em pé, firme porque, eu merecia aquilo. E não bastasse os olhos inúteis que eu tinha no momento, eu estava de pé, e procurando por esperança e amor, e vem um idiota como esse me chamando de fardo.

Fardo...

Me desmanchei, cai em lágrimas. A dor novamente, veio. Mas, não consegui conter, não consegui segurar.

Eu era isso? Exatamente isso? Um fardo pesado e inútil?

Era exatamente isso que eu era.

Alguém bateu na porta, eu escutei a batida. E eu não consegui segurar, só sabia chorar, e quando escutei a voz da minha mãe, eu chorei mais ainda.

Ela sempre foi o meu porto seguro, eu só tinha ela e ela só tinha eu, e

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quando fui para a faculdade de Direito, mesmo longe dela, ela sempre esteve presente comigo, e até me ajudando no pouco que ela sabia sobre o tema do mês.

-Ei minha filha, o que houve? Porque Jake saiu daqui tão atordoado? – Ela Perguntou confusa.

- Acabou mãe, ele terminou comigo. E ainda...- falei sem conseguir dizer – e ainda me chamou de fardo – e senti ela sentando na cama, e puxando minha cabeça sobre o seus ombros. E tocou na minha cabeça, e começou a fazer um carinho e disse:

- Ei....eu...eu sinto muito minha pequena, eu realmente sinto muito.

Escuta....você não é um fardo, eu amo você e vou sempre cuidar dê você!....ei... Olívia.... Olhe para mim....- ela segurou a minha cabeça me forçando, mas eu não conseguia ver o seu rosto. – você não é inútil! Dará a volta por cima ainda! Você vai ver! – falou ela e eu a abracei.

Por mais que as palavras dela fosse as palavras mais sinceras do mundo, eu realmente não acreditava naquilo, não porque eu achava que minha mãe era mentirosa, mas, porque a dor era maior do que qualquer realidade, a dor era maior do que qualquer verdade naquele momento, eu me sentia usada, iludida, sacanear, Jake levou o meu coração, e o acidente me levou os olhos.

Bem justo não é?

Eu só conseguia sentir fracasso, e a dor era bem parecida com a dor da morte do meu pai, existem algumas dores que levam uma parte de nós, não um dedo, uma perna, ou algo do gênero, não, claro que não. Mas algumas dores levam partes de nós que não tem como recuperar, você pode tentar, mas não vai conseguir, porque simplesmente, a outra parte ficou com a pessoa que arrancou.

E nesse exato momento, meu pai levou uma parte de mim há 2 anos quando ele morreu, e hoje, agora, Jake levou a outra, sem nem se importar se eu

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ficaria com alguma parte, ele simplesmente optou por ir embora e levar consigo a minha parte e provavelmente dar para outra pessoa, a parte do meu coração.

Eu conheci Jake na faculdade, no começo ele era apenas um garoto de cidade grande, que tinha belos olhos azuis, e eu, era uma garota nova e ingênua de cidade pequena, que nunca havia ido sozinha comprar um pão.

Ele, um garoto descolado e muito esperto, eu uma boba apaixonada que assistia filmes e séries clichês de romance, do tipo Crepúsculo, bobo não?!

Mas essa era eu, uma garota nova, boba, e fácil de cair em ladainha como a dele, e de fato, eu caí.

Jake fez o seu primeiro trabalho comigo, a garota nova, e para variar, eu fiz o trabalho todo sozinha, e no final, quando fui entregar no Campus para ele, ele me beijou como “Forma de agradecimento.”, e desde então, não paramos por um minuto, Jake era do tipo que, se importava com a reputação dele, mas isso nunca foi motivo para nos separarmos, ele aprendeu a lidar comigo, e eu, a lidar com ele e honestamente tudo estava perfeitamente bem, o nosso namoro durou até o final da faculdade e noivamos logo que entramos no primeiro emprego recém formados.

Cheios de planos, sonhos, realizações, projetos, essa era a nossa mente, queríamos criar uma grande casa, com uma grande variedade de assuntos da Lei, e sermos felizes. O.K! Não vou negar que não pensei no “Para

Sempre.”, mas neste momento, seria muito idiota da minha parte de

compartilhar esse sentimento, mas eu senti, não posso fingir que não pensei sobre.

E agora?, tudo está perdido, meu casamento se foi, o meu projeto de foi, meus olhos se foram, eu realmente não sei o que fazer, e como recomeçar, eu realmente não tenho escolha, nenhuma escolha. Eu estava no fundo do poço, o ápice da minha vida e juventude, tudo jogado no lixo, tanto esforço

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trabalhando como garçonete e agora isso, estou aqui, destruída, por fora, e por dentro:

Belo Acidente!

Bela vida a minha!

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Capítulo 3:

“Mantenha a Calma”

Ficamos ali, nos duas, depois de chorar um bocado e a dor me impedir.

Minha mãe, disse:

-Filha, você precisa comer. Não faz bem ficar assim, você precisa se

alimentar. – falou minha mãe alisando o meu cabelo e falando pela milésima vez que eu precisava comer.

-Mãe, eu não estou com fome, já disse. Eu só quero ficar aqui sozinha, quieta. – falei, com a cabeça baixa.

-Mas Olívia isso não faz bem, você precisa se levantar. Sua cirurgia foi remarcada para a semana que vem. Não pode simplesmente ignorar o mundo. – falou minha mãe séria.

-E para que o mundo vai querer ficar com um fardo como eu sou?, Mãe qual é! Ninguém quer saber de uma mulher cega. Ninguém se importa e eu

também não. – Falei com sinceridade, cruzando os braços.

Então, senti mãe se levantando, e a porta rangendo, ela não me disse mais nada, e em seguida, ouvi os passos e a voz do médico:

-Olívia, como está?- Perguntou ele, e eu sabia que ele estava fingindo que não sabia do meu estado clínico.

Irritada, foi logo dizendo:

-Pode parar doutor, o Sr sabe do meu estado. Não apresentei nenhuma melhora. Novidades? – falei ironicamente e segurou a respiração e soltou.

-Sua cirurgia foi remarcada, achamos melhor que você passe por ela logo, a chances de sucesso é maior. – falou ele.

-Essa cirurgia vai trazer a minha visão de volta? – ergui a sobrancelha.

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-não. Mas vai colocar duas costelas e pernas de volta no lugar. Nossa prioridade é que você volte a andar e a se mover Olívia. – Falou ele sério.

-Então, do que me adianta? Andar, me mover e não ver! Estar solteira novamente na pior fase da minha vida! Honestamente não vejo vantagens em sair daqui. – falei e virei a cabeça.

-sua mãe me contou que não está comendo, precisa ganhar peso Olívia, se não vai poder fazer a cirurgia. – falou ele.

Eu dei de ombros, dizendo que não me importava. O Doutor respirou fundo, e sentou na cama, senti o seu peso sobre ela. E ele, me falou sério:

-Olívia, deixa eu ser bem franco com você esta bem? – e eu mantive a minha cabeça baixa: -Não enxergar vai se tornar um problema pequeno e idiota comparado a não andar e não se mover. Seu corpo vai atrofiar,e só sua cabeça vai mexer, é isso que você quer?. Ficar aí deitada e ser descartada?, É isso que você quer?, é isso?!. – abaixei a cabeça, ainda relutando.

