DCC/NPPG
SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL SOB O VIÉS DA
GESTÃO AMBIENTAL
Rachel Ferreira Cerqueira Ribeiro
Rachel Ferreira Cerqueira Ribeiro
M o n o g r a f i a a p r e s e n t a d a a o C u r s o d e P ó s -G r a d u a ç ã o e m -G e r e n c i a m e n t o d e P r o j e t o s d a E s c o l a P o l i t é c n i c a d a U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o R i o d e J a n e i r o .Orientador:
Rafael Dias Ribeiro, M.Sc.
Rio de Janeiro Maio, 2008
ii
Rachel Ferreira Cerqueira Ribeiro
Orientador:
Rafael Dias Ribeiro, M. Sc.
Monografia submetida ao Curso de Pós-graduação Gerenciamento de Projetos, da Escola Politécnica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Especialista em Gerência de Projetos.
Aprovado por:
______________________________________
Eduardo Linhares Qualharini, D.Sc.
______________________________________
Vânia Maria Lopes Ducap, M.Sc.
______________________________________
Isabeth da Silva Mello, M.Sc.
Rio de Janeiro Maio, 2008
iii
RIBEIRO, Rachel Ferreira Cerqueira.
Sustentabilidade na Construção Civil sob o viés da Gestão Ambiental / RIBEIRO, R. F. C. Rio de Janeiro: UFRJ/EP, 2008
ix, 67 f. il; 29,7 cm
Orientador: Rafael Dias Ribeiro, M.Sc.
Monografia (especialização) – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de Especialização em Gerenciamento de Projetos, NPPG, 2008.
Referências Bibliográficas: f.64-67
1. Sustentabilidade. 2. Construção Civil. 3.
Green Building. I RIBEIRO, R. D. II Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Pós-Graduação. III Especialista
iv
Ao meu marido, pela paciência e ajuda. À minha mãe pelo incentivo.
v
SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL SOB O VIÉS DA GESTÃO
AMBIENTAL
Rachel Ferreira Cerqueira Ribeiro
Resumo da Monografia submetida ao corpo docente do curso de Pós-Graduação em Gerenciamento de Projetos – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Especialista em Gerenciamento de Projeto.
O objetivo deste trabalho é refletir sobre os impactos no Meio Ambiente do setor da Construção Civil, responsável hoje por boa parcela do PIB Brasileiro, dos empregos diretos e indiretos gerados, bem como pela crise ambiental que assola o mundo, tanto no momento da produção dos materiais quanto na construção, uso e demolição; e apresentar as formas de Sustentabilidade capazes de minimizar esses impactos.
Palavras-Chave: Sustentabilidade, Construção Civil, Green Building
Rio de Janeiro Maio, 2008
vi 1. INTRODUÇÃO... 1 1.1. A Importância do Trabalho... 1 1.2. Objetivo do Trabalho... 1 1.3. Metodologia Aplicada... 1 1.4. Apresentação do Trabalho... 2 1.5. Estrutura do Trabalho... 3 2. A EVOLUÇÃO DA SUSTENTABILIDADE ... 5
2.1. Histórico do Cenário Ambiental Mundial... 5
2.1.1. Primeiros Passos... 5
2.1.2. Primeira Conferência das Nações Unidas – Estocolmo 1972 ... 5
2.1.3. Protocolo de Kyoto... 7
2.1.4. Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum... 9
2.1.5. Segunda Conferência das Nações Unidas – Rio 92... 10
2.1.6. Agenda 21... 12
2.1.7. Terceira Conferência das Nações Unidas – Rio +10... 13
2.1.8. Perspectivas do Meio Ambiente Mundial 2003 – Geo 3... 14
2.1.9. Relatório Stern e a Reformulação de Kyoto... 15
2.1.10. Repercussão Mundial e no Brasil... 18
2.2. Conceito de Sustentabilidade... 21
2.3. Indicadores de Sustentanbilidade... 24
3. O QUADRO ATUAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL... 27
3.1. Histórico... 27
3.2. Impacto Ambiental da Construção... 30
3.3. Ferramentas para uma Política Ambiental... 31
3.4. Gerenciamento de Resíduos Sólidos... 35
4. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA CONSTRUÇÃO CIVIL... 39
4.1. Conscientização... 39
4.2. Construção Verde (Greenbuilding)... 40
4.2.1. Conceito... 40
4.2.2. Melhor Desempenho nos Projetos... 42
4.2.3. Eficiência Energética... 44
4.2.4. Reuso de Água e Esgoto... 46
4.2.5. Materiais Verdes... 49
4.2.6. Qualidade Interna e Externa... 51
vii
5. ANÁLISE DA SUSTENTABILIDADE SEGUNDO AS ÁREAS DE CONHECIMENTO DO
PMI... 59 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS... 62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 64 REFEFÊNCIAS ELETRÔNICAS... 64 ANEXO I... 01 ANEXO II ... 02
viii
Figura 01 – Consumo energético mundial... 27 Figura 02 – Distribuição de painéis fotovoltaicos... 45 Figura 03 – Distribuição do reuso de água... 49
LISTA DE QUADROS
Quadro 01 – Resíduo da construção civil... 33
LISTA DE TABELAS
O que na época da Revolução Industrial era visto como uma fonte sem fim de recursos, hoje compromete a vida e o bem estar das gerações futuras. Aumento da temperatura global, catástrofes cada vez mais recorrentes, descongelamentos de geleiras, desequilíbrio da fauna, esgotamento de recursos naturais, aumento da população mundial, pobreza, marginalidade e desigualdade social parecem temas de um filme de ficção, mas hoje são realidades. Todos estes problemas são temas cada vez mais divulgados por todos os veículos de comunicação, o que levou os envolvidos ou stakeholders (sociedade, profissionais, cientistas de todas as áreas, políticos e organizações) a discutirem e a buscarem medidas mitigadoras, seja por conferências, tratados, agendas, movimentos ou por políticas, planejamentos e gestão pela evolução ambiental.
A fim de contribuir com a informação e o conhecimento da sociedade, este trabalho desenvolve uma pesquisa sobre a evolução do desenvolvimento sustentável, especificamente na construção civil, desde o surgimento da preocupação com o futuro até o desenvolvimento de técnicas e construções verdes embasadas no conceito de gestão ambiental, isto é, que permitam reduzir e controlar os impactos de um empreendimento no meio ambiente. (ANTUNES R. G., 2007)
1.2 Objetivo do Trabalho
O objetivo desse trabalho é analisar a evolução do conceito da sustentabilidade no decorrer dos anos e refletir sobre os impactos da Construção Civil no Meio Ambiente e as formas de Sustentabilidade capazes de minimizar esses impactos.
1.3 Metodologia Aplicada
O presente trabalho foi desenvolvido através de:
a. Pesquisa na Internet de tópicos inerentes ao trabalho, buscando sempre a veracidade e a relação entre eles.
b. Revisão bibliográfica, tendo como suporte apostilas, matérias de jornal e outros trabalhos relacionados à área.
c. Estudo de casos, mostrando comprovadamente que obras sustentáveis existem e são realidades.
1.4 Apresentação do Trabalho
Segundo dados da FGV, o setor da construção civil, que é responsável por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e pela geração de 15% dos empregos diretos e indiretos, vem ganhando destaque no cenário mundial no que se refere à busca pela sustentabilidade e a transformação de métodos ultrapassados.
Segundo a FGV, o setor, que é o mais despreocupado com a questão ambiental e seus reais impactos sobre o planeta, é um dos responsáveis pela crise ambiental que assola o mundo, tanto no momento da produção dos materiais quanto na construção, uso e demolição. Ele deverá se adequar à “onda verde” através de iniciativas para disseminar e gerar o conhecimento desde os produtores de matéria-prima até as construtoras seja pelas inúmeras publicações ou pela realização de seminários e eventos.
