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Pagamentos internacionais no processo de importação

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA MARCELI GASTALDI

PAGAMENTOS INTERNACIONAIS NO PROCESSO DE IMPORTAÇÃO: AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS DIFERENTES OPÇÔES DE

PAGAMENTO

Florianópolis 2010

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PAGAMENTOS INTERNACIONAIS NO PROCESSO DE IMPORTAÇÃO: AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS DIFERENTES OPÇÕES DE

PAGAMENTO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais.

Orientador: Professora Kátia Regina de Macedo, Msc.

Florianópolis 2010

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PAGAMENTOS INTERNACIONAIS NO PROCESSO DE IMPORTAÇÃO: AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS DIFERENTES OPÇÕES DE

PAGAMENTOS

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais e aprovado em sua forma principal final pelo curso de Relações Internacionais, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Florianópolis, 22 de novembro de 2010.

______________________________________________________ Professora e orientadora Kátia Regina de Macedo, Msc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Professora Francine Barcellos Régis, Esp.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Prof. Beatrice Maria Zanellato Fonseca Mayer, Msc.

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Esse trabalho é dedicado à minha avó, Marli Gastaldi, por permitir que eu concluísse esse curso de forma digna e honesta; e à minha mãe, Cleonice Gastaldi, pelo incentivo, apoio e conselhos.

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Agradeço primeiramente a Deus por ter me permitido crescer e conviver no meio de pessoas queridas, que me motivaram a seguir meus objetivos, e permitiram que eu concluísse esse curso.

Agradeço á minha avó Marli Gastaldi, pelo amor, dedicação, e por ter acreditado em mim, e à minha mãe Cleonice Gastaldi pelo companheirismo e conselhos sempre na hora certa.

À minha ex coordenadora, Shirle Carbonera Moreira, por ter me apresentado o “mundo” do comércio exterior e ser, hoje, mais que uma ex colega de trabalho, uma querida amiga e conselheira.

À minha melhor amiga, Thaise Girardi Faversani, pela nossa amizade e também pelas horas de conversas, conselhos, carinho, risadas, e companheirismo. Muito obrigada por ser essa pessoa especial em minha vida.

Agradeço à minha orientadora Kátia Regina de Macedo, pelos encontros semanais, dedicação, e, incentivo ao meu aprimoramento como acadêmica.

Agradeço as minhas amigas Juliana Meurer & Meurer e Priscilla Echeverria pelas risadas e conversas no horário de almoço, pelos momentos de descontração e pelas trocas de experiência que me fizeram crescer.

Muito obrigada, Ivana Barufardi, pelos anos de convivência e aprendizado. E, Laura Dyballa por fazer parte da minha vida.

Aos meus colegas, todos, que me acompanharam nesses quatro anos de curso, onde vivenciamos muita coisa juntos, aprendemos e dividimos nossos momentos bons e ruins, momentos esses que vou guardar sempre com carinho.

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“Os ideais que iluminaram meu caminho, e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a verdade, a bondade e a beleza” (ALBERT EINSTEIN).

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O presente trabalho aborda as diversas modalidades de pagamentos no comércio exterior, mais especificamente, na importação. Para tanto, busca-se conceituar as várias modalidades de pagamentos à disposição do importador, sendo elas: remessa antecipada, remessa sem saque, cobrança bancária e carta de crédito. Através da pesquisa documental, pesquisa bibliográfica e estudo de caso o presente trabalho apresenta três capítulos. Inicialmente, para atingir os objetivos propostos, será apresentada uma abordagem teórica conceituando mercantilismo, globalização, comércio exterior e importação. Num segundo momento, a pesquisa apresenta uma descrição detalhada de cada modalidade de pagamento. Finalmente, são apresentados os dados levantados sobre as modalidades de pagamento utilizadas nos processos de importação da empresa First S/A, durante o ano 2009. Observa-se que as quatro modalidades de pagamento apresentam vantagens e desvantagens para o importador, e que a First S/A não interfere na modalidade de pagamento porque não assume riscos em relação ao fechamento do câmbio. Entender como funcionam todas as modalidades existentes é pertinente para qualquer profissional que trabalhe na área de comércio exterior.

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This work broaches the several kinds of payments among the foreign trade, more specifically, on the importation. For that purpose, many ways of payments available for the importer are conceptualized, namely: advance payment, open account, cash collection and the letter of credit. Through desk research, literature review and case study this paper presents three chapters. Initially, to achieve the proposed goals, there will be a presentation of a theoretical approach conceptualizing mercantilism, globalization, foreign trade and importation. Then, the research shows a detailed description of each payment method. At last, some collected data about the payment procedure used on the importation process of the company First S/A, during the year of 2009, will be shown. It was verified that the four different payment methods have advantages and disadvantages in both the importer and the exporter perspective and that Fist S/A does not interfere in the payment mode by reason of not taking risks about the exchange rate closure. Being able to understand all kinds of existing modalities is pertinent for any professional of the foreign trade field.

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Quadro 1 - Modalidades de pagamento ... 31

Quadro 2 - Tipos de contratos de câmbios ... 46

Quadro 3 - Etapas de um contrato de câmbio ... 47

Gráfico 1 – Formas e modalidades de pagamento de acordo com a First S/A ... 52

Gráfico 2 - Quantidade de dias utilizados para a remessa sem saque a prazo ... 53

Tabela 1 - Pagamento à prazo ... 53

Gráfico 3 - As quatro modalidades de pagamentos na First S/A em 2009 ... 54

Quadro 4 - Vantagens das modalidades de pagamento ... 59

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1 INTRODUÇÃO ... 11

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA ... 12

1.2 OBJETIVO ... 14 1.2.1 Objetivo Geral ... 14 1.2.2 Objetivos específicos ... 14 1.3 JUSTIFICATIVA ... 15 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 16 1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA ... 18 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 19 2.1 MERCANTILISMO ... 19 2.2 GLOBALIZAÇÃO ... 21 2.3 COMÉRCIO EXTERIOR ... 24 2.4 IMPORTAÇÃO ... 26

2.4.1 Modalidade de pagamento utilizada nas importações ... 29

2.3.1.1 Remessa Antecipada ... 31

2.3.1.2 Remessa sem saque ... 32

2.4.1.3 Cobrança bancária ... 33

2.3.1.3.1 Cobrança bancária á vista ... 34

2.3.1.3.2 Cobrança bancária a prazo ... 34

2.4.1.4 Carta de crédito ... 35

2.3.1.4.1 Carta de crédito revogável ... 39

2.3.1.4.2 Carta de crédito irrevogável ... 39

2.3.1.4.3 Carta de crédito irrevogável confirmada ... 40

2.3.1.4.4 As partes de um crédito e suas obrigações ... 40

2.4.2 Contrato de câmbio ... 44

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ... 48

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ... 48

3.2 APRESENTAÇÃO DOS DADOS SOBRE O PROBLEMA DA PESQUISA ... 49

3.2.1 Modalidades de pagamento das importações da First S/A ... 50

3.2.2 Vantagens e desvantagens das modalidades de pagamento ... 55

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 60

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1 INTRODUÇÃO

Nenhum país consegue manter sua economia prosperando e se desenvolvendo sem se relacionar economicamente e politicamente com outros países, pois todos os aspectos da economia de um país, como agricultura, indústrias e setores de serviços, estão ligados às economias de seus parceiros comerciais. É através da mão de obra, investimentos, tecnologias e, principalmente, do movimento internacional de bens e serviços que as economias se entrelaçam e tornam-se interdependentes. “Nenhuma política econômica nacional pode ser feita sem levar em consideração repercussões no âmbito das relações internacionais.”1