Com muita dificuldade, eu respondi:

-Meu ex noivo me chamou de fardo, o Sr acha que eu sou um?- perguntei.

-Não, Honestamente não. Mas será se não se mover, e comer Olívia. – ele se levantou, senti seu peso sumindo da cama, e a porta rangendo.

Eu prendi a respiração, e toquei no botão das enfermeiras, e pedi para trazer o almoço. Em pouco tempo, não sei quanto, escutei a enfermeira abrindo a porta, e anunciando o seu nome. Ela foi me entregando os potes de refeição, me informando o que tinha para comer, e eu fui comendo.

Uma semana depois...

Havia uma semana que eu estava internada, uma semana que eu tinha sofrido o acidente, o tempo estava passando muito rápido, e eu estava

destruída por dentro, e a cada minuto e hora que se passava eu achava que não tinha mais jeito para mim, achava que ficaria dependente dos meus

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pais para sempre, e vida social, e vida independente eu nunca mais teria, porque, como que eu iria fazer para sair e trabalhar se eu não conseguia enxergar?

Mais três dias se passaram, e eu sentia um peso enorme nas minhas costas, mas estava mais forte.

• Dia da Cirurgia *

Eu estava tensa, vez ou outra oscilava em lágrimas e pessimismo, mas em outro momentos eu estava ansiosa e bem. Era muito difícil manter

controlada as emoções, nessas horas fica bem instável as emoções, foi o que a psicóloga havia dito. Elas ficam oscilando entre pensamentos bons e

ruins, porém, isso não tinha nenhum problema, aceitar essa nova condição era fundamental no momento, mas na teoria era muito fácil ele falar, mas na prática já não era tanto assim. Por vezes, derrubava talheres, e copos pelo chão. A enfermeira, sempre dizendo que aquilo era normal, mantinha paciência e calma, o que eu achava totalmente diferente.

A porta rangeu, e os passos vieram firmes.

-Olívia, sua cirurgia vai começar daqui a 15 minutos, nós vamos te levar para a sala pré-operatória, não se preocupe tudo já está programado. – falou ele.

-vai doer? – perguntei, aflita.

-Não, você vai estar sedada, não vai sentir absolutamente nada. – falou ele. – A equipe, virá te buscar. Em breve. – falou ele.

-Tudo bem, tudo bem. Sem problemas. – Falei para ele e sorri fraquinho.

“tudo bem”, é o que eu sempre falo para mim mesma ultimamente, “Calma Olívia, Tudo vai ficar bem.”, “Aguenta firme, só mais um dia, só mais um pouquinho,aguenta firme só mais um pouquinho.”, e na verdade, é uma baita mentira!.

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Enquanto digo para mim mesma que tudo vai ficar bem, as coisas desmoronam dentro de mim, mas eu tenho que ficar bem, tenho que aguentar firme, porque é só uma fase ruim e ela vai passar. Ela tem que passar. Ela precisa passar.

A enfermeira, veio até mim e disse que ia me levar o andar de cima, com o elevador. Eu estava tensa, minha mãe estava do meu lado, segurando a minha mão. Era tão bom que ela estivesse ali junto comigo.

Eu iria fazer duas operações ao mesmo tempo, da perna e das costelas, e para mim, eu realmente não me importava em me “remendarem”, porque, eles não podiam consertar os meus olhos, então, essa cirurgia era o máximo que eles podiam fazer por mim, o “Máximo”.

Da para acreditar? Em um dia estava vestindo o meu vestido de noiva, e no outro eu estava toda quebrada e cega em uma cama, é inacreditável o que houve comigo, como eu simplesmente podia ter feito isso comigo? Será que eu não vi o caminhão ? Não olhei para os dois lados? Será que eu não sei como atravessar a rua?, Como pude ser tão estúpida?

“Calma Olívia, calma.”

“Tudo vai ficar bem, mantenha a calma.”

O elevador fez um barulho de sino, a enfermeira informou que dali pra frente , minha mãe, não podia passar, e quando nossas mãos soltaram o meu coração acelerou , eu senti a dor da solidão.

Eu só queria voltar para a minha vida normal, eu só queria estar casando nesse exato momento, eu não queria estar aqui, não quero fazer nada, eu só quero encontrar o meu caminho, fazer a minha história, porque a vida

estava me fazendo aquilo?,

Eu era uma má pessoa?, O que eu fiz de errado?...

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Escutei umas portas de abrirem, a enfermeira me informava exatamente tudo o que acontecia. E o frio me encontrou e me abraçou, como um amigo antigo e esperançoso, senti me colocando na maca, eu senti um líquido quente correndo nas minhas veias.

Escuridão...

Sono...

Apenas nada.

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Capítulo 4:

“Um Convite Especial”

Tudo estava escuro, eu só ouvia o meu coração, calmo, tranquilo, sereno, fazia pouco tempo que não via o meu coração assim, calmo, sem agitação, e o mais engraçado, sem dor.

Era incrível, ficar um minuto sem dor, e sem pensamentos atordoados era mágico, eu podia ficar assim para sempre, e não estou totalmente morta, ainda estou viva, mas não vou sentir dor, não vou ter que resolver

problemas, não serem cega e um verdadeiro fardo para muitos ou para todos.

Eu nunca estive em conflito antes, nunca tive esses pensamentos

antes, sempre fui uma garota controlada, forte, inteligente, nunca hesitei em responder e em ser eu mesma, nunca pensei que com os meus 26 anos eu teria conflitos tão intensos e tão angustiantes como estou tendo agora, parece que eu não sei de nada, parece que eu nunca vi nada, parece que eu nunca vivi, passei a viver somente agora.

Como se eu estivesse acordando de um sono profundo, eu abri os olhos, nada, escuridão, havia esquecido que eu estava cega, mas senti as emoções voltarem, e isso me fez ter a certeza de que, eu estava acordada.

-Querida Está acordada? – falou minha mãe, e senti ela segurando a minha mão.

-Mãe? Estou. Como foi a cirurgia? Tudo está de volta no lugar? – perguntei.

Minha mãe deu uma risada e disse:

-Sim minha princesa, tudo está de volta no lugar. Colocaram as suas costelas de volta, e a sua perna também. Vai ter que colocar o gesso, e aí, poderá voltar para casa. Não é incrível filha? – ela sorriu com esperança.

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-É sim mãe, é sim. – eu sorri tentando manter a calma e fingir que aquelas palavras me confortavam.

-a enfermeira vai subir aqui pra te trazer o almoço, e você vai

melhorarem breve. Trocaram o seu curativo dos olhos, disseram que está cicatrizando. – falou ela, com calma.

-Demorou muito a minha cirurgia? – perguntei curiosa.

-não, somente 2 horas e meia. Achei que iria demorar mais. Você se saiu muito bem minha querida, se comportou direitinho lá. E ainda por cima, sua costela está novinha em folha, nem vai precisar fazer muita coisa.

