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6 AVALIAÇÃO DO MODELO

6.1 Utilidade do Modelo

6.1.1 Entrevista com Avaliador 1

O modelo apresenta-se abrangente, correto e útil. Segundo relatos, o fluxograma é prescritivo e que a melhor forma da avaliação seria a aplicação em campo, quando o pesquisador agirá atuando como consultor, conduzindo a empresa a usá-lo a fim de observar as dificuldades e vantagens da sua aplicação.

O entrevistado ressaltou abordagens importantes introduzidas no modelo quanto ao constructo utilidade, como:

a) ênfase no planejamento de fases, sem vir direto do planejamento de longo prazo. Isto faz com que o longo prazo fique realmente estratégico, imutável, sofrendo pouca retroalimentação do médio prazo;

b) ênfase em segurança do trabalho e cuidados ambientais;

c) introdução do BIM, se ele já estiver sendo praticado pela empresa;

d) introdução da perspectiva do gerenciamento das antecipações, na visão das teses de Machado (2003) e Santos (2004).

Uma abordagem pontuada como útil e importante do modelo foi o Quadro 17 que registra as lições aprendidas acerca das restrições por serviços, realçando que este é um conhecimento importante que deve ser sistematizado pelas empresas. O entrevistado acrescenta que outro valor útil da dissertação corresponde ao conjunto do texto, voltando a discutir o PMP com toda a literatura atualizada.

O entrevistado pontua como adequado os constructos relacionados à utilidade, enfatizando que o modelo força uma nova maneira de pensar e apresenta uma nova linguagem, entretanto os profissionais envolvidos precisarão ser treinados e necessitarão readaptar sua metodologia de planejamento.

Como sugestão ao subconstructo de o PMP interagir com gestão de custos, o entrevistado mencionou melhor representar a interferência do fluxo de caixa no PMP, pois o planejamento de fase e médio prazo representam a linguagem do dinheiro e o curto prazo a operação, qualidade e produtividade. Portanto, no modelo final foi incluído a análise do fluxo de caixa no processo de atualização do cronograma de longo prazo da obra.

6.1.2 Entrevista com Avaliador 2

O entrevistado realçou que o processo de PMP do modelo está claro e é similar ao processo executado pela empresa nas consultorias.

Entretanto, afirmou que não compreendeu bem a etapa descrita no fluxo denominada de planejamento de fases e antecipações, pois apenas aplica em seus projetos os planejamentos de longo, médio e curto prazo e utiliza em média o horizonte de PMP de três meses.

Não ficou claro para o entrevistado que a gestão das antecipações do planejamento de fase corresponde à análise das novas etapas da obra. O entrevistado interpretou que representava antecipar o cronograma da obra e sugere renomeação dos processos relacionados no fluxo, pois afirma que seria comum os profissionais da obra correlacionariam antecipação com adiantamento do cronograma. Portanto, esse processo do fluxo foi renomeado apenas para planejamento de fases Figura 11.

Em relação ao constructo proteger a produção, o entrevistado afirmou que o modelo atende bem ao requisito, principalmente através da realização das reuniões de PMP estruturadas e por prever um roteiro e metodologia para que esta seja realizada. Isso permite que os envolvidos realmente analisem as atividades que serão executadas e representa a principal ação que induz o engenheiro a analisar o cronograma e planejar a obra e evitar improvisações das atividades do curto prazo.

O entrevistado mencionou que aplica em suas consultorias o sistema de reuniões estruturadas e realça que embora ocorra falta de disciplina em algumas obras, quando o engenheiro segue e se compromete, os resultados são positivos.

Em relação ao constructo de integração com os demais níveis de planejamento, mencionou que está adequado e similar ao processo que trabalha atualmente, exceto pela aplicação e integração com o planejamento de fases. Entretanto, afirmou que julga essa etapa pertinente e apresentou interesse em aplicar futuramente em suas consultorias.

