Tendo como principal objetivo o aprimoramento da compreensão sobre a relação do empreendedorismo com o desenvolvimento econômico, o consórcio conhecido como Global
Entrepreneurship Monitor (GEM), formado por iniciativa da Babson College, nos Estados
Unidos, e da London Business School, no Reino Unido, produz relatórios anuais sobre a atividade empreendedora em mais de 40 países61, por defender que:
a criação de negócios é uma das causas da prosperidade das nações. [pois] com ela inova-se, geram-se oportunidades, empregos e riquezas, e que a existência de indivíduos dispostos aos riscos de empreender é um dos pilares do desenvolvimento econômico.
e que, portanto, é fundamental captar, descrever e analisar o fenômeno do empreendedorismo para o desenho de ações de promoção do progresso e do bem-estar.
O relatório que ficou conhecido no Brasil pela sigla GEM tornou-se referência mundial para os que lidam com o desenvolvimento do empreendedorismo: formuladores de políticas nacionais e internacionais, acadêmicos e empreendedores, sendo o único, até a presente data, que provê informações e dados comparativos consistentes sobre a atividade empreendedora ao redor do mundo.
Tendo sido iniciado em 1999, com 10 países participantes, o estudo feito sobre a atividade empreendedora no mundo já possuía, em 2006, 42 países consorciados, o que engloba 90% do PIB e 2/3 da população mundiais e tem entre outros objetivos:
1. Medir as diferenças do nível da atividade empreendedora entre os países; 2. Revelar os fatores que determinam os níveis de atividade empreendedora; 3. Identificar políticas que aumentam o nível de atividade empreendedora.
61Lançado oficialmente em 1997, com participação de Alemanha, Canadá, Dinamarca, EUA, Finlândia, França,
Israel, Itália, Japão e Reino Unido, a adesão voluntária de novos países, a cada ano, compreendendo culturas e regiões distantes e diversas, representa hoje um esforço consorciado de pesquisa sobre um tema que tem crescido em interesse e importância para as economias regionais e para os governos preocupados em desenvolverem políticas públicas capazes de fomentar a iniciativa e o empenho de milhões de indivíduos que optam de forma crescente pelo caminho do empreendedorismo.
A metodologia adotada pelo GEM (apresentada no relatório 2005) inclui:
1. Entrevistas com amostras probabilísticas das populações de indivíduos adultos entre 18 e 64 anos (faixa etária que engloba a população economicamente ativa); 2. Entrevistas e questionários com especialistas em empreendedorismo, escolhidos
entre atores representativos dos campos empresarial, político e acadêmico de cada país;
3. Pesquisa de dados secundários sobre as condições econômicas e sociais que afetam a dinâmica dos negócios, realizada a partir de informações fornecidas por instituições nacionais e internacionais como: PNUD, IBGE, BIRD, entre outras; 4. Perguntas qualitativas sobre as dificuldades encontradas pelo empreendedor e
sobre a fonte de orientação para abrir os negócios.
Entre as categorias utilizadas para a análise estão:
1) Estágio do negócio:
• Empreendedores iniciantes: aqueles com até três anos e meio (42 meses) de vida, que foram subdivididos em nascentes (aqueles à frente de negócios em implantação – busca de espaço, escolha de setor, estudo de mercado, etc. – que tem menos de três meses), novos (aqueles que já estão em funcionamento e geram remuneração há pelo menos 3 meses) e estabelecidos (aqueles à frente do empreendimento com mais de três anos e meio (42 meses);
2) Mentalidade empreendedora: atitudes diante do risco de abrir um negócio; imagem social do empreendedor; percepção de boas oportunidades no mercado, etc.;
3) Potencial de crescimento dos negócios: conhecimento dos produtos pelo consumidor (os produtos oferecidos são considerados novos por nenhum, alguns ou todos os clientes?); quantidade de concorrentes (espera ter nenhum, poucos ou muitos concorrentes?); idade das tecnologias e processos (as tecnologias empregadas estavam ou não disponíveis há mais de um ano?); expectativa de criação de empregos (número de empregos que espera criar em 5 anos);
4) Setor de atividade: extrativista, transformação, serviços orientados às empresas. Cumpre esclarecer que o conjunto de países participantes do consórcio abrangido pelo GEM 2007 foi o mesmo constante do relatório 2006: 21 países da Europa, 10 das Américas (5 da América do Sul), 9 da Ásia, 1 da África e 1 da Oceania; dividindo-os em dois grupos:
a) Países de renda média: PIB per capita* inferior a US$ 20,000. 00: Argentina, Brasil, Chile, China, Colômbia, Croácia, República Checa, Hungria, Índia, Indonésia, Jamaica, Latvia, Malásia, México, Peru, Filipinas, Tailândia, Turquia, Rússia, África do Sul e Uruguai;
b) Países de renda alta: PIB per capita* superior a US$ 20,000. 00*: Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Holanda, Noruega, Cingapura, Eslovênia, Espanha, Suécia, Emirados Árabes, Reino Unido e Estados Unidos.