Agora, descansa, e relaxa, em breve, estaremos em casa. – Falou ela fazendo carinho no meu cabelo.

Eu sorri, mas eu não estava feliz.

Alguém bateu na porta, os passos novamente vieram, era o doutor, senti o perfume dele, masculino. Que irradiou a sala, incrível como os meus sentidos estavam aguçados. Eu já havia percebido isso.

-E então? Como vai a nossa paciente preferida? – falou o Dr com um tom de voz animado.

-Ah eu estou bem, acho que boa. Quando poderei ir para casa? – perguntei querendo que a resposta fosse “Hoje mesmo.” Mas ele não respondeu isso.

-Calma, calma. Parece que você acordou animada hein?!. – ele riu e eu sorri – veja bem, voltará para casa em breve, inclusive – senti sons de papéis passando, e ele disse: - Nós aqui do hospital, temos um grupo de apoio a deficientes, e se, um dia quiser aparecer. Poderá ir. É a nossa convidada de honra. – ele falou sendo totalmente honesto e verdadeiro.

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-Filha, isso é maravilhoso! Viu?! Um grupo de apoio, vai te ajudar muito. E como! – falou minha mãe colocando as mãos no meu cabelo, e segurando minhas mãos.

-Sim. E o melhor, temos projetos que vão incluir você no mercado de trabalho Olívia, e, em faculdades, e até mesmo na sua carreira. O Estado simplesmente te apoia, e cobre todos os gastos. Você só precisa ir. É no final do meu turno, mas no primeiro dia, posso te acompanhar. Olhe, é as 22:00 horas, se você quiser ir, toca no telefone e eu te acompanho. – falou o Dr, cordial.

-Ah, ótimo. Certo. Ahn….vou pensar sobre. – coloquei a mecha de cabelo, para trás.

O Doutor ficou em silêncio, e então se despediu e saiu pela porta.

Quando escutei a porta se fechar, minha mãe me olhou, e então falou:

-filha, você precisa ir. Precisa se reerguer. Sua cirurgia foi feita, e precisa fazer algo para te ligar no mundo real, na vida real. Isso não é justo Olívia, não é justo consigo mesma. – falou ela, e eu suspirei.

-Mãe, não acho que eu esteja pronta para isso ainda, eu nem me

recuperei da perna e agora, vou simplesmente em um grupo de apoio? – falei sendo bem sincera.

-Porque não tenta?, So vai para visitar. Sem compromisso. Ve o que eles dizem, e como trabalham e então, se não gostar pode desistir. – falou ela. – mas por favor, prometa que vai pelo menos conhecer, faz esse esforço por mim? – falou ela com um tom doce e amável.

- tudo bem, eu vou. Fale pro Doutor, eu….ahn…..eu vou. – falei sem nenhum ânimo.

Ir para um grupo pra cegos era muita piada, não bastasse a péssima situação de eu estar simplesmente em um hospital, e de tudo ter acontecido comigo, eu ainda ir a um grupo de apoio?.

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Não havia engolido muito bem, mas quando o Doutor citou sobre emprego, aquilo me deu esperança e eu até passei a bolar um plano. O plano era o seguinte: eu vou lá, finjo estar interessada, aí então, faço o que eu tiver que fazer para agir na minha área, e tcharam!

Abandono eles logo na primeira oportunidade, eu preciso de uma direção, e não ficar grudada com alguém o tempo todo me dizendo o que preciso fazer, esse era o melhor plano de todos.

-Alguém me chamou? Está tudo bem? – falou o Dr, depois de eu apertar o botão e chamar o doutor.

-Liv, conte a sua decisão. – falou minha mãe e beijou a minha testa e escutei ela saindo do quarto de fininho.

Qual a parte de “Ela vai contar.”, Que ela não entendeu?

-E então? Qual sua decisão? – perguntou ele, curioso.

Respirei fundo e então falei:

-Eu vou nesse grupo de apoio, apenas para conhecer. – Falei levantando as mãos como uma forma de proteção.

-Tudo bem, tudo bem. Apenas para conhecer. Venho no seu quarto te buscar com a cadeira de rodas, as 22 horas, não vão se importar com atrasos. Vai por mim! – ele sorriu e eu sorri de volta – fez uma excelente escolha Olívia, você vai ver. Vão te ajudar muito, tanto emocionalmente, quanto em todas as outras áreas. – falou ele.

Abaixei a cabeça e perguntei:

-Como o Sr sabe disso? E se não for mais um marketing? – falei sendo bem desafiadora.

Ele tossiu fraco e foi dando passos por perto da minha cama:

-Minha esposa. – falou ele.

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-O que tem ela? – falei curiosa.

-ela sofreu um acidente terrível, houve um incêndio na nossa casa, e ela ficou trancada no banheiro, quando ela finalmente saiu do banheiro, ela passou pela cozinha de casa, o fogão explodiu e queimou o corpo dela. E não bastasse isso, a cegou. Minha esposa, muito fraca e com 70% do corpo

queimado, veio para esse hospital, e então, com muita luta e perseverança e muito tratamento, minha esposa se recuperou. Porém……- ele hesitou.

-A visão dela…..ela ficou cega. – falei meio que já sabendo do que houve.

-sim. Ela ficou cega. Pra ela foi o pior dia da sua vida, cega, machucada e toda remendada, ela não sabia mais o que fazer naquela condição, até que ela teve uma brilhante ideia, criar um grupo de apoio para os deficientes, primeiro foram os visuais, e depois foram chegando diversos e

diversos deficientes, foi a coisa mais linda que eu já vi. – falou ele que parecia emocionado.

-Sinto muito pelo acidente com a sua esposa Doutor. Foi realmente muito trágico o que houve com ela. E hoje?, Como ela está? – perguntei curiosa.

-Morta. – ele parou, e o clima ficou meio estranho e pesado.

-Aí meu Deus….ela morreu….- tentei perguntar se ela havia morrido por conta de algo relacionado a queimadura ou a visão e ele me deu uma resposta mais incrível ainda.

-Não, não – ele balançou a mãos, eu pude sentir o vento das mãos balançarem – ela morreu de câncer, no cérebro. Ela escondeu de todos nós.

– ele falou baixinho. – mas foi um grande exemplo para todos e o grupo seguiu firme e forte, liderado pelo mais antigo depois dela. O que estou dizendo Olívia, é que mesmo com todas as chances sendo nulas, você não pode parar. Em nenhum momento, minha esposa, nunca desistiu de tentar,

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de lutar, de se empenhar. E se, certamente ela tivesse me contado do câncer….. – ele parou, respirou fundo e disse: - Eu a abraçaria e diria que ela não sabe a força que ela tem. Dentro dela. E a força dela, ainda iria salvá-la daquele câncer. – ele falou fazendo barulho de nariz escorrendo.

-eu nem sei o que dizer…..ahn….. o Sr ainda vai me pegar? -, falei tentando mudar o clima.

-Claro, claro. – ele falou enxugando os olhos das lágrimas. – às 22 está bem?, esteja bonita. – falou ele, tocando na minha mão.

-Obrigada doutor, mas mais bonita que isso eu não posso estar. – falei brincando.

