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4. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA CONSTRUÇÃO CIVIL

4.2. Construção Verde (Greenbuilding)

4.2.7. Vantagens

Segundo o Greenbuilding Council Brasil, as vantagens que o Greenbuilding oferece: a. No social: ambiente de trabalho mais saudável estimulando concentração, produtividade e criatividade dos funcionários; redução de problemas respiratórios devido à melhoria de qualidade do ar, mudanças de temperatura controladas, iluminação natural, conexão visual com área verdes, mais saúde dos ocupantes.

b. No econômico: economia de água e energia, custo de manutenção e operação reduzido, maior vida útil do imóvel e valorizado no mercado, potencial redução de tributos.

c. No ambiente: proteção de ecossistemas, uso consciente de recursos, menos poluição gerada durante a construção e operação do prédio, menos uso de água potável e energia, menos emissão de CO2.

Construir de forma verde pode ficar mais caro que os métodos tradicionais. Segundo Paola Figueiredo, Diretora da Sustentax Engenharia de Sustentabilidade, gastos com materiais mais caros são supridos com sistemas de iluminação natural e reaproveitamento de água, que tem custos de manutenção de 30% a 50% a menos. (VIALLI; ARAGÃO, 2007)

Segundo o Greenbuilding Council, nos EUA, enquanto a indústria da construção sofre uma queda, o mercado de greenbuilding com certificação LEED cresce de maneira extraordinária. A expansão mundial do movimento greenbuilding mostra que o crescimento da construção sustentável está cada vez maior.

4.3 Reciclagem

O processo de reciclagem é um exemplo eficaz e real de desenvolvimento sustentável. A reciclagem de materiais orgânicos, plásticos, vidros e papéis são promissores

para instituições e órgãos, pois além de gerar empregos diretos e indiretos; colabora com o meio ambiente, diminuindo o volume de lixo nos aterros e aumentando a sobrevida; e proporciona uma economia pela comercialização. No Brasil a economia chega a cerca de U$ 6 bilhões ao ano (ARNHOLD, 200730

O objetivo sócio-ambiental da recilcagem de entulho é aumentar a eficiência dos investimentos públicos com o entulho, mitigar o impacto ambiental do mesmo, organizando a coleta e a disposição final, reciclar o RCC agregando valor aos novos produtos gerados, dar oportunidade para a sociedade.

).

No Rio de Janeiro, catadores de lixo se unem e formam cooperativas embaixo dos viadutos. Eles catam papel, plástico, alumínio (latas), ferro e vidro e depois vendem para consumidores de lixo (fábricas de vidro, latas, plástico) a matéria-prima selecionada. Mas os Catadores só estão autorizados pela Comlurb a catar o lixo separado na calçada, nos dias da coleta regular, seguindo o caminhão, a fim de evitar que seja deixado lixo reciclável nas calçadas. (LIXO, 200731

No Brasil são gerados por dia cerca de 250 mil toneladas de lixo. Só em Brasília, a construção civil gera 5.500 ton/dia de resíduos sólidos de construção e demolição, sendo 85% de resíduos recicláveis, onde 30% são da classe A e 55% da classe B. São quantidades elevadas que requerem manejo ambientalmente adequado, com alternativas para redução, reuso e reciclagem, que pode ser viabilizado com a criação de um sistema de gestão municipal, como coleta seletiva em canteiros de obra, áreas adequadas de disposição e reciclagem de resíduos (ARNHOLD, 2007).

).

O resíduo da construção tem grande potencial de uso, principalmente o resíduo classe A. Mas para sua reciclagem, são necessários mais investimentos em pesquisas na área, programa de coleta e gestão e construção de usinas de reciclagem, incentivo em infraestrutura e desenvolvimento humano e organização multisetorial para geração de trabalho e renda.

A reciclagem significa economia de matéria-prima e energia para setores de produção. A energia gasta em mineração e a transformação da bauxita em lata de alumínio geram uma economia de 95% na reciclagem das latas. A comercialização de produtos reciclados é um ótimo negócio quando o resíduo já vem limpo provindo de coleta seletiva, pois a energia e água gasta para a limpeza e purificação do resíduo. Segundo Elen Pacheco, professora do instituto de macromoléculas Eloísa Mano da Universidade Federal

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http://www.ct.ufrj.br/?secao=aviso&sub=2007_entrevistareciclagem 31

do Rio de Janeiro (IMA/UFRJ): “num país em que a grande maioria da população é pobre, é inconcebível jogar fora matéria-prima e energia; estamos perdendo dinheiro”.

