PARTE II Relatório crítico
II. DESENVOLVIMENTO
2.6 Valor processual e probatório da denúncia anónima
O primeiro ato formal do inquérito é o despacho do Ministério Público a determinar a sua abertura, e sem ele o processo é juridicamente inexistente, ainda que a nossa jurisprudência tenha vindo a admitir a sua delegação nos órgãos de polícia criminal mediante validação posterior por despacho do MP.
A denúncia anónima será assim um ato exterior ao procedimento, pré- procedimental.
Não obstante, GERMANO MARQUES DA SILVA refere que “são ainda processuais os actos que, não se integrando na sequência processual, produzem efeitos processuais, embora sejam, em si mesmos, exteriores ao processo”61, incluindo nesse âmbito a “notícia do crime”, alvo das disposições dos artigos 241.º e seguintes do CPP e que impõe ao MP a abertura do procedimento tendente a investigar a eventual prática do crime noticiado62.
Não decidiu assim o Tribunal da Relação de Coimbra, no seu acórdão de 25.10.200663, concluindo: “II- Uma denúncia anónima carece de valor de acto processual”, sustentando (controversamente):
“Como claramente se apreende do referido texto, as investigações policiais
de que se deu nota foram despoletadas, fundamentalmente, por uma denúncia anónima, acto em si, por tal sorte – desconhecimento da identidade do respectivo
61 SILVA, GERMANO MARQUES DA, “Curso de Processo Penal”, Volume II, 5.º Edição, Editorial Verbo, 2011, p. 33.
62 SILVA, GERMANO MARQUES DA, “Direito Processual Penal Português – Do Procedimento (Marcha do Processo), Vol. 3”, Universidade Católica Editora, 2014, p. 50.
63 Processo n.º 1425/06.3YRCBR, Relator: Abílio Ramalho, consultado a 20.09.2016, disponível em:
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emitente –, sem qualquer valor jurídico-processual, e, por isso, juridicamente inexistente – ou, pelo menos, nulo – como meio válido de transmissão do conhecimento de crime público, (cfr. arts. 241.º, parte final, 244.º e 246.º, do CPP, e, ainda, 220.º, 294.º e 295.º, do Código Civil).
Por conseguinte, não possuindo valor de acto processual, é apodíctico que o respectivo teor não justificará qualquer especial protecção, particularmente a inerente ao segredo de justiça, cujos conteúdo e limites se encontram definidos no citado normativo 86.º, n.º 4, máxime al. b), do C.P.P.”.
Controversa é também a aptidão da denúncia anónima para fundamentar, de per si, o recurso a meios de obtenção de prova mais intrusivos, maxime a interceção e a gravação de conversas ou comunicações telefónicas nos termos no artigo 187.º, n.º 1, do CPP.
No sentido da suficiência da denúncia anónima, pronunciou-se, em 2004, ANDRÉ LAMAS LEITE64, “(…) por força do imperativo constitucional contido no art. 34.º, n.º 4, da Constituição, o recurso às escutas telefónicas só será admissível quando esteja pendente um processo criminal (…) O mais desejável será que somente após a abertura do inquérito se possa recorrer às escutas telefónicas. No entanto, caso tal não aconteça, «mas sempre desde que já tenha havido queixa ou participação criminal», poder-se-á lançar mão deste meio de obtenção de prova (…)”. Detalha ainda em nota de rodapé: “Nada impede, por outro lado e ao que cremos, que o processo criminal em que se autoriza o recurso às escutas tenha por base denúncias anónimas, desde que, como é óbvio, elas contenham «factos determinados» que conduzam à formação da convicção judicativa exigida pelo art. 187.º n.º 1”.
Invoca o acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 09.05.200165, com argumentos idênticos, mas que concluiu, no caso concreto, pela falta de fundamentação para o deferimento das escutas telefónicas.
Em idêntico sentido ponderou o Tribunal da Relação de Lisboa, no seu acórdão de 10.05.201166, ainda que no caso concreto tenha também concluído: “III - Não constando dos
64 LEITE, ANDRÉ LAMAS, “As escutas telefónicas – Algumas reflexões em redor do seu regime e das consequências processuais derivadas da
respectiva violação”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Ano I, Coimbra Editora, 2004, pg. 21.
65 Processo n.º 0140346, Relator Dias Cabral, disponível (apenas o sumário) em:
http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/9b33b96b658df51780256ad200377b15?OpenDocument
Sumário: “O conhecimento, através de uma simples fonte, que quer manter o anonimato, da existência de uma rede de tráfico de droga,
sem qualquer outra diligência, não constitui fundamento suficiente para deferir pedido de escutas telefónicas e apreensão de factura detalhada, na medida em que não permite concluir pela existência de «razões para crer que a diligência se revelará de grande interesse para a descoberta da verdade ou para a prova» (artigo 187, n.º 1 do Código de Processo Penal)”.Consultado a 20.09.2016.
