MELO, F. M. ¹; ROMANO, F. V. 1; LIMBERGER, L. L.1 Universidade Federal de Santa Maria1
RESUMO
O presente resumo apresenta a proposta de pesquisa da dissertação de mestrado sobre a percepção e a interação social dos usuários em três praças a serem selecionadas na área central da cidade de Santa Maria, com o objetivo de descobrir as percepções e interações sociais dos usuários, caracterizar cada praça com suas principais funções através das respostas e observações a respeito dos usuários. Os procedimentos metodológicos serão: pesquisa bibliográfica, observações e levantamento de informações por entrevistas e/ou questionários. A análise se dará a partir dos seguintes pontos: usos, percepções dos usuários, caracterização das praças, perfil dos frequentadores, quantificação e qualificação das infraestruturas, elementos naturais e mobiliário.
Palavras-chave: Praça Pública, Interação Social, Percepção.
ABSTRACT
This abstract presents the structure of the master's dissertation on the perception and social interaction of users in three squares to be selected in the central area of the city of Santa Maria. In order to discover the users' perceptions and social interactions, characterize each square with its main functions through the responses and observations about the users. The methodological procedures will be: bibliographical research, observations and survey of information through interviews and/or questionnaires. The analysis will be based on the following points: uses, users' perceptions, characterization of squares, profile of patrons, quantification and qualification of infrastructure, natural elements and furniture.
Keywords: Public Square, Social Interaction, Perception.
1 INTRODUÇÃO
A Praça pública surgiu como o espaço pioneiro de interação social, um local que está repleto de significados, acontecimentos históricos e lembranças. A praça definida por Saldanha (1993), se apresenta como um ambiente de área aberta com a natureza entranhada em seu meio, tornando se um local de alta importância para a sociedade, armazenando ali as histórias pessoais, coletivas e políticas da população.
Com o tempo a praça passou por várias transformações e diversos nomes - fórum romano, praça medieval, praça maior, praça de armas, praça renascentista, praça barroca, até chegar ao que se tem hoje. Segundo De Angelis (2005) teve início na Grécia com a ágora que era definida como “[...]
espaço central e vital, tornado historicamente símbolo da presença do povo na atividade política.
Os gregos diziam que havia povos com ágora e povos sem ágora, uns com liberdade e outros sem liberdade” (SALDANHA, 1993, p. 15).
Na praça do século XXI, podem ser notados diversos usos e apropriações tanto público como privado, manifestações, eventos de cunho político, cultural, social e religioso, como aniversário da cidade, missas, feira do livro, acontecimentos públicos e eventos culturais diversos. Segundo (De Angelis et al. (2005, p. 11) a praça se configura como “[...] Cenário de festas, passeios, reuniões, comércio, permanência, encontros e desencontros, descanso, convulsões sociais; obra do Homem no arco do tempo que transcende o próprio; registro vivo a perpetuar na História modismos e estilos de cada época”.
A praça está caracterizada como um lugar de grande espaço em geral, sempre público e de acesso em comum para todos, livre de edificações, oferecendo e destinando o espaço para a interação social, lazer e recreação dos frequentadores (VIERO; BARBOSA FILHO, 2009).
Pode-se notar que a fluidez e a diversidade do ambiente são enormes. A praça abriga diversas pessoas de diferentes classes sociais que a frequentam por diversos motivos, e toda essa diversidade convivendo no mesmo espaço: a praça pública. Mas com a o avanço da tecnologia do século XXI e diversas opções de lugares de lazer e de encontro, a praça pública acabou ficando em segundo plano ao olhar da população:
“[...] o surgimento de múltiplos rivais anômalos a ela enquanto lugar de encontro e reunião: os shopping-centers, centros empresariais, edifícios poli funcionais, os estádios. Sem falar do abandono a que são relegadas, trazendo insegurança e, consequentemente, afastando seus frequentadores. O advento da informática no atacado trouxe para dentro das casas a TV a cabo, o pay-per-view, o home-theater, a Internet. Inovações tecnológicas de lazer que, com seus chips, kbytes de memória, imagens, encontros e diálogos virtuais, têm levado as pessoas a substituírem o espaço aberto por uma tela fechada de circuitos eletrônicos. A praça que, por séculos afora desde a ágora grega, fora o espaço público por excelência para o contato humano, para o socializar-se em um contato próximo com o outro, é atualmente um pedaço perdido entre tantos na colcha de retalhos que chamamos por cidade. (DE ANGELIS, 2005, p. 15).