A globalização fomentou o comércio exterior e implantou novos padrões para o desempenho produtivo, tecnológico, logístico para as empresas que querem alcançar um respeitável nível de competitividade no comércio internacional. 2

A popularização do termo globalização ocorreu na década de 1980 e, passou a ser associado ao nível de interação entre as economias mundiais. Assim, o processo de globalização passou a ser considerado como uma constante no mundo moderno. Esses acontecimentos não se restringem apenas às transações comerciais e econômicas, abrangem também as outras áreas que integram as sociedades e ajudam na sua interação, como os âmbitos cultural, social e político.3

Samir Keedi afirma que com a exportação, um país tem como objetivo vender a parcela excessiva de uma produção, possibilitando o crescimento de sua economia e uma integração cada vez maior dentro da economia mundial. Com as importações, um país tem a oportunidade de obter produtos que não pode, não consegue ou não tem possibilidade de produzir, de modo a suprir eventuais falhas em sua conjuntura econômica. É com a importação que um país possibilita o acesso a produtos considerados distante, deixando o mercado mais competitivo com a entrada desses produtos estrangeiros.4

1 CARBAUGH, Robert J. Economia internacional. São Paulo: Piorneira Thomson Learning, 2004.

p.3.

2 DI SENNA JUNIOR, Roberto. Comércio internacional e globalização: a clausula social na OMC.

São Paulo: Editora Afiliada, 2003. p. 51.

3 FONSECA, Carla. O que é globalização. Disponível em: <

http://pt.shvoong.com/social-sciences/political-science/1626460-que-%C3%A9-globaliza%C3%A7%C3%A3o/ > Acesso em: 20 jul. 2010.

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O comércio exterior representa um grande diferencial entre os países, porque a interação entre as economias possibilita um benefício que os países e cidadãos desses países poderão alcançar através da troca de mercadorias e serviços, tanto no envio de mercadoria como na produção e recebimento de produtos de terceiros países.5

Quando um exportador decide que vai vender determinado produto e o importador que deseja comprar esse determinado produto, cabe aos dois negociarem a melhor forma de pagamento. É do interesse do exportador se sobrepor à forma de recebimento do montante, já que, dependendo da mercadoria, o produtor ou fabricante pode precisar de recursos para a compra de insumos ou outros materiais necessários à produção dos bens. Ao importador interessa obter um prazo para pagar e ter a segurança que receberá os documentos sem divergência de informações para liberar a mercadoria na fronteira ou porto.6

Esse trabalho tem como objetivo verificar as modalidades de pagamentos internacionais em uma importação, apresentando uma abordagem explicativa e qualitativa dessas viabilidades de acordo com segurança para o importador.

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA

Um dos maiores problemas enfrentados pelos empresários e profissionais que atuam na área de comércio exterior é encontrar a melhor e mais segura forma de celebrar uma compra e venda, de forma que o importador receba a mercadoria e a documentação como necessita, e o exportador receba o valor da transação no prazo, modalidade e moeda acordado no contrato.7

São quatro as modalidades de pagamento no comércio exterior, remessa antecipada, remessa sem saque, cobrança e carta de crédito. Essas modalidades existem a fim de fazer da forma de pagamento um meio seguro para a operação. Toda forma de pagamento apresenta riscos para uma das partes; escolher a melhor

5 KEEDI, Samir. Logística de transporte nacional. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 23.

6 RATTI, Bruno. Comércio Internacional e Câmbio. 11. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007. p. 77-90. 7 LUNARDI, Ângelo Luis. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 21.

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forma de liquidar uma dívida de comércio exterior envolve fatores que podem estar longe do controle das partes intervenientes.8

Não são raras às vezes em que ambas as partes negociantes optam por amparo na intervenção de terceiros, podendo ser este um banco ou uma seguradora. Lunardi afirma que a evolução dos negócios internacionais está envolvendo cada vez mais a utilização de técnicas que asseguram a boa consumação dos entendimentos internacionais, exigindo para esse fim, a garantia de pagamento plurivincular9 com a intervenção de pessoas físicas ou jurídicas, ou seja, que tenha mais de um vínculo de compromisso.10

O comprador tem como principal risco a falha na entrega da mercadoria. Para isso, é necessário que o importador saiba da forma de produção do exportador, se o exportador e fabricante são os mesmos, qual a origem, aquisição e procedência da mercadoria comprada, quais os parceiros comerciais do exportador e fabricante, sua estrutura logística, capacidade de produção, forma de produção, reconhecimento no mercado, reconhecimento de marca ou qualidade, e também se deve considerar a situação política e governamental do país de origem da mercadoria, para estar ciente de possíveis restrições comerciais que possam ser impostas pelo país exportador para exportar para o Brasil ou para a mercadoria entrar no Brasil (órgãos anuentes11 e certificados12, por exemplo).13

Percebe-se que nessa área não atuam apenas as vontades de comprar e vender; existem fatores que independente da idoneidade das partes que estão negociando, podem influenciar uma operação de muitas formas.14

Lunardi afirma que, no comércio exterior são muitas as variáveis que influenciam no sucesso ou fracasso de uma operação, a taxa do dólar, a distância entre o comprador e o vendedor, o interesse do exportador em vender e do

8 RATTI, Bruno. Comércio Internacional e Câmbio. 11. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007. p. 77-103. 9 Pagamento plurivincular é aquele onde participam da negociação mais que dois entes. No caso

pode ser uma seguradora, um banco, uma cooperativa de crédito ou outra entidade que não o beneficiário e o pagador.

10 LUNARDI, Ângelo Luiz. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 21-22. 11 Órgãos anuentes estabelecem normas e pré-requisitos de documentos, qualidade, fabricação,

comercialização, barreiras, restrições, etc... para a importação de determinado produto. Um produto pode ter um ou mais órgão anuente. Exemplo de órgãos anuentes: Anvisa, Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento, Secex, Decex, Inmetro.

12 Alguns produtos importados precisam de certificados que comprovam a origem da mercadoria,

pureza, acidez, qualidade, entre outros. Um produto pode precisar de um ou mais certificado. Exemplos de certificados: certificado de análise, certificado de origem, certificado fito sanitário, certificado de seguro, certificado de inspeção.

13 LUNARDI, Ângelo Luiz. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 22-23. 14 RATTI, Bruno. Comércio Internacional e Câmbio. 11. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007. p. 77-86.

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comprador em comprar, a situação do fluxo de caixa das empresas negociadoras, sistema econômico adotados pelos países, a conjuntura internacional da economia dos países das empresas, entre outras.15

O pagamento de uma importação é uma etapa importante do processo, onde o importador paga pela mercadoria que compra a fim de quitar uma parte da operação e permitir o andamento do processo. Porém, existem quatro modalidades e muitas formas de liquidar um câmbio na importação.

Diante dessa situação, quais são as vantagens e desvantagens que as modalidades de pagamento oferecem para que as partes celebrem um processo de importação?

1.2 OBJETIVO

Tomando como base o problema apresentado, apresentam-se na seqüência os objetivos do trabalho.

