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1 INTRODUÇÃO

2.4 USO DA TECNOLOGIA NO AMBIENTE PROFISSIONAL

O uso da tecnologia é frequente no cotidiano das pessoas, principalmente em razão dos avanços tecnológicos dos dispositivos, plataformas e ambientes virtuais. Desta forma, é natural que o ambiente organizacional acompanhe essa evolução. Os ambientes de trabalho digitais estão presentes na maioria das empresas. Um ambiente digitalizado representa uma revolução na relação das pessoas com o trabalho (MARTINI, 2016).

No atual cenário de mercado, é importante permitir que as pessoas tomem decisões com velocidade e que não se reduza a qualidade e iniciativas de trabalho, aumentando o crescimento e a receita do profissional e da empresa. No Brasil, atualmente, as companhias estão na fase de testes do uso das plataformas, descobrindo como a mobilidade da informação é efetiva para o relacionamento entre pessoas, seja público interno ou externo. O crescimento do uso de tecnologias colaborativas no Brasil acontecerá conforme o olhar para o público interno e a colaboração ganhem força. As organizações têm um desafio: fazer a interação entre os colaboradores e as ferramentas, isso impactará no clima na e cultura (MARTINI, 2016).

Desta forma, pode-se dizer que funcionários produzem mais se puderem utilizar a internet para a diversão durante o expediente. A afirmação é polemica e pode desagradar a

muitos chefes, mas esse é o resultado de uma recente pesquisa realizada pela Universidade de Melbourne, na Austrália. O estudo apontou que a navegação na Web por diversão aumenta os níveis de concentração e torna o trabalho mais produtivo. A pesquisa aponta ainda que as pessoas que navegam dentro de um limite de menos de 20% do tempo de trabalho são mais produtivas, rendendo cerca de 10% a mais em comparação com aquelas que não têm contato com a Internet. A utilização da internet, no trabalho, de forma coerente, pode ser uma ferramenta de otimização, comunicação e interatividade. Ela aumenta capacidades, aproxima pessoas e democratiza a informação e o conhecimento. O desafio do gestor e do colaborador está em dosar o uso dessa ferramenta para que esses benefícios se revertam em resultados positivos para a empresa (FERLA, 2009).

O uso da Internet tem alguns “efeitos colaterais”, como o consumo acrítico de informação, a distração, a falta de foco e a dificuldade de transformar informação em conhecimento. Essa é, sem dúvida, uma questão delicada, já que o funcionário pode se dispersar muito facilmente ao longo do dia, prejudicando a obtenção das metas. O ideal seria poder contar com a responsabilidade dos colaboradores de forma que usem essa poderosa ferramenta nas horas de trabalho para agregar valor a sua atividade profissional e, nas horas de folga e após o expediente, para tratar de assuntos pessoais e se divertir. O acesso à Internet com responsabilidade e bom senso pode confirmar o que diz a pesquisa: trazer resultado profissional e aumento da produtividade (FERLA, 2009).

Assim, no contexto profissional, a perda de produtividade pode ser fruto da perda de concentração ocasionada pelas distrações causadas pelo uso dos aplicativos pessoais durante o expediente de trabalho, também denominada Distração Digital. Embora se espere que o ambiente de trabalho propicie interação social para tratativas de assuntos pertinentes aos negócios, contribua na resolução dos problemas cotidianos e seja um local de concentração coletiva dos colaboradores aplicada às demandas organizacionais, o uso pessoal de tecnologias durante as atividades profissionais pode comprometer as finalizações das demandas existentes (CAPPELLOZZA; MORAES; MUNIZ, 2017).