A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB) é a empresa responsável pela coleta de lixo da cidade do Rio de Janeiro, recolhendo o lixo das ruas e enviando para aterros sanitários. Ela também faz a coleta seletiva de materiais simples, como papel, plásticos, metais e vidros, mas a divulgação feita pelo setor responsável para conscientização adequada da população não existe em toda cidade, portanto muitos lugares não são atendidos.

Uma empresa de reciclagem só funciona bem se a matéria-prima vier da coleta seletiva. Infelizmente, de 5.500 cidades, somente 10% tem coleta seletiva, devido a falta de um programa nacional educativo, ensinando as pessoas em casa a separar o papel (recipiente azul), plástico (recipiente vermelho), vidro (recipiente verde), e metal (recipiente amarelo); e encaminhar a galpões de triagem, cooperativas, sucateiros, beneficiadores ou recicladores. (ARNHOLD, 2007)

O que se recicla no Brasil e no mundo (PRO ARTE CULTURAL, 200732

a. Papel: Consumo anual no Brasil é de 38,4 kg/hab, e nos EUA 336,5 kg/hab (1998). 35% do papel produzido no país nos últimos 10 anos são reciclados, e nos EUA 27,6%, e 10,8% no Canadá.

):

b. Plástico: Consumo anual no Brasil gira em torno de 19kg/hab, 100kg/hab nos EUA, 80 kg/hab na Europa. Na reciclagem 15% dos plásticos rígidos e filme retornam à produção brasileira como matéria-prima, o que equivale a 200 mil t/ano e nos EUA é quase cinco vezes maior.

c. Vidros: Consumo anual no Brasil é de 800 mil t/ano de vidros para embalagens, onde 35% é reciclado, somando 280 mil t/ano. Os EUA produziram 11 mil ton/ano (1997) onde 37% é reciclado (4,4 mil ton/ano). Índices de reciclagem de vidro em outros países: Alemanha (74,8%), Reino Unido (27,5%), Suiça (83,9%) e Áustria (75,5%).

d. Latas de alumínio e aço: em 1998 o Brasil atingiu recorde mundial de reciclagem, foram 5,5 bilhões de latas recuperadas, ou 65% de latas de alumínio vendidas (8,5 bilhões de unidades). Na Inglaterra 23%, Itália 41%, nos EUA 66% ou 64 bilhões de latas por ano, Japão 73%. Quanto as latas de aço, 35% das latas consumidas no Brasil são recicladas (250 mil t/ano). Nos EUA, 60% das embalagens de folhas de flandres retornaram à produção de aço em 1987. Se o Brasil reciclasse todas as latas de aço que consome, seria possível a retirada de 900 mil toneladas de minério de ferro por ano.

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O resíduo pode ser considerado também fonte de matéria-prima. O entulho é reciclado desde os romanos, na reconstrução da Europa no pós-guerra. E a reciclagem de RCC é tecnicamente viável e pode cumprir o tripé da sustentabilidade. Pode ser usado em aplicações simples como base e sub-base para pavimentações, lastro para pisos em geral, aterros e preenchimentos de valas, contenções de terra e etc. E pode ser usado como agregado miúdo em artefatos de concreto como blocos, briquetes e pré-moldados. Com isso, há ganhos com redução de gastos com limpeza pública, ganhos na responsabilidade ambiental, além de incentivar o consumo consciente, seja pelos incentivos fiscais, seja pelo desenvolvimento tecnológico. (ARNHOLD, 2007)

Em São Paulo, o entulho gerado por construções, demolições e reformas é depositado ilegalmente em avenidas, ruas e praças, gerando problemas ambientais para a cidade e para a população, que perde área de lazer e recreação. Para combater esse crime, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Serviços (SES), está aumentando a oferta de áreas para deposição regular dos resíduos da construção e demolição de pequenos e grandes geradores, além de facilitar e incentivar a reciclagem desses materiais. Os Ecopontos são estações de entrega voluntária de inservíveis de pequenos volumes de entulho (até 1 m³), grandes objetos (móveis, poda de árvores etc.) e resíduos recicláveis. Há triagem para recebimento dos resíduos, com caçambas diferenciadas pelos tipos de resíduos. Os Ecopontos descarregam nas áreas de transbordos e triagem (ATT), que é uma

concessão pública para a reciclagem de entulho. O material recolhido de origem mineral como concreto, argamassa, alvenaria etc, é encaminhado para o aterro de inertes e transformado em agregado reciclado utilizado na pavimentação de ruas. O rejeito é levado aos aterros sanitários e o resíduo reaproveitável as 15 Centrais de Triagem para comercialização. Os Ecopontos ajudam a comunidade e o meio ambiente. (PREFEITURA SP, 200733

Para a fabricação de blocos de concreto a partir de entulho reciclado, o material passa em um alimentador mecânico vibratório, britador de Mandíbula, máquina de moldar blocos e depois vai para uma área reservada para cura dos blocos. De 1m3 de entulho são produzidos 82 blocos de concreto 14x19x39 cm. Para construir uma casa popular de 38m2, com dois quartos, são necessários em média 1.100 blocos reciclados.