-Eu tenho certeza de que isso é um equívoco. Boa noite Olívia, durma bem. – E eu escutei o toque dele sobre o interruptor.

-Doutor? – falei, e a porta rangeu e depois parou.

-Sim Olívia? – perguntou ele.

-Não me disse o dia do grupo. – sorri.

-Amanhã Olívia. Amanhã. – e escutei a porta se fechando.

Não conseguia parar de pensar sobre o grupo, e a conversa com o Doutor na noite interior, e, até o presente momento, meu humor era felicidade e esperança, uma coisa que eu não havia sentido fazia a muito tempo!. Inclusive, eu até acredito que, era esse o sentimento que eu estava tendo quando sai do ateliê e fui para a Avenida, que era o caminho mais próximo de minha casa, o humor eu me lembro, mas o momento exato do acidente não, só me lembro de ver uma luz muito branca e sentir algo muito quente na minha cabeça, de resto, não me lembrava de mais nada.

Além claro, do meu humor,que hoje, está bem parecido com o meu humor no presente momento.

*Pela manhã*

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-Toc toc! – disse minha mãe, e a porta rangeu novamente.

-Um passarinho de jaleco me contou que você aceitou que você aceitou conhecer o grupo de apoio. Isso é verdade? Eu trouxe o seu café da manhã - falou ela, e senti o peso da bandeja sob os meus pés.

-Ora ora….esse pássaro é bem fofoqueiro né? – sorri e ela deu uma risada novamente.

Silêncio novamente.

-Mãe? O que houve? O que eu falei? – falei rapidamente tentando localizar o meu erro.

-É só que, é bom te ver sorrir! – ela falou toda emocionada.

-Oh meu Deus! Mãe, não me faça chorar. - e abri os braços, e ela colocou a cabeça no meu peito.

Minha mãe, fez barulho de choro . E limpou a garganta e tentou se recompor, ainda fazendo o barulho com o nariz entupido, ela disse:

-Trouxe para você de casa, aquele suquinho natural de laranja que você tanto gosta. E um sanduíche de mortadela e queijo, água, e um iogurte para você. O hospital não me permitiu trazer o bolo de chocolate, estou brigando por isso . – cochichou ela e eu sorri.

-Não tem problema, traz na bolsa. – eu brinquei e nós demos risada juntas.

Era bom ter essa sensação de esperança e felicidade e renovação, da dias que eu não me sentia assim, e isso eu achava que iria demorar muito ou então que eu nunca feira. Encarar a cegueira com um sorriso verdadeiro no rosto era a melhor coisa do mundo, e até parecia um mero detalhe do acaso estar cega, eu realmente não me importava com o fato de estar cega, e nada poderia estragar esse momento precioso!

Eu realmente estava feliz.

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Mesmo estando tão insegura...

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Capítulo 5:

“A Reunião”

O Doutor bateu na minha porta era 22:00 horas como havíamos planejado, eu estava com a roupa do hospital ( não podia usar outra), e o Doutor veio caminhando lentamente, sabia que era ele, devido ao seu perfume típico, e quando eu ergui a cabeça, eu sorri e disse:

-O senhor está cheiroso, esta manhã. -Comentei, e ele limpou a garganta.

E o doutor sorriu e retrucou:

-Você ainda não viu o estoque de perfumes nos armários do hospital. – e eu sorri e o Doutor também.

Após o momento de risadas, escutei ele limpando a garganta e disse:

- E então? Como você está diferente hoje, passou maquiagem?, essa roupa é nova? – falou ele brincando, e eu sorri.

-Sim, a minha stylist enfermeira que me encomendou, veio lá da lavanderia do hospital. Achei um charme. Mesmo, não tendo visto como eu estou. – e eu sorri e ele também

-Muito bem madame, vou te ajudar a se livrar daí, está certo? – ele falou ainda com um tom divertido, e eu senti ele se aproximando.

-Existem pessoas que estão participando e que estão internadas? – perguntei, e ele me auxiliou a colocar a perna boa no chão e senti o frio.

-Olha, existem sim, a maioria. Porém, cada um tem a sua deficiência, não vai se sentir um peixinho fora d’água, isso eu te prometo. – falou ele

segurando a minha mão, e me ajudando a fazer força para levantar.

-Muito bem, porque eu não quero me sentir assim, e demora muito? Como farei para retornar ao meu quarto? – perguntei curiosa.

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-A sua stylist já foi chamada, não se preocupe ela vai te ajudar. – falou ele, brincando e travando a cadeira de rodas.

-Certo. – falei, acomodando as mãos no colo.

A porta rangeu, e a enfermeira Cláudia se apresentou, e com a mão sob os meus ombros disse:

-Vamos? -E eu assenti.

-Encontro vocês lá. -Disse o doutor.

A sensação de estar “indo embora”, do quarto, era maravilhosa, eu

conseguia respirar um ar diferente do meu quarto, toquei nas paredes por diversas vezes, e estava totalmente confortável na cadeira de rodas, mas uma coisa eu te digo: passar uns dias no hospital, não era como passar férias em resorts, ou sei lá, a casa da sua tia, era terrível, conseguia ser mais terrível do que a piada do “Pavê ou pra Cumê.”,

Mas para mim, só o fato de estar fora do meu quarto, daquela cama, para mim já era o máximo, um verdadeiro passeio. Fomos então, eu acredito que seja, no elevador, pude ouvir o barulho do elevador subindo a cada andar, e quando tocou o mesmo barulho duas vezes, eu sabia que a porta estava abrindo e que eu iria se levada para lá, o mais incrível que eu estava vendo com estar cega, era a minha audição, o meu paladar, o meu fato, o meu tato, tudo estava perfeitamente aumentado acho que umas 5 vezes, eu conseguia ouvir, sentir, e cheirar e provar que eu sabia exatamente o que era, o meu cérebro também estava mais ligeiro ( eu diria),prestava atenção em cada informação que ele recebia.

E tudo isso, era pra suprir a necessidade dos olhos,que agora, estavam descansando.

Descansando, assim que eu gosto de chamar o meu problema de agora, eles estavam descansando, estavam cansados, e merecem o devido descanso. Eu confesso que estava tensa, um grupo de pessoas continham bem….pessoas.

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e eu sempre fui meia que na minha, e apesar da dificuldade de aceitar de que, agora, eu era uma cega,eu não conseguia ver o ruim em participar desse grupo, achava que até seria aturável, e me ajudaria a passar o tempo neste hospital, até os meus pontos secarem, e eu ir para casa finalmente.

Escutei o barulho do elevador, a enfermeira Cláudia disse que em breve, desceríamos o andar. O Doutor, assumiu o controle e a Cláudia se despediu. Ele estava detalhando cada detalhe para mim, de como era o corredor, se eu estava próxima da porta, passamos por duas portas grandes e cinzas, e então, chegamos na última porta Doutor parou e então ele falou:

-Pronta? – ele colocou a minha mão no meu ombro.

-Pronta. – eu ouvi vozes vindo da porta, não muitas, mas ouvi o suficiente para deduzir que tinha umas 10 pessoas, mais ou menos.

