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Vantagens e desvantagens das modalidades de pagamento

3.2 APRESENTAÇÃO DOS DADOS SOBRE O PROBLEMA DA PESQUISA

3.2.2 Vantagens e desvantagens das modalidades de pagamento

O pagamento antecipado é pior modalidade para o importador, pois o pagamento é feito para o exportador antes de este embarcar a mercadoria, ou seja, o importador repassa o valor da mercadoria sem ter posse da carga. Se o importador não pagar, o exportador não embarca a mercadoria.

Essa modalidade de pagamento é recomendada principalmente para produtos que envolvem um volume de recursos elevadospara produzir e preparar a mercadoria, como por exemplos, máquinas sob encomenda e produtos de alta tecnologia. É a forma mais insegura para o importador e mais segura para o exportador.138 Os importadores tendem a evitar essa modalidade de pagamento e quando ela é escolhida, é por exigência do exportador.

“A remessa antecipada poderá ocorrer, também, no caso de se tratar de mercadoria de valor reduzido, como a compra de um livro, ou quando o importador não é conhecido nos meios comerciais ou ainda, quando a situação política do país do comprador for instável.”139

A modalidade cobrança bancária tem a intenção de ser segura para importador e exportador, porém, na prática essa modalidade tende a ser melhor para o importador. Mesmo quando o importador só tem acesso aos documentos se pagar à vista (CAD), ele pode se recusar a pagar a mercadoria afirmando que não precisa mais desta ou que não quer mais adquiri-la, deixando o exportador com os custos do frete, produção, impostos de exportação.140

No caso de cobrança bancária a prazo o risco é ainda maior, pois o importador já teve posse da mercadoria. Na cobrança a prazo, o importador assina um saque ou letra de câmbio (no caso de cobrança a prazo) se comprometendo a pagar141, mas se ele resolver não pagar, o que pode acontecer é um protesto ou um ação de cobrança, mesmo nesses casos ele já recebeu e, provavelmente, vendeu e lucrou com a venda da mercadoria. Essa modalidade tende a ser evitada para diminuir os custos das operações com banco, mas se importador e exportador

138 VIEIRA, Aquiles. Teoria e prática cambial. 3.ed. São Paulo: Aduaneiras, 2008. p. 213.

139 RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. 10. ed.. São Paulo: Aduaneiras, 2001. p. 78. 140 VIEIRA, Aquiles. Teoria e prática cambial. 3.ed. São Paulo: Aduaneiras, 2008. p. 209-210. 141 LUNARDI, Ângelo Luiz. Operações de câmbio e pagamentos internacionais no comércio exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2000. p. 66-69.

agirem de forma correta, a única desvantagem para ambos seria o custo dos serviços bancários.142

Na cobrança bancária, diferentemente da carta de crédito, os bancos não assumem compromisso de pagar ou se responsabilizar por erro de não pagadores.

A remessa sem saque costuma ser confundida como uma modalidade a parte da cobrança, porém, ela deve ser caracterizada de forma diferente, pois nela o exportador remete a mercadoria para o importador para depois receber o valor a mesma.143

A modalidade remessa sem saque deve ser utilizada quando o exportador tem confiança no importador porque nessa modalidade, os documentos são remetidos diretamente para o importador, que por sua vez consegue liberar a mercadoria com os documentos originais. Via de regra, é uma transação comercial de altíssimo risco e por isso muitos bancos impõem restrições quanto à documentação amparadas nessa modalidade. “Pois, caso o adiantamento já tenha sido concedido ao exportador quando da contratação do câmbio, o risco de inadimplência é iminente, ficando os bancos na dependência de serem ressarcidos pelo exportador principal.”144

No caso dos pagamentos a prazo, a First S/A utilizou remessa sem saque em quase mil e cem processos, onde um acordo entre as partes é feito e firmado, sem ser necessário pagar a mais por isso. Essa modalidade é muito insegura para o exportador, pois ele libera a documentação para o desembaraço na aduana brasileira para depois de 15, 30, 60, 90 ou mais dias receber pela mercadoria vendida. Normalmente o exportador verifica o tamanho da empresa para quem está vendendo, bem como a situação política do país do comprador, para ter pelo menos uma garantia pelo negócio fechado. 145

