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Caso fosse instalada em cada capital de Estado Vara especializada de Justiça na repressão do crime organizado, certamente otimizaria os procedimentos, dando-lhe qualidade e celeridade. Esses processos são mais difíceis do que os demais, com maior produção de provas e incidentes processuais.

Com a devida articulação dessas Varas, com as já existentes “Forças tarefas” articuladas no Ministério Público, a cooperação e a integração constituem a marca de atuação desses centros operacionais, os quais poderiam apoiar, com a troca de informações rápidas e seguras

entre os agentes envolvidos, cumprimento de cautelares, etc., em operações complexas, como de lavagem de dinheiro, por exemplo..

A especialização na repressão ao crime organizado, conforme tendência em alguns Estados brasileiros, onde se criaram núcleos especiais voltados ao combate a organizações criminosas, centralizado no Ministério Público, é muito eficaz, uma vez que este último, como titular da futura Ação Penal, impõe-se uma ação efetiva e especializada na colheita probatória que sustentará a sua pretensão na fase judicial.

De igual forma, a Justiça, com a especialização, recebendo a demanda de apurações dessa criminalidade torna-se mais apta a processar, até mesmo pela periculosidade, criando ambientes mais seguros, discretos e céleres. Os mecanismos são mais efetivos de proteção aos operadores dos processos que possam envolver ameaças, também a possibilidade melhor resguardar os próprios processos e feitos. Nesse caso, o trâmite cartorário fica num ambiente mais restrito e com reduzido acesso de pessoal.

Tão complexo quanto punir os crimes cometidos por organizações bem estruturadas é dimensionar a extensão dos delitos. Para Arida Fernandes, o mérito desse acordo de cooperação firmado entre o STJ e a ONU é a oportunidade de traçar um retrato da conjuntura brasileira no que tange a esse fenômeno internacional,

Finalmente se chegará à conclusão da grande necessidade de criação do que sempre defendi, ou seja, varas especializadas para tratar das questões ligadas ao crime organizado, a exemplo do que já foi feito em relação à lavagem de dinheiro. Outro aspecto relevante, nesse acordo, é a possibilidade de desenvolvimento de ferramentas, pesquisas e estudos, pois nos falta, ainda, formação específica entre os magistrados brasileiros, salvo algumas poucas exceções, concluiu a procuradora (BRASIL, 2011).

Mas Justiça especializada não se resume a um simples “carimbo”: tem que haver orçamento e estrutura adequada.

A Resolução n. 517 do Conselho da Justiça Federal possibilitou aos Tribunais Regionais Federais uma nova estrutura tendente à criação de varas especializadas em crimes praticados por organização criminosa, firmando competência para processar e julgar os crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

No caso, os tribunais estaduais terão que se adequar à estrutura que esse tipo de ação envolve. Adequação de espaço físico e de pessoal. É preciso que os tribunais, cada um com sua autonomia, trabalhem no sentido de capacitar com qualidade às pessoas que irão fazer parte dessas novas Varas. É preciso que se pense com cuidado em um modelo que não restrinja o trabalho da Vara em um único magistrado ou acumulação de outras varas. O ideal seria dividir essa tarefa entre um grupo de juízes.

Como modelo de Vara de Justiça Especializada Estadual, foi promulgada pelo governador Teotônio Vilela, em 22 de março de 2007, a Lei Estadual n. 6.806/07, que criou a 17ª Vara Criminal da Capital, especializada no combate ao crime organizado. Entretanto, existe uma ação da OAB no STF, que tenta acabar com a 17ª Vara Criminal de Alagoas. A OAB contesta no STF a lei de Alagoas, mas a Associação dos Magistrados Brasileiros decidiu apoiar o Tribunal de Justiça de Alagoas nesse processo, já que não considera antidemocrática e que não viola nenhum princípio constitucional, à medida que se impõe o que é necessário. A Associação refere-se à necessidade de adotar medidas mais duras em relação a infrações penais de maior gravidade (ALAGOAS 24 HORAS, 2011).

Como sugestões, aos domínios do Poder Judiciário, incluem, principalmente para a Justiça Estadual, entre as quais, a necessidade de implementação de Varas criminais, acompanhada de ampliação de cargos de magistrados e serventuários, com a garantia de dotação orçamentária mínima com o objetivo de aparelhar materialmente esse segmento e também destinar a lotação de mais de um Juiz para cada Vara especializada.

Com a criação de Varas especializadas, no âmbito da Justiça Estadual, para processar e julgar “organizações criminosas”, tendo essa Vara uma ampliada área de abrangência, dinamizaria o seu trato, uma vez que poderia ter jurisdição ou regional ou estadual, respeitando os limites territoriais, já que essa modalidade criminosa normalmente tem abrangência em diversas localidades.

A Resolução n. 517 do Conselho da Justiça Federal, possibilitou aos Tribunais Regionais Federais uma nova estrutura tendente à criação de Varas especializadas em crimes praticados por organização criminosa, firmando competência para processar e julgar os crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Essas Varas têm jurisdições em grandes regiões. Ocorre que nem todas as que foram criadas têm dado o tratamento devido a esse tipo de criminalidade, talvez, até mesmo, pelo fato de até então ainda não haver uma legislação

que defina os parâmetros do crime organizado, no sentido de que haja diferenciação entre grande e pequena criminalidade.

Por certo que será no Judiciário a confirmação da prevenção/repressão do crime organizado, pois é um órgão fundamental na transformação social e nas práticas administrativas, seu papel de controlador e garantidor da aplicação da lei é um instrumento fomentador dos demais, por meio de uma visão integrada (sistêmica) de atuação do Estado.

3.5 RECOMENDAÇÕES PARA O CONTROLE DO CRIME