1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo geral desse trabalho é analisar as vantagens e desvantagens que as modalidades de pagamentos oferecem para a First S/A, como forma de liquidar o câmbio de um processo de importação.

1.2.2 Objetivos específicos

De forma a responder o objetivo geral, seguem os objetivos específicos:

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a) Caracterizar as modalidades de pagamentos utilizadas pelas importações da First S/A no ano de 2009, focada nas informações de pagamentos das faturas comerciais emitidas pelos exportadores, e a freqüência de importações com cada uma das quatro modalidades de pagamento: remessa antecipada, remessa sem saque, cobrança bancária e carta de crédito.

b) Descrever as vantagens e desvantagens de cada uma das modalidades de pagamento nas importações para o importador e os seus respectivos riscos em relação ao recebimento da mercadoria e documentação.

1.3 JUSTIFICATIVA

Nos negócios internacionais, os participantes estão correndo riscos comerciais, podendo ser tanto o vendedor ou comprador desonesto, como um governo que não permita a entrada ou saída de alguma mercadoria. Nesse caso, é indispensável para o exportador fazer uma análise de potenciais clientes, situação econômico-financeira, atuação no mercado nacional e internacional, idoneidade, segmento de atuação, para depois atribuir algum crédito a ele. A análise do risco de não pagamento do cumprimento do contrato pode ser estendida a um banco, quando esse aparece na operação como garantidores ou emitentes.16

Antes de fechar um contrato e celebrar uma operação de importação, ambas as partes, importador e exportador, ficam a mercê de riscos políticos, riscos técnicos e de qualificação profissional, risco de idoneidade e também fenômenos e/ou catástrofes naturais. Apesar desse último também ser previsível, ele não depende da boa vontade ou intenção do comprador ou do vendedor. Feita esse aprofundamento comercial em torno de novos parceiros e clientes, o setor comercial da empresa poderá definir a forma de negociação que pretende tomar com determinado parceiro.17

16 LUNARDI, Ângelo Luiz. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 21-26. 17 LUNARDI, Ângelo Luiz. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 21-26.

(16)

Com essa situação verificam-se dois pontos: a falta de trabalhos acadêmicos que detalhem, de forma expositiva, as quatro modalidades de liquidar uma operação de comércio exterior, e trabalhos que expliquem qual a melhor forma de liquidar uma operação de importação pela perspectiva do importador e do exportador.

A fim de contribuir para o entendimento de profissionais que estão trabalhando com processos de importação ou exportação, ou participam de apenas uma parte da operação de comércio exterior, foi apresentada de forma detalhada e objetiva as modalidades de pagamento no comércio exterior.

Escolher a melhor forma de liquidar uma operação de comércio exterior sempre será tarefa para ser realizada com cautela, visto que os valores envolvido em uma operação é de suma importância para a realização da mesma.

Tornou-se muito importante um estudo detalhado e explicativo das modalidades de pagamento e suas obrigações e responsabilidades perante o vendedor, comprador ou outro agente participante na operação.

A autora motivou-se a escrever sobre o assunto após trabalhar quase dois anos com importação, sendo fundamental essa experiência para o seu futuro profissional.

Esse trabalho de conclusão de curso apresentou dois principais objetivos: servir de fonte de consulta para profissionais que atuam ou pretendem, de alguma forma, se envolver com comércio exterior, buscando entender melhor a parte que envolve a contratação de câmbio na importação.

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

São muitas as formas de classificar uma pesquisa, são incontáveis e absolutamente diversas as classificações da metodologia que se pode encontrar na literatura especializada.18

Essa pesquisa é classificada como exploratória pois a autoria teve como objetivo tornar mais explícito o problema, aprofundando as idéias sobre o objeto de estudo19.

18 VENTURA, 2002 apud HEERDT, Mauri Luiz. O projeto de pesquisa. Disponível em: <

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Em relação à forma de abordagem, o presente trabalho tem uma parte quantitativa e outra qualitativa; foi analisada uma planilha de processos do grupo de empresas First S/A com os dados do câmbio de cada processo no ano de 2009, para com essas informações, verificar a ocorrência de cada uma das quatro modalidades de pagamento entre as importações da empresa First S/A. A abordagem qualitativa foi feita com base em pesquisa bibliográfica que detalha as garantias, riscos e segurança de cada pagamento, evidenciando a carta de crédito como forma mais segura, onde é notável a relação entre o mundo real e o sujeito a ser pesquisado20.

O objetivo da pesquisa foi exploratório, pois ao coletar dados dos processos de importação da empresa de comércio exterior First S/A foi exposto às características do tipo de câmbio utilizado, proporcionando uma familiaridade com o problema pesquisado21. Essa pesquisa assumiu caráter de estudo de caso visto que foram analisadas as importações da First S/A em 200922. Estudo envolve o estudo de poucos objetos, no caso planilha, livro e artigos, que permitiu o seu amplo e detalhado conhecimento e estudo de campo, pois foi pesquisada uma realidade específica, os critérios que são relevantes para a determinação da escolha de pagamento, e para isso foi feita uma observação direta das atividades do grupo estudado, a First S/A, com profissionais que forneceram as explicações e interpretações do que ocorre na realidade da operação.23

Os procedimentos técnicos utilizados para a coleta de material são: pesquisa bibliográfica, pois foi elaborada a partir de material já publicado, como livros sobre comércio exterior e com material disponibilizado na internet. “A pesquisa bibliográfica é a que se efetua tentando resolver um problema ou adquirir conhecimentos a partir do emprego predominante de informações advindas de material gráfico, sonoro e informatizadas”. Pesquisa documental, pois foram

19 ALVES, Magda. Como escrever teses e monografia. São Paulo: Campus, 2006. p. 54.

20 SEVERINO. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2008. p.118. 21 HEERDT, Mauri Luiz. O projeto de pesquisa. Disponível em: <

http://inf.unisul.br/~ines/pccsi/O_PROJETO_DE_PESQUISA_2004B.doc > Acesso em 3 dez. 2010.

22SEVERINO. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2008. p. 118. 23 SILVA, Cassandra Ribeiro de O. Metodologia e organização do projeto de pesquisa: (guia

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analisados dados que não receberam tratamento analítico como a planilha de processos encerrados da empresa First S/A.24

1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA

Este trabalho está dividido em três capítulos, cada um abordando os seguintes aspectos:

a) No capítulo 1 estão especificados a exposição do tema e do problema, bem como os objetivos gerais e específicos, a justificativa, a metodologia e a estrutura da pesquisa.

b) No capítulo 2 está detalhada a revisão bibliográfica, que é a base teórica da pesquisa, de forma a explicar a importância da fatura comercial na decisão das modalidades de pagamentos do comércio exterior. Nesse mesmo capítulo estão explicadas quais são as quatro modalidades de liquidar uma operação de importação: a remessa antecipada, remessa sem saque, a cobrança bancária e a carta de crédito. Incluindo as partes que se envolvem para que seja celebrado um pagamento internacional e o papel de cada banco numa operação de carta de crédito.

c) No capítulo 3, há uma caracterização da empresa First S/A, dados estatísticos sobre as modalidades de pagamento, utilizadas nas importações da empresa e a apresentação dos doados sobre o problema da pesquisa, necessária para a contextualização do problema.

d) Após os três capítulos citados acima, são apresentadas as considerações finais e recomendações no capítulo 4.