Para a implementação desse novo cenário de um modelo de desenvolvimento sustentável para construção civil, profissionais da área, embasados nos conceitos de Gestão Ambiental, buscam materiais ecologicamente corretos, caminhos inovadores e soluções tecnológicas inteligentes, sempre pensando na eficiência e no bom uso, na economia dos recursos de água e energia elétrica, na redução da poluição do ar reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, na melhoria e no conforto dos moradores e de toda sociedade. (FGV, 20071
Com o aquecimento global, construções atuais terão que se adequar para suportar as novas condições climáticas, como o aumento de temperatura, dos ventos e da incidência de chuvas torrenciais no mundo. Os edifícios terão que ter maior resistência e maior capacidade dos sistemas de drenagem, já sobrecarregados. (SINAENCO, 2007
)
2
As mudanças climáticas causadas pela ação do homem são um perigo claro e presente. Com o aumento de catástrofes em toda parte do mundo, cada vez mais a sociedade se preocupa e se conscientiza que algo tem que ser feito para que futuras gerações possam ter o mínimo de qualidade de vida. (MESTRA, 2007
)
3
Medidas como Conferência de Estocolmo de 1972, o Protocolo de Kioto e o crédito de carbono, o Relatório de Brundtland, a Rio92, a Agenda 21, a Rio+10, a Geo3, o Relatório Stern e a reestruturação do Tratado de Kioto (expira em 2012) feita em Dezembro de 2007 em Bali numa conferência das Nações Unidas, são os principais movimentos pró-verde.
)
1 http://www.fgv.br/mailing/ibre/construcaocivil/Objetivo_programa_31.pdf 2 http://www.sinaenco.com.br/noticias_detalhe.aps?id=309 3 http://www.construtoramestra.com.br/diversos_140.asp
Especificamente no Brasil, empresas de todos os setores já estão se informando e adotando medidas sustentáveis para garantir seus créditos no emergente mercado de carbono.
Em paralelo, a economia no Brasil está aquecida. Um dos setores que mais vem crescendo nos últimos quatro anos é o da Construção Civil. Com o aumento de renda e dos estímulos ficais ao setor imobiliário, o poder de compra aumentou. Hoje o setor é responsável por 15% do PIB, emprega cerca de 15 milhões de pessoas, indireta ou diretamente, mas também é o setor que mais consome recursos naturais (cerca de 75%) , gera resíduos, CO2 na atmosfera (10% de todo CO2 brasileiro é gerado na produção de cimento). Enfim, causa grande impacto ambiental e social em todas as fases: desde a produção de materiais até a construção. (FGV, 2007)
Medidas já veem sendo tomadas, como a obrigatoriedade do Resíduo da Construção Civil (RCC), a implementação do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), criação de legislação ambiental com leis regulamentadoras e órgãos especializados, a fim de viabilizar a reparação de danos ambientais e afim de que as empresas se adéquem às exigências da globalização e implementem medidas sustentáveis que protejam e reparem o meio ambiente e a sociedade, desde a execução do projeto, até a entrega aos clientes da obra.
Com publicações nos veículos de comunicação em todo mundo sobre o problema ambiental e sobre como a sustentabilidade poderá minimizar o quadro que se vive atualmente, a população e profissionais da área de construção civil se informam, e aos poucos começam a adotar medidas e a mudar hábitos.
1.5 Estrutura do Trabalho
Este trabalho é dividido em:
a. Introdução: apresenta a importância do trabalho, o objetivo, metodologia aplicada e introduz o assunto de sustentabilidade no mundo e como a construção civil impacta no meio ambiente.
b. Evolução da Sustentabilidade: aborda como a ideia e o conceito da sustentabilidade surgiu, e mostra os conceitos e os índices utilizados quando se refere à sustentabilidade.
c. O quadro atual da Construção Civil: apresenta um histórico evolutivo da construção civil no Brasil e no mundo, bem como os impactos que o setor causa ao meio ambiente, e medidas tomadas pelos governantes para conter e contabilizar esses impactos.
d. Desenvolvimento Sustentável na Construção Civil: mostra como os stakeholders de todas as áreas estão envolvidos com o assunto; o desenvolvimento de técnicas e construções reais embasadas no tripé da sustentabilidade, o setor promissor de reciclagem, bem como as certificações de uma obra sustentável.
e. Análise da sustentabilidade segundo as nove áreas de conhecimento do PMI; f. Considerações finais: análise crítica do cenário presente e futuro, abordagem dos resultados já alcançados e comentários sobre o que ainda está por vir.
g. Referências Bibliográficas: a bibliografia utilizada pela autora para o desenvolvimento do trabalho.
2 A EVOLUÇÃO DA SUSTENTABILIDADE 2.1 Histórico do Cenário Ambiental Mundial 2.1.1 Primeiros Passos
A educação ambiental surge em 1864 com o livro “O homem e a natureza” do norte-americano Georges Perkins Marsh. Cinco anos depois, Ernst Haeckel propõe o vocábulo “ecologia” para definir estudos a serem realizados sobre a relação homem e meio ambiente. Em 1872 os EUA criam o primeiro parque nacional do mundo, o “Yellowstone”. No Brasil, em 1896 o primeiro parque estadual em São Paulo, o Parque da Cidade, em 1937 o Parque Nacional de Itatiaia e 1939 o Parque Nacional do Iguaçu. (ARAÚJO, 20074; MAMEDE; 2007i
Em 1946 é criada a da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Em 1948 na Conferência Internacional de Fontainbleau, na França, é criado, com o apoio da UNESCO, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que em 1951 organiza a publicação do “Estudo da Proteção da Natureza no Mundo”. (MAMEDE; 2007)
)
Em Londres no ano de 1952 ocorre um acidente de poluição do ar por indústrias, levando a morte cerca de 1.600 pessoas e em 1965 a “Conferência de Educação da Universidade de Keele” utiliza pela primeira vez o termo Educação Ambiental e fala que ela deveria se tornar parte da educação de todos os cidadãos.
Em 1968 a UNESCO realizou estudo sobre educação ambiental e a relação entre meio ambiente e escola, que influenciou a Política Nacional de Educação Ambiental instituída no Brasil pela Lei nº 9.795/99. (ARAÚJO, 2007)
2.1.2 Primeira Conferência das Nações Unidas – Estocolmo 1972
Marco histórico da política internacional, na primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 1972 em Estocolmo (Suécia), houve uma importante declaração de princípios por parte dos governos que participaram do encontro, com o objetivo de apresentar e discutir fatores de controle da degradação ecológica e a responsabilidade dos seres humanos na conservação do meio ambiente no mundo. Essa conferência foi realizada em virtude da ideias divulgadas pelo clube de Roma no relatório
4
“Os limites do crescimento”. (ARAÚJO, 2007; MAMEDE, 2007; TIERRAMERICA5, 2002; REYNAUD, 20056
Estiveram presentes representantes de 113 países, 19 agências multilaterais e mais de 400 organizações não governamentais e organizações intergovernamentais. Esta primeira Conferência marca o início do debate e da moderna formulação da questão do meio ambiente global, como objeto de políticas públicas e adota um plano de ação mundial para o meio ambiente, com destaque para o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), com metas de avaliação do impacto ambiental e de educação sobre a importância da conservação. Um dos seus resultados foi a transformação da União Mundial pela natureza (UICN) em Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, com sede em Nairóbi, Quênia. (ARAÚJO, 2007; MAMEDE, 2007)
)
Em 1986 a explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl (Ucrânia) lançou à atmosfera radiação equivalente a 500 bombas atômicas como a de Hiroshima, evacuando uma área de cerca de 140 mil quilômetros. Foi um desastre sem proporções na história humana. Cerca de 3,4 milhões de pessoas foram afetadas, 15 mil morreram e 50 mil se feriram.
