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THE USE OF A DAMAGE MAP TO QUANTIFY THE DEGRADATION OF HISTORIC FACADES IN SANTA MARIA, RS

No documento II SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO (páginas 34-38)

BERNARDI, D.F. ¹; CARYL, C. E. J ¹;SOCOLOSKI R. F. ² Universidade Federal de Santa Maria¹

Universidade Federal de Porto Alegre2

RESUMO

O hospital Casa de Saúde, inaugurado em 1932, destaca-se entre os bens materiais deixados pela Cooperativa de Consumo dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul – CCEVFRGS na cidade de Santa Maria, RS. Suas fachadas protegidas como Patrimônio Histórico e Cultural municipal desde 2002, evidenciam a relevância desta edificação. A ação do tempo, no entanto, é observada no exterior do prédio, expondo um acentuado nível de degradação que afeta tanto a sua durabilidade quanto estética. A aplicação dos métodos de Mapa de Danos e Mensuração de Danos, além de viáveis e eficazes, permitem diagnosticar quais são, com que frequência e em quais regiões ocorrem as manifestações patológicas. Correlacionar dados obtidos através de investigações históricas e arquitetônicas também possibilitam maior clareza quanto a ação humana, de agentes climáticos ou inerentes a própria edificação.

Palavras-chave: Fachadas. Manifestações patológicas. Degradação.

ABSTRACT

The Home of Health hospital, opened in 1932, stands out among the material goods left by the Rio Grande do Sul Railroad Consumption Cooperative - CCEVFRGS in the city of Santa Maria, RS. Its facades, protected as a Municipal Historical and Cultural Heritage since 2002, show the relevance of this building. The action of time, however, is observed on the exterior of the building, exposing a marked level of degradation that affects both its durability and aesthetics. The application of the Damage Map and Damage Measurement methods, besides being viable and effective, allow us to diagnose which are, how often and in which regions pathological manifestations occur. Correlating data obtained through historical and architectural investigations also enables greater clarity as to human action, climatic agents, or those inherent to the building itself.

Keywords: Façades. Pathological manifestations. Degradation.

1 INTRODUÇÃO

As fachadas desempenham um papel de extrema relevância ao nível da concepção arquitetônica, valorização dos espaços envolventes, apropriação e identificação da paisagem, no entanto, estes elementos são diretamente afetados pela ação de agentes de degradação que contribuem para a redução do desempenho e da vida útil do sistema (SOUSA et al., 2016).

Neste contexto, dentre os Bens Materiais deixados pela Cooperativa de Consumo dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul – CCEVFRGS na cidade de Santa Maria, RS encontra-se o complexo hospitalar Casa de Saúde, localizado no Bairro Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, construído e inaugurado na década de 1930 para atender aos funcionários da ferrovia, sendo ampliado ao longo dos anos subsequentes e mantendo até os dias atuais sua função social no que se refere a prestação de serviços de saúde à população pelo Sistema Único de Saúde – SUS, (MELLO, 2010).

Além da função institucional, a edificação hospitalar (prédio principal construído entre 1929 e 1932) caracteriza-se como uma das primeiras obras do município a se apropriar do estilo arquitetônico Art Déco (ALCÂNTARA, 2015), evidenciando a excepcionalidade deste bem material, cujas fachadas são asseguradas como Patrimônio Histórico e Cultural através da Lei Municipal nº 4506/2002, bem como os demais bens móveis e imóveis de Santa Maria pertencentes a CCEVFRGS.

Ao longo dos 89 anos de vida do Hospital Casa de Saúde, as suas fachadas veem sendo expostas ao processo natural de degradação decorrente da ação do tempo, clima e agentes externos, onde não são observadas condutas manutenção preventiva ou corretiva. Assim, as diversas manifestações patológicas observáveis no exterior do hospital indicam o comprometimento da sua função, estética e durabilidade, fortalecendo a necessidade de salvaguardar este patrimônio. e a identidade local atrelada a ele.

2 OBJETIVOS

O objetivo geral da pesquisa consiste em determinar quais são as manifestações patológicas existentes nas fachadas da edificação principal do Hospital Casa de Saúde de Santa Maria, RS.

Para tanto, realizar-se-á o diagnóstico dos danos, por inspeção visual, levando em consideração as suas possíveis causas. As informações obtidas serão utilizadas para quantificar as manifestações patológicas mais recorrentes nas regiões das fachadas.

3 MÉTODO

O método proposto busca apresentar análises qualitativas e quantitativas que proporcionem a compreensão da degradação do sistema de revestimento externo da edificação, tendo em vista as manifestações patológicas mais frequentes em argamassa, regiões de maior ocorrência e a ação de condicionantes externos sobre a edificação.

A metodologia de avaliação de fachadas e diagnóstico de manifestações patológicas adotado e aprimorado pelo Laboratório de Ensaios e Materiais da Universidade de Brasília – LEM-UnB, trazem ao estudo um caráter quantitativo, técnico e sistemático. As Recomendações Básicas sobre Mapa de Danos elaboradas pelo GCOR-Arquitetura (Grupo de Conservação e Restauro da Arquitetura e Sítios Históricos) do DAC/FEC-Unicamp (Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas), acrescentam ao trabalho uma análise de âmbito qualitativo de aplicação gráfica e investigativa (TINOCO, 2009;

CORREA, TIRELLO, 2012).