Foi então que eu respirei fundo, e o Doutor abriu a porta, escutei ela se abrindo e rangendo. Nesse instante, todos olharam para mim, eu não vi, mas pude sentir a presença de todo o mundo me olhando, todos curiosos, ou me julgando, ou então, surpresos.

Eu podia sentir, o peso dos olhares, o peso dos corpos, o peso das emoções e sentimentos turbulentos, e o peso das perguntas, eu posso sentir, cada pessoa me olhando, cada pessoa estando fixamente me olhando. As pessoas me olharam, e eu estava de mãos dadas comigo mesma, trêmulas, e suando frio, eu realmente não sabia como agir naquele momento, será que deveria sorrir? Ou acenar?

No final das contas, preferi abaixar a cabeça, e ficar quietinha, assim, não era apontada por fazer nenhuma bobagem. O doutor, falou no meu ouvido:

-Fica aqui, vou conversar com a Lisa. – ele me rodou e me colocou do lado de uma outra pessoa que eu não sabia quem era.

Assenti com a cabeça, mas no pensamento pedi para que ele viesse rápido.

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Após longos minutos, o Doutor veio e me virou para ele e eu senti a sua respiração:

-Liv, ela vai te apresentar para o grupo, a enfermeira vem te buscar logo em seguida, vai te ajudar a subir na cama e tudo mais. Eu preciso ir embora agora, mas, ficará em boas mãos. Espero que goste e fique com o grupo, vai te ajudar muito a crescer profissionalmente agora, nessa nova etapa da sua vida. Te vejo amanhã está bem? – e ele levantou me virou com a cadeira e então, escutei seus passos desaparecendo.

-Muito bem pessoal, alguns devem estar se perguntando quem é a nossa nova convidada, e eu também estou curiosa para conhecê-la, por isso, vamos deixar ela ficar a vontade e apenas assistir. Peço primeiro que ela pelo menos queira se apresentar para nós, e contar um pouco da sua história. – falou ela com um tom animado e tentando manter a seriedade e eu gostei daquilo. – então, fique a vontade para falar quem é você, e sua história. – falou ela.

Eu hesitei, eu estava confiante, porém, com vergonha:

-Me chamo Olívia Cooper, tenho 26 anos, sou advogada, e, sofri um acidente. Fui atropelada, estou de passagem por aqui, e, é isso. – falei rapidamente abaixando a cabeça.

-Muito bem! É um prazer ter você aqui conosco Olívia. Seja muito bem vinda. Aqui você vai aprender a lidar com a sua dificuldade, com a sua fragilidade, com o seu momento atual, e aqui, poderá sair mais forte e mais confiante, e a lidar com tudo isso que está passando. Qual sua fragilidade? – Perguntou ela.

-Como? Como assim fragilidade? – sorri e perguntei, sem compreender.

-Certo, lá fora chamam de deficiência, aqui não, nos chamamos de

fragilidade, deficiência é muito pesado e até fraco. Gostamos de chamar de

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fragilidade, porque, realmente essa palavra se encaixa perfeitamente com a sua situação. – ela falou muito pacientemente.

-Sou cega. Quer dizer…..não enxergo. – sorri, com timidez.

-muito bem, muito bem. – e todos bateram palmas. – espero que realmente goste daqui Olívia, queremos te ver mais vezes. – falou ela com um certo tom animado.

-É um prazer também, estar aqui presente com vocês. – falei sendo realmente sincera e franca.

Sabe aquela sensação que nós temos, de estar sendo observadas?, Pois é, de repente, eu tive aquela sensação estranha e até incômoda, alguém estava olhando para mim.

Na reunião inteira eu diria, eu recebia olhares tensos e nervosos, mas não era como esse olhar específico, era como se, como se essa pessoa quisesse falar comigo e não conseguia.

A reunião foi bem animada, teve música, e algumas atividades, eu aprendi a tocar um instrumento mesmo sendo “Fragilizada”, e até mesmo, aprendi a pintar,tocar e pintar duas ações que eu achei que nunca mais iria fazer na vida, duas propostas que eu achei que nunca, jamais seria permitido, mas naquela noite, eu fiz.

Houve uma pausa para o café, e foi nesse momento, que eu senti o olhar mais curioso e observador, com mais força vindo na minha frente:

-Oi! – falou uma voz masculina, porém gentil.

-Oi. – falei timidamente.

-Seu nome é Olívia né? – falou Ele.

-Sim olhar misterioso. -falei divertida.

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-olhar misterioso? Do que está falando? – falou ele totalmente fingindo que não sabia do que eu estava falando.

-Posso ser “ Fragilizada”….- ele deu risada- porém sei quando tem um olhar misterioso me olhando. – falei erguendo a sobrancelha.

-olha, você é impressionante. Achei que vindo tímido não te assustaria. – ele falou brincando e eu sorri.

-timidez não é comigo! Não viu o meu médico? Me trazendo até aqui? – falei brincando.

-eu vi. E fiquei surpreso até achei que tinham algo. – ele falou.

-não, não sou namorada dele. Ele é apenas o meu médico. E você? Namora?

– o papo estava indo para um ramo legal, mas perigoso.

Será que eu vou desencalhar?

Assim tão rápido? Será?

-sim. Sou noivo. – ele sorriu. – vi você aqui toda acanhada, achei que será legal ter uma companhia para te sei lá, ajudar. – ele falou sendo sincero.

E eu senti o balde de água fria totalmente caindo no meu corpo, cheguei até tremer com a ilusão que eu criei.

Óbvio que ele teria noiva,capaz,dela estar me observando nesse exato momento cantando o noivo dela. Que vergonha! Que bizarro! Quero me esconder!

-Está aqui há quanto tempo? – falou ele depois de um tempo constrangedor.

-Vai fazer suas semanas, ou menos, meu acidente foi recente. – falei, receosa.

-O que houve? – falou ele, com atenção.

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-acidente, fui atropelada. O escapamento quente do caminhão acabou

caindo nos meus olhos me cegando. E você? – perguntei, e Lisa me entregou um copo com café.

-Sou tetraplégico. Nasci praticamente em uma cadeira de rodas,

infelizmente, nunca aprendi a andar. E o que houve com a sua perna?- ele falou.

-Consequências do acidente também, o caminhão passou por cima e

quebrou minhas costelas e a minha perna. Fiz cirurgia ontem. Má sorte né?

– falei eu brincando.

-Nem me diga. Quer dizer que você é advogada? – falou ele curioso.

-espera! Que grosseria a minha, sinto muito por você, por você nunca ter aprendido a andar e…..você sabe..- falei coçando a cabeça.

-Não tudo bem, foi trágico. Mas olha, ficou mais bonito assim sabia? É o meu charme. – ele sorriu e eu sorri de volta.

-Eu não tenho dúvidas! Ah, sim, sou advogada. Acabei a faculdade

recentemente e sofri o acidente. Eu estava indo ver a meu vestido de noiva e provar. Má sorte mesmo né? – falei, suspirando.

-Nossa totalmente! Isso é terrível. Parece que terá que escolher outro. – falou ele, e eu prendi a respiração.

-ah não mais, ele…..ele….não casa com pessoas cegas. – falei rapidamente e abaixei minha cabeça.

