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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Universidade como instrumento de transformação social

As informações deste tópico são originárias da página inicial do Ministério da Educação  – MEC (2012). 

A educação superior é tida, no cenário internacional, como um bem público (UNESCO,  2009). O reconhecimento do papel da universidade como instrumento de transformação social,  desenvolvimento sustentável e inserção do país, de forma competente, no cenário internacional,  mobilizou os movimentos reivindicatórios de expansão da educação superior pública e gratuita. 

A elitização do acesso e permanência à educação superior passou a ser fortemente questionada  e apontada como uma das formas de exclusão social; pois, percebeu­se que, para superar essa  discriminação se fazia necessária a ampliação das oportunidades de acesso à educação superior  com bolsas de estudo.  

Neste  contexto,  tem­se  o  Plano  Nacional  de  Educação –  PNE  para  que  fossem  cumpridas as metas que exigiam um aumento considerável dos investimentos nessa área, além  de metas que buscavam a ampliação do número de estudantes atendidos em todos os níveis da  educação  superior  com  o  melhor  aproveitamento  da  estrutura  física  e  de  recursos  humanos  existentes nas universidades federais.  

A interiorização proporcionou uma expansão no país, quando se elevou o número de  municípios  atendidos  por  universidades  federais  de  114  para  272,  com  um  crescimento  de  138%. A importância desse processo de democratização do acesso se destaca no contexto da  interiorização  do  ensino  superior  federal  do  país.  As  novas  universidades  trazem  a  oportunidade, a estudantes que vivem fora dos grandes centros urbanos bem como, assiste­se à  migração  de  estudantes  de  grandes  centros  para  o  interior,  com  vistas  a  acessarem  novas  possibilidades de ingresso no ensino superior gratuito.  

O  fenômeno  da  interiorização  traz  contribuições  expressivas  para  o  desenvolvimento  das regiões, uma vez que, juntamente com o ensino, desenvolvem­se a pesquisa e a extensão. 

A seguir, estão algumas formas de ingresso no ensino superior: 

•  Programa Universidade para Todos – PROUNI, que tem como objetivo a concessão de  bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação em instituições privadas de ensino  superior. Desde seu início, já foram concedidas 1,46 milhão de bolsas.  

•  Fundo  de  Financiamento  Estudantil –  FIES  financia,  prioritariamente,  estudantes  matriculados em  instituições de  ensino superior  não gratuita. O  FIES teve papel  importante,  porém, desde 2016 há uma redução significativa nos recursos do FIES, o que acarretou crise na  educação do setor privado, deixando inúmeros alunos sem possibilidade de continuação de seus  estudos. Esse fundo atendia, em 2014, mais de 660 mil estudantes. 

•  O Sistema de Seleção Unificada – SISU foi instituído em janeiro de 2010, trata­se de  um  sistema  informatizado,  por  meio  das  quais  instituições  públicas  gratuitas  de  educação  superior  oferecem  vagas  em  cursos  de  graduação  a  estudantes,  que  são  selecionados  exclusivamente pelas notas obtidas no Exame Nacional de Ensino Médio – ENEM.  

•  O Programa Bolsa Permanência – PBP é uma ação do Governo Federal de concessão  de auxílio financeiro a estudantes matriculados em instituições federais de ensino superior em  situação de vulnerabilidade socioeconômica e para estudantes indígenas e quilombolas.  

•  O Programa de  Acessibilidade na Educação Superior  ­ Propõe  ações que garantem o  acesso pleno de pessoas com deficiência às instituições federais de ensino superior.  

•  O  Programa  Nacional  de  Assistência  Estudantil –  PNAES,  apoia  a  permanência  de  estudantes  de  baixa  renda  em  cursos  de  graduação  presencial  das  universidades  federais  o  objetivo é viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos os estudantes e contribuir para o  sucesso acadêmico desses estudantes, a partir de medidas, que buscam combater a repetência e  evasão.  

•  O Programa Nacional de Assistência Estudantil para as Instituições de Ensino Superior  Públicas  Estaduais  –  PNAEST,  tem  a  finalidade  de  ampliar  as  condições  de  acesso,  permanência e sucesso dos estudantes na educação superior pública estadual.  