Em 2006, a população mundial na faixa dos 18 aos 64 anos totalizava 2,7 bilhões de pessoas e, segundo o relatório GEM, 9,5% dessa população estavam envolvidos na criação ou à frente de alguma atividade empreendedora.
A Taxa de Atividade Empreendedora (TEA), adotada pelo GEM, engloba os empreendedores nascentes e novos, representando, portanto, a dinâmica da propensão a empreender de cada país, em outras palavras, mostra a percentagem da população que quer e que se aventura em um novo empreendimento. Para explicar a heterogeneidade das TEA devem-se, segundo o relatório, serem considerados diversos fatores: perfil demográfico da população, valores culturais, características institucionais e padrão de proteção social presentes nos países pesquisados, além do nível de desenvolvimento econômico registrado.
O fato de a TEA tender a ser maior nos países com níveis de renda média, e menor nos países de alta renda, de modo especial nos países da União Européia e Japão, levou os criadores do GEM a dividir os empreendedores em dois grupos: empreendedores por
oportunidade (os que são motivados a empreender por vislumbrar uma oportunidade);
empreendedores por necessidade (os que são motivados a empreender por uma questão de sobrevivência).
O marco conceitual para tentar articular os diversos fatores que atuam sobre o processo empreendedor e explicar sua incidência sobre o crescimento econômico, foi definido pelo consórcio GEM, em 1999, classificando os mesmos em dois conjuntos: o das condições
inerentes ao contexto nacional – que afetam as oportunidades para empreender – e o das condições do contexto social, cultural e político – que afetam a capacidade de empreender,
que se articulam segundo a seguinte figura:
O Brasil vem participando do consórcio GEM desde 2000, por iniciativa do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) do Paraná, com o apoio e patrocínio do Sebrae. Segundo Passos (2007), o relatório GEM tem assumido uma importância crescente no Brasil, contribuindo para o estabelecimento de uma nova linguagem sobre empreendedorismo. Uma sinalização dessa influência, segundo ele, é o aumento da freqüência com que formuladores de políticas e tomadores de decisão, públicos e privados, colocam demandas à equipe brasileira no momento de agir em prol do desenvolvimento dos negócios.62 Os relatórios executivos de 2001 a 2007 sobre o empreendedorismo no Brasil (cf. Passos, 2008), cujo universo é detalhado no quadro abaixo:
62 Não é muito fácil acompanhar as estatísticas do GEM. Como em todas estatísticas, o tratamento de alguns
dados ainda é um tanto superficial, merecendo maior aprofundamento.
oferecem um painel sobre a situação do empreendorismo no Brasil em termos de preparação e apoio oferecidos aos empreendedores. A seguir, apresentamos uma síntese dos aspectos que nos parecem relevantes para entender o ambiente institucional oferecido ao empreendedor brasileiro no início do século XXI, quais sejam:
a) Taxa de Atividade Empreendedora:
A TEA brasileira de 2007 (12,72%)63 – nona posição no ranking - demonstra um leve crescimento em relação a 2006 (11,65%) e 2005 (11,3%). Devido a entrada de novos paises no estudo, o país havia caído da sétima (2005) para a décima colocação no ranking em 2006. A taxa, portanto, se mantém relativamente estável ao longo do período pesquisado: 2001 (14,21), 2002 (13,52), 2003 (12,89) e 2004 (13,48).
b) Comparação com o panorama mundial 64
A relativa estabilidade da TEA brasileira ao longo do tempo, com taxas sempre superiores a 10 faz com que o Brasil mantenha sua posição entre os países mais dinâmicos do mundo em termos de atividade empreendedora.
