3.2 ENSAIO CLÍNICO CONTROLADO E RANDOMIZADO
3.2.4 Variáveis do estudo
Quadro 1. Variáveis incluídas no estudo. Socioeconômicas e
demográficas
Idade, sexo, anos de estudo, renda própria, estado civil.
Consumo alimentar
Consumo diário de água por número de copos, consumo alcoólico de risco, fracionamento das refeições, escore de consumo de alimentos protetores e de risco para doença cardiovascular.
Adesão
Adesão ao serviço: avaliado pelo retorno às consultas em T1 e T2.
Adesão ao tratamento nutricional: avaliado pelas modificações de consumo alimentar entre momentos inicial e final, em T1 e T2.
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Todas as variáveis foram analisadas para o grupo T1- Promoção da Alimentação Saudável e para o grupo T2 - Plano alimentar.
Sociodemográficas
Foram coletadas por um questionário de caracterização inicial: sexo, idade, estado civil, anos de estudo, renda própria.
Consumo alimentar
Foi aplicado questionário de frequência de consumo de alimentos referente ao último mês. O questionário utilizado foi adaptado do instrumento validado por Fornés (2002) e por Rodrigues (2005) com o objetivo de avaliar frequência de consumo de alimentos protetores e de risco para doença cardiovascular, contendo 30 alimentos categorizados em dois grupos.
Para análise do consumo alimentar, os alimentos do questionário de frequência alimentar foram divididos em dois grupos: alimentos de risco (leite integral, ovo, carne, frango, embutidos, carnes conservadas no sal, vísceras, bacon, toucinho, banha, manteiga, margarina, maionese, snacks, enlatados, fast foods, tortas e bolos, quitandas, arroz, pão, macarrão, sorvete, doces, suco artificial, refrigerantes) e alimentos de proteção (leite desnatado, azeite de oliva, farinha de aveia, farelo de trigo, arroz integral, pão integral, feijão, soja, peixe, vegetal A, vegetal B, tubérculos, frutas, suco natural de frutas).
A partir destes alimentos, calcularam-se escores, os quais foram denominados escore de risco, para o grupo dos alimentos de risco, e escore de proteção, para o grupo de alimentos protetores. O cálculo foi adaptado do trabalho de Massari et al (2004), onde atribuiu-se um escore a cada grupos de alimentos baseando-se no consumo médio mensal. Assim, foi atribuído escore de 30 para alimentos consumidos uma ou mais vezes ao dia, 13 para alimentos consumidos uma ou mais vezes na semana, 3 para alimentos consumidos uma ou mais vezes ao mês e 1 para alimentos consumidos raramente e 0 para alimentos que não eram consumidos. Para o cálculo do escore de risco total foi feita a somatória dos escores atribuídos a cada alimento; em seguida dividiu-se pelo número total de alimentos de risco, sendo o mesmo procedimento realizado para o cálculo do escore de proteção
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total. Nenhuma informação sobre o tamanho da porção foi coletada. As frequências foram: nunca, raramente (menos que uma vez por mês), uma a 3 vezes por mês, uma vez por semana, duas a quatro vezes por semana, 5 a 6 vezes por semana e diariamente. A divisão dos alimentos foi feito segundo a Pirâmide Alimentar (PHILIPPI, 1999).
No questionário de nutrição (Apêndice E) foram coletadas informações sobre o consumo de bebida alcoólica, ingestão de água, fracionamento das refeições.
Consumo de bebidas alcoólicas (sim/não) foi avaliado para os que consumiam: o tipo de bebida, a frequência e a quantidade (doses, garrafas, taças ou copos) consumida durante a semana anterior. Questões estas padronizadas pela
Organización Panamericana De La Salud (HALSTED, 1997). As quantidades foram
convertidas para gramas de etanol por dia: uma garrafa de cerveja (600ml) = 26,4g de etanol; uma taça de vinho (150ml) = 10,8 g de etanol; uma dose de licor (45ml) = 13,5g de etanol; uma dose de cachaça (60ml) = 24g de etanol; uma dose de uísque (60ml) = 27g de etanol (FRANCO, 1999). O consumo de bebidas alcoólicas foi categorizado em consumo alcoólico de risco, sendo acima de 30 g de etanol ao dia para o sexo masculino e a metade para as mulheres (SBC, 2005; SBC, 2007).
A ingestão de água foi medida em quantidade de copos ingeridos/dia sendo a recomendação para a população com Aids 2 a 3 litros por dia (8 a 12 copos por dia) (MS, 2006a).
Foi verificado o fracionamento das refeições e verificado sobre o número de refeições diárias realizadas. O Manual Clínico de Alimentação e Nutrição na Assistência a Adultos Infectados pelo HIV (MS, 2006b) recomenda apenas fracionamento das refeições. O Guia Alimentar da População Brasileira (MS, 2006a) é mais especifico e recomenda no mínimo três refeições principais (café da manha, almoço e jantar) intercalado de dois lanches saudáveis, totalizando cinco refeições diárias.
Os aspectos éticos foram preservados e os entrevistadores foram adequadamente treinados de forma a não induzir respostas e não manifestar qualquer tipo de aprovação ou reprovação.
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Adesão
- Adesão ao tratamento nutricional/dietoterápico:
A adesão ao tratamento nutricional/dietoterápico foi avaliada de forma objetiva
pelas mudanças do consumo alimentar (WHO, 2003)entre consulta inicial e final. Foi
analisada para os dois grupos de tratamento, T1 e T2 de forma independente, e ainda comparando os dois grupos para verificar qual o mais aderente ao consumo alimentar saudável. As variáveis de análise de adesão ao tratamento foram: aumento do escore de consumo de alimentos protetores, de copos de água por dia e do fracionamento de refeição, e ainda a redução do escore de consumo de alimentos de risco e do consumo de bebida alcoólica de forma estatisticamente significativa.
- Adesão ao serviço de nutrição:
A adesão ao serviço é compreendida como assiduidade (GUIMARÃES et al, 2010; HOMEDES; UGALDE, 1994). Nesse estudo a assiduidade ao Serviço de Nutrição foi avaliada pelo número de consultas realizadas no seguimento e o percentual de retorno. A adesão foi avaliada pela frequência às consultas. Foi considerada ótima quando houve 100% de frequência às três consultas do grupo T1 e seis consultas no grupo T2, ou seja, todas as consultas previstas para os dois grupos conforme seus protocolos específicos. Adesão intermediária foi 99 a 50% e adesão insatisfatória menor que 50%.