)

No canteiro de obra da Racional Engenharia, para montagem do canteiro de obra e área de vivência são utilizados placas de Partículas Orientadas (OSB), feitas de pinho- marítimo, que são árvores de crescimento rápido e de autorregeneração, o que diminui os prejuízos ecológicos. E para as coberturas são utilizadas telhas de material reciclado (telha de garrafa PET e cola fenólica). Eles ainda fazem coleta seletiva, que é um sistema de

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segregação de resíduos a fim de facilitar a separação dos materiais que podem ser reciclados e reutilizados. As lixeiras possuem 4 cores: azul para papel, vermelho para plástico, verde para vidro, amarelo para metais, cinza para resíduo orgânico dos refeitórios das obras, laranja para materiais contaminados (está sempre tampado).

Segundo Fabiana Segatto, a logística reversa é um processo de planejamento, implementação e controle de fluxo de matéria-prima, estoques, bens finalizados e custos, do ponto de consumo para o ponto de origem ou outro de reaproveitamento, isto é, determinado produto/resíduo pode voltar ao fabricante ou outra terceira empresa para reaproveitamento com outra finalidade, criando cadeias de suprimentos sustentáveis e de novas oportunidades de negócios. Baseado no estudo de logística reversa, o reaproveitamento das chapas de gesso acartonado é viável economicamente, e evita a deposição de 7,2 mil toneladas/ano de resíduos de gesso acartonado em aterros e poupa a extração de 2,75 mil toneladas/ano de minério de gipsita.

Algumas leis relacionadas (INTERLEGIS) se encontram no anexo.

A reciclagem de resíduos provindos da construção civil e demolições ajudam a solucionar o passivo ambiental gerado pelas obras, afinal de contas, representam cerca de 61% do lixo produzido nas cidades brasileiras, ou seja, 90 milhões de toneladas de lixo por ano, depositados nos locais estabelecidos e obedecendo as regras e normas ambientais criadas pelos respectivos estados e municípios (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2007). A reciclagem reduz o impacto ambiental dessa deposição. Em Brasília foi constatado cerca de 85% de resíduos potencialmente recicláveis, sendo 30% de classe A e 55% de classe B (FATOR BRASIL, 200734

O aproveitamento de resíduos é uma das ações que devem ser incluídas nas práticas de produção de edifícios, visando a sustentabilidade, economia de recursos naturais e redução do impacto ambiental. O potencial de reciclagem dos resíduos provindos da construção civil é enorme, e a exigência da incorporação dos mesmos em certos produtos poderá ser benéfico, pois gera economia de matéria-prima e energia.

).

O engenheiro Carlos Henrique Navaes desenvolveu o primeiro reciclador móvel de resíduos sólidos da construção do país, que tem capacidade para processar 200 toneladas de concreto armado por hora, transformando em agregado reciclado tipo brita, que pode ser usada no próprio canteiro de obras como aterro, reforço de subleito e construção de sub- base para pavimentação. Portanto, é ecologicamente correto e traz economia ao construtor. A empresa Craft Engenharia, especializada em construção pesada, demolições,

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terraplenagem e pavimentações, utiliza a máquina como melhor alternativa de solução. (FATOR BRASIL, 2007)

Para uma reciclagem ser sustentável, ela tem que ter uma viabilidade econômica, onde a sociedade deve ser competitiva, deve reduzir as cargas ambientais evitando a contaminação do ambiente por lixiviação, e deve ter benefícios sociais, gerando empregos para a sociedade.