63 Obs: De cada 100 pessoas, cerca de 13 desenvolviam alguma atividade empreendedora.
64
O conjunto das analises do GEM reforçam a idéia de que a atividade empreendedora está intrinsecamente relacionada a alguns fatores: 1) características institucionais: facilidade para abertura, manutenção e crescimento dos negócios e mecanismos de seguridade social; 2) características demográficas: média de idade da população e grau de migração e imigração; 3) cultura empreendedora: Valores sociais transmitidos a respeito do empreendedorismo (forte componente histórico); 4) grau de bem-estar econômico: existência de alternativas de
Quadro 4 – Resumo do Plano Amostral da Pesquisa com População Adulta – GEM Brasil - 2005
Em uma comparação com os demais países que participaram da pesquisa em 2007 (Canadá e Alemanha não entraram) o Brasil apresenta TEA superior aos EUA (5,53) e à França (3,17), mas ao mesmo tempo apresenta taxa inferior ao Peru 25,89 e à Colômbia 22,72. Essas disparidades, segundo os analistas do GEM, estariam relacionadas ao nível de empreendedorismo por necessidade. Quanto maior a complexidade, ou seja, desenvolvimento nos países dos setores secundário (indústria) e terciário (serviços), as oportunidades de emprego são maiores, e o empreendedorismo por necessidade tende a diminuir ou ser substituído pelo empreendedorismo por oportunidade caso essa economia seja dinâmica. Esse aspecto explicaria o fato do Brasil apresentar uma das menores TEA entre os integrantes sul-americanos da pesquisa, já que, apesar do Brasil ser um importante produtor mundial de commodities, seu parque industrial e de serviços é bastante diversificado.
Com relação a seus congêneres internacionais, ou seja, com relação ao grupo de países conhecido como BRIC – países que possuem grandes proporções territoriais e que representam grandes mercados potenciais – o Brasil, apesar de ter a segunda maior TEA, não apresentou o mesmo desempenho econômico que esses nos últimos anos. Enquanto Rússia, Índia e China apresentaram crescimento de renda per capita acima de 6%, o Brasil cresceu cerca de 2,8% no mesmo período. Em primeiro lugar ficou a China, com crescimento de 10% e com TEA de 16,43 em 2007. Se tomarmos a população chinesa isso representa algo como 200 milhões de empreendedores, ou seja, um contingente superior ao da atual população brasileira. Essa diferença pode ser explicada pelo fato desses países, principalmente a China, apresentarem políticas mais abrangentes de apoio ao empreendedorismo.
Em resumo, numa perspectiva comparada a TEA brasileira é 39% superior à média mundial da taxa de empreendedorismo – nono no ranking liderado pela Tailândia (30) – no entanto, o crescimento da renda per capita brasileira representa apenas 69% da média do crescimento mundial.
c) Evolução da atividade empreendedora no Brasil
O valor da TEA apresentada pelo Brasil em 2007 é muito semelhante à média dos últimos sete anos, permanecendo sistematicamente acima da média mundial,
o que, segundo os analistas, testemunham a vocação empreendedora da população.
As condições externas dos primeiros anos do século XXI, se mostraram muito favoráveis aos novos empreendimentos nas economias emergentes: maior estabilidade macro econômica, melhor previsibilidade do longo prazo, maior liquidez no mercado financeiro internacional.
O acompanhamento dos dados pesquisados de 2001 a 2007 mostra um aumento consistente da proporção entre os empreendedores novos e estabelecidos, e em 2007 já se observa um crescimento do número de empreendedores nascentes sem o desaparecimento da atividade empreendedora de longa duração. A atividade empreendedora refletiu a maior disponibilidade de recursos na economia, e embora não cresça de forma acelerada, cresce de forma persistente. Em relação à motivação para empreender, o relatório mostra que o Brasil é notório por sua desigualdade social, que embora tenha apresentado algumas melhoras recentemente, continua uma das mais acentuadas do mundo. A participação de empreendedores por oportunidade e por necessidade é quase a mesma, tendo recentemente havido uma leve sinalização de maior participação dos empreendedores por oportunidade (56,8% dos empreendimentos). Desse grupo, a percentagem de pessoas que buscam maior independência ou aumento da renda pessoal é de 39%. Os demais representam pessoas que aproveitaram a oportunidade de empreender por outros motivos.