-Ele te falou isso? – ele falou indignado.

-Falou, e me chamou de fardo. – falei.

-Que filho da……- ele abriu para falar mas Lisa passou por ele e falou rapidamente.

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-Política! – falou ela – aqui não aceitamos palavrões, você sabe disso Peter. – falou ela dando uma bronca.

-Era exatamente isso que eu ia dizer Lisa, exatamente isso. – falou ele respirando aliviado quando, ouvi lá passos de Lisa saindo.

-Parece que ela ia te dar uma bronca hein?! – falei brincando com ele.

-Você não tem ideia! Vai ficar conosco não é? – perguntou ele.

-ainda não sei, está muito cedo para decidir. – falei sendo honesta.

-Ah não, TEM que ficar! Aqui é maravilhoso! Você não tem ideia de o quanto.

Vai se apaixonar. – falou ele sendo bem convincente.

-Propaganda é tudo hein? – brinquei, e suspirei.

-Você não viu nada. Quero dizer... Ah a propósito meu nome é Peter. – falou ele como se eu não soubesse.

Liza bateu palma, e todos ficaram em silêncio, e ela falou:

-Agora, vamos mostrar a Olívia, o que sabemos. Música! – falou ela, gentilmente.

E todos começaram a tocar instrumentos e a cantar uma canção que dizia sobre, força, destreza, sabedoria, confiança, e, Capacidade. Algo realmente muito bonito e emocionante, que me deixou com os olhos marejados.

Quando acabou, eu estava soluçando igual uma criança, e Peter me

entregou um lenço de papel, e eu enxuguei os olhos. Após aquilo, Liza deu o recado, marcando a próxima reunião que seria sexta, e então, a enfermeira chegou e disse:

-Podemos ir Olívia? – falou com uma voz calma e doce, e segurando no meu ombro, eu concordei.

-podemos. – falei sorrindo.

-Vai vir sexta né? – falou Peter, em alguma direção que eu não sei.

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-Vou. Não vou perder essa. -Falei, sorrindo com gentileza.

E ele bateu palmas.

E eu sorri.

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Capítulo 6:

“Um projeto novo.”

A vida nem sempre é do modo como achamos que ela tem que ser, nem sempre ela nos presenteia com aquilo que pedimos, mas aquilo que precisamos.

O Doutor veio no meu quarto, me informando que os pontos tanto da costela, quanto das pernas seriam removidos, e que, era questão de tempo para mim estar de volta em casa, e me recuperando. O problema era, eu cheguei em uma fase de recuperação que não quero sair do hospital e enfrentar o mundo lá fora, eu só queria simplesmente ficar e estar aqui, aqui me sentia protegida do mundo grotesco e bizarro que existia por trás das portas do hospital e eu realmente não estava pronta para aquilo.

-Vai sexta feira para o Grupo? – perguntou o Doutor verificando os meus pontos.

-Sim. Eu realmente gostei muito de lá, é um lugar maravilhoso e muito acolhedor. – falei sorrindo, mas em um tom não muito animado.

-Que bom que você gostou Olívia, é um grupo muito importante para nós do hospital. Fez amigos? – Perguntou ele.

-Ah sim, um. Peter. – falei rapidamente e com vergonha.

-Peter…...hmm…. Peter While? – Perguntou o Doutor.

-Acredito que sim, não perguntei o sobrenome dele. – falei, e ele disse:

-Peter While é um grande fenômeno,não está internado no hospital,porém, não perde um encontro do grupo, fez uma boa amizade Olívia. Ele sim é sinal de força e superação. – falou ele.

-Obrigada Doutor. O Sr também é. – sorri para ele e ele deu risada e escutei os passos, e a porta rangendo.

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Os dias passaram-se rapidamente, eu já estava com os sentidos aguçados,a cada dia ouvia melhor, sentia melhor, tocava melhor, e eu realmente

conseguia reproduzir na minha mente cada coisa que eu tocava, cheirava, e provava. Era incrível a forma como o Ser Humano se porta quando perde um membro ou uma função do corpo, ele não paralisa, ele simplesmente regenera,e foi assim que o meu corpo agiu perante aquilo, ele simplesmente me ajudou.

Sexta feira chegou voando, linda, com um belo dia ensolarado e quente, ao ponto que o hospital ligou os ar condicionados para nos ajudar, e que baita ajuda!, então, minha mãe chegou no horário da visita, e ficou surpresa com a cena que ela tinha acabado de ver, eu estava sentada na cama, sem a cadeira de rodas, e quando ela chegou, eu abri os braços para recebê-la, aquilo fez a minha mãe chorar, descambar de chorar, e quase chorei também.

Havia feito para ela uma pintura que eu havia feito no grupo de apoio, era um Céu azul,com um campo verde. Eu achava que estava tudo igual o que tinha na minha cabeça, mas Lisa e Peter afirmaram que estava perfeito:

-O céu representa o infinito, coisas que são grandes demais para nós,mas que, se tornou uma missão. E os campos, representam paz e equilíbrio o que devemos ter. Fiz essa pintura para a Senhora mãe, quero que a leve com você. – e apontei para frente e minha mãe chorou mais um pouco e pegou a pintura e disse:

-Filha! Essa é o melhor quadro que eu já recebi. – e me abraçou e me beijou.

Bateram na porta, e a porta abriu, era o Doutor, ele dando risada comentou:

-fez sua mãe chorar né?, Agora, farei você chorar um pouco. – sorriu ele e logo atrás dele, senti que tinha alguma presença.

-Quem está aí? – perguntei, curiosa.

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-A Enfermeira Cláudia, viemos tirar o seu ponto. – brincou o doutor e falou calmamente.

-Ah Não….. – e minha mãe, deu uma risada junto com o médico e a enfermeira.

Deitei na cama fiquei ali,parada esperando, esperando para o pior

acontecer, para variar, não tinha opção, não tinha outra a não ser ficar ali e aguardar a coisa toda acontecer. Foi quando, o doutor passou um líquido frio no meu curativo, e puxou o esparadrapo,eu gritei,chorei mas permaneci ali, quietinha.

Foi então, que ele passou outro líquido, e senti cortando a linha e removendo.

-Prontinho Olívia, o ferimento da costela está cicatrizado e fechado. Fez um ótimo trabalho! – ele falou -agora,vamos ver a sua perna. – ele falou,

segurando a minha perna.

Passando o mesmo líquido na minha perna, ele removeu com cuidado dessa vez, o esparadrapo, não houve gritos, ou desespero,somente barulhos e sensações estranhas, ele cortou as linhas, e senti algo puxar, e novamente passou mais um líquido e então ele falou:

-Pronto. Nada de remendos. Tudo na mais perfeita e pura perfeição. Sua cicatrização foi um sucesso, já pode tentar caminhar com as duas pernas , sem medo de ser feliz. Mãe ajude ela está bem? Ela vai sentir pouca força na perna operada, mas isso é passageiro, em breve, ela estará me dando

trabalho nesses corredores. – falou ele alegre, e minha mãe deu risada de alegria junto.

-Obrigada Doutor. – falou minha mãe, esperançosa.