24 BARROS, A.J.S.; SOUZA, N.A. Fundamentos da metodologia: um guia para a iniciação

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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Neste capitulo é feito o levantamento do aporte teórico para o desenvolvimento da pesquisa.

2.1 MERCANTILISMO

“O mercantilismo estabeleceu as bases que fundamentam as relações entre as nações num período de formação do estado nacional”. As relações comerciais entre os países, nos dias de hoje, são baseados nos princípios que eram defendidos pelos mercantilistas; “muitas de suas definições, conceitos e formulações permanecem profundamente atuais, e muitos de seus programas de governo poderiam servir para o incremento do comércio exterior de muitas nações ainda hoje.”25

O período mercantilista vigorou entre os séculos XV e começo do século XVIII e resultou da expansão do comércio iniciada no final da idade média, atingindo o seu ápice após o descobrimento da América e do caminho marítimo das Índias. As idéias do mercantilismo expressavam os interesses dos Estados Nacionais e da burguesia em crescimento, que contradizia com o feudalismo.26

Os monarcas se interessavam pelo poder enquanto a burguesia estava preocupada com o aumento de riquezas. Porém, poder e riqueza estavam coligados, pois o poder só poderia ser exercido com o apoio de exército bem armados que era sustentado à custa de abundantes recursos, enquanto que a riqueza só poderia ser mantida e multiplicada em um ambiente onde leis e direitos fossem respeitados, principalmente o direito a propriedade.27

O período mercantilista é considerado revolucionário “pelas profundas transformações que promoveu na sociedade da época”, caracterizando-se como

25 DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.) . Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo:

Atlas, 2008. p. 49.

26 CARVALHO, Maria Auxiliadora de; SILVA, César Roberto Leite. Economia Internacional. 4.ed.

São Paulo: Saraiva, 2007. p. 3-4.

27

CARVALHO, Maria Auxiliadora de; SILVA, César Roberto Leite. Economia Internacional. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p 3-4.

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“uma revolução comercial que integrou a América, África e Ásia nos marcos do sistema econômico europeu”. O mercantilismo também nos trouxe o desenvolvimento da navegação no oceano atlântico, a consolidação da produção manufatureira, o aumento da circulação de moeda e mercadoria, as operações financeiras de crédito, seguros entre outras tiveram um significativo aumento.28

É inegável a importância do comércio no mercantilismo, porém os mercantilistas acreditavam que para um país fazer mais exportações do que importações era necessário que outro país apresentasse uma situação oposta, ou seja, mais importações do que exportações, e o mesmo vale para um grupo de países. Essa visão simplista do balanço entre importação e exportação não admitia o livre comércio, pois nessa época o comércio não era visto como uma relação que se complementava através das trocas, e sim uma “guerra comercial” onde os meios justificavam os fins. Na época mercantilista que os países se relacionavam como empresas, competindo e se complementando (enquanto que no feudalismo as sociedades se organizavam em feudos). Essa situação chegou a um ponto onde alguns países apoiavam a pirataria a fim de desequilibrar o lucro de um outro país.29

Apesar do mercantilismo não ser considerado uma teoria, ele pode ser entendido a partir da visão que “se tinha na época do que constituída a riqueza e o poder de uma nação.” Acreditava-se que uma nação seria mais rica de acordo com a quantidade de seus metais preciosos (nessa época os pagamentos eram feitos com ouro e prata). Essa visão diz que o Estado deveria tomar providências para aumentar o bem estar da população, estimulando o comércio e a indústria, esta vista com mais importância para a agricultura e favorecendo as exportações, que na época era a principal maneira de aumentar o volume de metais preciosos no país.30

“Essa última função do Estado, de aumentar as exportações, defendida pelos mercantilistas, é a que interessa mais de perto à análise da evolução do estudo da economia internacional”, pois fica claro que um país ficaria rico se

28

DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo: Atlas, 2008. p. 50.

29 DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo:

Atlas, 2008. p. 29.

30CARVALHO, Maria Auxiliadora de; SILVA, César Roberto Leite. Economia Internacional. 4.ed.

(21)

obtivesse superávit comercial nas transações com seus parceiros, ou seja, com as exportações maiores que as importações.31

Através das informações sobre o que foi o mercantilismo, como ele atingiu seu ápice e mudou a forma como os países se relacionavam, é notável que o sistema mercantilista foi um dos caminhos para o avanço da globalização.

2.2 GLOBALIZAÇÃO

Durante a história o homem promoveu uma série de mudanças para facilitar a fluência do comércio, dentre elas estavam mecanismos comerciais para facilitar o fluxo de mercadorias e uma melhor regulamentação desse sentido. A partir do século XX com a redução dos custos dos meios de transporte, comunicação e surgimento da internet, as integrações políticas, culturais, econômicas e sociais foram impulsionadas por esse fenômeno da globalização.32

A globalização “é a unificação do mercado em escala mundial”. Ela completa a obra iniciada há cinco séculos pelos grandes navegadores que descobriram a América33. Com a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), as barreiras que impedem o livre comércio estão gradualmente sendo eliminadas e o mundo vai se transformando em um só mercado, o mercado global. Essa situação tende a favorecer as grandes empresas, porque elas tem uma produção de larga escala, o que reduz os custos e as deixa mais competitivas.34

Embora o termo globalização tenha se tornado uma expressão de uso corrente, sendo utilizada nos mais variados contextos, este fenômeno teve início no início do século XVI com a expansão da economia européia para as regiões da

31

CARVALHO, Maria Auxiliadora de; SILVA, César Roberto Leite. Economia Internacional. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 3-4.

32 RAMOS, José Maria Rodriguez. Dimensões da globalização: comunicações, economia, política e

ética. Disponível em: < http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/rel_01/dimensoes.htm > Acesso em: 20 jul. 2010.

33 RICICÚPERO apud MAIA, Jayme de Mariz. Economia internacional e comércio exterior. 9. ed.

São Paulo: Atlas, 2004. p. 75.

34

MAIA, Jayme de Mariz. Economia internacional e comércio exterior. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 75.

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América, Ásia e África. Atualmente o termo globalização tem sido utilizado para indicar uma interdependência entre as econômicas.35

Eduardo Bassi diz que a globalização pode ser definida como um processo de integração mundial envolvendo principalmente os setores de comunicação, e economia, finanças e negócios. Com a velocidade que se expande, a globalização está afetando indivíduos no mundo todo, pequenas, médias e grandes empresas e nações, porque altera os fundamentos sobre os quais se organizou a economia mundial nos últimos 50 anos.36

Ao caracterizarmos a globalização como um fenômeno, esta deve ser entendida como uma obra humana, e como resultado de vários processos políticos e econômicos, tornando-se cada vez mais uma forma de organização e condição da sociedade humana. Particularmente no âmbito econômico, se constituem em novas estruturas entrelaçadas de tal maneira que tornam os países interdependentes. Desempenham um papel fundamental nesta integração as corporações transnacionais e as organizações multilaterais, tais como: a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird).37

Os avanços tecnológicos nas áreas de transporte, comunicação e informação, bem como a difusão das idéias e conhecimentos pelo mundo inteiro, estão contribuindo decisivamente para o processo de globalização. As principais empresas transnacionais38 do mundo estão procurando a maximização de lucro e do acúmulo de capital, exercendo assim, pressões sobre os governos para facilidade a integração global e ampliar a transnacionalização da economia mundial.39

Os primórdios do avanço da globalização podem ser encontrados na década de 60, quando os países da periferia econômica começaram a ser influenciados pelas expansões das empresas transnacionais no mundo, pela nova divisão internacional do trabalho, pelos empréstimos bancários baratos no comércio

35

DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo: Atlas, 2008. p. 158-159.