•  A Lei de Cotas, que se constitui um dos maiores desafios enfrentados pelo governo e a  sociedade brasileira na busca pelo desenvolvimento do país. Enquanto garantia constitucional,  o  acesso  à  educação  figura  no  patamar  dos  direitos  humanos,  inerentes  à  dignidade  e  fundamentais para o desenvolvimento da pessoa como indivíduo e cidadão. Assim, até o ano  de  2016,  todas  as  instituições  federais  de  educação  superior  deveriam  garantir  o  percentual  mínimo de 50% para a reserva de vagas, prevista em lei. A experiência da implantação de cotas  apresenta  resultados  positivos  em  diversos  aspectos,  democratizar  o  acesso  à  universidade,  garantir a qualidade e fomentar a permanência por  meio das políticas, programas, projetos  e 

ações supramencionadas. Porém, também há aqueles que a criticam, no sentido de ser mais um  meio de salientar as diferenças. 

No  Brasil,  a  história  da  educação  superior  registra  políticas  de  expansão  estimuladas  pela  economia  capitalista  e  por  pressões  de  lutas  sociais  por  direitos  humanos  e  com  a  participação  do  setor  público  com  programas  políticos,  que  influenciaram  o  aumento  novas  universidades e campi, e por concessão de bolsas de estudos em instituições privadas (LIMA; 

BIANCHINI,  2017).  Contudo,  o  cenário  político  atual  coloca  algumas  dúvidas  sobre  a  continuidade da expansão de IES públicas. 

Até então, a seleção de  candidatos na educação  superior no Brasil, ocorre na relação  candidatos/vagas,  nas  vagas  disponíveis  e  retenção  do  estudante  no  percurso  escolar,  na  hierarquização de cursos, turnos e instituições (LIMA; BIANCHINI, 2017).  

Portanto,  uma  das  missões  das  instituições  de  ensino  superior  é  compreender  as  características que apresentam os alunos ingressantes, qual seu perfil e os impactos que podem  representar. Cabe considerar que, as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)  como meios para atingimento das metas. Afinal, um dos desafios postos pelas novas TICs é sua  inserção  qualificada  nas  práticas  educativas,  servindo  para  os  processos  formativos  desenvolvidos nas IES. Em síntese, um dos maiores desafios da educação superior brasileira é  e  moradia;  ou  mesmo,  condições  dignas  de  sobrevivência.  O  país  tem  um  legado  de  desigualdade, enraizado em sua cultura, fortalecendo as diferenças entre etnias e subjugando os  sujeitos à exclusão (YONEZAWA, 2015 apud SOUZA, 2018); gerando situações contrárias do  que se espera do Estado, provedor do “bem­estar” comum a todo, o que gera ­  dentre  as  inúmeras evidências da desigualdade ­ a baixa qualificação da população brasileira.  

Ao  se  considerar  a  desigualdade,  uma  temática  correlata  é  a  inclusão,  que  pode  ser  compreendida como um processo pelo qual a sociedade se adapta para proporcionar recursos  para a população, social e economicamente excluída, que tem dificuldade de acesso aos bens  materiais, culturais e educacionais. Assim, a inclusão proporciona soluções à equiparação de 

oportunidades,  para  que  os  sujeitos  estejam  capacitados  a  assumir  seus  papéis  na  sociedade  (SILVA, 2009). 

O cerne da inclusão social é possibilitar tratamento igual aos cidadãos; pois, os direitos  fundamentais  são  garantidos  pela  Constituição  Brasileira,  em  seu  artigo  5º;  sendo  ainda,  os  direitos sociais descritos no art. 6º: 

Todos são iguais, perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo­se aos  brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à  liberdade,  à  igualdade,  à  segurança  e  à  propriedade  [...].  São  direitos  sociais  a  educação,  a  saúde,  a  alimentação,  o  trabalho,  a  moradia,  o  transporte,  o  lazer,  a  segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência  aos desamparados, na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988). 

Contudo, como garantir o cumprimento desses direitos fundamentais? Sabe­se que, são  inúmeros  cidadãos  brasileiros  vivendo  abaixo  da  linha  da  pobreza,  em  condições  aviltantes,  sem acesso aos direitos fundamentais, dentre eles, a educação. 

Quanto mais abrangente se torna o público atingido por um determinado segmento do  sistema  escolar,  mais  intensas  serão  as  luzes  do  debate  sobre  o  sentido  e  os  modos  de  funcionamento  da  escolarização  na  sociedade.  O  foco,  em  muitas  sociedades  nacionais,  é  o  sistema de ensino superior; assim, assistiu­se uma expansão espetacular – no ano 2000, em que  no mundo, existiam mais de 100 milhões de estudantes universitários (SCHOFER; MEYER,  2005). 