A porta abriu, passos, e depois, ouvi o barulho da porta se fechando. Mais nada.

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-E então? Bora caminhar? – falou minha mãe, sugerindo.

E eu sorri.

Coloquei os dois pés no chão, senti a sensação do sangue passando por cada veia novamente,era incrível, eu havia me esquecido a sensação de como era andar, caminhar,sentir o chão, era uma sensação que até parecia nova para mim. Foi então, que eu firmei os dois pés e fiz força para levantar, minha mãe logo fez menção para me segurar de um lado, e eu agradeci por ela estar naquele momento comigo, eu dei os primeiros passos, e a cada tentativa ficava mais forte as pernas, e menos precisei me segurar na minha mão.

-É tão bom estar caminhando novamente mãe, a Sra não faz idéia de o quanto seja bom – falei alegre.

-Que Deus te abençoe minha pequena. Ainda vai caminhar muito. Está ansiosa para ir ao grupo de apoio está noite? – Perguntei.

-Sim. Muito. Muito menos. – sorri e pensei no Peter.

-Otimo. Poderá ir sozinha. Quer minha companhia? – perguntou minha mãe.

-Não,mãe. A Sra já fez muito por mim. – bateram na porta.

-Sra Cooper, sua visita acabou. – falou a enfermeira, cordialmente.

Minha mãe me abraçou e me beijou e disse:

-Até amanhã Olívia, trago bolo de chocolate hein?! – falou ela e eu me despedi, e consegui fechar a porta e decidi parar de abusar.

A enfermeira que trazia o meu almoço era a mesma que me levava para os grupos, e ela veio me perguntando se nessa noite eu iria com ela,e eu assenti confirmando, e eu sei que ela sorriu, as pessoas quando ela sorri, trazem uma energia muito boa para o ambiente, reluz uma luz tão forte e clara que eu não sabia explicar exatamente. Cada pessoa, leva consigo a sua

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luz, e a luz reluz pelo sorriso de cada uma, ela depois de me trazer o almoço, só foi voltar algumas horas depois , sem a cadeira, e com o braço esticado, que logo segurei firme.

**************************

-Pronta?- falou a enfermeira em frente a porta do grupo.

-Pronta. – respirei fundo e ouvi as mesmas vozes de antes.

A porta se abriu e todos bateram palmas, felizes porque eu havia chegado, Liza me cumprimentou com um beijo e um aperto de mão, e eu retribui.

-Que bom que está de volta,Olívia. – falou Liza, segurando minha mão.

-Por favor, me chame de Liv. -sorri para ela.

-Certo Liv, sente-se, que hoje, vamos aprender sobre como viver em sociedade. – falou ela e eu me sentei na primeira cadeira, a Lisa me conduziu.

-Olha só -ouvi um cochicho -não está mais na cadeira de rodas. – falou uma voz que eu a reconheci.

Peter.

-É bom estar de volta. – cochichei de volta.

-Vocês são tão importantes para a sociedade,quanto uma pessoa normal, mesmo com suas dificuldades são capazes para enfrentar o dia-a-dia sem medo, e sem preocupações. Tudo isso funciona, como um relógio, cada parte dele é importante para que funcione, o seu cérebro precisa que incentivo e ver de outra perspectiva. Vejamos…...Liv!...você nos disse na reunião passada de que, era advogada formada certo? – falou ela voltando a voz e novamente senti os olhares curiosos.

-Sim, sou sim. – falei meia acanhada.

-Então venha a nós, e mostre o seu trabalho. – falou a Liza.

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-Mas….mas….eu não…...como? – perguntei finalmente.

-Venha, que eu te mostro. – falou liza.

E eu levantei ainda mancando e fui guiada para a direção dela.

-Liv, o que um advogado faz? – perguntou ela.

-Defende os direitos e serviços da lei. – falei como se estivesse na faculdade novamente.

-O que a lei fala sobre os cidadãos? – falou ela, com tranquilidade.

-Que cada um de nós temos direitos e deveres como cidadãos, que são cuidar e preservar o nosso ambiente,que vivemos. – falei como se estivesse decorado.

-Viu?! Você não precisou de papel, ou de simplesmente enxergar Liv, você simplesmente sabe. Por que para saber é necessário o conhecimento, e você sabe sobre então é capaz de fazer e executar. -Falou liza.

-É mesmo. – falei criando esperança.

-Pode se assentar Liv, palmas para Liv. – falou liza e todos bateram palmas.

Sentei na cadeira, sendo guiada de novo. E aquilo realmente foi muito importante para mim ouvir, não precisava ver para saber, bastava apenas saber. E isso era necessário o suficiente para mim exercer qualquer função que eu tiver que fazer como advogada, sei falar, sei advogar, sei exercer a minha função eu apenas, não vejo. Liza continuou com o discurso e no final, pediu para que todos nós tentássemos coisas diferentes, e então dividiu nós como um grupo, e cada grupo era responsável em criar um meio de integrar as pessoas deficientes no meio do ramo de trabalho, independente da sua formação era claro, para variar, sentei com o Peter e um grupo de meninas e meninos e nossa conversa foi a mais prática e mais produtiva.

-Então Liv, o que acha que poderíamos fazer? -Perguntou uma moça com voz suave.

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-Bem, seria interessante que nós tivéssemos um lugar para ir que nos ajudassem não somente aprender como lidar com as nossas fragilidades mas, a como ser encaminhados para o mundo lá fora. Então, que tal um centro especializado em admissão e preparação para o trabalho de mercado?

– falei dando uma sugestão. Eu estava tensa.

-Acho ótimo. Uma espécie de, faculdade seria? – perguntou uma garota com voz mais grave.

-Sim, quase isso, nesse lugar,teria não somente faculdade mas também todo o preparatório para os deficientes,de qualquer classe. – falei empolgada.

-E tem como criar um lugar assim?-Perguntou um rapaz com voz mais pacífica.

-Tem sim, entra no artigo para inclusão social, esse artigo abraça qualquer causa social de inclusão,inclusive esse lugar. – falei eu.

-E o que mais da pra fazer? – perguntei para eles.

-Bem, dá para fazer grupos para apoios, e aulas de libras e sinais para as pessoas saberem lidar com isso. E na faculdade, fazer com que as pessoas trabalhem como voluntárias nessa faculdade, assim, elas vão ajudar a faculdade a crescer. – falou a menina novamente com voz mais suave.

-Eu acho uma ótima idéia, não somente para os deficientes visuais,mas para qualquer deficiente. – falou Peter finalmente.

Ufa. Ele concordou.

-Então esta combinado. Temos em mente alguma coisa. – falou a moça com voz grave -a propósito, meu nome é Amanda.

-E o meu Laura. – falou a menina de voz suave.

-e o meu Lucas. – falou o moço com voz calma.

Peter segurou a minha mão, e eu retribui mas logo soltei, ele era noivo.

(48)

Ao final da reunião de hoje,Peter veio me acompanhando, depois que a enfermeira não veio me buscar, no meio do caminho a enfermeira veio correndo ao meu encontro e disse:

-Me desculpe Olívia,era código azul. – falou ela respirando firme.