36 BASSI, Eduardo. Globalização de negócios: construindo estratégias competitivas. São Paulo:

Cultura editores associados, 1997. p. 29.

37 DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo:

Atlas, 2008. p. 159.

38 Empresas transnacionais são empresas que possui uma matriz em um país, mas atua em diversos

outros países através de redes, filiais ou fábricas. Normalmente essas empresas instalam suas fábricas em outro país em busca de mão de obra, mercado consumidor, corte de custos, recursos energético entre outros. Essas empresas estão ligadas à globalização de produção, isso significa que o produto pode ter componentes de várias partes do mundo, mas é montado em um determinado local. A empresa transnacional. Disponível em: < http://www.frigoletto.com.br/GeoEcon/transnac.htm > Acesso em: 15 set. 2010.

39 DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo:

(23)

do eurodólar e pelo “boon” do petróleo. A partir da década de 80 o mundo passa por uma turbulência conhecida pela reestruturação capitalista, que foi sustentada na prática pelo avanço da internet e das comunicações, o que permitiu a descentralização dos processos produtivos. A informática influenciou todos os setores da economia de uma nação e ajudou a revolucionar o sistema financeiro através da praticidade e segurança que oferece, pois ela permitiu que mercados distintos e distantes se encontrassem na mesma rede.40

A globalização financeira pode ser definida como uma interação de três diferentes processos ao longo dos últimos 25 anos: “a expansão extraordinária dos fluxos financeiros internacionais, o acirramento da concorrência nos mercados internacionais de capitais e a maior integração entre os sistemas financeiros nacionais.”41

Quando uma empresa se instala em algum país e aqui no Brasil temos centenas de empresas internacionais, elas estão fazendo nada mais do que se globalizando, trazendo pessoas, tecnologia, informações e muito mais com as suas instalações.42

A internacionalização da economia mundial é uma realidade. Os dinamismos das forças econômicas estão ultrapassando as fronteiras nacionais. As expectativas de liberdade, democracia e comércio ampliam-se para os povos ligados na “onda da informação”. Conhecer esse processo de globalização da economia constitui-se, sem dúvida, em uma condição para a isenção das economias dos países no contexto mundial.43

Dentro dessa perspectiva, a economia mundial está deixando de ser um agregado de economias nacionais para se converter a uma economia-mundo, onde se convertem a uma gradual e progressiva evolução para um único sistema econômico mundial.44

O sociólogo inglês Anthony Giddens definiu a globalização como “a intensificação de relações sociais em escala mundial que ligam localidades distantes de tal maneira, que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-e-versa”. Com o avanço da internet, um fornecedor

40

KUNZLER, Jacob Paulo. Mercosul e o comércio exterior. São Paulo: Aduaneiras, 1999. p. 37.

41 BAUMANN, Renato; CANUTO, Otaviano; GONÇALVES, Reinaldo. Economia Internacional: teoria

e experiência brasileira. São Paulo: Campus, 2004. p. 221.

42

KEEDI, Samir. ABC do comércio exterior: abrindo as primeiras páginas. São Paulo: Aduaneiras, 2002. p. 38.

43

KUNZLER, Jacob Paulo. Mercosul e o comércio exterior. São Paulo: Aduaneiras, 1999. p. 37.

44

WALLERSTEIN apud DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo: Atlas, 2008. p. 162.

(24)

pode entrar em contato com potenciais clientes em outras partes do mundo, conhecer outros parceiros comerciais, bem como fechar uma venda ou uma transação financeira desencadeando muitas conseqüência para as economias.45

No Brasil, a globalização se tornou um fenômeno mais presente a partir da década de 90, quando nosso país abriu a economia para o mundo, só que dessa vez também aeroportos, pontos de fronteiras, integrando assim a economia brasileira com a mundial, quando, antes tarde do que nunca, esse processo de um mundo sem fronteiras foi percebido de uma forma realista.46

É percebível que a globalização aperfeiçoou a forma como as pessoas se comunicam e trabalham, deixando os procedimentos mais seguros, acirrando a concorrência, fomentando o comércio exterior e as relações internacionais entre as empresas e países.

2.3 COMÉRCIO EXTERIOR

O comércio exterior abrange cinco atividades, tais como exportação (quando um país envia bens para outro país), importação (quando um país recebe bens de outro país), reexportação (ocorre quando um país recebe mercadoria de outro país com a finalidade de reenviá-la para um terceiro país), re-importação (ocorre quando um país recebe mercadoria que ele mesmo havia importado) e relação de troca (ocorre quando um país exporta pelo mesmo preço com que importa).47

Cláudio César Soares conceitua comércio exterior:

Como uma operação de compra e venda internacional sendo aquela em que dois ou mais agentes econômicos, sediados e/ou residentes em países

45 GIDDENS, Anthony apud KUNZLER, Jacob Paulo. Mercosul e o comércio exterior. São Paulo:

Aduaneiras, 1999. p. 38.

46 KEEDI, Samir. Logística de transporte internacional: veículo de competitividade. 2. ed. São

Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 69-70.

47 RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. 11.ed. São Paulo: Aduaneiras, 1994. p.

(25)

diferentes, negociam uma mercadoria que sofrerá um transporte internacional e cujo resultado financeiro sofrerá uma operação de câmbio. 48

De acordo com Maia, não só o comércio ficou internacional, também outros atos humanos relacionados com a atividade econômica, não respeitaram as fronteiras nacionais formando assim um conjunto de atividades que constituem a economia internacional, são elas: importação e exportação, serviços, transferências de renda, transferências unilaterais e movimentos de capitais.49

Alguns fatores contribuem para que um país busque sua isenção no comércio internacional e seu ingresso no comércio exterior: as alternativas de mercado, redução de custos, redução de tributos, aprimoramento na qualidade, tecnologia e geral da empresa. Esse comércio é impulsionado pelo grau de mobilidade dos fatores de produção, natureza do mercado, existência de barreiras aduaneiras e outras restrições, distâncias e variações monetárias e de ordem legal, informações e tendências de mercado, qualidades vislumbradas entre outros.50

Em relação às empresas Brasileiras, a atividade de comércio exterior consolidou-se a partir de 1967. Antes dessa data o Brasil vendia basicamente produtos primários (café, minério de ferro, cacau, entre outros) e os valores da exportação não ultrapassavam 1 bilhão de dólares americanos por ano. Em 1968, o governo federal criou um elenco para estimular e incrementar as vendas externas e o resultado foi que o Brasil registrou, nas últimas três décadas do século XX.51

Atualmente no Brasil, há dificuldade de comercialização com o mercado internacional, por parte das empresas e dos profissionais da área de exportação e importação, pois apesar dos avanços da tecnologia, ainda há a burocratização por parte do governo brasileiro. O comércio exterior acontece, “entre outras razões, para garantir divisas, como as que pagam os serviços de nossa dívida externa, e para adquirir bens e serviços, os quais não se têm, pruduz-se pouco ou mal, em razão de qualidade, preço, tempo, tecnologia, etc.”52

48 SOARES, Cláudio César. Introdução ao comércio exterior: fundamentos teóricos do comércio

internacional. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 256.