Mas com a confirmação do primeiro caso de Corona vírus (COVID-19) no Brasil no dia 26 de fevereiro, de 2020 pelo Ministério da Saúde, vieram as medidas de prevenção e uma delas teve impacto direto em nossos espaços públicos e privados, o distanciamento social.
Com a população isolada em casa e saindo apenas para realizar serviços essenciais, a interação social vem se resumindo na maioria das vezes à plataformas digitais; os espaços fechados de convívio que antes tinham grande aceitação, e que deixavam as praças em segundo plano se tornaram inseguros pelo risco de contaminação, tornando os lugares abertos como a melhor opção.
As praças mesmo não estando preparadas para atender seus frequentadores diante dessa nova situação acabam voltando aos olhos da população, se tornando uma opção de espaço de lazer e recreação. O anseio de contato com a natureza por espaços abertos após o longo tempo de recolhimentos está vindo à tona, e as praças, voltam ao foco da população.
Nesse sentido a análise das praças se faz necessária para um melhor entendimento dos usos, das percepções dos espaços, e das modificações que esses locais podem a vir a sofrer, pelas atuais necessidades de uso de seus frequentadores.
Assim pretende-se realizar uma análise da percepção dos frequentadores e sua caracterização, para que dessa forma possa-se entender melhor os usos, necessidades e interações sociais das praças públicas durante esse período de isolamento e após o período de relaxamento.
2 OBJETIVO
O objetivo geral dessa pesquisa é analisar a percepção dos usuários em três praças públicas da área central de Santa Maria, RS, juntamente com sua infraestrutura, elementos naturais, mobiliário, seus usuários e as interações sociais que ali ocorrem, durante isolamento social e após a flexibilização.
3 MÉTODO
Para obtenção das informações e dados a respeito dos usuários e das praças públicas será feita uma pesquisa de campo, de forma a elaborar a melhor análise possível dos locais e dos frequentadores.
Primeiramente será realizado um levantamento qualiquantitativo das infraestruturas, mobiliário, equipamentos e elementos naturais existentes. O segundo passo se dará a partir da coleta de opiniões a respeitos dos locais juntamente com a observação das interações sociais em horários e dias distintos elencando como ocorrem na área de estudo, após será feita a identificação e caracterização dos usuários através de um formulário/questionário.
Por fim se identificará a percepção dos usuários das praças durante o período que sua capacidade de frequentadores estava reduzida devido ao isolamento social e avaliar a funcionalidade das praças a partir das experiências de utilização durante esse momento, e após a liberação de uso, por meio de aplicação de questionários e observações.
4 RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se chegar a um levantamento qualiquantitativo da infraestrutura, mobiliário, equipamentos e dos elementos naturais, caracterizando cada praça.
Também será realizada a caracterização dos usuários, coleta das opiniões dos mesmos a respeitos das praças, realização das observações das interações sociais, no que tange à durante o período de isolamento social e após a flexibilização, avaliando suas experiencias e percepção a respeito dos locais.
5 CONCLUSÃO
Por meio dos resultados que serão obtidos nesta pesquisa, espera-se chegar a conclusões a respeito das praças centrais de Santa Maria, RS, como suas características, perfil dos usuários, infraestrutura, elementos naturais, interações sociais e usos durante o isolamento social e após sua flexibilização.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DE ANGELIS, B. L. D; DE ANGELIS NETO, G.; BARROS, G. D. A.; BARROS, R. D. A. Praças:
história, usos e funções. Maringá: EDUEM, 2005.
RIGOTTI, G. Urbanística lá técnica. 2. ed. Torino: Editrice Torinese, 1956
SALDANHA, N. O jardim e a praça: o privado e o público na vida social e histórica. São Paulo:
EDUSP, 1993.
VIERO, V. C.; BARBOSA FILHO, L. C. Praças públicas: origem, conceitos e funções. In:
JORNADA DE PESQUISA E EXTENSÃO, 2009, Santa Maria. Anais [...