3.1 MAPA DE DANOS

O levantamento de informações sobre a edificação é a etapa inicial para o desenvolvimento do Mapa de Danos, podendo ser dividido entre levantamento de dados históricos (pesquisa bibliográfica, documental, registros fotográficos, etc.), levantamento arquitetônico (dimensões, detalhes arquitetônicos, materiais, sistema construtivo, etc.) e determinação dos danos observados nas fachadas.

3.1 MÉTODO DE MENSURAÇÃO DE DANOS

Conforme a metodologia difundida pelo LEM-UnB, no Método de Mensuração da Danos é preciso dividir as fachadas em diferentes regiões de análise (base, corpo e entorno de aberturas). Na etapa seguinte faz-se a sobreposição da malha de 50 cm x 50 cm, começando sempre da esquerda para a direita e de baixo para cima. A contabilização dos quadrantes desta malha, sobreposta ao Mapa de Danos e submetida aos cálculos de Fator de Danos, Fator de Danos Corrigido e Distribuição de Danos, permite constatar quantitativamente quais são as manifestações mais recorrentes para cada fachada e cada região da fachada.

Figura 1 - Sobreposição de malha e divisão das regiões da fachada Sudoeste alas esquerda, direita e acesso.

Fonte: Autora (2020).

4 RESULTADOS

Na figura 2 consta o resultado final do Mapa de Danos para a fachada Sudoeste – ala direta e a sobreposição da malha proposta no Método de Mensuração de Danos. Salienta-se que beirais e esquadrias não foram considerados na inspeção.

Figura 2 - Mapa de Dano da fachada Sudoeste – ala direita, com sobreposição da malha.

Fonte: Autora (2021).

Após a quantificação dos quadrantes e a realização dos cálculos mencionados no método, chega-se ao gráfico de barras do Fator de Danos Corrigido e de Distribuição de Danos. Os gráficos apontam, nesta amostragem, o maior valor encontrado considerando todas as regiões desta ala, como sendo de danos na pintura – bolhas e descascamento, com 34%, sendo este dano predominante na região da base da edificação. Os menores valores se referem a desplacamento com 0,8% e biodeterioração por vegetação com 0,9%, ambos encontrados na região da base.

Figura 3 - Gráfico de barras do Fator de Danos Corrigido e Distribuição de Danos na fachada Sudoeste – ala direita.

Fonte: Autora (2021).

5 CONCLUSÃO

A relação de todos os dados levantados permite analisar e sugerir as possíveis causas e/ou origens das manifestações patológicas encontradas, como exemplo, sabe-se que o maior índice de fissuras da fachada Sudoeste – ala direita fica na região do corpo da edificação, tal situação tem origem na sobreposição do revestimento de pedra britada projetada por argamassa desempenada. As causas para o surgimento das fissuras mapeadas podem ser diversas, desde a aderência da argamassa com a base, a espessura dessa camada, condições climáticas, etc. (LEAL, 2003b; MASUERO, 2001 apud SEGAT, 2005). Assim como a análise feita anteriormente, muitas outras podem ser descritas no contexto geral da edificação, auxiliando no entendimento sobre as manifestações patológicas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALCÂNTARA, Marina de. Patrimônio Edificado pela CCEVFRGS: identificação de unidades em SANTA MARIA/RS. Dissertação. 2015. 221 f. Dissertação (Mestrado) - Curso do Programa de Pós-Graduação Profissionalizante em Patrimônio Cultural, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2015.

CORREA, R. H.; TIRELLO, R. A. Sistema normativo para mapa de danos de edifícios históricos aplicado à Lidgerwood manufacturing company de Campinas. Campinas, 2012.

Disponível em: < http://cmsportal.iphan.gov.br/ uploads/ckfinder/arquivos/VI_coloquio_t1_sistema_

normativo_mapa.pdf > Acesso em: 25 nov. 2019.

MELLO, L. F. S. O pensamento utópico e a produção do espaço social: a Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul. 2010. 309 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional, Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

SANTA MARIA. Lei Municipal nº 4506/02, de 09 de janeiro de 2002. Considera Patrimônio Histórico e Cultural do Município Os Bens Móveis, Imóveis e Documentos Pertencentes A Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea. Santa Maria, RS.

SOUSA, R.; SILVA, F. M.; SOUSA, F. Fachadas de edifícios. Lisboa, Portugal: Lidel, 295 p., 2016.

TINOCO J. E. L. Mapa de Danos: recomendações básicas. Olinda: CECI - Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada, 2009. 23 p. (Textos para Discussão - Série 2: Gestão de Restauro).

SEGAT, G. T. Manifestações patológicas observadas em revestimentos de argamassa:

Estudo de caso em conjunto habitacional popular na cidade de Caxias do Sul-RS. 2005. 166 f.

Dissertação (Mestrado) - Curso Profissionalizante em Engenharia, Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

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ANÁLISE DE ORIENTAÇÃO ESPACIAL NO CAMPUS DA UNIVERSIDADE

No documento II SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO (páginas 34-38)

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