49 MAIA, Jayme de Mariz. Economia internacional e comércio exterior. 9. ed. São Paulo: Atlas,

2004. p. 26.

50 MALUF, Sâmia Nagib. Administrando o comércio exterior do Brasil. São Paulo: Aduaneiras, p.

23-24.

51 BERHRENDS, Frederico L. Comércio exterior. 7. ed. Rio Grande do Sul: Síntese, 2002. p.24. 52 DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo:

(26)

Na medida em que o comércio internacional cresceu, os governos dos países começaram a querer medi-lo a fim de avaliar a importância do seu desenvolvimento e valor e lidar com problemas econômicos como inflação, escassez de divisas, contingenciamento de importação, dessa forma surgiu um registro que foi “semente” do balanço de pagamento. Portanto, havia necessidade de uma “peça contábil” para registrar, classificar e interpretar os números das transações comerciais. Esse assunto tornou-se do interesse geral até que o FMI criou um padrão internacional de contas e passou a divulgar os resultados dos balanços de pagamentos dos países membros.53

A troca de mercadoria entre os países ocorre para garantir divisas, como por exemplos as que pagam os serviços de nossa dívida externa, e para adquirir bens e serviços que um país não tem, produz pouco ou nada em razão da qualidade, preço, tempo, tecnologia, entre outros.54

2.4 IMPORTAÇÃO

É chamada de importação a entrada de mercadoria no país que provém do exterior, em nosso país. Assim como na exportação, a importação compreende serviços ligados à aquisição desses produtos tais como contratação de frete, seguro, serviços bancários, entre outros.55

A partir de 1988 o Brasil iniciou um processo chamado de abertura comercial, por meio de uma nova política de comércio exterior, sendo o objetivo principal a inserção do país no mercado internacional.

Pode-se dividir este período em duas fases: inicialmente, de 1988 a 1990, eliminaram-se parcelas redundantes das tarifas. Na segunda fase, a partir de 1990, houve a eliminação de barreiras não-tarifárias e foi aplicado um cronograma de redução gradual de tarifas. Como resultado, os principais instrumentos de proteção à indústria doméstica passaram a ser a taxa de

53 MAIA, Jayme de Mariz. Economia internacional e comércio exterior. 9. ed. São Paulo: Atlas,

2004. p. 248.

54

DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo: Atlas, 2008. p. 213.

(27)

câmbio e as tarifas de importação, reduzindo a importância das barreiras não-tarifárias.56

Em relação às importações, se destacam como principais alterações a eliminação de barreiras não tarifárias, a redução de alíquotas de imposto de importação e a eliminação da maioria dos regimes especiais, fazendo, com que o nível de proteção à indústria doméstica diminuísse. A redução de tarifas, que era para ser estabelecido entre os períodos de 1988 a 1994 e deveria acontecer de forma gradual para que pudesse servir de mecanismo como um importante instrumento de controle das importações. Porém, em 1992 a autoridade monetária alterou o cronograma de estímulos às importações para os dois próximos anos, que trouxe avanços positivos no processo de abertura comercial brasileira.57

Essa diminuição do nível de proteção da indústria nacional tinha como objetivo estimular a concorrência internacional através da modernização da indústria a médio ou longo prazo. A abertura da economia possibilitou as empresas adquirirem bens de capitais e de tecnologia avançada disponível no mercado internacional, impactando diretamente no parque produtivo brasileiro, através dos ganhos de escala indispensáveis para o incremento da competitividade no mundo globalizado.58 Porém, essa abertura comercial, principalmente a partir de 1995 fez com que empresas brasileiras adotassem programas importantes para a racionalização por meio das especializações das linhas de produtos com estrutura produtiva mais enxuta para aumentar a produtividade.

Com isso, as importações de bens de capitais e componentes com maior conteúdo tecnológico têm o intuito de melhorar a competitividade da indústria nacional frente aos concorrentes do mercado nacional.59

Em maio de 1995, o governo optou pela política de bandas cambiais, que acompanha a evolução dos preços por atacado e pela utilização de instrumentos que permitissem reduzir o nível de atividade econômica para possibilitar a diminuição das pressões sobre as importações. No final desde mesmo ano, o

56

FERREIRA, Pedro Cavalcanti; ROSSI JUNIOR, José Luiz. Evolução da produtividade industrial

brasileira e abertura comercial. Disponível em: < http://www.ipea.gov.br/pub/td/td0651.pdf > Acesso

em: 16 set. 2010.

57

VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p. 15-17.

58 VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p.

15-17.

59

VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p. 15-17.

(28)

governo passou a flexibilizar a política monetária através da ampliação dos prazos de financiamento, redução suave dos depósitos compulsórios e redução das taxas de juros. Consequentemente a isso as atividades de importação voltaram a subir.60

A importância da importação está na diversificação de mercado que esta prática proporciona, atuando no mercado externo, aumentando o leque de fornecedores reduzindo os riscos de crise de mercado com o aumento de preço na política governamental. Diversificação de mercado não significa, só e apenas aumentar o leque de fornecedores, mas também aumentar a possibilidade de variação de produtos que ingressam na economia nacional, evitando uma escassez de produtos no mercado interno. Outro resultado positivo é a questão do preço, como a importação aumenta a concorrência o risco do alto preço e monopólio diminuem, especialmente em um mundo visivelmente globalizado.61

A importação pode suprir a necessidades colaborando na complementação dos produtos disponíveis à população de um país, ou de bens de capital, necessários às empresas. Além disso, as importações podem cumprir um papel de modernização da economia, estimulando a competição e permitindo a comparação de processos e produtos. 62

Toda importação pode ser de bens ou serviços, sendo bens a entrada física do produto no Brasil e serviço sendo uma compra de conhecimento através de consultoria ou acessória, por exemplos, bem como transportes e turismo.63

As operações de importação representam transações de empresas brasileiras com empresas estrangeiras, porém envolvem interesses específicos para o controle e a intervenção dos órgãos governamentais (que são mais do que aqueles que normalmente existem para o acompanhamento das operações de compra e venda no mercado interno).64

60

VIEIRA, Aquiles. Teoria e prática cambial: exportação e importação. São Paulo: Aduaneiras, 2008. p. 23-25.

61 KEEDI, Samir. ABC do comércio exterior: abrindo as primeiras páginas. São Paulo: Aduaneiras,

2002. p. 21.

62

DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.) Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo: Atlas, 2008. p. 212-213.

63 KEEDI, Samir. ABC do comércio exterior: abrindo as primeiras páginas. São Paulo: Aduaneiras,

2002. p. 20.

(29)

“A prática do comércio internacional é essencial para todos os países, sejam eles desenvolvidos ou não, pois tal prática contribui com as atividades de circulação de capitais e com o desenvolvimento econômico.”65

A importação poderá abrandar os problemas nacionais, assim com a exportação também ampliará os mercados para o escoamento de uma produção que poderá ter seu consumo diminuído em seu mercado interno ou que só encontra mercado no exterior.66

Quando uma exportação está programa o exportador emite uma fatura comercial para o importador, de forma a formalizar a negociação. É nessa fatura comercial que deverá estar especificada a modalidade de pagamento67.