-Tudo bem, já encontrei o meu acompanhante. – sorri, e eu estava segurando a cadeira de rodas.

-Quando vai receber alta? – perguntou ele.

-Faço a menor idéia Peter, realmente não faço a menor idéia. Tirei os pontos hoje, talvez, nas próximas semanas. – falei sendo sincera.

-Ah….. sobre aquele projeto, acho que deveríamos tirar do papel sabia?

Transformar em realidade. -Falou ele.

Parei no meio do corredor.

-O que? Está brincando?! – falei eu com um tom divertido.

-Pode acreditar. Acho que deveríamos sim. É uma brilhante ideia, e as pessoas precisam saber disso. – falou ele. -Pensa quantas pessoas como nós, podemos ajudar. Você com a sua experiência e eu com a minha.

Montaremos esse negócio facinho,facinho. – falou ele.

Eu sorri.

-Vamos! Anda! Projeto de amigos. Custa nada me ajudar com isso Liv. – paremos na porta do meu quarto.

-E como vamos fazer isso? – coloquei a mão na cintura.

-Assim que receber alta daqui podemos nos encontrar e planejarmos. Anda!

Você vai gostar! -falou ele.

-Está bem, está bem. Mas espera, quando vai ser o seu casamento? – perguntei.

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-Não tem data marcada não, estamos vendo isso. Relaxa, ainda vai demorar.

– falou ele. -Então sócios?.

-Socios. -Ele esticou a mão e pegou a minha e eu retribui o aperto. E empurrei a porta do quarto.

-boa noite Peter. – falei.

-Boa noite Liv. – ele falou com uma voz doce.

Fechei a porta e eu ouvi a cadeira, rangendo e certamente, virando e ele indo embora.

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Capítulo 7:

“Meu Mundo”

Os encontros com o grupo seguiu em frente, e a cada dia eu estava mais empenhada em tirar a Faculdade da cabeça e realmente transformar em realidade. Era impressionante o apoio que o Peter estava me dando, ele sempre me dizia que era possível, bastava contactar com as pessoas certas.

-Você não pode perder a chance de recomeçar, é a sua chance. As pessoas precisam dessa faculdade Liv, elas precisam de todo esse apoio. – falou ele me incentivando.

-Mas Peter eu nunca construí nada na minha vida, nem sei por onde começar. Você falando até parece que é fácil! – falei colocando a mão na cintura.

-Mas é fácil Liv, basta você querer e acreditar!, Pensa só no tanto de pessoas que podem ser beneficiados , você não pode simplesmente ignorar Liv. Anda! Qual é! Vamos nessa! – falou ele, insistindo.

-Está bem, está bem. Você já me convenceu faz tempo, só não faço a menor idéia por onde começar, não, sério. Não faço mesmo. – falei na defensiva.

-Eu te ajudo – e ele segurou a minha mão e eu senti um arrepio.

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-E aí? Ansiosa para sair daqui? – falou ele segurando ainda a minha mão.

-Ah bem, sim. Mais ou menos. Tipo, o médico me deu mais 5 dias, e eu não vejo a hora de vestir outra roupa, sem que os meus fundilhos apareça – dei risada.

Peter deu risada também.

-é bom que entra um arzinho. – ele deu risada e eu também. – vem!

Quero te mostrar um lugar. Você vai amar! – falou ele e me puxou.

Eu não sabia onde estava indo, mas eu podia sentir cada ambiente mudar conforme a porta que eu ia passando, alguns lugares eram quentes, outros frios,outros normais, alguns lugares eram apenas fedidos, outros cheiravam medicamentos e antibióticos, tudo isso acontecia no hospital, no hospital era como uma perfumaria, cada pedaço do lugar existia um aroma, e eu até que gostava disso.

-Vamos subir as escadas agora – falou Peter. -Não precisa ter medo, vou te levar para um lugar incrível! – falou ele.

-Tudo bem. Mas escadas? – falei ainda tensa.

-Você confia em mim? – falou ele segurando a minha mão.

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-Confio. – falei decisiva.

-Então vem – ele me puxou pelas mãos e com a outra empurrava a cadeira de rodas.

-Com vamos subir com a cadeira? – perguntei, confusa.

-tem uma rampa, pronto. Chegamos! – falou ele soltando minha mão e eu escutei a porta ranger.

-Peter….onde estamos? – perguntei curiosa.

Eu senti um aroma incomum, de lugar fechado, ou quieto, não sabia exatamente como definir o lugar, eu só sabia que era um lugar que poucos chegavam a ir conhecer.

-Desde quando eu te conheci, e soube da sua história, eu andei me perguntando como seria não ver. Não enxergar, ter sensações, sentidos, ouvidos, nariz, olhos até, e simplesmente não ver. Quando eu estava internado, alguém me disse que minha vida mudaria, e que, mesmo mudando ou para melhor ou para pior,ninguém poderia imaginar a

sensação de estar sentado o tempo todo, querendo correr, brincar, andar, sentir os Chão, sentir a grama, a água do mar. E eu queria, como eu queria, que as pessoas ficassem nem que fosse um minuto no meu lugar, mas ninguém ficou, ninguém quis,e aquilo me doeu. E quando eu te conheci, e

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soube da sua história, eu vi a oportunidade de se colocar o seu lugar. De não ver. E então, passeando por aí eu descobri essa sala. A antiga sala de Raio X, aqui, posso ver exatamente como é não poder ver, pelo menos, exatamente por alguns minutos. – falou ele, com simplicidade.

Aquilo me desabou, eu não esperava por aquilo,eu sempre quis que alguém me entendesse,porque,na prática dizer que tudo é questão de determinação ou força ou o que, sei lá,as coisas iriam mudar e tudo daria certo,e que tudo ficaria bem, não era o mesmo de estar na minha sensação, na minha pele, falar não era como não ver,a escuridão total me angustiava, e o desejo de abrir os olhos e simplesmente ver era maior do que qualquer coisa,mas era impossível, infelizmente nunca mais eu iria ver, mas mesmo não podendo, eu realmente queria que o mundo me entendesse,e visse o que é não poder enxergar. A culpa obviamente não era nem minha, e nem da outra pessoa, mas, para compreender o que se passa na mente de alguém, você precisa primeiramente deixar a sua mente de lado, e enxergar com os mesmos olhos que eu enxergava.

Eu sei que vou encontrar muitas pessoas que vão me chamar de louca, ou então, de apenas deficiente, ou então vão duvidar da minha força de vontade e capacidade, eu sei, eu sei disso. Eu sei que as pessoas são maldosas e que,não vão perder a oportunidade para me humilhar e dizer que nada para mim dará certo porque eu simplesmente não vejo, não

enxergo. Mas a verdade, é que eu não me vejo como incapaz, eu sou apenas diferente de outros, sou apenas eu. Nunca fui de seguir modas, ou de seguir padrões, e agora, realmente agora percebo que não enxergar me abre mais a mente,e o que mais sinto nesse exato momento, era medo. Medo do que eu iria encontrar lá fora, medo de viver, medo de não ser compreendida, medo de viver em um cubo na base da força, medo das pessoas me olharam com

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