4.4 Certificações

O mercado imobiliário no Brasil apresenta hoje padrões de sustentabilidade que deixam de ser uma tendência e passam a ser uma realidade. Os “Greenbuidings” com padrões de excelência em certificação sustentável aumentam, e empresas incorporadoras e construtoras se adequam a esse cenário, e procuram empresas internacionais que certifiquem e atestem o desempenho de seus empreendimentos. (GREEN BUILDING COUNCIL BRASIL, 2007)

Edifícios Sustentáveis no Brasil para conseguir um selo de construção sustentável buscam um certificado nacional, mas enquanto ainda está sendo criado, o certificado mais conhecido e cobiçado a nível mundial é o LEED, sigla em inglês para liderança em energia e

designer ambiental, concedido pelo Conselho de Greenbuilding dos Estados Unidos

(USBGC). A certificação reúne os princípios de crescimento inteligente, urbanismo e construção sustentável. Outros países adotam selos próprios de certificação para edifícios sustentáveis como o BREEM da Inglaterra, CASBEE do Japão, SBAT da África do Sul e HQE da França.

Para se conseguir o selo, é preciso seguir os critérios estipulados pelo LEED (ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, 2007):

a. Desenvolvimento local sustentável; b. Uso racional de água;

c. Eficiência energética; d. Seleção de materiais;

e. Qualidade ambiental interna.

Segundo Saulo Rozendo, do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), um dos poucos brasileiros credenciados pelo Conselho de Greenbuilding dos Estados Unidos (USBGC), “o selo oferece visibilidade a edifícios que geram baixo impacto ambiental e são saudáveis para se viver e trabalhar. Além disso, a certificação colabora para a viabilidade

econômica desses empreendimentos, e é uma excelente oportunidade de fortalecer a imagem institucional de responsabilidade sócio-ambiental, saindo do discurso para a prática”. O sucesso da certificação depende do envolvimento de toda a cadeia produtiva da construção civil. Segundo ele: “É preciso que todos participem, ajudem a criar regras e possam aprimorar cada etapa do processo”. (ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, 2007)

O Greenbuilding Council (GBC) Brasil desenvolve a adaptação do sistema de certificação LEED.

Vantagens do selo: para os projetos melhorias dos edifícios para que fiquem socioambientalmente harmonizados; para as empresas ganhos de qualidade, redução de custos e aumento de retorno dos investimentos, imagem e reputação; para os clientes, menores custos no condomínio e maior qualidade de vida interna. (GREEN BUILDING COUNCIL BRASIL, 2007)

Os projetos da construção civil que aproveitarem adequadamente os recursos naturais serão distinguidos com um Selo Procel para Edificações. Os projetos serão diferenciados em relação aos requisitos mínimos de eficiência energética e conforto ambiental estabelecidos pelo Inmetro e Procel. A iniciativa é uma das propostas mais avançadas em estudo no Grupo de Trabalho de Edificações, criado no âmbito do Comitê Gestor de indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), instituído pelo Decreto nº 4.059, de 19/12/01. O Selo Procel para Edificações terá reflexos diretos sobre a conta de energia. Os projetos de edificações alcançarão qualificação adicional (A, B, C, D ou E, sendo a letra A mais eficiente), quando submetidos a simulações da energia elétrica utilizada para atender os parâmetros de conforto ambiental, como temperatura, umidade e iluminação. (SANTUCCI, 2007)

A madeira utilizada na construção civil também pode ser certificada. A certificação visa identificar a qualidade do produto ou do processo de produção, e informar ao comprador do produto/serviço sobre essa qualidade, além de reduzir os riscos com imagem e problema de fornecimento. Para ter credibilidade, toda certificação precisa ser independente, tecnicamente consistente, não discriminatória, transparente e voluntária. Uma madeira com o selo FSC foi produzida respeitando as leis ambientais, trabalhistas e tributárias; minimizando os impactos ao meio ambiente, com condições de trabalho adequadas, respeitando os direitos das comunidades, de forma economicamente viável. (FREITAS, 200735

Tipos de certificação FSC: Manejo florestal, que garante a qualidade do manejo da floresta; e cadeia de custódia (COC), que garante a origem da matéria prima florestal. Com

)

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essas certificações a empresa faz a coisa certa, se posiciona no mercado, agrega valor aos empreendimentos, minimiza os riscos, constrói relações de longo prazo com fornecedores, aproveita novas oportunidades de negócio e apoio de ONG´s. (FREITAS, 2007)

Segundo dados da FSC, de 24,5 milhões de m3 (6,2 milhões de árvores) de madeira produzida na Amazônia, somente 7,0 milhões de m3 são legalizados, isto é, 72% é ilegal. Do desmatamento, 26.160 km2 são feitos, oonde somente 6.770 km2 são legais, logo 74% é ilegal. De toda madeira produzida, 36% é exportada e 64% fica no mercado doméstico, sendo que 20% ficam em São Paulo, onde a construção civil é seu principal uso. Esse mercado abrange cerca de 3.100 empresas (82 pólos da região), geram 350.000 empregos, a fiscalização do governo não é confiável e, portanto, tem alto nível de ilegalidade. (FREITAS, 2007)