2.4.1 Modalidade de pagamento utilizada nas importações

Independente de qual ou quais das quatro modalidades que será utilizada para o câmbio de uma importação, remessa antecipada, remessa sem saque, cobrança ou carta de crédito, ela deve estar especificada na pro forma e posteriormente fatura comercial.

A fatura pro forma é o primeiro documento que representa o negócio a ser realizado depois do contrato de compra e venda. O exportador é responsável por emitir a fatura pro forma onde deve conter as informações e os detalhes da operação concluída.68 Essa fatura pro forma servirá de base para o importador começar a providenciar os trâmites e documentos necessários para importar determinado produto.69

65 DIAS, Reinaldo; RODRIGUES, Waldemar (Org.). Comércio exterior: teoria e gestão. São Paulo:

Atlas, 2008. p. 212.

66 KEEDI, Samir. ABC do comércio exterior: abrindo as primeiras páginas. São Paulo: Aduaneiras,

2002. p. 15-16.

67

KEEDI, Samir. Documentos no comércio exterior, a carta de crédito e a publicação 600 da

CCI. São Paulo: Aduaneiras, 2009. p. 37-38. 68

MALUF, Sâmia Nagib. Administrando o comércio exterior do Brasil. São Paulo: Aduaneiras, p. 144

69Alguns produtos precisam de anuência do L.I. (licenciamento prévio) para poderem ingressar no

Brasil. Outros precisam que o fechamento do câmbio seja feito de forma antecipada. A fatura comercial agiliza o processo nesses casos.

(30)

“A fatura comercial é o documento oficial que servirá de base para o desembaraço da mercadoria na alfândega”. Antes da fatura comercial ser emitida, é emitida uma fatura pro forma, que servirá de base para a fatura comercial. Aquiles Vieira ressalva que o preenchimento da fatura comercial deve ser feito sem erros, rasuras, emendas e que deve ser emitido pelo exportador. É na fatura comercial que vendedor e comprador deixam escrito a condição e moeda de pagamento.70

A fatura pro forma é um rascu nho da fatura comercial. Essa por sua vez é o documento necessário para o desembaraço71 da mercadoria no país de destino.

Um exportador pode emitir uma pro forma para um importador a fim de oferecer seus produtos, sugerindo uma oferta e uma operação de comércio exterior. Normalmente, o comprador faz um pedido, essa oferta se dá através da emissão da pro forma pelo exportador. A pro forma é diferente de fatura comercial, que é um documento contábil relacionado com a execução do contrato, emitido pelo exportador para a entrega dos bens sem problemas na alfândega.72

A fatura comercial deve ter pelo menos as seguintes informações: local e data da emissão, número seqüencial, nome e endereço do exportador e importador, número do pedido, número da licença de importação (se tiver), modalidade de pagamento (se for carta de crédito mencionar o número e data de emissão), meio de transporte, porto e local de destino, número e data do conhecimento de embarque, nome da embarcação, nome da companhia transportadora; quantidade e discriminação detalhada da mercadoria, peso líquido e bruto, Incoterm utilizado e assinatura do exportador.73

Quando, em uma fatura comercial, contém termos como “pagamento antecipado”, “remessa 30 dias”, cad, ou letter of credit 30 dias, por exemplos, são informações que influenciam no pagamento e trâmites da documentação de um processo conforme tabela abaixo:

70

VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p. 141-143.

71

Desembaraço da mercadoria é a verificação da documentação, inspeção da mercadoria e, ou, outros acontecimentos que precedem a liberação da mercadoria na fronteira, aduana ou porto. O desembaraço aduaneiro tem como principal função verificar a regularidade das informações passadas para receita federal através do Siscomex.

72 LUNARDI, Ângelo Luiz. Operações de câmbio e pagamentos internacionais no comércio exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2000. p. 32.

73

VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p. 141-143.

(31)

Modalidades de pagamento na importação

Modalidade Resumo

Remessa antecipada O pagamento é feito antes do embarque da mercadoria.

Remessa sem saque O exportador remete os documentos para o importador após o embarque da mercadoria.

Cobrança É quando um banco manuseia os títulos

e documentos recebidos do exterior, cobrando ou não uma taxa (saque) para o importador ter acesso aos documentos necessários para o desembaraço.

Carta de crédito Um importador abre uma carta de crédito em benefício do exportador e ambos assumem responsabilidades e

confirmam compromissos perante a um ou mais bancos.

Quadro 1 - Modalidades de pagamento Fonte: Adaptado de Ratti (2007)

De acordo com a tabela acima, há duas modalidades que os bancos não interferem na documentação, que são remessa antecipada e remessa sem saque, e duas modalidades que sofrem com a intervenção dos bancos no manuseio da documentação e garantia de pagamento, cobrança e carta de crédito.

2.3.1.1 Remessa Antecipada

Entende-se por pagamento antecipado o pagamento do contrato de câmbio antes do embarque da mercadoria. Esse pagamento pode ser feito através de uma pessoa jurídica no exterior, podendo ser uma instituição financeira. Todos os pagamentos antecipados de importação “devem estar respaldados em operações

(32)

comerciais efetivamente já contratados com o exportador no exterior”, podendo ser liquidado em 180 dias da data que está prevista pra embarque ou nacionalização.74

Nesta modalidade o importador brasileiro recebe a fatura pro forma enviada pelo exportador, e na data acertada irá procurar um banco autorizado a operar com câmbio para que o mesmo efetue, através de um contrato de câmbio, a compra da remessa de dinheiro necessária para a liquidação do pagamento antecipado. Com o contrato de câmbio em mãos, o importador pode comprovar que efetuou o pagamento antecipado da mercadoria e então o exportador permite o embarque da mesma.75

De acordo com o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, tít.1, cap. 12, sec. 5, define-se como pagamento antecipado na importação aquele que acontecer em duas circunstâncias:

Ao embarque de mercadorias importadas diretamente do exterior em caráter definitivo, inclusive sob o regime de drawback ou quando destinadas á admissão da Zona Franca de Manaus, em Área de Livre Comércio ou em Entreposto Industrial. À nacionalização de mercadorias que tenham sido administradas sob outros regimes aduaneiros especiais ou atípicos.76

O pagamento antecipado pode acontecer, também, quando se trata de mercadoria de valor reduzido, por exemplo, a compra de um livro, quando a situação política do país do importador for instável, ou quando o importador não é reconhecido nos meios comerciais.77

2.3.1.2 Remessa sem saque

Na modalidade de remessa sem saque o exportador remete para o importador os documentos comerciais após o embarque. Nessa modalidade o vendedor e o comprador acertam as condições e prazos do processo para a fatura

74 VIEIRA, Aquiles. Teoria e prática cambial exportação e importação. São Paulo: Aduaneiras,

2006. p. 100-102.

75 MALUF, Sâmia Nagib. Administrando o comércio exterior do Brasil. São Paulo: Aduaneiras, p.

78.

