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2.2 Um sistema de valorac¸˜ao de trac¸os

2.2.6 Valorac¸˜ao de trac¸o via c-comando m´utuo

Uma conseq¨uˆencia da proposta que Agree depende de c-comando ´e que c-comando m ´utuo ´e suficiente para que essa operac¸˜ao seja efetuada. Assim, a configurac¸˜ao abaixo ´e uma em que Agree entre alvo e sonda pode ocorrer.

(15) a. PhP Ph0 (...) X [±F: ] Y [±F:α] b. PhP Ph0 (...) X [±F: α ] Y [±F:α]

Em(15), X, o objeto sint´atico que porta a sonda[±F: ], e Y, o objeto sint´atico que porta o alvo[±F:α], est˜ao numa relac¸˜ao de c-comando m´utuo. Valorac¸˜ao de trac¸o em(15) ´e muito semelhante ao que ocorre em(6). A ´unica diferenc¸a ´e que, em(6), a relac¸˜ao de c-comando ´e assim´etrica, enquanto a em(15) ´e sim´etrica.

Al´em disso, assumindo Bare Phrase Structure (Chomsky,1995a), na configurac¸˜ao resultante em(11)acima, poder´ıamos dizer que existe c-comando m´utuo entre X e Y, uma vez que o r´otulo de um sintagma ´e assumido como sendo simplesmente um dos n´ucleos envolvidos no merge necess´ario para que um novo objeto sint´atico seja formado. Assim, o n´o indicado como ‘Y′’ cont´em os mesmos trac¸os que o n´ucleo Y, a partir do qual Y′ ´e “projetado”, cont´em. Como conseq¨uˆencia, Y′, irm˜ao do X movido, ´e tamb´em especificado para um trac¸o que conta como uma alvo para a sonda em X (i.e.,[±F:α]). Dessa perspectiva, poder´ıamos dizer que o Agree que resulta do movimento para estender o dom´ınio de sondagem tamb´em ocorre sob c-comando m´utuo.

Assumo ainda a definic¸˜ao deGrimshaw(2000) de projec¸˜ao estendida:13,14 (16) Extended projec¸˜ao (Grimshaw,2000, 117, (3))

X is a head of YP, and YP is a projection of X iff:

12E necess´ario garantir que´ (14)n˜ao incorra em problemas de look-ahead. Tentativamente, isso pode ser feito pela assunc¸˜ao plaus´ıvel que objetos sint´aticos sempre portam algum trac¸o que n˜ao ´e leg´ıvel nas interfaces, de modo a desencadear a necessidade de participar de uma relac¸˜ao de Agree. Assim, estender a estrutura vai sempre implicar pelo menos uma operac¸˜ao de Agree. Essa operac¸˜ao ´e uma adic¸˜ao `as operac¸˜oes j´a desencadeadas por objetos sint´aticos previamente introduzidos na derivac¸˜ao, as quais, de acordo com(14), precisam ser efetuadas primeiro. Al´em disso,(14) vai contra a id´eia de que merge externo ´e mais econˆomico do que o interno (i.e., movimento). Ver, por´em,Chomsky(2013), onde ´e afirmado que ambos s˜ao igualmente econˆomicos.

13Gostaria de agradecer o Jairo Nunes (c.p.) pela sugest˜ao.

14“X ´e um n´ucleo de YP e YP ´e uma projec¸˜ao de X sse: (a) YP domina X; (b) YP e X compartilham todos os trac¸os categoriais; (c) todos os n´os que intervˆem entre X e Y compartilham todos os trac¸os categoriais (em que um n´o N interv´em entre X e YP se YP domina X e N, N domina X, e N n˜ao domina YP); (d) nenhum n´o interveniente entre X e YP ´e lexical.” (traduc¸˜ao minha, SF)

2.2. Um sistema de valorac¸˜ao de trac¸os

a. YP dominates X

b. YP and X share all categorial features

c. All nodes intervening between X and Y share all categorial features (where a node N intervenes entre X and YP if YP dominates X and N, N dominates X, and N does not dominate YP),

d. No node intervening between X and YP is lexical.