5 ANÁLISE DA SUSTENTABILIDADE SEGUNDO AS ÁREAS DE CONHECIMENTO DO PMI

De acordo com o Project Management Institute (PMI), todo projeto para ser bem sucedido deve ser mapeado e gerenciado em todas as suas áreas de forma integrada. Segundo o Project Management Body of Knowledge (PMBOK) as áreas de gerenciamento de projetos são: escopo, custo, tempo, qualidade, recursos humanos, comunicação, riscos, aquisições e integração. Toda a área tem sua abrangência própria, porém está integrado com as demais, formando um todo único e organizado.

Um projeto sustentável sob os parâmetros do PMI, portanto, deve analisar, definir e controlar essas áreas de conhecimento, conforme descrito abaixo (VARGAS, 2003):

a) Sob o viés de gerenciamento de escopo, um projeto sustentável deve englobar os processos necessários para assegurar que no projeto esteja incluído todo o trabalho requerido para concluí-lo de maneira bem sucedida.

b) Sob o viés de gerenciamento de custo, um projeto sustentável deve englobar os processos necessários para assegurar que um projeto seja concluído de acordo com o seu orçamento previsto.

c) Sob o viés de gerenciamento de tempo, um projeto sustentável deve englobar os processos necessários para assegurar a conclusão do projeto no prazo previsto.

d) Sob o viés de gerenciamento de qualidade um projeto sustentável deve englobar os processos necessários para assegurar que os produtos/serviços do projeto estarão de conformidade com o solicitado pelo cliente/contratante.

e) Sob o viés de gerenciamento de recursos humanos, um projeto sustentável deve englobar os processos requeridos para fazer o uso mais efetivo do pessoal envolvido no projeto.

f) Sob o viés de gerenciamento de comunicação, um projeto sustentável deve englobar os processos requeridos para assegurar que as informações do projeto sejam obtidas e disseminadas.

g) Sob o viés de gerenciamento de riscos, um projeto sustentável deve englobar os processos envolvidos com a identificação, análise e as respostas ao risco do projeto.

h) Sob o viés de gerenciamento de aquisições, um projeto sustentável deve englobar os processos requeridos para adquirir bens e serviços de fora da organização.

i) Sob o viés de gerenciamento de integração, um projeto sustentável deve englobar os processos requeridos para assegurar que todos os elementos do projeto sejam adequadamente coordenados.

Como a sustentabilidade é um conceito novo, desenvolver um projeto sustentável na construção civil pode ser mais trabalhoso que o esperado. Existe uma gama de soluções e materiais ecológicamente corretos, que nem sempre são baratos ou de fácil aquisição. Portanto, na hora da escolha do método executivo e dos revestimentos a se utilizar, deve ser levado em consideração os custos indiretamente relacionados e na logística, quando da aquisição desses materiais, para que o escopo inicial do projeto não seja prejudicado.

Em contrapartida, fabricantes juntamente com estudiosos da área também estão entrando na “onda verde”, diversificando seus produtos e criando novas soluções para a construção civil sustentável, que é um mercado promissor.

Uma moradia sustentável começa na definição do escopo do projeto, onde vários aspectos devem ser levados em consideração: o estudo da posição da construção do terreno, dos vãos de circulação de ar e de luminosidade, os materiais de revestimento ecológicamente corretos e adequados ao tipo de projeto.

Comparando um projeto comum de construção civil e um projeto sustentável, algumas áreas do gerenciamento de projetos devem ser analisadas com atenção conforme descrito abaixo (VARGAS, 2003):

a) O escopo, pois a declaração de escopo e consequentemente a Estrutura Analítica de Trabalho (EAT ou WBS) são diferentes.

b) O tempo do projeto, na hora de definir as atividades, o sequenciamento e as durações das atividades, levando em conta os métodos construtivos para soluções sustentáveis.

c) O custo do projeto, quando do planejamento de recursos, estimativa de custos e orçamentação, considerando os preços de produtos e serviços dos métodos construtivos sustentáveis, bem como todos os custos direta e indiretamente relacionados, a fim de se evitar que no controle dos custos aconteçam distorções em relação ao orçamento inicial.

d) A qualidade, planejando, garantindo e controlando os métodos construtivos sustentáveis, levando em consideração os parâmetros para atender à certificação LEED,

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