O caos com desastres ambientais de Seveso, Bhopal, Chernobyl, Basel, Exxon-Valdez, e o passivo ambiental deixados pelos mesmos (estoque de agrotóxicos, materiais contaminados, níveis elevados de material pesado no solo e água), reforçou o questionamento já feito pela ONU na Conferência de Estocolmo de 1972, que alertou sobre os riscos da sobrevivência do planeta com o comportamento predatório do desenvolvimento econômico e a interferência do homem no meio ambiente provocando aumento da conscientização ambiental em toda a parte. Os danos ambientais causados por esses desastres são até considerados pequenos quando comparado à danos cumulativos que passam desapercebido provocados por grande número de documentos menores, legitimado pelo país de origem. (REYNAUD, 2005)
Em 1973, surge nos EUA o Registro Mundial de Programas em Educação Ambiental. Em 1974 em Jammi, no Seminário de educação ambiental foram fixados os Princípios de Educação Ambiental, com o objetivo de proteção ambiental e disseminação do conceito. (ARAÚJO, 2007; MAMEDE, 2007)
Em 1975 é lançado a Carta de Belgrado que afirmava que o então crescimento econômico e tecnológico trouxeram benefícios e geraram consequências ambientais e sociais; e pediu uma ética global de desenvolvimento aos cidadãos de todo mundo, que
5
http://www.tierramerica.net/2002/0901/pconectate.shtml
deviam cobrar medidas de crescimento econômico sem agredir a vida e a qualidade do meio ambiente. (ARAÚJO, 2007; MAMEDE, 2007)
2.1.3 Protocolo de Kyoto
O Protocolo de Kyoto compromete uma série de nações industrializadas a reduzir suas emissões de CO2 em 5,2% em relação aos níveis de 1990 para o período de 2008 – 2012. Estabelece três mecanismos de flexibilidade que permitem a estes países cumprir com as exigências de redução de emissões, fora de seus territórios: a Implementação Conjunta (Joint Implemention), o Comércio de Emissões (Emission Trading) e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL (Clean Development Mechanism). (YUJI, 20077
O MDL trata de projetos que reduzam ou absorvam as emissões de gases de efeito estufa (GHG) e é o único dos mecanismos que torna possível a participação de um país em desenvolvimento, como o Brasil, com a obtenção de créditos de carbono (Certified Emission
Reduction units, CERs) destinados a obter reduções dentro de cada item, comercializados
entre países de um mesmo mercado de carbono. As negociações de como serão distribuídos os benefícios ainda está em andamento.
)
O Greenpeace considera que os projetos relacionados com sorvedouros de carbono, energia nuclear, grandes represas e carbono limpo não cumprem com os requisitos necessários para receber créditos de emissão, de acordo com o MDL. O MDL requer que os projetos produzam benefícios à longo prazo, reais e mensuráveis. O MDL especifica que as atividades compreendidas nos mecanismos mencionados devem ser desenvolvidas adicionalmente às ações realizadas pelos países industrializados dentro de seus próprios territórios. Entretanto, os Estados Unidos, como outros países, tentam a todo custo evitar limites sobre o uso que podem fazer desses mecanismos. Permite aos países ricos medir o valor líquido de suas emissões, ou seja, contabilizar as reduções de carbono vinculadas às atividades de desmatamento e reflorestamento. Atualmente existe um grande debate em relação a estas definições. Há outra cláusula que permitiria incluir “outras atividades” entre os sorvedouros de carbono, algumas delas como a fixação de carbono no solo, são motivos de preocupação especial. Determina-se que é essencial criar um mecanismo que garanta o cumprimento do Protocolo de Kyoto (YUJI, 2007).
A fim de entrar em vigência, o Protocolo de Kyoto deve ser ratificado por, no mínimo, 55 governos, que contabilizem 55% das emissões de CO2 produzidas pelos países industrializados. Essa fórmula implica que os Estados Unidos não podem bloquear o Protocolo sem o respaldo de outros países. Até o momento, 23 países, incluindo Bolívia,
7
Equador, El Salvador e Nicarágua já o ratificaram e outros 84 países, entre eles os Estados Unidos, somente o assinaram. O Protocolo de Kyoto não prevê compromissos de redução de emissões de gases para países em desenvolvimento, como o Brasil.
No protocolo, tais países deveriam apresentar um progresso visível no ano de 2005, ainda que não se tenha chegado a um acordo sobre o significado desse item. Breve histórico (YUJI, 2007):
a. Em 1988 foi a primeira reunião entre os governantes e cientistas sobre as mudanças climáticas, realizado em Toronto-Canadá, descreveu seu impacto potencial inferior apenas ao de uma guerra nuclear. Desde então, uma sucessão de anos com altas temperaturas têm batido os recordes mundiais de calor, fazendo da década de 1990 a mais quente desde que existem registros.
b. Em 1990
c. Em
o primeiro informe com base na colaboração científica de nível internacional foi o IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudança Climática, em inglês), onde os cientistas advertem que para estabilizar os crescentes níveis de dióxido de carbono (CO2) (o principal gás-estufa) na atmosfera, seria necessário reduzir as emissões de 1990 em 60%.
1992 m
d.
ais de 160 governos assinam a Convenção Marco sobre Mudança Climática na ECO-92. O objetivo era evitar interferências antropogênicas perigosas no sistema climático. Isso deveria ser feito rapidamente para poder proteger as fontes alimentares, os ecossistemas e o desenvolvimento social. Também foi incluída uma meta para que os países industrializados mantivessem suas emissões de gases estufa, em 2000 nos níveis de 1990. Também contém o princípio de responsabilidade comum e diferenciada, que significa que todos os países têm a responsabilidade de proteger o clima, mas o Norte deve ser o primeiro a atuar.
Em 1995
e.
o segundo informe de cientistas do IPCC chega a conclusão de que os primeiros sinais de mudança climáticas são evidentes: “a análise das evidências sugere um impacto significativo de origem humana sobre o clima global. Um evidente desafio para os poderosos grupos de pressão em favor dos combustíveis fósseis, que constantemente legitimavam grupos de cientistas céticos quanto a essa questão, para sustentar que não haviam motivos reais de preocupação.
Em 1997, em Kyoto-Japão é assinado o Protocolo de Kyoto, um novo componente da Convenção que contém pela primeira vez um acordo inculante que compromete os países do Norte a reduzir suas emissões. Os detalhes sobre como será posto em prática ainda estão sendo negociados e devem ser concluídos na reunião de
governos que se realizará entre 13 e 24 de novembro deste ano em Haia-Holanda. Essa reunião é conhecida formalmente como a COP6 (VI Conferência das Partes).
2.1.4 Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum
Fruto desse debate, em 1987, a ONU publicou o Relatório Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland (ARAÚJO, 2007; MAMEDE, 2007).
Esse relatório faz parte de uma série de iniciativas anteriores à Agenda 21, onde é mostrado o modelo atual de desenvolvimento econômico utilizado em todos os países; os desequilíbrios onde os padões de produção e consumo vigentes sem considerar a capacidade de suporte dos ecossistemas apresentam riscos aos recursos naturais, onde de um lado tem-se riqueza e fartura e de outro miséria, degradação ambiental e poluição. Existe um limite mínimo para o bem-estar da sociedade e um limite máximo para a utilização dos recursos naturais, de modo que sejam preservados. Logo a realidade é incompatível com a proposta do relatório, de um desenvolvimento sustentável, isto é, um desenvolvimento capaz de manter um progresso em todo o planeta. (SANTOS, 2005)
Deste relatório nasceu então o conceito de desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” isto é, conciliando o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e o fim da pobreza no mundo. É proposto que ele seja agregado pelas empresas, como uma nova forma de produzir sem degradar o meio ambiente, estendendo essa cultura a todos os níveis da organização. Assim se formaliza um processo de identificação do impacto da produção da empresa no meio ambiente aliando no projeto a produção e preservação ambiental, com uso de tecnologia respectiva. (SUSTENTAVEL, 2007a8
Segundo o Relatório, para se chegar a um desenvolvimento sustentável, devem ser tomadas as seguintes medidas (MUNHOZ, 2007
)
9
a. limitação do crescimento populacional; ):
b. garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo; c. preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
d. diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis;
8
http://www.sustentavel.org.br/temas.asp 9
e. aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas;
f. controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores; atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).
g. uso de novos materiais na construção;
h. reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais;
i. aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar, a eólica e a geotérmica;
j. reciclagem de materiais reaproveitáveis; k. consumo racional de água e de alimentos;
l. redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na produção de alimentos.
m. adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizações de desenvolvimento (órgãos e instituições internacionais de financiamento);
n. proteção dos ecossistemas supra-nacionais como a Antártica, oceanos, etc, pela comunidade internacional;
o. banimento das guerras;
p. implantação de um programa de desenvolvimento sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU).
