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Uma proposta de Gestão por Processos 1 Recursos Humanos

6. CAPITULO VI – Conclusões 1 Introdução

6.2 Uma proposta de Gestão por Processos 1 Recursos Humanos

Em toda a estrutura administrativa do Município há diversas áreas e profissionais especializados que colaboram na operação e apoio ao processo. Na instauração do processo de licenciamento verificou-se que a qualificação profissional dos técnicos analistas é suficientemente boa para caracterização do empreendimento e que a experiência da maioria dos técnicos permite uma visão crítica e coerente do impacto deste tipo de empreendimento para a cidade, principalmente do ponto de

vista urbanístico, visto tratar-se da ampla maioria de arquitetos com mais de 20 anos de trabalho na área. Esta experiência esbarra, porém, no conhecimento técnico acerca dos impactos viários deste tipo de empreendimento, sem ter a bagagem teórica necessária para a análise do relatório de impacto de vizinhança, exigido para este tipo de aprovação. Por outro lado, há o desinteresse no aperfeiçoamento neste tipo de análise visto que a legislação atual delega esta competência a uma única gerência – a GOPV (composta em sua maioria por arquitetos), e ainda e mesmo assim, condicionada a aprovação pelo CDU. Aponta- se aqui a necessidade de diversificar o conhecimento dos técnicos analistas e de envolver técnicos com conhecimento em engenharia de tráfego.

Segundo De Sordi(2006), a gestão por processos implica conciliar os interesses, os momentos de interação e integração destes atores de maneira que se obtenha um bom desempenho no processo. Na atual estrutura os recursos humanos internos, disponíveis para o desempenho da função licenciamento de PGVs, estão os Coordenadores das Regionais da DIRCON, os técnicos analistas (arquitetos e engenheiros), os técnicos da GOPV ( atualmente dispondo apenas de arquitetos), os assessores técnicos além do integrantes da CCU e conselheiros do CDU.

6.2.2 Papéis e Responsabilidades

Os papeis e responsabilidades estão dispostos em Lei, sendo a aprovação de projetos de construção enquadrados pelo Direito Público como um processo administrativo e como tal sujeito aos ritos distados na legislação. As instâncias de aprovação e os órgãos responsáveis por ela igualmente são determinados por força de Lei sendo os servidores públicos, especificamente os analistas técnicos da DIRCON, os responsáveis pelos pareceres e pela aprovação final do projeto.

Baseado nos questionários, nas entrevistas e na observação direta da tramitação dos processos de análise de projetos de empreendimentos classificados como PGVs, nota-se que o conflito de interesses começa a surgir a partir da delegação à setores específicos (GOPV) e ao CDU, para aprovação dos processos ditos especiais no organograma operacional especificadas no corpo da lei , quando deveria ser submetido aos mesmos processos dos demais projetos, apenas

agregando a componente de parecer técnico do órgão gestor responsável pelo tráfego da cidade, permitindo que a competência de aprovação, que é de direito do técnico, seja atribuída de maneira integral a ele.

Uma estrutura de organização fundamentada em processos de negócios, requer segundo De Sordi (2006), o fortalecimento do agir e pensar dos funcionários. A gestão por processos implica em treinar os funcionários para desempenhar múltiplos papéis e dar autonomia a eles para que decidam em que momento desempenhar cada um destes papéis. No caso da Administração Municipal, o técnico deve ter autonomia para analisar, decidir e fiscalizar as ações propostas. Segundo Rezende (2007), a perda de poder por parte de determinados setores da administração pública termina por atrapalhar ou mesmo inviabilizar as reformas administrativas necessárias, a neste sentido este item irá requerer esforço por parte do poder público para uma possível implementação.

Segundo De Sordi (2006) neste modelo de gestão de processos, os funcionários devem ser entendidos como nós de uma rede de trabalho e não como um recurso pertencente a uma caixinha do organograma. A Administração passa então a funcionar não por meio de estruturas funcionais verticais, mas por meio de estruturas matriciais e equipes multifuncionais voltadas para os processos.

6.2.3 Políticas e Regras

Segundo De Sordi (2006) alguns procedimentos não são passíveis de interpretação ou objeto de decisão de cada individuo. Neste sentido, requerimentos regulatórios devem ser obedecidos, aspectos legais devem ser honrados, cálculos financeiros devem ser corretos e informações confidenciais não devem ser compartilhadas. Meios de controle precisos devem ser estabelecidos para acompanhar a obediência destas obrigações do processo. Essas regras devem ser obedecidas com absoluto rigor e, por essa razão, são mais bem inserida com a utilização dos recursos tecnológicos, em especial a tecnologia da informação.

No que diz respeito a classificação dos empreendimentos como Pólo Gerador de Viagem – PGV as leis municipais do Recife são bastante detalhistas e criteriosas, notando-se esta preocupação desde o Plano Diretor de 1991 até a sua revisão atual que encontra-se na Câmara dos Vereadores, refletida por conseguinte na Lei de Uso do Solo – LUOS e na Lei de Edificações. No entanto, após a classificação do empreendimento como de Impacto, e nele inserida a componente de impacto viário, o processo ganha ares de especialidade ficando então sujeito obrigatoriamente a apreciação pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano – CDU.