Dessa forma, segundo Cappellozza, Moraes e Muniz:

[...] Sabe-se que a dependência excessiva de uso da TI pode levar os usuários a apresentar nomophobia (no mobile phobia). A nomophobia é definida como a ansiedade causada pela ausência do uso do aparelho celular, computador ou qualquer outro dispositivo que permita uma comunicação virtual com outras pessoas (King et al., 2013). Indivíduos que utilizam tecnologias excessivamente também podem apresentar alterações de humor (Caplan, 2002; Huang & Leung, 2009) e sensações de incômodo quando seu acesso aos aplicativos é interrompido (Widyanto & McMurran, 2004). Ao contrário, sensações de conforto social são percebidas pelos usuários dependentes quando as conexões virtuais são estabelecidas com fins de relacionamento com outros usuários, em detrimento das relações sociais

presenciais (Caplan, 2002; Davis et al., 2002). Assim, entende-se que o Conforto Online pode ser definido como a percepção de tranquilidade que o usuário nota ao estar conectado em ambientes virtuais para Uso Pessoal e que pode motivar o Uso Pessoal de Tecnologias em ambientes profissionais (CAPPELLOZZA; MORAES; MUNIZ, p.609, 2017).

No entanto, o excesso de informações e a velocidade do século XXI trazem, além de vantagens evidentes, novos problemas contemporâneos, como o “burnout corporativo” (“queimar por completo”, em tradução literal), que em um sentido amplo significa o sentimento de falha, desgaste e exaustão frente ao trabalho, ou a transformação de uma sociedade em dataholic, com pessoas literalmente viciadas em dados, que checam os mesmos assuntos em diversos locais e não conseguem parar até dissecar vários meios e canais. A tecnologia é uma realidade irreversível. Seu avanço e o desenvolvimento rápido das informações são tão notáveis que têm chamado a atenção de especialistas para a relação com doenças, estresse, ansiedade e outros males. Nas empresas, a era das pessoas superinformadas e o uso de dispositivos móveis e das redes sociais preocupam gestores quando o assunto é a perda de atenção e como isso influencia a produtividade das pessoas no trabalho (VILVERT, 2016).

As redes sociais são tidas como “vilãs da produtividade” por tirarem a atenção e fazer com que o usuário se disperse das tarefas que estava executando inicialmente. Porém precisa- se considerar que elas não são a única fonte de distração do ambiente profissional, tendo em vista que ainda há o telefone, reuniões improdutivas, caixas de e-mail lotadas, por exemplo, e, além disso, no Brasil ainda está sendo adquirido a maturidade suficiente para utilizar as tecnologias sociais como ferramentas de trabalho. Algumas empresas ainda insistem em adotar a prática do bloqueio de redes sociais no seu estabelecimento comercial, atitude que hoje é questionada como solução. Ter um empregado offlline (desligado) das redes durante o horário de trabalho não necessariamente significa que ele está realizando a sua atividade com qualidade, se contarmos que essa é apenas uma das distrações, entre e-mails e telefonemas. Proibir o uso de redes sociais não garante diretamente foco no trabalho, além de ser uma atitude restritiva, que pode gerar descontentamento entre os colaboradores que se sentem privados de algo que já está incorporado ao seu dia a dia (VILVERT, 2016).

De acordo com Amadeo (2016), a criação de um ambiente de trabalho livre de interferências não é novidade, mas uma meta geral de empreendedores dos últimos cem anos. Desde então trabalhar passou a significar se isolar do contato com amigos e parentes, pois distante disso tudo, o indivíduo se tornaria, em teoria, mais produtivo. Atualmente, observa-se uma nova versão que estabelece uma ‘posição’ entre a produtividade profissional e o cultivo

dos contatos pessoais, especialmente em função do surgimento e o crescente interesse pelas redes sociais. O ser humano é um ser social e precisa se comunicar e fazer parte de grupos para ter uma vida saudável. Isso não quer dizer que todo o acesso deva ser liberado, indiscriminadamente, em qualquer empresa ou situação profissional. Porém, a discussão em torno do tema deve ser ampliada. Em vez das pesquisas direcionarem apenas para a diminuição da produtividade, a curto e médio prazo, melhor seria se também abrangesse meios de reintegrar essa parcela da vida social ao trabalho, para torná-lo mais humano e, consequentemente, mais motivador. As redes sociais presentes na internet são apenas uma expansão das redes humanas que existem desde que estes seres começaram a viver em grupos.

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