O item controle e aprendizado, como apresentado no fluxo, o entrevistado julga pertinente, mas seria desafiador executar nas obras. A empresa do entrevistado apura os indicadores IRR (de médio prazo) e PPC (de curto prazo). Não apura a profunda investigação se o curto prazo apresentou atividades não executadas devido a não identificação de restrições, que o modelo mede pelo indicador % Falha PMP (falha por incapacidade do PMP).

O entrevistado afirma que isso acontece, mas não aplica em suas consultorias e que raramente observa ser registrado pelas obras, que geralmente possuem intensa rotina de trabalho e essas falhas se repetem nos futuros empreendimentos. Realça que engenheiros organizados podem até registrar, mas as informações raramente são repassadas de forma estruturada e formalizada na empresa. Para isso, seria necessária uma nova ferramenta de informática para registro e integração desses dados.

O entrevistado apura no curto prazo causas por falha de planejamento, mas não analisa a fundo se foi devido falha no PMP e salientou que esse é um item importante para implementar e aprimorar em sua sistemática de planejamento atual.

Em relação a viabilizar a gestão dos fluxos físicos, o modelo inclui o planejamento de fase e como pauta durante as reuniões de PMP. O entrevistado realça que a visualização dos fluxos físicos é um ponto que vai exigir um pouco mais da gestão da obra, pois a configuração do canteiro é uma especificidade de cada projeto. Cada obra possui um fluxo diferente, equipamentos diferentes e circunstâncias diferentes. Por isso, julga ser a restrição mais difícil de gerenciar.

O subconstructo interação com a gestão de custos foi mencionado que atende adequadamente, pois prevê a validação do dimensionamento dos pacotes de trabalho realizadas pelo engenheiro e pelo coordenador ou setor de planejamento da obra, que reduz erros de dimensionamento de mão de obra e aquisições de materiais.

Outro ponto salientando pelo entrevistado foi o planejamento das premissas de prazos para aquisição de materiais e serviços (Apêndice J). O entrevistado realça que a eficaz análise das restrições resulta em relatos positivos de seus clientes. Os mesmos

afirmam que a eficaz análise de restrições resulta em redução de compras acima do valor de orçamento pelo setor de suprimentos, pois proporciona tempo hábil para vantajosas negociações.

O subconstructo planejamento e controle da segurança atende adequadamente por incluir dentro dos procedimentos do sistema de gestão da qualidade da empresa os requisitos de segurança do trabalho.

6.1.3 Entrevista com Avaliador 3

O entrevistado ressaltou como principal ponto para proteger a produção a ampla abordagem de categorias de restrições, que envolve até o meio ambiente e saúde, e a preparação das informações e pessoas para as reuniões. Como ponto de melhoria, o entrevistado ressaltou enfatizar treinamento não apenas vinculado à segurança do trabalho, mas também treinamento de execução de trabalhos, entre outros. Em sua visão, treinamento poderia estar relacionado a categoria de informação ou ser uma nova categoria. Essa sugestão foi incorporada ao modelo final (Figura 11).

Outra sugestão do avaliador 3 foi renomear a análise “adiantamento ou atraso?” após processo “sobrepor real executado na LBMS” por “prazo diferente do planejado?”, para ficar mais claro ao leitor.

Também apontou como adequado os subcontructos de integração com os demais níveis de planejamento e de proporcionar o controle e aprendizado. Informou que as informações de controle e aprendizado e de integração são similares as que aplica em seus projetos. Também enfatizou que apura causas de baixo PCC no curto prazo em categoria denominada “falha de planejamento”, entretanto, não ocorre a investigação se foram falhas associadas ao processo de PMP, apontando como ponto relevante do modelo.

Em relação ao subcontrato viabilizar a análise dos fluxos, enfatiza a análise das zonas de estoques intermediários de materiais, além de analisar a disponibilidade de espaço, deve-se prever sua distribuição e fluxo de deslocamento.

Realçou adequada a abordagem do planejamento e controle da segurança e em relação à interação com a gestão de custo, realçou ponto forte do modelo, a aprovação do dimensionamento dos pacotes de trabalhos pela alta gestão e sugere que esses pacotes também sejam analisados através de prototipagens, através da execução de

uma apartamento antes de iniciar a fase para verificar a assertividade no dimensionamento.