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3 DESIGN PARTICIPATIVO

3.1 User-Centered Design

3.1.1 Usabilidade

Usabilidade é termo usado para descrever um atributo de qualidade que muitos produtos ou interfaces possuem (Nielsen, 2012; Rubin & Chisnell, 2008, p. 3), que os tornam, ou que os determinam como mais fáceis de usar (ISO, 1998).

A usabilidade de um produto consiste então no resultado da avaliação dos objetivos atingidos com o uso de um produto, no contexto de utilização—onde se incluem os utilizadores, as tarefas que têm que desempenhar, o equipamento ne- cessário e o ambiente de utilização—, medindo a eficácia e a eficiência face à satis- fação do seu uso (Figura 18). Avalia cinco componentes qualitativas essenciais:

1) Facilidade de aprendizagem (do uso); 2) Eficiência, ou rapidez de execução de ta- refas; 3) Capacidade de retenção na memória; 4) Taxa de erros, ou a facilidade de recuperação destes; 5) Satisfação do uso (Nielsen, 2012).

Figura 18 – Modelo concetual de Usabilidade Fonte: Adaptado de ISO (1998)

De acordo com a literatura (Abras et al., 2004; Dumas & Redish, 1994; Nielsen, 2012; Rubin & Chisnell, 2008), os Testes de Usabilidade (Usability Testing) são uma técnica empregue para avaliar se o produto ou serviço de forma a atingir cinco objetivos: 1) melhorar a usabilidade de um produto; 2) envolver os utilizadores fi- nais na avaliação; 3) fornecer tarefas reais aos utilizadores; 4) facilitar aos avaliado- res uma forma de observar e registar as ações dos participantes; 5) facilitar aos avaliadores uma forma de avaliar os dados recolhidos e fazer as mudanças neces- sárias. Uma vez que se trata de uma avaliação focada nas necessidades de utiliza- dores reais, utiliza métodos de avaliação empíricos, num processo de design e desenvolvimento iterativo (Nielsen, 1994).

Os métodos e técnicas para avaliação de usabilidade são variadas depen- dendo do tempo e recursos disponíveis (Tabela 15). Mas, de uma forma geral, é aceite que é necessário efetuar alguma forma de avaliação prévia ao lançamento de um produto, através de métodos frequentes como as entrevistas, ou os focus groups. É recomendado que, mesmo depois do lançamento, essa avaliação conti- nue a ser feita (Abras et al., 2004; Dumas & Redish, 1994; Shneiderman & Plaisant, 2004). Estas técnicas de avaliação com utilizadores incluem: 1) o Think Aloud, onde o utilizador é convidado a articular os passos que executa nas tarefas pedidas de forma a que o observador registe o seu processo mental, em simultâneo ou em re- trospetiva à execução das tarefas(U.S. Department of Health & Human Services, 2013); 2) o Registo Audiovisual, de forma a poder analisar a postura e expressões (emoções) do utilizador durante o uso do produto; 3) as Entrevistas e Questionários de satisfação, que permitem que os avaliadores obtenham um conhecimento mais

aprofundado e racional da experiência do utilizador. Durante estes testes com os utilizadores, são registados dados como: a) o tempo que os utilizadores demoram a aprender as tarefas; b) a velocidade com que as realizam; c) o tipo e a taxa de erros por tarefa; d) a capacidade de retenção e de memorização dos comandos da inter- face ao longo do tempo; e) a satisfação do uso, que, embora possa ser observada e registada, é sempre uma medida com elevado valor subjetivo.

Tabela 15 – Métodos e técnicas de avaliação com diferentes recursos

Planeamento Requisitos Design Implementação Avaliação Distribuição

Reunião de arran-

que Inquéritos de utili-zadores Design Guidelines Styleguides Avaliação diagnós-tica Avaliação pós-lan-çamento Reunião de stake-

holders Entrevistas Prototipagem em papel Prototipagem rá-pida Testes de perfor-mance Apreciação subje-tiva Análise de contexto Contextual Inquiry

(CI) Avaliação Heurís-tica Avaliação subjetiva Inquéritos de utili-zador Usabilidade (ISO

13407, ISO 9241-11) Observação (direta) de utilizadores Parallel Design Avaliação heurística Avaliação remota

Planeamento Contexto Storyboarding Critical Incidence

Technique Análise da concor-

rência Focus Groups (FG) Avaliação do protó-tipo Prazer

Brainstorming Feiticeiro de Oz Avaliação de siste- mas existentes Padrões de Design de Interfaces Card Sorting Diagrama de afini- dade Cenários de uso Análise de Tarefas Reunião de Requisi- tos

Recursos/Tempo Limitados Sem o acesso direto aos utilizadores finais Capacidades / experiência limitada Fonte: Adaptado de UsabilityNet (2006)

A avaliação da usabilidade apresenta sempre um conjunto de limitações, uma vez que é limitada no tempo, limitada a uma amostra de utilizadores, normalmente não avalia a totalidade de caraterísticas e funcionalidades de um produto e, como necessita de registo e observação, é feita num ambiente laboratorial.

De forma a minimizar as limitações, Mayhew (1999, Cit por Abras et al. 2004) sugere efetuar os testes de forma iterativa com 3 a 10 utilizadores de cada vez. Os testes devem decorrer num ambiente normal de trabalho destes, com o mínimo de instruções fornecidas de forma a avaliar a facilidade de aprendizagem. No final, deve ser elaborado um relatório que inclui os dados qualitativos e quantitativos

recolhidos, o grau de importância dos erros detetados, e as correções a efetuar (U.S. Department of Health & Human Services, 2014b).

A avaliação de usabilidade também pode ser feita de forma menos dispendi- osa e mais rápida recorrendo a avaliações de especialistas (Nielsen, 1995b, 1995c). Entre as técnicas disponíveis, a mais utilizadas incluem: a Avaliação Heurística, o método mais informal que requer que os avaliadores especialistas avaliem os dife- rentes aspetos do produto segundo um conjunto de heurísticas (Nielsen, 1995a); o Cognitive Walkthrough, onde é utilizado um procedimento detalhado para simular a resolução de problemas e antecipar o cumprimento dos objetivos dos utilizado- res finais, com ênfase especial na aprendizagem por exploração (Blackmon et al., 2002; Nielsen, 1995c; Rieman, Franzke, & Redmiles, 1995), que, alternativamente, pode ser considerada de Task Analysis (U.S. Department of Health & Human Services, 2014a); a Inspeção de Consistência, onde os Designers avaliam a interface procurando a consistência de todos os elementos e comportamentos.

Abras et al. (2004) e Nielsen (1995b, 2012) destacam ainda a relevância dos métodos de Avaliação Heurística. Estes permitem uma forma de avaliação rápida e de custo reduzido pois com apenas 5 utilizadores especialistas em ambiente con- trolado é possível descobrir aproximadamente 80% dos problemas de usabilidade. Abras et al. salientam apenas uma preocupação com a eficácia deste tipo de teste. No entanto, quando utilizado numa fase prévia ao lançamento e em conjunto com outras metodologias de teste com os utilizadores finais, de forma iterativa, é, sem dúvida, um método muito vantajoso.