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Unidade Centralizada de Preparação de Citotóxicos

3. CIRCUITO DO MEDICAMENTO

3.4 DISTRIBUIÇÃO

3.5.4 Unidade Centralizada de Preparação de Citotóxicos

A quimioterapia é um processo terapêutico que consiste na administração de medicamentos que atuam sobre as células cancerosas, visando a sua destruição. O tipo de fármacos a utilizar depende da neoplasia, da sua localização, do estádio da doença e do estado geral do doente. O uso de medicamentos antineoplásicos pode estar indicado antes ou após uma cirurgia, ou ainda isoladamente, sem que haja indicação cirúrgica.

O uso de medicamentos citotóxicos a nível hospitalar é uma das mais importantes formas de tratamento de neoplasias malignas, baseando-se assim, na utilização de substâncias químicas isoladas ou em combinação.

A preparação de citotóxicos no CHSJ é efetuada numa área da Farmácia Hospitalar concebida para esse efeito, na qual se localiza um câmara de fluxo de ar laminar vertical, a Unidade Centralizada de Preparação de Citotóxicos (UCPC) localizada numa área cedida para efeito pelo hospital de dia de quimioterapia.

As preparações citotóxicas individualizadas são preparadas na UCPC como objetivo a proteção do doente, do manipulador, do ambiente e do medicamento, apresentando como vantagens:

Melhores condições de trabalho e de assepsia, que garantem a esterilidade das preparações, a qualidade físico-química do produto preparado e a proteção do manipulador;

Melhor aproveitamento das doses comercializadas, através de uma racionalização na utilização de medicamentos e material;

Maior rigor nas doses a administrar;

Limite e seleção do número de profissionais envolvidos na preparação, de modo a conseguir uma vigilância mais eficaz;

Diminuição dos custos com a medicação.

A principal desvantagem das UCPC é o seu custo inicial, atendendo às instalações, materiais e equipamentos que requerem.

As instalações de uma Unidade centralizada devem ser constituídas por três zonas: zona suja, zona intermédia e zona limpa.

Zona suja: local onde ocorre a receção das prescrições médicas em papel ou via on

line e destina-se à preparação do vestuário do manipulador. Esta encontra-se ligada à sala de tratamentos do hospital de dia de quimioterapia através de um transfere

possibilitando desta forma uma comunicação direta. Neste local delimita-se o acesso à zona cinzenta através de um banco corrido local onde se procede à colocação dos protectores plásticos de calçado;

Zona intermédia: é considerada uma zona cinzenta, que é a ponte entre a zona suja

e a zona limpa é usada para o armazenamento de algum material clínico (máscaras de auto filtração, touca e luvas) é o local indicado para o acondicionamento de citotóxicos injetáveis, em armários ou frigoríficos próprios, devidamente identificados e separados da restante terapêutica analógica associada. Esta provida de um lavatório, acionado mediante pedal, para a lavagem e desinfeção das mãos, bem como de chuveiro e lava- olhos, em situações de acidente. É nesta zona, que o manipulador, após lavagem e desinfeção das mãos e braços, até ao cotovelo, calça um par de luvas descartáveis.

Zona limpa: igualmente denominada de zona branca corresponde à sala de

preparação, onde se encontra a câmara de fluxo de ar laminar vertical esta facilita a remoção de partículas no ar e possui um vidro frontal permitindo a manipulação da terapêutica, garante as condições de assepsia com o mínimo de risco de contaminação e segurança para o manipulador. Neste local encontra-se ainda um stock de material clínico de apoio à manipulação. A sala limpa tem acesso direto para o exterior através de um transfere e apresenta uma pressão negativa, estando esta em subpressão com a zona intermédia e por sua vez a zona intermédia em subpressão com a zona negra, evitando desta forma que os aerossóis se espalhem pelas restantes salas. Este tipo de Câmara garante a proteção do operador e do ambiente, evitando também a contaminação microbiana do produto preparado. Todo o material que entra nesta sala é devidamente descontaminado.

Diariamente são preparados imensos citotóxicos neste sector, para isso são necessárias prescrições médicas. Cada prescrição é preferencialmente recebida de véspera para protocolos agendados, ou no próprio dia após a autorização da realização da quimioterapia.

A prescrição apresenta determinados dados como: identificação do doente, diagnóstico, peso, altura, área de superfície corporal, creatinina sérica, taxa de depuração da creatinina, idade e protocolo de quimioterapia que este vai fazer.

A equipa de farmacêuticos analisa e valida a prescrição, elaborando a ordem de preparação bem como o rótulo da preparação a efetuar. Posteriormente preparam o material a utilizar, os citotóxicos e as soluções de diluição.

Na sala limpa encontram-se dois TF’s que manipulam e um farmacêutico responsável por validar todas as manipulações efetuadas.

Após a preparação, esta é transferida para o exterior através do transfer, sendo novamente conferida rotulada e validada por um farmacêutico. O rótulo identificativo de cada preparação contém informações como:

o Nome e identificação interna do doente;

o Serviço clínico para o qual é feito a preparação;

o Composição (citotóxico prescrito, dosagem e volume respetivo);

o Diluição (respetivo solvente e volume (por ex. dextrose a 5% ou soro Fisiológico));

o Volume total de preparação; o Via de administração e ritmo; o Tempo de administração; o Data e hora da preparação;

o Estabilidade após preparação e condições de conservação; o Técnico Preparador e Farmacêutico Coordenador;

o Observações;

Após a manipulação e ainda na sala limpa é feito um registo de preparação do mesmo e de exposição do manipulador e efetuada uma apreciação geral da integridade física das embalagens, ausência de partículas em suspensão, inexistência de precipitados.

Uma vez que nesta unidade são manipuladas substâncias de elevado risco e com toxicidade considerável, todas as normas de segurança devem ser cumpridas com rigor. No caso de acontecer um acidente na manipulação, por exemplo um derrame, existe para o efeito um kit de Emergência a utilizar nessas situações.

Devido aos riscos ocupacionais estes profissionais que manipulam este tipo de medicamentos têm um registo individual onde consta o período de tempo

correspondente ao trabalho, o registo das concentrações de fármaco a que esteve exposto e o registo de ocorrência de acidentes (derrames, salpicos). Devem estar devidamente conscientes dos riscos de manipulação, e desta forma ter medidas especiais de precaução, sendo até sujeitos a um acompanhamento regular pela consulta de medicina no trabalho onde são submetidos a exames médicos, repetidos semestralmente.

Durante o estágio tive a oportunidade de passar uma manhã neste sector, foram-me explicados todos estes procedimentos e tive a oportunidade de ver os profissionais a preparar estes medicamentos. Tive a oportunidade de rever as técnicas assépticas de preparação, que aprendemos nas aulas, que asseguram a qualidade, esterilidade e segurança da preparação e do manipulador. Todos estes procedimentos são muito importantes, sendo necessário realçar a importância da segurança na manipulação devido a natureza das drogas utilizadas nestes tratamentos sendo elas tóxicas e bastante agressivas para as células, é extremamente importante utilizar o equipamento de proteção individual.

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