2.1.5 Segunda Conferência das Nações Unidas – Rio 92
A ideia se difundiu no mundo inteiro, Partidos Verdes tornaram-se mais expressivos e democracias ocidentais institucionalizaram questões ambientais, marcando a década de 90, como a década do meio ambiente. Assim, a fim de discutir propostas do Relatório Brundtland, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) aconteceu no Rio de janeiro em 1992 (Rio 92). Para o Dia da Terra, participaram dela 179 países e um número inédito de 107 chefes de Estado e de governo, junto a dezenas de milhares de delegados e representantes da sociedade civil. (ARAÚJO, 2007; REYNAUD, 2005; MAMEDE, 2007; OLIVEIRA, 200710; NOVAES, 200711; TIERRAMÉRICA, 2002; ESPAÇO ACADEMICO, 200212
10 ) http://www.unisuam.edu.br/documentos/pesquisa/palestra_repres_forum_21.doc 11 http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/meioamb/agenda21/apresent/apresent.htm 12 http://www.espacoacademico.com.br/014/14crattner.htm
Também conhecida como Cúpula da Terra, sua contribuição fundamental foi introduzir e difundir o tema do desenvolvimento sustentável como elemento centr
A Conferência do Rio, precedida da Cúpula da Infância, impulsionou o desenvolvimento de uma série de conferências mundiais patrocinadas pela ONU. (REYNAUD, 2005; MAMEDE, 2007; OLIVEIRA, 2007; NOVAES, 2007; TIERRAMÉRICA, 2002; ESPAÇO ACADEMICO, 2002)
al da estratégia para conservar o planeta, desenvolvimento este que permite atender às necessidades atuais sem comprometer as capacidades das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades. Ao fim da conferência ficou clara a dificuldade em se negociar acordos relacionados com o meio ambiente entre países com interesses e prioridades estratégicas muito diversas. (REYNAUD, 2005; MAMEDE, 2007; OLIVEIRA, 2007; NOVAES, 2007; TIERRAMÉRICA, 2002; ESPAÇO ACADEMICO, 2002)
Nessa conferência foram escritos cinco documentos, considerados um marco, mesmo com a real dificuldade em cumprir suas metas. (MAMEDE, 2007) São eles:
a. Declaração da Rio 92 ou Carta da Terra, que em seu primeiro princípio dizia: "Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza".
b. Convênio sobre a Diversidade Biológica ou Biodiversidade.
c. Declaração de Princípios sobre o Manejo, a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável das Florestas.
d. Convenção Marco sobre a Alteração do Clima, cujos textos foram objeto de intensas negociações.
e. Agenda 21 ou Programa 21 foi o documento mais importante por propor um plano de ação para atingir o desenvolvimento compatível com a conservação do meio ambiente ou sustentável no século XXI, por explicar os principais desafios que implicam nessa meta e por traçar pautas de ação para atingi-la.
Após a Rio 92 houve a Rio+5, também no Rio de Janeiro - Brasil, que foi uma revisão independente com relação aos cinco anos após a concentrações de esforços para implementação dos prováveis resultados da Rio 92. Esse encontro, liderado pela entidade Conselho da Terra, teve iniciativa de Organizações Não-Governamentais e participação da Sociedade Civil (Setores Públicos e Privados), além dos Conselhos Nacionais de Desenvolvimento Sustentável. Nessa revisão, a necessidade de países envolvidos tentarem implantar diretrizes do Desenvolvimento Sustentável foi descartado (REYNAUD, 2005, MAMEDE, 2007).
Com a polarização entre os países ricos e o Terceiro mundo, reuniões preparatórias de Bali (maio de 2002) e do Rio (junho de 2002) discutiram itens como desistência de países ricos em tópicos já definidos na CNUMAD do Rio 92, impactos globais responsáveis pelo alastramento da pobreza e exclusão social, degradação mundial. (ESPAÇO ACADÊMICO, 2002)
2.1.6 Agenda 21
A Agenda 21, fruto do encontro da Rio 92, traduz o que se acordou na mesma diante de tantas opiniões e assuntos diversos. É um instrumento de transformação cultural e ambiental em todos os países, na mentalidade e no comportamento racional, a fim de viabilizar o desenvolvimento de uma sociedade com padrões sustentáveis de produção e consumo. Sugere programa e ações, estima custos e investimentos, recomenda uma metodologia participativa e democrática, e mediante o compromisso dos paises com a agenda, sejam liberados recursos. (ARAÚJO, 2007; OLIVEIRA, 2007; NOVAES, 2007)
É um roteiro para a implementação do modelo de desenvolvimento sustentável quanto ao manejo dos recursos naturais, a preservação da biodiversidade, as relações entre os países economicamente eficientes e politicamente participativos e democráticos, a distribuição igual da riqueza nacional entre as diversas camadas da sociedade (OLIVEIRA, 2007; NOVAES, 2007).
O documento possui 500 páginas distribuídas por 40 capítulos, sendo o primeiro introdutório e os outros 39 temáticos, distribuídos em quatro seções básicas: dimensões sociais e econômicas, conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento, fortalecendo o papel dos principais grupos sociais e meios para a implementação. Em todos os capítulos são apresentados procedimentos indispensáveis para os resultados esperados: compreensão e parceria para o processo político de implementação, planejamento e participação democrática com metas realistas e avaliações periódicas, desenvolvimento da capacidade institucional e desenvolvimento individual; e a produção, reunião e divulgação de dados através da informação, para ancorar a tomada de decisão e o monitoramento dos impactos das atividades humanas no meio ambiente e reduzir a defasagem existente. (OLIVEIRA, 2007; NOVAES, 2007)
No Brasil, as instituições não-governamentais e governos locais têm se mostrado muito mais sensibilizados e ativos do que o governo federal na elaboração da Agenda 21 e na incorporação dos princípios da sustentabilidade às políticas públicas, programas, projetos e até mesmo aos padrões de consumo e comportamento. Eventos como workshops e seminários permitiram a identificação de inúmeras iniciativas de elaboração e de
implantação de agendas estaduais e locais, adotando metodologias diversas da Agenda 21 em diferentes estágios. Em nível regional/estadual, uma das mais antigas iniciativas é a da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, que vem executando programas que configuram uma Agenda 21 paulista. Adotando metodologia própria, os programas dispõem de mecanismos de participação dos atores sociais (representantes da sociedade organizada) na concepção, execução e avaliação. A Agenda paulista compreende os seguintes temas: biodiversidade; consumidor e meio-ambiente; resíduos sólidos; controle ambiental; educação ambiental; gestão ambiental descentralizada; apoio às ONG's; recursos hídricos; mudanças climáticas e redução da camada de ozônio. Em nível local - urbano/municipal - as experiências mais relevantes, quer pela dimensão populacional da área, quer pela sua importância sócio-econômica, são as dos municípios de Santos, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Vitória. (OLIVEIRA, 2007; NOVAES, 2007)
2.1.7 Terceira Conferência das Nações Unidas – Rio +10
Ocorre uma mobilização em escala mundial. O conceito de desenvolvimento sustentável, ainda em construção, não tem muitos modelos em que se basear para definir a possibilidade. Ele imagina uma situação do futuro, garantindo condições dos recursos naturais. Coloca em questão a riqueza conforme o memorando preparado por 16 ativistas independentes da Fundação Heinrich Boll, onde “a redução da pobreza não pode ser separada da redução da riqueza”. (REYNAUD, 2005; OLIVEIRA, 2007; ESPAÇO ACADÊMICO, 2002; TIERRAMÉRICA, 2002; MAMEDE, 2007)
Dez anos após a Rio 92, acontece a terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio +10) entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2002 em Johanesburgo, África do Sul, com a presença de cerca de 189 líderes de países, cujo um dos principais objetivos é avaliar o cumprimento dos compromissos assumidos na época pela Agenda 21, como a implantação do Desenvolvimento Sustentável no mundo todo, além de os obstáculos e resistências encontrados na implantação da mesma em níveis locais, nacionais e internacionais; enfim, traçar umas estratégia de ação que permita salvar o planeta. (REYNAUD, 2005; OLIVEIRA, 2007; ESPAÇO ACADÊMICO, 2002; TIERRAMÉRICA, 2002)