66 Processo n.º 65/11.0JAFUN-A.L1-5, Relatora: Margarida Blasco, consultado a 20.09.2016, disponível em:
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autos mais que uma denúncia anónima contra determinada pessoa, o facto desta ter antecedentes criminais da mesma natureza do ilícito denunciado, não é suficiente para a mesma ser considerada suspeita por novo crime, razão por que não ocorrem os requisitos mínimos legalmente exigíveis para ser autorizada uma escuta telefónica”.
Não obstante, na sua fundamentação, e citando o referido acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 09.05.2001 e doutrinariamente ANDRÉ LAMAS LEITE, vincou a título de princípio: “No entanto, queremos ainda esclarecer que nada impede que o processo criminal em que se autoriza o recurso às escutas tenha por base denúncias anónimas – que, como denúncia anónima, não está sujeita a formalidades especiais, conforme dispõe o art. 246º, n.º 1 –, desde que, como é óbvio, elas contenham factos determinados que conduzam à formação da convicção judicativa exigida pelo art. 187º, n.º 1”.
No sentido da suficiência da denúncia anónima, chegou mesmo a decidir o Tribunal da Relação de Évora, por acórdão de 12.04.201167, aduzindo: “A este propósito é, ao que sabemos, entendimento pacífico que deve existir um acrescido rigor na apreciação dos indícios susceptíveis de fundamentar o recurso legal ao meio de obtenção de prova em causa (escutas telefónicas) exclusivamente decorrente do carácter anónimo da denúncia. Com efeito, tal acrescido rigor deriva naturalmente da possibilidade de um desconhecido imputar dolosa e falsamente indícios da prática de um crime de catálogo, tendo em vista exclusivamente a devassa da vida privada do visado, sem que, recorrendo a escutas telefónicas, seja possível mais tarde, verificada aquela falsidade, responsabilizá-lo por tal conduta criminosa. (…) De qualquer forma, mesmo que se entenda que a denúncia é absolutamente anónima, entendemos que o seu conteúdo concreto permitia o legal recurso a este meio de obtenção de prova”.
Na doutrina, PAULO PINTO DE ALBUQUERQUE entende que “Em regra, a escuta telefónica não deve ser determinada como primeiro meio de obtenção de prova logo na
67 Processo n.º 98/08.3PESTB.E1, Relator: Edgar Valente, consultado a 20.09.2016, disponível em:
http://www.dgsi.pt/jtre.nsf/134973db04f39bf2802579bf005f080b/0d8834423aa44ac080257de10056f4e4?OpenDocument
Este acórdão teve o voto de vencido de ANA BACELAR CRUZ, sustentando: “Note-se, desde logo, que do teor desse relatório não resulta que
quem o elaborou tivesse conhecimento da identidade do denunciante (…) E por ser assim, o conhecimento, através de uma simples fonte, que quer manter o anonimato, da existência de uma rede de tráfico de droga não constitui fundamento para deferir pedido de escutas telefónicas”.
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abertura do inquérito, nem com base em mera denúncia anónima, mesmo que desta se possam retirar «indícios da prática do crime» (…) Igual prudência se impõe diante de denúncia anónima, atento o carácter intrinsecamente insuficiente e lacunoso desta denúncia. A determinação da escuta telefónica no início do inquérito ou com base em denúncia anónima só é admissível em circunstâncias excepcionais, isto é, quando ela constitua o único meio de obtenção da prova de um crime que já se incidia nos autos”68.
Pronunciando-se frontalmente contra a possibilidade da denúncia anónima poder sustentar, de per si, o recurso à interceção de comunicações, comentou CARLOS ADÉRITO TEIXEIRA, após a revisão do Código de Processo Penal de 2007: “Leio a actual formulação do n.° 1 do art. 187 do CPP como representando: i) uma mais exigente ponderação, no plano concreto, sobre a necessidade, a proporcionalidade, a adequação ou a idoneidade do meio (escuta); ii) a exigência de uma suspeita fundada — não uma mera suspeita — da prática de certo crime do catálogo; julgo que fundada suspeita pressupõe que já haja um certo nível de indícios; logo, não basta a mera ‘notícia do crime’ e muito menos a denúncia anónima, mesmo que muito verosímeis e suficientemente concretizadas”69.