É de responsabilidade do importador procurar um banco e fechar o câmbio no prazo do pagamento. Nessa modalidade, existem pelo menos três vantagens para o importador: “rapidez no recebimento dos documentos, redução

142 MALUF, Sâmia Nagib. Administrando o comércio exterior do Brasil. São Paulo: Aduaneiras, p.

80-85.

143 BIZELI, João dos Santos. Importação: sistemática administrativa, cambial e fiscal. São Paulo:

Aduaneiras, 2006. p. 89-90.

144VIEIRA, Aquiles. Teoria e prática cambial. 3.ed. São Paulo: Aduaneiras, 2008. p. 131. 145 LUNARDI, Ângelo Luis. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 33.

das despesas bancárias, agilização na utilização ou comercialização do produto importado”.146

Quando uma importação contém duas modalidades, sendo uma antecipada e outra a prazo, oferece garantia e risco para importador e exportador, porque se um importador pagou parte da mercadoria de forma antecipada, ele pode não pagar o resto se a mercadoria não chegar nas condições que foram acordadas no processo, e se a mercadoria chegar conforme combinado, o importador tem um prazo para vender e captar recursos para pagar a outra parte do câmbio. Nesse caso, o risco é maior para o importador que antecipa uma parte do dinheiro, pois como foi comentado acima, o pagamento antecipado só oferece garantia e benefício para o exportador. No caso da importação acontecer como combinado, essa forma de pagamento acaba sendo boa para ambos, oferecendo riscos iguais para as duas partes.

O pagamento á vista pode acontecer através da modalidade remessa sem saque, ou com interferência bancária, como é o caso do CAD. Essa modalidade é a mais “justa” assim dizendo, pois o importador paga pela carga após a chegada da mesma no porto, fronteira ou aduana, mas não antes de nacionalizar a mesma. Dessa forma o risco do pagamento ser Cad, para o importador, é praticamente zero já que o câmbio só é fechado quando a mercadoria já está em território nacional.

A carta de crédito, apesar de usada em apenas seis processos na First S/A em 2009, é a modalidade mais segura de pagar uma importação, pois é “mundialmente utilizada nas operações internacionais, tem como denominação mais correta o crédito documentário. É a modalidade de pagamento mais difundida no comércio internacional, e sua aceitação não tem encontrado qualquer resistência quanto à garantia que transmite ao exportador ou vendedor”. Na carta de crédito, uma das vantagens é que o pagador do câmbio não é o importador e sim um banco, que independente da falha do importador, cumpre com o contrato.147

O envolvimento de mais de um banco em uma operação de carta de crédito faz com que essa modalidade seja evitada quando o interesse principal é evitar custos, mas se há o interesse em proteger a operação de riscos financeiros, a carta de crédito é a melhor opção. “Apropriada para operação de grandes riscos

146 VIEIRA, Aquiles. Teoria e prática cambial. 3.ed. São Paulo: Aduaneiras, 2008. p. 212. 147BIZELI, João dos Santos. Importação: sistemática administrativa, cambial e fiscal. São Paulo,

comerciais e ou políticos, a carta de crédito representa um dos mais seguros sistemas de pagamentos internacionais.”148

Quando uma carta de crédito é aberta a pedido de um importador, ele faz todas as exigências possíveis e necessárias para que a operação de importação seja feita de tal forma a facilitar o desembaraço da mercadoria na aduana do importador. O importador pode exigir uma determinada informação em algum documento, a data de embarque, a quantidade de cópia de documentos e assim por diante. Se o exportador honrar com as exigências do importador e entregar os documentos conforme foi solicitado, ele terá o pagamento garantido por pelo menos um banco. Essa forma de pagamento protege a operação para o importador e o pagamento para o exportador.