De acordo com(16), YP em(17)abaixo, ´e uma projec¸˜ao estendida de X0: (i) YP domina X0; (ii) YP e X0 compartilham todos os trac¸os categoriais, a saber, [C]; (iii) o ´unico n´o NP que interv´em entre YP e X0tamb´em tem esse trac¸o categorial[C]; (iv) n˜ao tem nenhum n´o lexical interveniente entre YP e X0(assumindo que NP n˜ao seja lexical).

(17) YP Y0 [C] NP N0 [C] XP X0 [C] (...)

Como argumentado por Grimshaw (2000), ´e poss´ıvel considerar que projec¸˜oes estendidas s˜ao independentemente necess´arias na sintaxe, j´a que, do contr´ario, certas relac¸˜oes e operac¸˜oes sint´aticas n˜ao poderiam ser locais, como desejado. Por exemplo, ´e geralmente assumido que nomes s˜ao representados sintaticamente n˜ao apenas como NPs, mas como DPs, independente- mente de haver ou n˜ao um determinante manifesto.15 E tamb´em assumido de modo geral que´ selec¸˜ao ocorre localmente. No entanto, como essa relac¸˜ao local poderia se dar se n˜ao houver projec¸˜oes estendidas, ou seja, se DP n˜ao fosse uma projec¸˜ao estendida do nome? A relac¸˜ao entre um verbo subcategorizante e o nome subcategorizado n˜ao poderia ser local, j´a que haveria DP entre eles. Por´em, assumindo (16), DP ´e realmente uma projec¸˜ao estendida do nome e a selec¸˜ao pode ser local, como desejado.

Com base na definic¸˜ao de projec¸˜ao estendida em(16), proponho que, para que valorac¸˜ao de trac¸o ocorra, basta que a projec¸˜ao estendida de um objeto sint´atico portando uma sonda (i.e., um trac¸o[±F: ]) c-comande mutuamente um objeto sint´atico portando um alvo correspondente (i.e., um trac¸o[±F:val]).

(18) Valorac¸˜ao de trac¸o baseada em projec¸˜ao estendida

Se o objeto sint´atico W portando um alvo[±F:val] n˜ao ´e c-comandado (m´utua ou assimetricamente) pelo objeto sint´atico X que porta a sonda[±F: ], mas W est´a numa relac¸˜ao de c-comando m´utuo com Y, sendo que Y ´e uma projec¸˜ao estendida de X, valorac¸˜ao da sonda pode ser efetuada.

2.2. Um sistema de valorac¸˜ao de trac¸os Esquematicamente: (19) PhP Ph0 WP W0 [±F:val] YP Y0 [C] NP N0 [C] XP X0 [C] [±F: val ] ⊘F (...)

Em(19), X porta uma sonda e, em seu dom´ınio de c-comando, n˜ao h´a nenhum trac¸o correspon- dente, mas valorado para atuar como alvo, como indicado por ‘⊘F’. W, no entanto, realmente tem um tal trac¸o e ele est´a numa relac¸˜ao de c-comando m´utuo com YP. YP, por seu turno, pela definic¸˜ao em(16), ´e uma projec¸˜ao estendida de X: YP domina X, eles compartilham o mesmo conjunto de trac¸os categoriais[C] e o n´o interveniente entre eles tamb´em ´e especificado com [C] e n˜ao ´e lexical. Por(18), se uma projec¸˜ao estendida do objeto sint´atico portando uma sonda c-comanda mutuamente um alvo, isso ´e o bastante para que a sonda seja valorada. Assim, em

(19), a sonda[±F: ] em X pode ser valorada pelo alvo [±F:val] em W porque uma projec¸˜ao estendida de X, a saber, YP, est´a numa relac¸˜ao de c-comando m´utuo com W.