E, na jurisprudência, pronunciou-se igualmente contra a suficiência da denúncia anónima o Tribunal da Relação de Lisboa, por acórdãos de 28.10.200470: "Mas, como assinala o Senhor Juiz no despacho recorrido, a denúncia, ocultada a identidade de quem a fez, só pode, do ponto de vista do processo, qualificar-se de anónima, sendo como tal desprovida de valor e insusceptível de servir de sustentáculo ao uso de um meio de obtenção de prova tão delicado como são as escutas telefónicas. E não é a circunstância de a Polícia Judiciária considerar a sua fonte «fidedigna» que modifica as coisas”, e ainda de 24.11.200471, onde concluiu: “III - Esta séria e concreta hipótese criminosa não pode assentar em fontes anónimas ou meros informadores policiais”.
68 ALBUQUERQUE, PAULO PINTO DE, Op. Cit. p. 524.
69 TEIXEIRA, CARLOS ADÉRITO “Escutas Telefónicas: A Mudança de Paradigma e os Velhos e os Novos Problemas”, in Revista do Centro de Estudos Judiciários, Número 9, 2008, pp. 244-245
70 Processo n.º 7968/2004-9, Relator: Goes Pinheiro, consultado a 20.09.2016, disponível em:
http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/e983933f23fc14a580257110004e0fe4?OpenDocument
71 Processo n.º 7166/2004-3, Relator: Carlos Almeida, consultado a 20.09.2016, disponível em:
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Mesmo quanto à autorização de buscas domiciliárias fundadas em simples denúncia anónima – e sendo os pressupostos dos artigos 174.º e 177.º do CPP menos exigentes do que os do 187.º do CPP relativo às escutas telefónicas – também se encontra jurisprudência que conclui pela insuficiência da denúncia anónima, como o acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 12.02.201472: “Uma carta anónima, desacompanhada de qualquer outro indício, e sem que o próprio texto daquela aponte algum facto concreto susceptível de investigação, não é suficiente para autorizar a realização de uma busca domiciliária, sob pena de se abrir a porta à devassa da vida privada”.
Já quanto ao seu valor probatório, o artigo 164.º, n.º 2, do CPP prevê uma verdadeira proibição de prova no que diz respeito à declaração escrita anónima:
“2 - A junção da prova documental é feita oficiosamente ou a requerimento,
não podendo juntar-se documento que contiver declaração anónima, salvo se for, ele mesmo, objecto ou elemento do crime”.
JOÃO MANUEL SILVA MIGUEL73 estabelece uma distinção - no que respeita à junção - entre o momento da denúncia (na qual se narra o facto criminoso), e a prova documental produzida em sede de inquérito (como meio de comprovação dos factos noticiados), aplicando-se a proibição apenas ao segundo caso. Argumenta que “sendo junta ao processo carta anónima que o não devia ter sido estar-se-á em presença de simples irregularidade, que se sanará se não suscitada em tempo, nos termos previstos na lei”. Além disso, sustenta que quando a denúncia anónima vise os mesmos factos ou factos conexos com inquérito já aberto, “emergindo delas factos ou elementos circunstanciais que se admita possam vir a ter interesse para a investigação do crime, nada obsta à sua junção ao processo. Verificando-se, afinal, que a junção do escrito se revelou irrelevante para a investigação e que ele constitui ofensa à reserva da vida privada, a lei consente o seu desentranhamento, e mesmo a destruição, o que deverá ficar documentado no processo”.
72 Processo n.º 89/13.2GACHV-A.P1, Relator: Augusto Loureço, consultado a 20.09.2016, disponível em:
http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf/96a397a5072c9a8180257c8a0037c5d1?OpenDocument&Highlight=0,8 9%2F13.2GACHV-A
73 MIGUEL, JOÃO MANUEL SILVA, “Cartas anónimas: uma perspectiva jurídica”, in artigo no jornal “Público” de 27 de Janeiro de 2004,
consultado em 20.09.2016, disponível em: https://www.publico.pt/espaco-publico/jornal/cartas-anonimas-uma-perspectiva-juridica-
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Independentemente da junção, a lei fixa uma verdadeira proibição de prova relativamente ao documento escrito anónimo, nos termos do artigo 164.º, n.º 2 do CPP, salvo quando constitua ele mesmo objeto ou elemento do crime.
O documento escrito anónimo - e como tal deve entender-se não só o que não está assinado, mas igualmente o que é ilegível, apócrifo ou o seu autor não for por qualquer modo identificável - só pode constituir meio de prova válido, nos termos do artigo 164.º n.º 2 do CPP, se for “objecto que tiver servido ou estivesse destinado a servir a prática do crime ou que constitua o seu produto, lucro, preço ou recompensa, nos termos conjugados do artigo 178.º e 164.º, n.º 2”74.