76 VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p.

138-141

(33)

pro forma ser emitida, depois o exportador embarca a mercadoria e remete os documentos originais para o importador, que com posse dos documentos faz o desembaraço da mercadoria na alfândega. Com o prazo de pagamento se aproximando, o importador dirige-se ao banco que efetua a liquidação do contrato de câmbio, realizado em moeda nacional.78

2.4.1.3 Cobrança bancária

Cobrança bancária é o banco intermediando os documentos entre o importador e exportador.79

Segundo a publicação nº522 da Câmara de Comércio Internacional, que tem como função estabelecer regras e Usos Uniformes para cobrança documentária, “o termo “cobrança” significa o processamento efetuado pelos bancos dos documentos” na moeda estrangeira. O banco recebe instruções do banco remetente no exterior, com três objetivos: 1) “obter pagamento e/ou aceite, 2) entregar documentos contra pagamento e/ou aceite e 3) entregar documentos sobre outros termos e condições.”80

A cobrança também se caracteriza pelo fato do exportador remeter a mercadoria para o importador e só depois do recebimento o pagamento ser efetuado.81

São cinco as partes intervenientes: cedente (principal), que é a parte que uma cobrança ao banco; banco remetente (remitting bank), onde um banco é escolhido por ser de confiança do cedente para cobrar uma cobrança; banco cobrador (collecting bank), qualquer banco que não seja o remetente que não seja envolvido no processamento da cobrança; banco apresentador (presenting bank), “um banco cobrador que faz apresentação ao sacado” e a última parte, sacado

78 VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p.

136-137.

79 LUNARDI, Ângelo Luiz. Operações de câmbio e pagamentos internacionais no comércio exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2000. p. 32.

80 VIEIRA, Aquiles. Importação práticas, rotinas e procedimentos. São Paulo: Aduaneiras, 2006. p.

124-127.

81 BIZELLI, João dos Santos; BARBOSA, Ricardo. Noções básicas de importação. 7. ed. São

(34)

(drawee), “aquele que a apresentação deve ser feita, de acordo com a instrução de cobrança.”82

2.3.1.3.1 Cobrança bancária á vista

Ângelo Luis Lunardi83 diz que cobrança á vista também é conhecida como CAD (Cash Against Documents) ou D/P (Documents Against Payment) onde o importador efetua o pagamento para depois ter acesso aos documentos originais necessários para o desembaraço na alfândega.

Bruno Ratti84 diz que após a saída da mercadoria rumo ao destino final o exportador (cedente) entrega ao banco remetente os documentos do embarque mais um saque contra o importador, que é o sacado. O banco remete aos documentos acompanhando uma carta cobrança ao seu correspondente (banco cobrador) na praça do importador para cobrar o sacado. Ao receber os documentos e o saque pelo banco correspondente, este mesmo banco registra-os para a cobrança de acordo com as instruções que são recebidas pelo banco remetente e “dá o aviso ao importador para que liquide a transação.”

“O saque recebido subordina-se às mesmas normas de cobrança dos títulos emitidos no país, no tocante à apresentação, ao aceite e ao protesto”. Com o pagamento realizado, o banco cobrador promove a transferência da moeda extrangeira para o exterior e entrega a documentação para o importador. 85

2.3.1.3.2 Cobrança bancária a prazo

Na cobrança bancária a prazo, assim como na cobrança bancária á vista, o exportador remete a mercadoria para o exterior e providencia os documentos acompanhados do título de crédito (saque ou cambial) para entregá-los ao banco.

82 RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. 10. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001. p. 85-86. 83 LUNARDI, Ângelo Luis. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 34. 84 RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. 10. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001. p. 86-87. 85 RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. 10. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001. p. 86-87.

(35)

Esse banco remete os documentos e o saque ao exterior e, mediante o aceite do saque, entrega os documentos ao importador. Fica por conta do importador controlar o prazo de pagamento de acordo com o combinado.86

O vencimento do saque a prazo pode ser de “x” dias á vista” ou “tantos dias da data”. Por exemplo, no caso de tantos dias á vista, se o saque for aceito a 30 dias de vista o vencimento será de 30 dias a partir da data do aceite. Se este ocorrer no dia 05 de maio, o vencimento será 04 de junho. No caso de “tantos dias de data”, se o saque for a 30 dias de data e foi emitido em 10 de maio, por exemplo, o vencimento vai acontecer em 09 de junho, independente da data do aceite.87

Com isso, percebe-se que “a dias de vista”, o prazo começa a ser contato da data do aceite, enquanto que “a dias de data”, o prazo começa a ser contado a partir do dia em que foi emitido o saque.

2.4.1.4 Carta de crédito

Ângelo Luis Lunardi descreve a carta de crédito como um “compromisso bancário e pagamento condicionado.”88

A carta de crédito pode ser definida como uma ordem de pagamento condicional emitida por um banco que age a pedido de um importador a favor do exportador, que somente receberá o valor da transação, apenas se, cumprir todas as exigências que nela contém. A carta de crédito pode ser emitida tanto para pagamento á vista como para pagamento a prazo e por ser uma garantia bancária traz custos adicionais ao importador que variam de acordo com a “capacidade financeira, prazo de pagamento, garantias oferecidas ao banco emissor, do risco-país do importador entre outros fatores.”89

O processo de abertura da carta de crédito da seguinte forma acontece da seguinte forma: importador providencia a abertura de uma carta de crédito no

86 BIZELLI, João dos Santos; BARBOSA, Ricardo. Noções básicas de importação. 7. ed. São

Paulo: Aduaneiras, 2000. p. 61-62.

87 RATTI, Bruno. Comércio Internacional e Câmbio. 10. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001. p. 88-89. 88

LUNARDI, Ângelo Luiz. Carta de crédito sem segredos. São Paulo: Aduaneiras, 2004. p. 46-47.

89VIEIERA. Aquiles. Teoria e prática cambial exportação e importação. 3. ed. São: Aduaneiras,

(36)

exterior junto a um banco da praça, a favor do exportador da mercadoria. Esse crédito pode ser transmitido ao beneficiário diretamente pelo banco emitente ou pelo banco correspondente na praça do exportador. Nessa carta de crédito são delineadas as condições e vontades do importador para que a operação seja concretizada. Esses termos podem ser em relação a algum detalhe nos documentos emitidos, na embalagem da mercadoria, condição e prazo de pagamento, prazos para o embarque da mercadoria entre outros. Aceito as condições impostas com negociação pré-estabelecida, a carta de crédito passa a ter validade.90

Todos os termos e condições relativos ao crédito, especialmente os que podem gerar discordância, conflito ou insatisfação, devem estar especificados em algum documento, podendo ser uma fatura pro forma ou em outro documento equivalente. O exportador, muitas vezes, envia um draft do crédito para a aprovação do importador antes da emissão final.91

Assim que o embarque da mercadoria está realizado o exportador entrega a documentação da respectiva mercadoria embarcada para o exame do banco designado. Esse exame acontece para verificar se há ou não discrepâncias. Não havendo discrepâncias o exportador, que é o beneficiário, pode utilizar o crédito de maneira determinada pelos termos acordados na carta de crédito; podendo ser à vista, por aceite, por pagamento diferido ou por negociação.92

A carta de crédito pode ser liquidada de quatro formas:

a) Pagamento à vista: No pagamento á vista o beneficiário (exportador) apresenta a documentação que lhe é exigida em ordem, e sem divergência, para poder receber o pagamento imediatamente. Podendo haver exigência de saque este é emitido á vista contra o banco designado. Nem sempre o saque é exigido, pois a emissão de um saque pode gerar despesas de selagem em certos países.93

b) Por aceite: O crédito é disponível por aceite de saque a prazo. É emitido pelo beneficiário contra o banco emitente ou, outro sacado indicado no crédito

90

RATTI, Bruno. Comércio internacional e câmbio. 10. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001. p. 94.

91

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Referências

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