Esta etapa mostra-se como a mais difícil de ser implementada de imediato, considerando as limitações físicas, as instalações precárias da infra-estrutura hoje existente (demanda recursos financeiros para alterar positivamente o ambiente de trabalho) e a falta de estímulo dos técnicos em aprofundar seu conhecimento na área (demanda mudança de comportamento), uma vez que as questões técnicas tendem a não pesar suficientemente na decisão final. Essa etapa demanda, primeiramente, o reconhecimento por parte da administração da necessidade de uma mudança estratégica e de um planejamento para sua execução.

6.2.4 Tecnologia da informação e da Comunicação

A falta de tecnologia da informação é apontado e verificado como sendo o aspecto negativo mais limitante para o processo de análise de projetos, não apenas para os considerados de impacto. Os técnicos não dispõem de computadores para a realização de suas tarefas, o que nos dias atuais não encontra nenhuma explicação razoável para esta situação. Na maioria das Regionais onde ocorre a análise do processo, o trabalho é desempenhado manualmente com o manuseio das plantas em cópias impressas, e com despachos manuscritos e protocolos feitos de forma manual, seja para comunicação interna ou externa. Não são utilizadas ferramentas de gerenciamento de dados nem de acompanhamento de processos eletrônicos. Os processos são disponibilizados em parte para a leitura do interessado no local e se for do seu interesse pode-se copiar manuscrito as exigências, considerações ou condicionante. Não há possibilidade de troca de experiências via internet e nem é possível realizar conferências eletrônicas o que contribui para pareceres diversos em

questões semelhantes. Também não se disponibiliza para os requerentes informações automatizadas sobre o trâmite dos processos para que os mesmos possam localizá-los.

A falta de informatização é um dos fatores negativos que mais impactam no andamento do processo e esta condição é refletida na demora de tramitação dos processos, que levam em média 2 anos, e na falta de padronização de procedimentos. A falta de comunicação leva, por exemplo, a empreendimentos semelhantes serem tratados de forma diversa quanto às exigências de medidas mitigadoras ou de condicionantes para sua aprovação.

Este item tem um papel fundamental, segundo De Sordi (2006), na gestão por processos sobretudo a tecnologia da informação pois estas são empregadas para a automação de regras e atividades, para monitoramento do desempenho e para formação de ambientes colaborativos de trabalho. A infra-estrutura computacional é essencial para a comunicação das pessoas e integração dos diferentes sistemas de informação envolvidos ao longo do processo. Este recurso também confere maior transparência ao processo quando permite a interação virtual do interessado com o poder público.

6.2.5 Facilidades

Na pesquisa realizada, pode-se destacar aspectos positivos de pelo menos duas naturezas: uma regulatória e outra de expertise técnico. A primeira diz respeito a legislação do município que reconhece, desde 1991, e apresenta uma abordagem particular para empreendimentos que geram impacto no sistema viário; a segunda, por sua vez, refere-se da experiência da maioria dos técnicos analistas no trato da ocupação urbana da cidade. O comprometimento dos funcionários, que mesmo em situações adversas de trabalho, com a análise dos projetos, fazendo respeitar as leis e as regras, confere ao município a intenção de regular a ocupação e minimizar os impactos viários causados por empreendimentos considerados PGV. Essa facilidade poderia ser potencializada com, no mínimo, melhoria do ambiente de trabalho, acesso a informações disponíveis em arquivos organizados digitalmente e

ampliação da equipe de análise com profissionais com expertise em engenharia de tráfego.

6.2.6 Conhecimento

A detenção do conhecimento para a análise dos processos de impacto viário apenas por parte de uma divisão ou órgão especializado é um fato, e esta condição faz com que o conhecimento fique limitado e dependente. A socialização do conhecimento para análises conjuntas dos diversos atores envolvidos poderia minimizar os efeitos negativos e promover soluções criativas na qual a cidade e os cidadãos seriam os beneficiados.

O conhecimento de todas as etapas do processo e o gerenciamento destes com o monitoramento constante de seus passos é condição fundamental para a transparência das ações públicas, e também permite a sociedade se manifestar antes da aprovação final do projeto. Para implantação de empreendimentos de impacto é prevista na lei a publicação, por meio de edital, da intenção de instalar determinado empreendimento. Contudo, esta publicação atualmente é feita geralmente no Diário Oficial sendo este instrumento de publicidade pouco eficaz visto tratar-se de leitura restrita a um grupo especifico da população.

O permeio do conhecimento pelo gestor do processo de todas as etapas permite a retroalimentação sempre na proporção em que se tem o acúmulo de experiências. Estas, por sua vez, compartilhadas entre todos os envolvidos no processo, são refletidas na operação diária e continua dos recursos humanos, da redefinição dos papéis e responsabilidades, do ajuste nas políticas e regras, na melhoria da informatização e comunicação fazendo com que mais facilidades aconteçam no decorrer do processo. Este conhecimento capturado e compartilhado com a organização proporciona o aprimoramento de todos os demais ativos do processo.