A maioria das importações da First S/A foram feitas com modalidades sem qualquer respaldo de segurança, como remessa sem saque e pagamento antecipado porque a First S/A não se responsabiliza pelo pagamento no caso de inadimplência. Atuando como intermediária entre o exportador no exterior, e o importador no Brasil, ela não assume qualquer risco de não pagamento.

A empresa não determina nem influencia na escolha da modalidade de liquidar um câmbio pois quando a fatura comercial chega até a First S/A, a venda da mercadoria já foi negociada com um importador no Brasil, e a modalidade de pagamento já foi definida.

Dessa forma, o quadro abaixo sintetiza as vantagens e desvantagens de cada forma de pagamento:

Vantagens das modalidades de pagamento na importação

Importador Exportador

Pagamento

Antecipado Nenhuma. Recebe o dinheiro antes de embarcar a mercadoria

Remessa sem saque Recebe os documentos antes de pagar pela mercadoria.

Nenhuma

Cobrança bancária Com a intervenção dos bancos, diminui o risco da documentação ser extraviada.

Tem a certeza que o importador só vai receber a documentação se assinar um saque se

148LUNARDI, Ângelo Luiz. Operações de câmbio e pagamentos internacionais no comércio exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2000. p.79.

comprometendo a pagar.

Carta de crédito Segurança e risco assumido por um ou mais bancos.

Segurança e risco assumido por um ou mais bancos.

Quadro 4 - Vantagens das modalidades de pagamento Fonte: Elaboração da autora, 2010.

Com base na idéia de que toda forma de pagamento apresenta vantagens e desvantagens. Segue informações sobre as desvantagens das modalidades de pagamento para o improtador:

Desvantagens das modalidades de pagamento na importação

Importador Exportador

Pagamento

Antecipado Paga sem receber a mercadoria. Risco de não embarque e não devolução do dinheiro.

Nenhuma.

Remessa sem saque Nenhuma. Envia a documentação

necessária para liberar a

mercadoria sem

qualquer garantia de pagamento.

Cobrança bancária Precisa firmar

compromissos de pagamento perante a pelo menos um banco. Com os serviços bancários, o custo da importação fica mais alto.

Nenhuma pois o importador precisa pagar pela mercadoria ou assinar um saque para ter acesso aos documentos.

Carta de crédito Segurança e risco assumido por um ou mais bancos.

Segurança e risco assumido por um ou mais bancos.

Quadro 5 - Desvantagens das modalidades de pagamento Fonte: Elaboração da autora, 2010.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vender ou comprar mercadorias do exterior é o objetivo de muitos empresários brasileiros que buscam no mercado internacional a possibilidade de desenvolver seus negócios e ganhar novos mercados. Porém, o mercado internacional pode apresentar instabilidades econômicas, logísticas e de produção, já que os fornecedores estão espalhados pelo mundo e competem entre si nos mais variados níveis de concorrência (preço, quantidade, qualidade, logística, acessibilidade).

Dentre os pontos importantes de uma importação está a origem, aquisição e, procedência da mercadoria, porque dependendo do lugar aonde ela é produzida, comprada e exportada, o tratamento administrativo pode ser mais ou menos restrito149. Nessa perspectiva, a origem do exportador e importador é importante para classificá-lo como bom ou mau negociador ou pagador, pois dependendo do índice de inadimplência do país, as partes podem sentir necessidade de se proteger mais de riscos inerentes ao comércio exterior.

As quatro modalidades de pagamento estudadas apresentam variações e flexibilidade de prazos, dando ao importador várias possibilidade do fechamento de sua operação. A remessa pode ser sem saque, com saque, a prazo ou à vista, enquanto que a cobrança bancária pode ser à vista ou a prazo; já a carta de crédito apresenta-se de três formas: revogável, irrevogável ou irrevogável confirmada. Essas formas de pagamento têm por objetivo estabelecer uma movimentação segura dos recursos entre o comprador e o vendedor.

