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CAPÍTULO 4- Metodologia

4.2 Variável dependente

O principal resultado de interesse neste estudo é a escolha da localização das subsidiárias estrangeiras em nível subnacional nos mercados emergentes. A variável dependente é a localização da subsidiária em uma cidade global ou não. Seguindo a discussão desenvolvida no capítulo 2, cidades globais são lugares estratégicos determinadas pelo ambiente cosmopolita, um alto grau de interconectividade e disponibilidade de altos níveis de APS (Goerzen et al., 2013) que se distinguem de outras cidades como, por exemplo, as megacidades, cidades com mais de 10 milhões de habitantes, muitas das quais localizadas em economias emergentes.

Para identificar e distinguir as cidades globais foi utilizada a classificação de cidades globais de 2016, da Globalization and World Cities – GaWC (GaWC, 2018).

A lista da GaWC consiste em uma hierarquia de 49 cidades globais alfa, 81 beta e 84 gama e mais 35 cidades de alta suficiência e 112 cidades de suficiência. As cidades são classificadas em ordem decrescente em termos de quanto estão integradas na economia global.

A tabela 5 apresenta a quantidade de cidades em cada um dos níveis hierárquicos.

O GaWC (2016) descreve o mundo como um mundo de fluxos centrado na cidade (“city-centered world”), em contraste com o mais conhecido mundo com fronteiras centrado no estado (“state-centered world”). Na metodologia da GaWC as cidades são avaliadas com base na atuação de seus serviços empresariais avançados de alto valor profissional, criativo e financeiro (p. ex. contabilidade, publicidade, finanças, seguros e direito) que, na conceituação de Sassen

Tabela 5- Níveis de integração de cidades segundo o GaWC 2016

Níveis Quantidade de cidades

(2001), desempenham papel específico na globalização de atividades econômicas ao atenderem as necessidades de grandes corporações que operam em mercados transnacionais. Medidas de fluxos são derivadas para calcular a conectividade de uma cidade, o que possibilita medir e classificar a integração de uma cidade à rede de cidades globais (GaWC, 2016). A tabela 6 mostra a descrição de cada nível de integração das cidades à economia global.

A lista completa de cidades globais encontra-se no Apêndice I. As cidades classificadas nos níveis de suficiência e de alta suficiência, que se encontram no Apêndice II são, em sua maioria, cidades menores, muitas vezes a única cidade global identificada naquele país.

Embora propostas alternativas de listas de cidades globais tenham sido apresentadas por diferentes organizações, como por exemplo A.T. Kearney (2018), Economist Intelligence Unit (2012) e Mori Memorial Foundation (2018), para mencionar alguns, elas relacionam uma quantidade menor de cidades globais não compatível com a amostra de dados de subsidiárias em mercados emergentes utilizadas neste estudo.

Como observado por Beaverstock et al. (1999, p. 445): “apesar do consenso sobre as principais cidades globais, não há uma lista concordante cobrindo cidades globais abaixo do nível mais alto.” Além disso, a lista da GaWc apresenta uma classificação de cidades globais teoricamente transparente e empiricamente rigorosa (Goerzen et al., 2013) na medida em que está fundamentada na capacidade global dessas cidades, medida pelo nível de fornecimento de APS e sua integração à rede de cidades globais (Taylor, 2001).

A variável dependente foi classificada em três categorias nas quais a localização de cada subsidiária é codificada como: 0, na periferia (isto é, em qualquer local diferente da área metropolitana e da cidade global); 1, na área metropolitana em torno de uma cidade global; ou 2, dentro de uma cidade global propriamente dita. Para essa operacionalização foram utilizados os limites oficiais da cidade para distinguir as cidades globais de outros locais, levando em conta os argumentos da centralidade e dispersão da atividade econômica.

Friedmann (1986) argumentou que o espaço econômico não se limita a fronteiras políticas ou naturais da cidade central, mas abrange também todo o espaço econômico do seu entorno. Para Sassen (2000), no entanto. a geografia da globalização contém uma dinâmica simultânea de dispersão e de centralização. Ao mesmo tempo em que a globalização se relaciona com as tendências à dispersão das atividades econômicas nos níveis metropolitano, nacional e global, ela também impulsiona as demandas por novas formas de centralização territorial de operações de controle e gestão de alto nível.

Embora reconhecendo que os desenvolvimentos da tecnologia da informação possibilitaram a dispersão espacial da atividade econômica ao criar um espaço virtual para um número crescente de atividades econômicas a ponto de reconfigurar a geografia do ambiente construído para a atividade econômica (Sassen, 2004), os mercados, bem como as organizações globalmente integradas, requerem lugares centrais onde o trabalho de globalização é feito. É o caso das cidades globais, caracterizados por um alto grau de centralidade econômica que, entre outras funções, propiciam economias de aglomeração e facilitam a transferência de conhecimento através de contatos face a face (Storper & Venables, 2004).

Essas observações sugerem que as cidades globais possuem uma dinâmica própria e centralizada, embora, seu poder econômico possa se estender regionalmente, para além do centro da cidade em direção à área metropolitana na forma de nós de intensa atividade empresarial, visto que o centro não é mais, como no passado, sinônimo do distrito comercial central – central business district (CBD), podendo assumir novas formas geográficas. Na medida em que esses vários “nós” são articulados por meio de rodovias digitais, eles representam um tipo mais avançado de "centro". Os lugares que estão fora dessa nova rede de rodovias digitais são periféricos (Sassen, 2004). Essa configuração gera um efeito de proximidade que beneficiaria as subsidiárias de multinacionais que não são capazes de se localizar na CBD (Mehlsen & Wernicke, 2016).

Esses aspectos foram levados em consideração para que fosse incluída a região metropolitana da cidade como uma segunda categoria distinta de localização da subsidiária nas análises empíricas conduzidas.

Seguindo procedimento semelhante ao utilizado por Mehlsen & Wernicke (2016) a classificação foi operacionalizada de forma a centralizar a cidade global dentro do CBD e se estendendo até os limites oficiais da cidade (um raio máximo de 10 quilômetros). A partir dessa distância, foi considerada a área de expansão urbana englobada na região metropolitana (dentro de um raio de 50 quilômetros). Todas as 950 subsidiárias foram codificadas usando esse critério.

Consequentemente, muitos dos locais codificados são aproximações feitas com base no melhor julgamento deste pesquisador, o que deixa algum espaço para erros de classificação.