INTERNACIONALIZAÇÃO
O entusiasmo e convicção foram decisivos ao crescimento da Unisul nas relações com uni- versidades europeias e norte-americanas. Bastou dar-se o start para professores e gestores se en- volverem no fomento das relações internacionais, que, hoje, não se limitam a especializar docentes ou a efetuar pesquisas, mas a produzir interação acadêmica que leva e traz alunos e professores para vários países.
Unisul Global é o nome fantasia da área de Gestão das Relações Interinstitucionais e In- ternacional (GRI&I), nomenclatura concebida na atual gestão de Salésio Herdt, e que amplia a antes denominada Assessoria de Relações Inte- rinstitucionais (Assin). O reitor quer o avanço do processo de internacionalização, ampliando os intercâmbios de estudantes e docentes, com foco na formação e qualificação.
No entanto, o processo de internacionali- zação vem dos idos de 1973. Desde então, a uni- versidade dá um passo de cada vez. O acordo de cooperação com o Georgia Institute of Techno-
logy configura-se como o primeiro nas relações
internacionais da Unisul. Wilson Schuelter, que coordenou a área durante 20 anos, relata que se desenhou um programa de apoio às peque- nas e médias empresas da região, com recursos da United States of America International Deve-
lopment (Usaid). No entanto, durante as tratati-
vas, ocorreu a enchente em 1974. Com isso, o seu resultado prático foi o fomento para pequenas e micro empresas se reerguerem através do proje- to realizado entre 1974 a 1978.
Um exemplo citado por Schuelter é o de olarias da região, que tinham grande perda na produção de tijolos. Descobriram, após estudo,
PASSO A PASSO
que o problema não era de matéria-prima, nem de equipamentos, mas de calibre nos furos dos tijolos. Assim, eram resolvidas questões técnicas, gerenciais e logísticas em empresas da região, através do acordo internacional. Em contraparti- da, docentes iam aos EUA para aprofundar estu- dos em várias áreas.
Naquele ano de 1974, em razão da enchen- te, não apenas o Instituto da Geórgia atuou na recuperação da cidade. Consultores externos dos Estados Unidos, Uruguai e Argentina desen- volveram projetos junto à então Fessc, para a re- construção do município. Integrantes do Corpo de Bombeiros também foram estudar em várias áreas ligadas à saúde e a catástrofes. Um segun- do relacionamento internacional veio da África. Um embaixador nigeriano passou três meses na
Unisul fazendo curso de Língua Portuguesa. Ao mesmo tempo, visitava escolas da cidade e região para dar palestras e contar sobre a cultura africa- na.
Outra iniciativa é a participação no proje- to Companheiros das Américas a partir de 1989, quando a Fessc se transformou em Unisul. Criou- se um subcomitê regional, que possibilitou diver- sas ações. Ainda hoje, o projeto abre portas para intercâmbio de brasileiros e de estrangeiros, se- gundo Wilson Schuelter, que já presidiu o projeto no Brasil. O grande benefício é receber docentes para intercâmbios. Incentiva intercambistas a do- minar o idioma através de cursos de inglês e até mestrados em regiões norte-americanas, como Norfolk, Novo México, Boca Raton, Chicago.
Ações de internacionalização foram in- tensificadas a partir da década de 1990. Colocar a Unisul no cenário global contribuiu para esta se tornar referência. No ano de 1991, a Univer- sidade filiou-se ao Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Inter- nacionais (Faubai). No ano seguinte, começaram negociações com a New Mexico State University, dos EUA, cujo primeiro convênio foi assinado em 1994. Abrangeu cooperação geral e desenvolvi- mento de cursos conjuntos, assim como pesqui- sas na área de Agronomia e consultoria técnica em projetos de meio ambiente.
O convênio com a Universidad de Léon, Es- panha, em 1993, possibilitou intercâmbio da co- munidade acadêmica, assim como a formação de docentes em programas de doutorado. Em con- trapartida, em 1999, a Unisul recebeu o primeiro grupo de 30 alunos de Enfermagem e Ciência da Computação da universidade espanhola.
Contatos com a Florida Atlantic University, de Boca Raton, EUA, começaram em 1994, com o primeiro convênio assinado em 1997. A mobilidade acadêmica com reconhecimento de créditos nos cursos de graduação de Relações Internacionais e de Administração fazia parte do acordo, que ofe- recia dupla titulação. Outro convênio destinou- se à oferta de MBA em conjunto com três países: Brasil, EUA e Espanha, a partir do Nafta, Mercosul e União Europeia.
Atenta aos acontecimentos no mundo, a Unisul acompanhava as discussões na área das políticas comerciais, através de mercados comuns em diversas regiões do globo. No que se refere à América Latina, nasceu o Tratado de Assunção em 1991, denominado Mercosul. Nesta esteira, a Unisul firmou convênio com a Universidad de
Ciencias Empresariales y Sociales/Fundacion de Altos Estudios en Ciencias Comerciales, de Buenos Aires, em 1995. A partir do acordo, foi implanta- do o Master em Gestão de Negócios e Formação Profissional para a Integração Latino-Americana.
No mesmo ano, cinco professores parti- ram para a Espanha. Na Universidad de Santiago de Compostela fizeram doutorado e pós-douto- rado em Química. Entre eles, o professor Ismael Pedro Bortoluzzi. Na sequência, a Unisul troca in- formações sobre tecnologias no ensino a distân- cia com a Universitat Oberta de Catalunya e com a Universidad Autónoma de Barcelona.
As experiências adquiridas até então leva- ram a Unisul a criar o curso de Relações Interna- cionais, em 1997. O pioneirismo se fez presente. Era o primeiro de Santa Catarina, relata Cibele Schuelter, que coordenou o curso no Campus da Grande Florianópolis. Na época, complementa Milene Kinderman, gestora do curso de Tubarão criado no ano seguinte, havia apenas três cursos de Relações Internacionais no país: o da UnB, em Brasília; o da Estácio de Sá, no Rio de janeiro; e o da PUC de São Paulo.
A troca de ideias com a Universidad Tecno- logica Nacional, da Argentina, em 1998, resultou na assinatura de convênio de abrangência geral. Foi nesta universidade que a equipe de Avaliação Institucional da Unisul apresentou um trabalho pioneiro desenvolvido na área. Nesses contatos, foi negociada a contratação de um profissional daquela universidade para desenvolver o Projeto de Empreendedorismo na Unisul.
Espanha e Itália são países europeus na pauta de acordos internacionais. Convênio assi- nado com a Universidad de Las Palmas de Gran Canarias estabeleceu uma assessoria para o pro-