As modalidades de pagamentos mais seguras, que são a carta de crédito e a cobrança bancária, tem maior respaldo porque são avaliadas e aprovadas por um ou mais bancos, porém as taxas e custos bancários podem encarecer a operação, sendo que os riscos ainda existem, mesmo que mínimos. Além disso, uma empresa com poucos anos de mercado e sem um bom histórico com bancos, dificilmente obterá a aprovação de tal operação.

149Para consultar o tratamento administrativo da mercadoria é necessário ter a NCM da mercadoria e

consultar a Tecwin ou Siscomex. Através dessa consulta a empresa pode saber os órgãos anuentes, taxas de impostos, necessidade ou não de licenciamento prévio entre outras particularidades.

Apesar disso, mais importante que a forma de liquidar uma operação, é a idoneidade de quem está negociando, pois quem entra em um negócio querendo tirar vantagens extras ou com a intenção de dar um “calote” vai (tentar) fazer isso, independente da forma de pagamento acordada.

Como profissional da área de comércio exterior, a autora concluiu que é necessário se precaver de riscos de calote pelo importador ou pelo recebimento de uma mercadoria em condições não combinadas com o exportador, e isso não será feito apenas pela escolha de uma forma de pagamento segura ou adequada. Pelo contrário, a forma de pagamento é apenas uma das providências tomadas para evitar o prejuízo. É sempre pertinente mensurar os riscos que uma negociação pode trazer. Apenas dessa forma um importador ou exportador pode prevenir-se de danos, riscos ou perdas numa operação. Todas as outras formas de assegurar uma operação têm seus custos e burocracias.

Existem outras formas de precaver-se em uma operação, por meio de um seguro de crédito, por exemplo, que indeniza as perdas e calotes através de uma porcentagem do valor negociado. Existe também o Forfaiting, que é um desconto em notas promissórias internacionais que não fornece o direito de regresso ao exportador. É uma técnica flexível que possibilita o exportador receber á vista e o importador pagar a prazo sem necessidade de comprometer o fluxo de caixa, permitindo com isso, que sejam liberados recursos para investimento em outros negócios. Com forfaiting, o exportador não se preocupa com a inadimplência do importador se exonerando assim com os gastos com controle de cobrança e perda de tempo. Com essa técnica, o exportador e importador estão protegidos contra uma “desfavorável movimentação de juros ou da moeda durante o período do crédito.” 150

Outra possibilidade que pode ser um diferencial é um importador ter a assessoria de um advogado que atue na área internacional, para acionar judicialmente uma empresa devedora ou, até mesmo, contratar uma empresa de serviço internacional de análise de balanços, para avaliar a solvência da empresa com quem está negociando.

No Brasil, há empresas que prestam consultoria quanto à viabilidade de uma importação ou exportação, e mesmo quando o resultado é negativo, é cobrado

150

FORFAITING. Disponível em: < http://www.mttrust.com.br/forfaiting.html > Acesso em: 1 nov.

um custo por esse serviço. Mesmo quando a operação pode ser inviável, o custo que uma empresa cobra por esse estudo é inferior ao prejuízo que uma operação mal feita pode trazer.

O estudo de caso apresentou limitações porque os critérios que os clientes da First S/A negociam a modalidade de pagamento com o exportador não são acessíveis, nem mesmo o comercial da empresa First tem acesso aos critérios utilizados, ou a fatores que influenciam determinada escolha. O fato da empresa First S/A ser uma intermediária de cargas e documentos impossibilitou um estudo aprofundado sobre os efeitos de um calote ou atraso de pagamento para um importador. No caso de um atraso de pagamento por um importador (cliente) a First S/A entra com um protesto contra o importador no Brasil, pois na condição de consignatária da carga, ela pode ser apontada como causadora do “calote”.

Depois do estudo aprofundado e desenvolvimento desse trabalho, conclui-se que cabe ao importador se “armar” de know how suficientes para se proteger o máximo possível dos danos que o comércio internacional pode trazer.

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