FIGURA 2 - Evolução das Proporções de Empreendedores por Motivação – Brasil – 2001 a 2007
d) Composição dos empreendimentos brasileiros
O perfil da maioria dos empreendedores iniciais brasileiros, independente de motivação, se concentra nas atividades relacionadas aos serviços prestados ao consumidor. Destes a maioria está relacionada à comercialização de alimentos e roupas no varejo. Em 2007, observou-se um aumento significativo no número de bares e lanchonetes e nos tratamentos de estética e beleza. O segundo setor mais atrativo é o de transformação que cresceu em todos os estados com exceção do Rio de Janeiro (devido ao fraco desempenho das indústrias de borracha e plástico, perfumaria e produtos de limpeza e metalurgia básica) e do Rio Grande do Sul (fraco desempenho das indústrias de maquinas e equipamentos para o setor agrícola, além da indústria química). Nesse setor as principais atividades desenvolvidas pelos empreendedores iniciais também estão relacionadas às indústrias de alimentação e de confecção. Esse perfil, segundo os analistas, reflete a própria estrutura da economia brasileira e suas oportunidades de negócios e crescimento.65
No Brasil, assim como na maioria dos países, o setor de serviços tem uma participação significativa na demanda final da economia. Nos últimos anos, porém, o estudo mostra que o tipo de serviços que mais tem crescido na economia nacional é o destinado aos consumidores finais. Apesar do relatório GEM 2007 mostrar que houve um aumento de participação dos empreendimentos iniciais relacionados ao setor de serviço, a maioria está relacionada ao comércio varejista de artigos em geral, à venda de catálogos e aos pedidos por correio.
As demais atividades relevantes para os empreendedores se diferenciam por estágio: para os iniciantes: alojamento e alimentação ou serviços coletivos
65
O relatório abre um parêntese para explicar que o setor de serviços reúne: os serviços intermediários (prestados às empresas), os finais (oferecidos aos consumidores) e os serviços públicos e que a composição desses depende de aspectos demográficos e sociais. O setor de serviços tende a aumentar com a urbanização: transporte, distribuição, intermediação financeira, comércio atacadista e varejista, atividades imobiliárias e de aluguel: armazenagem, correio, administração, saúde e educação, e finalmente, serviços de comunicação e informação. Por outro lado, a produtividade dos serviços em geral é menor que a da indústria. A exceção estaria com os serviços relacionados com informática e telecomunicações. (Nota da autora: aparentemente não se considerou a nova economia nessa avaliação, pois se foca mais no hardware que no software. Apesar dos relatores, fazerem a ressalva de que os serviços de informação e telecomunicação tiveram grande impacto na produtividade dos do setor de serviços, essa visão ainda é do hardware). Os analistas declaram que um fator que não tem reflexo direto no volume de produção de serviços ou de produtividade, é a contratação de serviços terceirizados, no entanto, consideramos que a terceirização, teria impacto na geração e distribuição de renda.
(cabeleireiros, tratamento de beleza e atividades desportivas) enquanto para os estabelecidos: construção civil, alojamento e alimentação.
Segundo o relatório, estudos mostram que um país para se beneficiar da participação do setor de serviços na economia necessita, primeiramente, ter uma indústria sólida e diversificada que possa liberar pessoal para serviços mais complexos capazes de dinamizar a economia. Países com população grande teriam na indústria sua fonte básica para o desenvolvimento e o crescimento econômico até que a população alcance um nível de renda per capita mais elevado, em torno de US$ 11 mil, caracterizando uma indústria complexa, demandante de serviços produtivos.66
A proporção no Brasil de participação do setor industrial (30,9%) em relação ao setor de serviços (64%) mostra que apesar de contarmos com um parque industrial diversificado, existe ainda carência desse tipo de empreendimento. À guisa de comparação, o relatório apresenta a participação do setor industrial na China (47%) e na Tailândia (45,8%).
Apesar de as pesquisas mostrarem que há uma tendência, no Brasil, de crescimento dos setores de serviço e de transformação, esse crescimento não tem sido suficiente para fazer com que o PIB nacional cresça conforme as expectativas de gerar mais riqueza, o que reforça, segundo os relatores, a “importância da indústria” para o crescimento e o desenvolvimento econômico. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a participação do Brasil no PIB industrial dos países em desenvolvimento, caiu de 15,1% em 1990 para 11,8% em 2005. O crescimento industrial brasileiro tem sido “pífio” em comparação com o rápido crescimento industrial dos demais países emergentes, principalmente da China.
