• Nenhum resultado encontrado

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.6 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ/UECE

4.6.1 Universidade Estadual do Ceará – M (2007)

Na Proposta do Programa – SOLIDARIEDADE –, a primeira ação de inserção social apresentada foi a de formação de recursos humanos qualificados para a administração pública ou a para sociedade civil, realizada por meio do Programa de apoio à comunidade de trabalho Centro Pirambu Digital, na forma de ações específicas organizadas por discentes, em bairros periféricos da capital cearense, com a promoção de palestras. A segunda ação apresentada foi de contribuição para a formação de docentes, inclusive para cursos de graduação e especialização, por meio da participação em Programas de melhoria do ensino, efetivada mediante a realização de convênios e pela participação de docentes e discentes de faculdades da capital nos eventos e grupos do Programa.

A realização da primeira ação resulta em integração e solidariedade para o Programa; a segunda ação resulta no desenvolvimento de eventos e pesquisas em conjunto entre os membros das instituições envolvidas. Nas duas ações, os agentes do processo são o gestor

público, representado pela coordenação e por docentes do Programa; com a participação do grupo, aqui representado pelos alunos do Programa e das instituições conveniadas.

Quanto aos modelos de coprodução, as duas ações citadas configuram-se como coprodução funcional, por tratar-se de estratégias utilizadas pelo aparato público do Estado, aqui representado pela coordenação e pelos docentes do Programa de Pós-Graduação, para produzir os serviços públicos de maneira eficiente e eficaz, com a participação do grupo, aqui representado pelos discentes do Programa e pelos membros das instituições envolvidas.

Na Proposta do Programa – NUCLEAÇÃO –, a primeira ação de inserção social apresentada foi a de participação em atividades de apoio à melhoria do ensino de graduação e pós-graduação, realizada por intermédio da área de concentração do Programa de Pequenos e Médios Negócios, o único da região que produz e difunde conhecimentos específicos sobre esse tema. A segunda ação citada foi a de participação em projetos de cooperação entre Programas, voltados para a inovação na pesquisa ou para o desenvolvimento da pós- graduação. Essa ação concretiza-se por meio dos egressos do Programa que coordenam a criação de novos centros de ensino em regiões do interior do estado, difundindo as atividades, desenvolvendo ações de intervenção nas associações e por alunos que já qualificaram e executam propostas de ações de intervenção nas associações de pequenas empresas do agronegócio cearense. O Programa complementa as ações de nucleação, citando a formação de docentes.

Como resultado da primeira ação, destaca-se a relevância da área para a região (nordeste brasileiro), que registra um alto percentual de empresas de pequeno e médio porte; no resultado da segunda ação, destaca-se a relevância e impacto do Programa para o desenvolvimento local e regional, para a difusão de conhecimento para o interior do estado, resultando também na constatação de que a maioria dos mestres egressos do Programa já ocupam posições em instituições públicas e privadas da capital e do interior do estado. Nas duas ações apresentadas, os agentes do processo são o gestor público, representado pelo Programa de pós-graduação e docentes, e o grupo, aqui representado pelos alunos do Programa.

Quanto aos modelos de coprodução, as duas ações apresentadas configuram-se como coprodução funcional, por tratar-se de estratégias utilizadas pelo aparato público do Estado, para produção dos serviços públicos de maneira eficiente e eficaz. A participação do cidadão nesse processo de coprodução ocorre por um ajuste do cidadão (aluno) com o Estado

(Programa/Universidade). O Programa não detalha como ocorrem ou realizam-se as ações de intervenção nas associações de pequenas empresas do agronegócio cearense; subentende-se que possa existir na segunda ação uma interação do Estado (Programa de pós-graduação) com o cidadão (associações de pequenas empresas), mas não fica clara a possibilidade de que exista a delegação de poder pelo Estado, para que a ação possa configurar-se como representativa com sustentabilidade.

Na Proposta do Programa – VISIBILIDADE –, são apresentadas como ações de inserção social a manutenção de página da web para divulgação atualizada dos dados do Programa, que é realizada por meio do website do Programa, que disponibiliza o acesso as informações institucionais e acadêmicas, temas de dissertações, linhas de pesquisas, produção acadêmica e processos seletivos; e outras ações consideradas de visibilidade ao Programa, como disponibilização de Programa de textos para discussão on-line, no qual se divulgam resultados agregados de projetos de pesquisas, artigos e dissertações, com texto preliminar para leitura, discussão e futura publicação.