Foi constatado que o cumprimento das metas da mesma foram insignificantes, e as perspectivas de mudanças nas atitudes políticas por parte dos governantes não eram nada otimistas. O maior problema do evento foi a dificuldade em convencer a participação maciça do todos os países para o assunto. Países ricos não quiseram adotar compromisso rígido contra a degradação ambiental e a pobreza, como a destinação de 0,7% de seu PIB para
auxílio e desenvolvimento de países que dele necessitem. As resistências dos EUA e de outros governos de países ricos às normas ambientais, alegando prejuízos às suas respectivas economias nacionais, desanimaram. Entretanto, foram colocadas várias propostas de políticas ambientais. (REYNAUD, 2005; OLIVEIRA, 2007; ESPAÇO ACADÊMICO, 2002; TIERRAMÉRICA, 2002)
A ideia da conferência era ampliar o acesso a indivíduos ao saneamento básico, reduzir agressões à biodiversidade e incentivar o uso de fonte renováveis de energia, mas infelizmente o Plano de Ação assinado e aprovado pelos envolvidos é uma carta de boas intenções. Mas ao menos a adesão do Canadá e Rússia ao Protocolo de Kioto, para redução de emissão de gases que causam o efeito estufa, foi um bom acontecimento. (REYNAUD, 2005; OLIVEIRA, 2007; ESPAÇO ACADÊMICO, 2002; TIERRAMÉRICA, 2002)
Ao fim dessa conferência, o acesso à informação devido à evolução de tecnologia cria um cenário radicalmente diferente do que existia na época da Rio 92, quando a rede de computadores de alcance mundial ainda não era uma realidade. Usuários de todo mundo podem fazer consultas via Internet no site oficial do encontro, cuja atualização é permanente e permite obter notícias e outros recursos relacionados diretamente com a conferência. (REYNAUD, 2005; OLIVEIRA, 2007; ESPAÇO ACADÊMICO, 2002; TIERRAMÉRICA, 2002)
2.1.8 Perspectivas do Meio Ambiente Mundial 2002 – Geo3
O relatório publicado pela PNUMA sobre as Perspectivas do Meio Ambiente Mundial-2002, conhecido como GEO-3 (Panorama Ambiental Global), foi preparado para facilitar o balanço da saúde ambiental do planeta e estimular os debates sobre os rumos da política ambiental nos próximos anos, a fim de evitar desastres ambientais e os impactos sobre as populações indefesas. Ele aponta os principais problemas que afetam a humanidade (ESPAÇO ACADÊMICO, 2002):
a. A concentração de gás carbônico na atmosfera que provocam o efeito estufa e consequentemente o aquecimento global.
b. A crescente escassez de água potável, devida ao aumento da população, desenvolvimento industrial e agricultura irrigada, estimado que 40% da população mundial sofriam com ela já nos anos 90.
c. A degradação dos solos por erosão, sanilização, avanço da agricultura irrigada, desmatamento, remoção de vegetação natural, uso de maquinário pesado, mau uso da terra.
d. A poluição dos rios, lagos, zonas costeiras e baías pelo despejo de resíduos e dejetos industriais e orgânicos, e esgoto não tratado.
e. Desmatamentos contínuos, principalmente nas áreas tropicais, e destruição da biodiversidade, onde foi estimado cerca de 94.000 km2 de perda nos anos 90 (média de 15.000 km2 anuais). Só sobraram 7% da Mata Atlântica, segundo levantamento patrocinado pela SOS Mata Atlântica.
f. Mudanças climáticas, extração predatória de recursos naturais e minerais, transformações no uso dos solos estão dizimando fauna e flora em todo mundo.
g. Crescimento da população, do consumo e da produção aumenta cada vez mais a quantidade de resíduos e substâncias tóxicas.
h. Cerca de 24% (1.183) das espécies de mamíferos e 12% (1.130) de pássaros estão ameaçados de extinção.
i. Metade da população mundial vive nas áreas urbanas e metropolitanas, em condições de alimentação, habitação, saneamento, acesso a lazer cada vez mais precário. Concentração de desempregados, miseráveis e excluídos devido a desigualdades extremas levou a marginalidade, delinquência e narcotráfico, o que enfraquece a governabilidade. Cerca de 800 milhões da população urbana está abaixo da linha da pobreza e vulneráveis a desastres naturais e mudanças ambientais. Essas condições desfavoráveis estão diretamente relacionadas à saúde deteriorada e a baixa qualidade de vida, e a falta de saneamento básico e a poluição do ar responsável pela maior parte das doenças e mortes.
2.1.9 Relatório Stern e a Reformulação de Kyoto
Destinado a servir como base para uma política decidida e para rebater os argumentos onde a luta contra o aquecimento prejudica o desenvolvimento econômico, alegados pelos mais poluidores do planeta como os EUA, Índia e China, foi encomendado pelo ministro da Economia e das Finanças do Governo Britânico, Gordon Brown, ao chefe do serviço econômico do governo britânico e ex-responsável do Banco Mundial, Nicholas Stern, um estudo que faz uma projeção dos efeitos das alterações climáticas na economia mundial nos próximos 50 anos e quanto custaria a inexistência de um compromisso da humanidade frente a esta ameaça. (JORNAL DA CIÊNCIA, 200613; DIÁRIO DIGITAL, 200714
13 http://www.jornaldaciência.org.br/Detalhe.jsp?id=42061 ) 14 http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=114&id_news=248639
Foi um dos primeiros estudos encomendados por um governo sobre o assunto a um Economista e não a um ciêntista da área. Contendo mais de 700 páginas, esse estudo gerou um relatório final, intitulado de Relatório Stern, e foi apresentado ao público em 30 de outubro de 2006. Principais tópicos (JORNAL DA CIÊNCIA, 2006; DIÁRIO DIGITAL, 2007):
a. Avalia em R$ 15,12 trilhões a conta global da destruição do meio-ambiente até o final do século, se nada for feito agora.
b. Ele evidência as grandes variações climáticas no mundo salientando que as regiões vão ser afetadas de maneira diferente. A diminuição dos recursos de água e consequentemente dificuldades agrícolas, ondas de calor e fogos florestais, enchentes, o derretimento das geleiras, aumento do nível do mar em países de latitudes baixas, levarão às pessoas a migrarem em busca de agricultura e ecossistemas. Logo, com o aumento de temperatura, onde segundo estudos um aumento de 2 graus Celsius pode levar a redução de 20% na disponibilidade de água, algumas regiões aumentarão sua produtividade agrícola, reduzirão a energia no Inverno e o turismo, e aumentarão no verão pelo uso de ar condicionado.
c. Os custos dos fenômenos extremos como tempestades, cheias, secas e ondas de calor, poderão chegar a 0,5 a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e podem aumentar rapidamente com temperaturas mais altas, neutralizando alguns dos benefícios iniciais associados às alterações climáticas.
d. As ondas de calor, como a que aconteceu na Europa em 2003, provocando a morte de 35 mil pessoas e prejuízos de 11,7 mil milhões de euros na agricultura, serão comuns em meados do século.
e. A disparidade norte-sul dos impactos das alterações climáticas.
f. Nas latitudes mais baixas, espera-se um aumento global do consumo de energia devido à maior procura de ar condicionado no Verão.
g. Aumento global da mortalidade no Verão. h. O turismo irá mudar seu foco.
i. Os impactos irão estimular uma mudança da atividade econômica e população para outras regiões como a América do Norte ou a Europa, e as regiões do Sul vão sendo afetadas por aumentos desproporcionados dos riscos para a saúde humana e fenômenos extremos associados a uma perda de competitividade na agricultura e no sector florestal, menor disponibilidade de água e aumento dos custos da energia.
j. O PIB mundial poderá sofrer uma redução grave de 5% e 20%. E o valor previsto a pagar para esse desaquecimento seria em torno de 3,7 trilhões de libras (R$ 15,12 trilhões).
k. Previsão de uma situação catastrófica da amplidão análoga àquelas que se seguiram às grandes guerras e à grande depressão da primeira metade do século 20 projetada com base nas previsões oficiais britânicas de um aumento de 4% a 5% daqui até 2050 das temperaturas em relação aos valores atuais.