O relatório aponta que, com exceção do setor extrativista onde os empreendedores por necessidade predominam, nos demais setores os empreendedores por oportunidade comparecem em maior proporção, sendo seguidos de perto pelos empreendedores por necessidade. 67
Um dado apontado pelo GEM 2007 que pode ser portador de algum sinal de mudança está na maior proporção dos empreendimentos nascentes no setor de transformação e dos serviços orientados às empresas (nos quais há uma leve predominância de empreendimentos por oportunidade), enquanto, no setor extrativista a maior proporção é de empreendimentos estabelecidos e, no setor de serviços a consumidores finais, a maior proporção é de empreendimentos novos. Apesar dessas mudanças sutis, os serviços orientados aos consumidores finais ainda estão na preferência (maior proporção) de todos os empreendedores não importa o estágio ou a motivação.
Em termos de geração de emprego, a maioria dos empreendedores iniciais (46,6%) não tem expectativa de gerar empregos, seguidos dos que esperam criar entre 1 e 5 empregos (38,2%) e entre 6 a 19 empregos (12,6%). Os que esperam gerar mais de 20 empregos representam somente 2,6% da amostra.
Entre os empreendimentos iniciais que pretendem criar de 0 a 5 empregos a grande maioria (95,1%) é de empreendimentos motivados por necessidade, proporção que diminui entre os empreendimentos por oportunidade (76,6%). O número de pessoal ocupado – 20,5 milhões de pessoas em 2007 - teve um incremento de 1,15% em relação à 2006 (IBGE, 2007) com a contribuição de setores voltados para o mercado interno (alimentos e bebidas, serralherias e transporte). Os setores que mais admitiram foram serviços, indústria de transformação, construção civil e comércio.
Entre os ocupados a maioria tem 25 a 49 anos (63,4%), possui 11 anos ou mais de estudos (53,8%) obtendo uma renda média de R$ 1120,30. A taxa de desemprego ainda é elevada e tem se mostrado estável nos últimos anos, representando 10,1% da população em idade ativa, ou seja, 2,3 milhões de pessoas. Entre eles, a maioria é mulher (55,5%), tem entre 25 e 49 anos (46,9%) e 19,8% procuram o primeiro emprego e 24,8% são arrimo de família.
Uma sinalização de mudança é o aumento da proporção dos empreendedores nascentes que tem expectativa de geração de mais de 6 empregos nos próximos 5 anos (Tabela 1).
Relativamente às políticas e programas de estímulo ao empreendedorismo de alto crescimento, Passos et al. (2008) ao analisar as condições nacionais de estímulo aos empreendimentos de alto crescimento observa que ao longo do período 2005 a 2007, concluem que praticamente não foram implementadas políticas ou programas nacionais nessa direção, segundo a avaliação dos especialistas entrevistados. Apenas o ano de 2007 conseguiu dos especialistas uma avaliação positiva do apoio ao empreendedorismo dirigido a negócios com potencial de rápido crescimento. Entre os países pesquisados somente os de alta
renda foram avaliados positivamente por seus especialistas quanto a esse tipo de
apoio.
Dentre as características apresentadas por Passos et al. (2008), com base no relatório GEM 2007, ressaltamos o que é dito sobre:
• Inovação: é marcante a característica pouco inovadora dos empreendimentos brasileiros (que trabalham com tecnologias antigas ou produtos já conhecidos pelos consumidores) não importando o estágio ou motivação o que dificulta as suas chances de sucesso em mercados internacionais.
• Exportação: a maioria dos empreendedores brasileiros (84,4%), não tem
intenção de exportar, o que confirma a tendência observada nos relatórios
anteriores, ou seja, a grande maioria está voltada para o mercado interno. Dos que abriram negócios com o objetivo de exportar (9,9%) a maioria o fez pela percepção de uma oportunidade, mas poucos (1%) esperam ter mais de 75% de consumidores vivendo fora do país.
Tabela 1 – Empreendedores por Estágio segundo expectativa de Criação de Emprego – Brasil – 2007
Para as empresas que projetam suas atividades no mercado internacional (independente do porte) existem inúmeros fatores impeditivos que constituem obstáculos. Entre os fatores de maior impacto estariam: o preço, a demanda externa e o custo de transporte. Um quarto fator, independente do setor, são as barreiras técnicas (taxas, subsídios ou proibições, quotas de importação, controle de preços e volumes de bens importados) que superam as barreiras tarifárias, os impostos e o marketing internacional. A exportação brasileira se concentra em produtos primários, e em termos de conteúdo tecnológico, o de baixo conteúdo constitui o maior gerador de caixa, seguido do segmento de médio-baixo conteúdo. Entre os principais destinos das exportações brasileiras estão: UE, China e Nafta. A participação de produtos de alta tecnologia sobre o total de produtos manufaturados exportados (15,1% do PIB) pelo Brasil é pequena (12,8