O resultado dessas ações é que a primeira amplia a visibilidade e transparência do Programa, e a segunda consiste no passo inicial para elaboração de revista acadêmica on-line vinculada ao Programa. Na ação de manutenção de página da web o agente do processo é o gestor público, representado pela coordenação do Programa de Pós-Graduação da Universidade Pública e, na outra ação de implementação do Programa de textos para discussão on-line, os agentes do processo são o gestor público, representado pela coordenação e por docentes do Programa e o grupo, representado pelos discentes.

No que se refere aos modelos de coprodução, a primeira ação citada configura-se como coprodução simbólica, pois a disponibilização do site e das informações institucionais e acadêmicas é estratégica para envolver o cidadão na produção dos serviços públicos, demonstrando a presença e eficácia do Estado. A segunda ação configura-se como coprodução funcional, pois a disponibilização do Programa de textos e artigos para discussão constitui estratégia utilizada pelo aparato público do Estado (coordenação do Programa e docentes) para, com a participação do grupo (alunos), produzir os serviços públicos de maneira eficiente e eficaz. Essa ação, embora se configure como coprodução funcional, aproxima-se do modelo de coprodução representativa com sustentabilidade.

Na contextualização do presente estudo, Kunsch (1992) coloca que a universidade tem o dever e a responsabilidade de reproduzir sua pesquisa de forma aberta, para toda a

sociedade, pois não se pode mais justificar uma produção científica enclausurada, com acesso restrito a uma minoria privilegiada. Complementa, afirmando que, dentre todas as organizações, a universidade, pelas suas próprias finalidades de ensino, pesquisa e extensão, é a que conjuga as maiores condições para a construção de uma sociedade melhor.

A ação citada de realização de ações específicas, organizadas por docentes e discentes do Programa em bairros periféricos da capital cearense, vai ao encontro do pensamento do autor referido, pois volta-se para a sociedade, e já pode ser mencionada como uma iniciativa de integração da universidade com a sociedade, ou seja, o Programa está proporcionando ao cidadão uma oportunidade de participação e de aprendizagem por meio das ações organizadas, promovendo de certa forma a cidadania, pois, de acordo com o pensamento de Amorim (2007), a universidade pública tem um papel muito importante no sentido de contribuir para a promoção da cidadania, não só por formar cidadão, mas também por ser mantida por ele, o que reforça a sua obrigação de promover a cidadania e a democracia.

Cabe destacar também a relevância da realização de ações como o Programa ser o único na região que difunde conhecimentos específicos sobre pequenos e médios negócios, contribuindo para o desenvolvimento local, seus egressos estarem criando e coordenando novos centros no interior do estado, e a realização de ações de intervenção nas associações de pequenas empresas do agronegócio cearense. Ações como essas vêm ao encontro do pensamento de Wimmer e Peixoto (2008), que argumentam que a institucionalização de processos que viabilizem a participação de indivíduos e grupos sociais nos processos decisórios estatais representa medida absolutamente vital para o aprofundamento do projeto democrático e para o desenvolvimento de uma administração pública colocada a serviço da dignidade da pessoa humana. A universidade, por meio dos Programas de pós-graduação tem papel fundamental nessa discussão.

Embora não fique clara a forma como são realizadas as intervenções nas associações de pequenas empresas do agronegócio, o Programa informa que elas resultam em contribuição para o desenvolvimento local e regional, e também em difusão do conhecimento para o interior do estado. Isso vem ao encontro do pensamento de Sousa (2006), quando afirma que a participação como controle social não se limita somente ao papel da fiscalização, mas também promove a transparência e o conhecimento das ações que vêm sendo efetivadas, possibilitando uma reflexão sobre as demandas e o atendimento às prioridades da sociedade ou da comunidade local. Essa parece ser a intenção do Programa, ao promover a transparência

e o conhecimento das ações, refletindo sobre as prioridades da sociedade, no caso, as associações de pequenas empresas do agronegócio.

O Programa pode investir e aprimorar suas ações no sentido de promover o engajamento do cidadão em todos os aspectos e estágios da ação desenvolvida, e não somente para que ele tome conhecimento do que lhe é repassado. Esse pensamento vem ao encontro de um dos princípios do Novo Serviço Público – pensar estrategicamente, agir democraticamente, quando Denhardt (2004) coloca que, no Novo Serviço Público, o envolvimento dos cidadãos não se limita apenas ao estabelecimento de prioridades, mas que as organizações públicas devem ser administradas de forma a promover e estimular o engajamento dos cidadãos em todos os aspectos e estágios do processo de formulação e implementação de políticas, pois, sendo assim, os cidadãos envolver-se-ão na governança e não farão apenas demandas ao governo para satisfazer suas necessidades em curto prazo.