Em um sentido amplo, a inclusão social, visa a democratização do acesso à educação,  para que os cidadãos tenham condições de vida adequadas, com possibilidade de participação  política  e,  capacitados  a  agir  de  forma  fundamentada  e  consciente  (MAIA;  GOMES; 

MARQUES, 2011). 

Segundo  Scalon  e  Salata  (2016),  a  desigualdade  representa  um  desafio  bem  mais  complexo  do  que  somente  a  solução  da  pobreza,  configurando­se  como  multifacetada  e  multidimensional, devendo ser enfrentada dessa forma, para que seja possível sua superação.  

Um  dos  compromissos  da  universidade,  no  âmbito  social,  é  com  a  qualidade  da  produção  do  conhecimento,  contribuindo  com  a  formação  de  cidadãos.  É  necessário  que  a  universidade se transforme e se reinvente, para servir a um projeto alternativo de civilização. A  escolha  será  entre  uma  modernidade  técnica,  cuja  eficiência  não  dependa  da  ética,  ou  uma  modernidade ética, na qual o conhecimento técnico estará subordinado aos valores éticos, dos  quais está, a manutenção da semelhança entre os seres humanos (CRISTÓVAM BUARQUE,  2003). 

Compreende­se que, o sistema de educação superior tem o dever de atribuir qualidade  ao ensino, pesquisa e extensão das universidades federais brasileiras para que se constituam em  instituições  protagonistas  do  desenvolvimento.  O  REUNI,  por  exemplo,  contribuiu  para  a  configuração  de  uma  nova  realidade  da  educação  superior  no  país,  principalmente  pela  implantação de novas universidades, novos campi e o aumento no número de matrículas. 

A  ampliação  do  acesso  dos  alunos  ao  ensino  superior  bem  como  o  investimento  do  governo na consolidação da interiorização das universidades brasileiras, via fixação dos alunos,  para  retenção,  considerando  que  muitos  são  jovens  migrantes  de  centros  urbanos,  que  estão  fazendo o movimento inverso ao tradicional; ou seja, saindo de grandes cidades em busca do  ingresso  em  instituições  de  ensino,  no  interior.  Principalmente,  a  partir  do  REUNI,  que  tem  como proposta a interiorização para garantir ensino público de qualidade para as populações no  interior  dos  Estados  e  assim,  reduzir  as  desigualdades  regionais  quanto  à  disponibilidade  de  vagas no ensino superior (BARBOSA, 2015). 

Ao  se  considerar  a  unificação  dos  processos  seletivos  das  Instituições  Federais  de  Ensino Superior (IFES), dos últimos anos, por conta da adesão ao Sistema de Seleção Unificada  – SISU, há um conjunto de candidatos, que passam pelo processo decisório para mudança de  cidade, uma vez que esse sistema permite que cidadãos do país inteiro, candidatem­se às vagas  de todas as instituições federais do país. Além da tomada de decisão do concorrente, é preciso  considerar  os  aspectos  que  sucedem  essa  escolha;  ou  seja,  o  ingresso  e  a  permanência  do  estudante na cidade de destino e, por conseguinte, no ensino superior. 

Neste contexto,  clama­se por novos atores; portanto,  fontes de dados primários serão  fundamentais, para a consecução deste projeto de pesquisa, atendendo ao que propõe à teoria  dos atores institucionais de Whitley (1999). Ou seja, levantamento junto aos atores envolvidos  com a problemática.  

Municípios  como  Araranguá­SC,  com  67.578  habitantes  (IBGE,  2018),  foram  contemplados para a implantação de uma Universidade Pública Federal4 e um Instituto Federal5 

       

4 Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Araranguá, a qual funciona em dois prédios, um situado na  unidade  Mato  Alto.  e  outro  na  unidade  Jardim  das  Avenidas.  Atualmente,  oferece  05  cursos  de  graduação: 

Engenharia  da  Computação,  Engenharia  de  Energia,  Fisioterapia,  Medicina  e  Tecnologia  da  informação  e  comunicação,  04  mestrados:  Programa  de  Pós­graduação  em  Ciências  da  Reabilitação  (PPGCR),  Programa  de  Pós­graduação  em  Energia  e  Sustentabilidade  (PPGES),  Mestrado  Nacional  Profissional  em  Ensino  de  Física  (MPEF), Programa de Pós­Graduação em Tecnologias da Informação e Comunicação (PPGTIC). O campus foi  criado em 2008 e conta com aproximadamente 1300 alunos matriculados e 114 docentes. 