O relatório conclui que com um investimento para a redução de gases de efeito estuda apenas 1% do PIB Mundial se pode evitar a perda de 20% do mesmo PIB no prazo de 50 anos; e que vastas regiões do mundo serão devastadas por consequências sociais e econômicas das temperaturas elevadas, além de um movimento populacional em grande escala gerando conflitos regionais e alerta para os riscos de uma recessão econômica catastrófica caso nenhum esforço for rapidamente empenhado no planeta contra o efeito-estufa. Associações de defesa do meio-ambiente como o WWF (World Wildlife Fund) viram o relatório como um apelo. (JORNAL DA CIÊNCIA, 2006; DIÁRIO DIGITAL, 2007)
Em resposta a esse relatório, o ministro das finanças Britânico pediu aos seus parceiros europeus para diminuírem as suas emissões de CO2 de 30% daqui até 2020, e de 60% daqui até 2050; e o ministro do meio-ambiente britânico David Milleband, propôs, por sua vez, uma série de "taxas verdes" sobre o transporte aéreo, o transporte rodoviário e sobre alguns equipamentos domésticos. Com essas medidas, os contribuintes britânicos seriam tributados não só sobre a sua renda, mas também em função do seu comportamento ecológico.
A Comissão Européia se mostrou favorável ao relatório e declarou-se estar e continuar sendo a vanguarda da luta contra as mudanças climáticas.
Do ponto de vista das autoridades londrinas, a prioridade foi incentivar a aceleração das negociações internacionais na reformulação do Protocolo de Kyoto de redução de gases do efeito estufa, que terão início em Nairóbi -Quênia.JORNAL DA CIÊNCIA, 2006; DIÁRIO DIGITAL, 2007)
De uma conferência para outra, enquanto nada se resolve e os problemas só são transferidos para serem discutidos em uma futura conferência, cresce a pobreza e a marginalidade da imensa população mundial, sem a diminuição do consumo do desperdício e a devastação dos recursos naturais. Essas conferências só aconteceram pela falha na educação tradicional que não atende à nova sociedade, que deve se preocupar com a conservação de recursos naturais e com a sobrevivência humana.
2.1.10 Repercussão Mundial e no Brasil
Desde então, debates sobre desenvolvimento sustentável e a expansão do “verde” estão presentes na sociedade civil, governos, empresas, organismos internacionais e ONGs como o Greenpeace, FOE (Friends of the Earth) e WWF (world Life Found). A participação das empresas nos debates tem crescido, e investir em sustentabilidade passou a ser um excelente negócio, além de ser eticamente correto. As multinacionais estão cada vez mais preocupadas com questões de responsabilidade social corporativa. No quadro atual, falando-se do aquecimento global em todos os meios de comunicação do mundo, sustentabilidade vira peça-chave, despertando o interesse de todos os setores de produção, afinal de contas ninguém quer ser o vilão que compromete o futuro de nossos descendentes.
Todos esses acontecimentos levaram à mudança no comportamento do cliente, que passa a ser consciente e socialmente responsável, seja com a separação do lixo, prestando mais atenção no que esta comprando/consumindo ou utilizando a defesa do consumidor. Com esse aumento de consciência do consumidor/cliente, fica cada vez mais difícil para as empresas e indústrias agradarem o cliente, que passa a não achar mais um diferencial e sim uma obrigação com o cuidado de não poluir e de manter um bom relacionamento com o cliente. (ANTUNES R. G., 2007)
A acelerada destruição das florestas tropicais é reconhecida como uma das principais causas das mudanças climáticas. O desmatamento representa 1/5 das emissões de carbono, mais do que todo o setor de transportes, inclusive aviação; e as queimadas lançam tanto CO2 quanto os EUA, e Brasil e Indonésia estão entre os quatro maiores emissores do mundo. Esforços para evitar o desmatamento não foram incluídos no Acordo de Kyoto, que expira agora em 2012.
Tais mudanças climáticas causadas pelo homem levarão líderes do mundo a se reunir em dezembro de 2007 por duas semanas, em Bali para a Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, para tomar medidas severas a fim de evitar catástrofes e trabalhar num acordo que funcione de fato. O Relatório Stern relacionou as mudanças climáticas às economias dos países e concluiu que as florestas oferecem a única forma eficaz, com uma relação custo-benefício possível, de reduzir emissões de CO2.
A Guiana, colônia britânica entre Venezuela e Brasil, possui intacta floresta tropical, com área maior que a Inglaterra, e quer trocá-la por um acordo bilateral com o Reino Unido que assegure o desenvolvimento do empobrecido país e assistência necessária para a transição de uma economia verde. Essa é a maior negociação mundial em créditos de
carbono, pois oferece uma vasta floresta sorvedouro de CO2 em troca de crescimento econômico. (HOWDEN, 2007).
Convenções como a da “Biodiversidade, a do Clima e da emissão de gás carbônico” – o protocolo de Kyoto – são uma realidade para o Brasil, EU, Canadá, China e Índia.
A implantação da Agenda 21 na cidade do Rio de Janeiro aconteceu com a iniciativa conjunta do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) que, após o fim do seminário do Dia Mundial do Meio Ambiente (05/07/1996) que discutiu estratégias de desenvolvimento do recém elaborado Plano Estratégico da Cidade, criou uma Comissão Pró-agenda 21 cuja primeira iniciativa foi a aprovação na Câmara Municipal da Lei Municipal nº 2561 de 1997, que criou o Fórum 21 do Município com representação da diversidade social da cidade.
Na primeira reunião Plenária do fórum Municipal da Agenda 21 (Fórum 21) de 1999, a comissão foi dissolvida, e a Secretaria Executiva passou a coordenar as ações da agenda. Criou cinco Comitês Regionais porque a Lei 2561/97 previa dois representantes por cada Comitê Regional na composição do Fórum 21.
Através do decreto nº 19.888, em 2001 foi criada a Comissão Macro-funcional do Fórum 21-21, formada por 22 órgãos municipais (21 secretarias e a COMLURB que é responsável pela limpeza urbana) e com o objetivo de disseminar os conceitos da Agenda 21, incorporando na política pública. Em 2003 foi finalizada a etapa de definição dos projetos e de identificação dos pontos em comum entre projetos em desenvolvimento nos órgãos municipais. O resultado foi uma rede com mais de 2000 parceiros, entre organizações não-governamentais (ONGs), associação de moradores, sindicatos, cooperativas, escolas, igrejas, conselhos, universidades, empresários, câmara municipal e diversos órgãos municipais, estaduais e municipais e 92 projetos.
No Brasil, a educação ambiental se iniciou com a criação do Jardim Botânico no Rio de Janeiro por D. João VI, em 1808. Mas o Brasil realmente entrou na discussão ambiental internacional nas últimas décadas, sendo ativo em vários dos encontros. A legislação nacional de proteção ambiental, cujo objetivo é atender às exigências da globalização protegendo o meio ambiente e a sociedade pelo estabelecimento de padrões e procedimentos, evitando e remediando o dano ambiental e viabilizando a reparação do dano ambiental, é um reflexo do cenário de preocupação mundial.