Trata-se, assim, de uma prova proibida, cuja nulidade não admite sanação, por se tratar de meio intrinsecamente enganoso, nos termos artigo 126.º, n.º 2, alínea a) do CPP, que dispõe:
“2 - São ofensivas da integridade física ou moral das pessoas as provas
obtidas, mesmo que com consentimento delas, mediante:
a) Perturbação da liberdade de vontade ou de decisão através de maus tratos, ofensas corporais, administração de meios de qualquer natureza, hipnose ou utilização de meios cruéis ou enganosos”.
Contende, por isso, com a constituição processual criminal, como é conhecido o artigo 32.º da Constituição da República Portuguesa, que prevê as garantias do processo criminal, estipulando, no seu n.º 1, que “O processo criminal assegurará todas as garantias de defesa”, no seu n.º 5, que estarão “a audiência de julgamento e atos instrutórios que a lei determinar subordinados ao princípio do contraditório”, e no seu n.º 6, que “São nulas todas as provas obtidas mediante tortura, coacção, ofensa da integridade física ou moral da pessoa, abusiva intromissão na vida privada, no domicílio, na correspondência ou nas telecomunicações”.
Tal entendimento, quanto ao valor probatório de documento anónimo, parece consolidado: “a junção de documento que envolva ou encerre «declaração anónima» não pode valer de modo algum como meio de prova, salvo quando o próprio documento anónimo
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se prefigure como objecto ou elemento do crime «sub judice», caso em que essa junção pode e deve ser feita”75.
O mesmo há de aplicar-se à denúncia anónima verbalmente transmitida e reduzida a escrito nos termos do artigo 246.º, n.º 2, do CPP.
Importa reter, neste sentido, que “A prova documental é inadmissível se o respetivo conteúdo violar proibições legais respeitantes aos restantes meios de prova. Este princípio geral está refletido no artigo 129.º n.º 2. Por exemplo, não é admissível a junção de um documento que contenha vozes ou rumores públicos”76.
A jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, embora não se tenha pronunciado especificamente sobre a admissibilidade da denúncia anónima enquanto embrião do processo-crime, emitiu diversos acórdãos sobre a apreciação de prova baseada em elementos total ou parcialmente desconhecidos do arguido.
Assim, por regra, toda a atividade probatória deve ser produzida na presença do acusado, em audiência pública, e sujeita ao princípio do contraditório77.
Contudo, admite-se o recurso excecional a informadores anónimos na fase da investigação78, e de testemunhos anónimos em sede de audiência79, mas que nunca poderão
75 MAGISTRADOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO JUDICIAL DO PORTO, “Código de Processo Penal – Comentário e Notas Práticas”, Coimbra Editora, 2009, p. 426.
76 ALBUQUERQUE, PAULO PINTO DE, Op. Cit, anotações ao art. 164.º, p. 459.
77 WINDISCH v. AUSTRIA (Application n.º 12489/86) de 27.09.1990: “All the evidence must in principle be produced in the presence of the
accused at a public hearing with a view to adversarial argument. However, the use as evidence of statements obtained at the pre-trial stage is not always in itself inconsistent with paragraphs 3(d) and 1 of Article 6 (art. 6-3-d, art. 6-1), provided the rights of the defence have been respected”, consultado em 20.09.2016, disponível em: http://hudoc.echr.coe.int .
78 DOORSON v. THE NETHERLANDS (Application n.º 20524/92) de 26.03.1996: “69. As the Court has held on previous occasions, the
Convention does not preclude reliance, at the investigation stage, on sources such as anonymous informants. The subsequent use of their statements by the trial court to found a conviction is however capable of raising issues under the Convention”, consultado em 20.09.2016,
disponível em: http://hudoc.echr.coe.int .
79 VAN MECHELEN AND OTHERS v. THE NETHERLANDS (Applications n.º 21363/93, n.º 21364/93, n.º 21427/93 e n.º 22056/93) de 23.041997: “54. However, if the anonymity of prosecution witnesses is maintained, the defence will be faced with difficulties which criminal
proceedings should not normally involve. Accordingly, the Court has recognised that in such cases Article 6 para. 1 taken together with Article 6 para. 3 (d) of the Convention (art. 6-1+6-3-d) requires that the handicaps under which the defence labours be sufficiently counterbalanced by the procedures followed by the judicial authorities (ibid., p. 471, para. 72)” , consultado em 20.09.2016, disponível em:
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ser a prova principal ou decisiva da condenação80 ou um obstáculo inultrapassável para a defesa81.