5 Instituto Federal de Santa Catarina, Campus Araranguá, situado na unidade Aeroporto. Atualmente oferece 02  cursos  de  graduação:  Tecnologia  em  Design  de  Moda,  Licenciatura  em  Física,  05  cursos  técnicos:  Técnico  Concomitante  em  Eletromecânica,  Técnico  Concomitante  em  Produção  de  Moda,  Técnico  Concomitante  em  Têxtil, Técnico Integrado ao ensino médio em Eletromecânica, Técnico Integrado ao ensino médio em Vestuário,  08  cursos  de  formação  inicial  e  continuada:  Costura  industrial,  Modelagem,  Soldagem,  Tornearia,  Elétrica, 

em  uma  região  com  os  menores  índices  receita  per  capita  do  Estado  de  Santa  Catarina.  A  interiorização  teve  um  papel  importante  na  região,  abrindo  portas  para  retenção  de  jovens  interessados em ingressar em um curso superior. 

Especificamente,  a  região  de  Araranguá  tem  baixos  Índices  de  Desenvolvimento  Humano (IDH) e Renda Per Capita, ao ser comparada com outras regiões do Estado de Santa  Catarina,  o  que  comprovou  a  importância  de  realização  deste  projeto  de  pesquisa.  Pois,  a  introdução do aluno de graduação ao universo da investigação científica, traduz­se em reflexões  para a análise de sua realidade, de seu contexto.  

Cabe analisar o modo como os atores, integrantes das arenas institucionais da cidade de  Araranguá,  relacionaram­se  para  criar  e  reforçar  as  capacidades  institucionais  para  o  fortalecimento do acesso à educação pública. O conceito de capacidade institucional, baseia­se  no entendimento de que para tratar as questões de interesse comum, em base colaborativa, deve  haver uma rede de atores que estabeleçam confiança (com algum nível de compreensão mútua)  e  compartilhem  problemas  e  soluções  e  que,  entre  eles,  existam  atores,  poder  e  recursos  suficientes para mobilizar os outros à ação (SPEKKINK, 2013). 

Até então, nos últimos anos, o Ministério da Educação ­ MEC (BRASIL, 2017) havia  promovido uma série de medidas para, dentre outros fins, ampliar a oferta de cursos e vagas  nas universidades federais. Corroborando com esse propósito, implantou­se, a partir de 2010, o  Sistema  de  Seleção  Unificada  (SISU),  pelo  qual  instituições  públicas  de  educação  superior  oferecem  vagas  a  candidatos  participantes  do  Exame  Nacional  do  Ensino  Médio  ­  ENEM  (SELEÇÃO, 2010; BRASIL, 2017a). Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), após  a adesão do SISU, em 2016, a relação de candidatos por vaga, mais que duplicou, comparada  ao ano anterior, passando de 4,70 para 11,12 (UNIVERSIDADE, 2017). 

Ademais,  a  unificação  dos  processos  seletivos  das  Instituições  Federais  de  Ensino  Superior  (IFES)  representou  um  aumento  na  chance  de  ingresso  nestas  universidades  para  muitos  estudantes;  em  especial,  aqueles  que  vivem  em  regiões  desprovidas  de  instituições  públicas  (PORTILHO  et  al,  2015).  Além  disso,  a  democratização  do  ensino  superior  representou  uma  nova  quantia  de  candidatos  tendo  que  passar  pelo  processo  decisório  para  mudança de cidade, a exemplo do SISU. Essa etapa de decisão compreende a comparação de  um ambiente atual com o de destino, a partir da avaliação e escolha de alternativas disponíveis,  a fim de obter um resultado satisfatório. A conjunção das políticas, dos governos anteriores, 

       

Informática,  Tecelagem  Artesanal,  Patchwork.  O  campus  foi  criado  em  2008  e  conta  com  1220  alunos  e  69  docentes. 

provocou um processo de democratização do acesso ao ensino superior brasileiro, produzindo  uma  modificação  progressiva  do  perfil  dos  estudantes  universitários  no  Brasil  (LIMA; 

BIANCHINI, 2017). 

Além da tomada de decisão, é preciso considerar os aspectos que sucedem essa decisão; 

ou  seja,  o  ingresso  e  a  permanência  do  estudante  no  ensino  superior.  Nesse  sentido,  faz­se  necessário discutir e facilitar a relação desses jovens migrantes com a cidade destino, já que  estes, convivem com seu novo meio de forma diferenciada em relação aos jovens residentes  (PAMPLONA; SANT’ANA, 2015). 

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