Vários textos normativos no Brasil mencionam a educação ambiental (ARAÚJO, 2007):
a. Lei Federal nº 6.938/81: Define a Política Nacional do Meio Ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências, interações de ordem física, química,
biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. (ANTUNES R. G., 2007)
b. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: prevê a educação ambiental como política pública assecuratória do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e o dever de defender e preservar para as futuras gerações, isto é, princípio de desenvolvimento sustentável. O Brasil foi o primeiro país a tratar desse assunto em sua constituição, dando caráter legal à sua aplicabilidade.
c. Lei Federal nº 9.795 de 27 de abril de 1999: dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental.
d. Lei Federal nº 9.985/00: regulamenta o art.225, §1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) que irá trazer dispositivos sobre a educação e conservação ambiental e mostra a preocupação com a mesma, como a avaliação de impacto ambiental (AIA), Licenciamento e revisão de atividades poluidoras, zoneamento ambiental e fiscalização, proteção do patrimônio político mediante promoção de inquérito civil e ação pública administrativa (multas), cíveis (reparação do dano ou indenização) e penal.
e. A presença de ferramentas como o selo verde, as Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como a ISO 9000, ISO 14000, OHST 18000, SA 8000 e AS 1000 asseguram a proteção dos seres humanos e ao meio ambiente nas empresas.
Como foi apresentado, podemos resumir as fases da evolução de conceitos e práticas de Gerenciamento Ambiental como (ANTUNES R. G., 2007):
1) Década de 70:
α) Filosofia: de controle;
β) Preocupação: com a poluição de ar e águas;
χ) Profissionais: engenheiros;
δ) Ferramentas: projetos e equipamentos de controle ambiental;
ε) Fato marcante: Conferência de Estocolmo.
2) Década de 80:
β) Preocupação: com a contaminação dos solos e acidentes;
χ) Profissionais: técnicos em ciências ambientais (biólogos, geólogos e etc);
δ) Ferramentas: EIA/RIMA, auditorias, análise de riscos e atuação responsável;
ε) Fato marcante: Bhopal, Chernobyl, Nosso Futuro Comum, Exxon-Valdez.
3) Década de 90:
α) Filosofia: de gestão;
β) Preocupação: com a camada de ozônio, o aquecimento global, biodiversidade, desenvolvimento sustentável e produtos;
χ) Profissionais: advogados, economistas e administradores;
δ) Ferramentas: SGA, Selo ecológico;
ε) Fato marcante: Rio 92, ISSO 14000, Protocolo de Kyoto, Nosso Futuro Roubado, Agenda 21.
4) Século XIX:
α) Filosofia: de estratégia e gestão integrada, produção limpa, responsabilidade social;
β) Preocupação: com a camada de ozônio, o aquecimento global, biodiversidade, desenvolvimento sustentável e produtos;
χ) Profissionais: com visões holístico-ecológicas;
δ) Ferramentas: SGI;
ε) Fato marcante: Ratificação do Protocolo de Kyoto.
2.2 Conceito de Sustentabilidade
O conceito surgiu na década de 70 com o ecodesenvolvimento, conciliando a controvérsia entre o crescimento econômico e o meio ambiente, e depois amadureceu reconhecendo que o progresso técnico relativiza os limites ambientais, mas não os elimine e que o crescimento econômico é condição necessária, mas não suficiente para a eliminação da pobreza e disparidades sociais. Portanto, a sustentabilidade garante a qualidade de vida para todos e para as futuras gerações, combinando interesses ecológico-sociais e oferecendo oportunidade de negócios para as empresas melhorarem a vida das pessoas no mundo. E o não sustentável é a utilização dos recursos em larga escala, com velocidade maior que a da recomposição pela natureza. (ANTUNES R. G., 2007)
Assim como a responsabilidade social, cidadania e inclusão social, o conceito de sustentabiliade é dúbio e confuso e muitas vezes são manipulados pelas empresas, autoridades e mídia para seu próprio bem. Mas na realidade, o conceito de sustentabilidade é complexo, amplo e não possui uma definição precisa, pois envolve vários aspectos conflitantes como as questões ambientais, sociais, econômicas, espacial e cultural. (BUENO, 200715; CAVALCANTI, 200616
Sustentabilidade não significa crescimento dos negócios ou aumento de indicadores econômicos como muitos empresários pensam. Ela está associada á problemática ambiental, mas não se reduz a ela, não devendo ser vista como algo externo à cultura, à sociedade e ao homem, pois está relacionada com o comportamento e ação de cada um de nós. Tem a ver com a biodiversidade e sociodiversidade. E principalmente, não acontece com a ação de alguns e sim pela mobilização do coletivo. (BUENO, 2007)
)
O conceito adequado tem a ver com compromisso, não com investimento, pois é algo que se incute em cada um e não no bolso. Tem a ver com a redução da pobreza, acesso à educação e ao trabalho por todos, solidariedade, direito das crianças e adolescentes, respeito à diversidade e à liberdade de expressão. Tem a ver com a valorização do saber e conhecimento e decorre das políticas públicas dirigidas pelos governantes, mas também por decisões individuais. Tem a ver com uma dimensão essencialmente humana. Tem a ver com o resgate de vivências de ação coletiva. (BUENO, 2007)
A sustentabilidade é a renovação e permanência de forças capazes de produzir desenvolvimento das comunidades nos aspectos institucionais, jurídicos, legais, sociais e econômico-financeiros, logo, uma experiência é sustentável quando as diversas forças que se mobilizam para concretizá-la continuam ativas após o fim do projeto, o que aproxima a parceria governo/comunidade. (IBAM)
Segundo o Relatório Brundtland – “Nosso futuro comum das Nações Unidas”, o conceito de desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as futuras gerações atenderam às suas necessidades.
Segundo Paulo Schmalz (Presidente da Amanco do Brasil), sustentabilidade é produzir com menos consumo de água, energia, desperdício e geração de resíduos e poluição.
Segundo a definição “De Camino & Muller, 1993”, a sustentabilidade ecológica implica na manutenção no tempo das características fundamentais do ecossistema sob o
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http://mercadoetico.terra.com.br/colunas.view.php?id=51 16
uso quanto aos seus componentes e suas interações. A sustentabilidade econômica se traduz por uma rentabilidade estável no tempo. A sustentabilidade social está associada a ideia de que o manejo e a organização do sistema são compatíveis com os valores culturais e éticos do grupo envolvido e da sociedade.
Na visão do físico e escritor Frtijof Capra, “uma comunidade humana sustentável é aquela que não interfere na habilidade inerente à natureza de sustentar a vida”. E ainda “Hoje, a transição para um futuro sustentável, já não é um problema técnico ou conceitual. É um problema de valores, vontade política e liderança.”
Construção sustentável, ou verde, é a que leva em consideração práticas ambientais e sociais. Logo, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, socialmente justo, economicamente viável e culturalmente aceito. (SANTUCCI, 200717
Empresa sustentável é aquela que, através de melhores práticas do seu negócio principal, procura agregar valor financeiro de longo prazo ao seu acionista, considerando práticas sociais e ambientais responsáveis. (ANTUNES R. G., 2007)
)
Os desafios da construção sustentável são: o aumento da produtividade com responsabilidade social, industrialização e racionalização dos processos produtivos, criação de novos materiais ecologicamente corretos e equipamentos que garantam menor consumo de energia e redução de emissão de poluentes na construção e na operação da unidade produzida, criação de sistemas que garantam o menor custo na vida útil da unidade produzida, uso racional e responsável da água, redução da geração, reutilização, reciclagem e correta destinação dos resíduos. (CAMPOS, 2005)
No documento Ciência & Tecnologia para Desenvolvimento Sustentável elaborado a pedido do Ministério do Meio Ambiente, são consideradas as seguintes dimensões de sustentabilidade (CORREA, 200718
a. Sustentabilidade social: ancorada no princípio da equidade na distribuição de renda e de bens, no princípio da igualdade de direitos a dignidade humana e no princípio da solidariedade dos laços sociais.
):
b. Sustentabilidade ecológica: ancorada no princípio da solidariedade com o planeta e suas riquezas e com a biosfera que o envolve.
c. Sustentabilidade econômica: avaliada a partir da sustentabilidade social propiciada pela organização da vida material
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http://www.crea-rs.org.br 18
d. Sustentabilidade espacial: norteada pelo alcance de uma equanimidade nas relações inter-regionais e na distribuição populacional entre o rural/urbano e o urbano.
e. Sustentabilidade político-institucional: que representa um pré-requisito para a continuidade de qualquer curso de ação em longo prazo.
f. Sustentabilidade cultural: modulada pelo respeito à afirmação do local, do regional e do nacional, no contexto da padronização imposta pela globalização.
"Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais" (EPUSP, 200419)
2.3 Indicadores de Sustentabilidade
Conforme descrito na Agenda 21, a informação é de suma importância para que se possam diagnosticar situações sujeitas à modificação e acompanhar o impacto. As informações têm que ser qualitativas e quantitativas para descrever numericamente a realidade e a relação entre diversos aspectos para que possam expressar resultados que forneçam referência para discussão, como por exemplo, o número de empregos gerados na coleta seletiva de lixo e reciclagem, economia no consumo de água e energia, aumento da área verde, e etc. Ainda que nem todas estejam ao alcance do público, são importantes para tomada de consciência do meio ambiente e políticas públicas necessárias para mudanças. (OLIVEIRA, 2007)
O desenvolvimento não deve ser visto somente pelo PIB, e sim por outros indicadores, pois a degradação de recursos naturais traz crescimento ao PIB e a poluição faz empresas gastarem uma fortuna depois para limpar os dejetos tóxicos largados no solo, ar e rios. Portanto, é necessário se estabelecer indicadores que reflitam não só a presença de atributos, mas que monitorem suas possíveis alterações para cada parte do tripé da sustentabilidade: ambiental, social e econômica. (FREITAS; 200420; KAWAZOE, 200721
Um bom indicador alerta sobre um problema antes que se torne grave, e informa qual a ação mitigadora deve ser tomada. Em uma comunidade em crise social, econômica ou ambiental, eles ajudam a solucionar o problema e levam a um futuro melhor. (KAWAZOE, 2007; FREITAS, 2004) )
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Segundo J. M Gusman Ferraz da Embrapa Meio Ambiente, é consenso geral que os indicadores serão capazes de sinalizar a existência de qualquer tipo de degradação do sistema, bem como advertir sobre potenciais perturbações. E para cada sistema deverá ser definido um conjunto de indicadores em função das condições ambientais e socioeconômicas de cada região, perfil dos usuários finais da informação e disponibilidade das mesmas, custos envolvidos na geração de novos dados.
Uma condição importante para fazer e medir a evolução da sustentabilidade é que pessoas que tomam decisões tenham acesso a dados relevantes, isto é, indicadores que servirão de instrumentos para simplificar, quantificar e analisar informações técnicas.
Fatores que devem ser considerados quando se avalia a significância dos impactos ambientais (ANTUNES R. G., 2007):
a. Interesse ambiental: escala do impacto, magnitude e severidade do impacto, frequência e probabilidade de ocorrência, duração do impacto.
b. Legislação: limites estatuários para emissões, metas existentes na companhia, áreas com atenção especial dos programas governamentais, matéria com grande probabilidade de mudança na legislação.
c. Visão das partes interessadas: organismos não-governamentais, órgãos governamentais, acionistas, investidores, empregados, clientes, público em geral.
d. Fatores econômicos: gastos decorrentes da poluição, princípio do poluidor pagador (onde não há resíduo poluente ou dano ambiental tolerado e qualquer dano deve ter um ressarcimento específico, restabelecimento do estado natural anterior), mercado verde, conservação de energia, minimização de consumos.
Existem diversos indicadores para avaliação de qualidade de vida: indicadores de saneamento ambiental (% de domicílios com coleta de lixo adequada), de educação (% de crianças de 1 a 6 anos em creches e pré-escolares municipais), de saúde (% de mortalidade infantil). Alguns índices são questionados por não refletiram a complexidade do problema como, na área da educação, a superlotação das salas e baixa qualificação dos professores. (OLIVEIRA, 2007)
Para a tomada de decisões políticas, são adotados índices sociais e econômicos, mas monitorar e avaliar as mudanças e os impactos ambientais é preciso indicadores comparativos. Um indicador econômico não leva em conta efeitos sociais e ambientais. Indicadores de sustentabilidade não são os tradicionais de sucesso econômico e qualidade ambiental, eles devem relacionar a economia, o meio ambiente e a sociedade de um determinado local ou região. (KAWAZOE, 2007) Um exemplo:
a. Um indicador tradicional econômico: renda média e renda per capta do país. Um indicador sustentável seria o número de horas trabalhadas em relação a média de trabalho necessárias pra as necessidade básicas serem cumpridas.
b. Um indicador tradicional social: testes e pontuação padronizados (Provão, Enem, Etc). Um indicador sustentável seria o número de estudantes treinados para os trabalhos disponíveis na comunidade local e o número de estudantes que ingressam na faculdade e retornam para a sua comunidade.
c. Um indicador tradicional ambiental: toneladas de resíduos sólidos produzidos. Um indicador sustentável seria a quantidade de material reciclado por pessoas, em relação ao total de resíduos sólidos produzidos (uso cíclico das fontes de recursos).
O Banco Mundial (BID) e a UNESCO começaram a adotar critérios sociais e qualitativos para avaliar avanços em direção à sustentabilidade.
De posse de tais indicadores aplicados a partir de processos transparentes por empresas e especialistas isentos e bem preparados, os ganhos com redução de riscos e agregação de valor para as empresas estarão garantidos. Com a qualidade ambiental na dimensão ecológica, a equidade social e a rentabilidade econômica interconectados, temos instrumentos importantes na redução de riscos e de certificação de capacidade de agregar valor a longo prazo.
No Brasil, não existe correlação positiva entre os avanços das pesquisas científicas e tecnológicas em termos de indicadores sociais, ambientais e desenvolvimento humano, apesar de uma grande infraestrutura científica, como universidades e institutos de pesquisa. Já países ricos como os Estados unidos, com maior potencial, adotam posições retrógradas em relação à preservação do meio ambiente.
O método apresentado no Anexo I – Responsabilidade Social Empresarial baseia-se na metodologia desenvolvida pelo Instituto Ethos na busca por um procedimento padrão para avaliação do engajamento na busca pela Responsabilidade Social Empresarial e pelo Desenvolvimento Sustentável.
3 O QUADRO ATUAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL 3.1 Histórico
Nos dias de hoje o setor da construção civil no Brasil é responsável por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) e se encontra num cenário econômico bastante favorável em termos de investimentos e expansão econômica, o que a transforma no maior gerador de empregos diretos e indiretos do país, cerca de 15 milhões de pessoas. Em contrapartida, a informalidade e a pobreza dos operários predominam. Segundo o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos tímidos 1,3% de crescimento em 2005, a previsão de crescimento da construção civil no Brasil entre 2007 e 2010 será de cerca de 8%, dados fornecidos pelo Sindicato da Construção Civil de do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). O investimento em obras de infraestrutura, saneamento básico e habitação previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal e o aumento da oferta de financiamentos habitacionais de longo prazo contribuem para esses índices.
O setor que é o maior consumidor de matérias-primas utiliza 75% dos recursos naturais e é responsável por 40% de todo o resíduo gerado no mundo. Para a produção de materiais como cimento, aço, cerâmica e etc; queima combustíveis fósseis, emitindo 5% de todo o CO2 produzido na atmosfera e contribuindo com emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). Só para a produção de cimento é liberado 10% de todo CO2 emitido no Brasil.
Dos resíduos sólidos produzidos no Brasil, 60% vem de obras de construção civil. Só no Brasil são produzidos cerca de 80 milhões de toneladas por ano de resíduos oriundos da cadeia produtiva desde a construção até a demolição. São, aproximadamente, 500 kg/hab.ano. Parte significante desse resíduo é jogado em áreas inadequadas, causando impacto ambiental, entupimento de bueiros e assoreamento de rios e córregos.
Conforme a figura 01, as edificações hoje representam 50% de todo o consumo mundial de energia, e desses consumidores, 33% são comerciais e 67% são residenciais, e a expectativa de crescimento é de 45% entre 2002 e 2025.
Figura 01: Consumo energético mundial