4 DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL? ESTRATÉGIAS NA ROTEIRIZAÇÃO
4.2 PARCERIAS E REDES DE COOPERAÇÃO PARA O TURISMO
4.2.2 Viabilização de estudos, planos e projetos
A elaboração de estudos voltados ao planejamento e gestão dos roteiros é fundamental para o delineamento da funcionalidade do sistema turístico. Esses estudos, via de regra, partem de diagnósticos da realidade, dos quais derivam planos e projetos para implantar e/ou aprimorar as atividades turísticas. No processo de elaboração dos estudos diferentes atores são direta ou indiretamente envolvidos. Nas diretrizes apontadas pelos planos e projetos são definidas, entre outras questões, as funções dos atores que serão acionados para se atingir as metas propostas. Na sequência são apresentados os estudos, planos e projetos, elaborados em cada um dos roteiros em estudo.
Pra nós o que mudou foi a tranquilidade e a qualidade, pois o vinho é feito mais por tradição, a principal fonte de renda é hortifruti e a vinícola vem em segundo lugar. Nosso vinho é feito com uvas de cultivo próprio e a produção varia de 18 a 20 mil litros por ano (BUSATO, 2019).
a) ‘Caminho do vinho’
Segundo Scrobote (2016), presidente da ACAVIM, foi realizado em 1998 pela prefeitura o Inventário Turístico (IT) da Colônia Mergulhão. O inventário da Colônia conduziu ao Plano de Desenvolvimento Turístico (PDT) do Município de São José dos Pinhais. Sequencialmente foram realizadas diversas reuniões por iniciativa dos empreendedores com apoio do poder público, visando viabilizar o roteiro e sua associação.
As melhorias advindas da organização da ACAVIM são ressaltadas:
Os representantes do poder público entrevistados (VANES, 2018; FILA, 2018; KUZMA, 2018), concordam com a fala de Scrobote (2018) em relação aos estudos e reforçam que mesmo a Prefeitura Municipal tendo a iniciativa de contratar a elaboração destes, o roteiro não teria sido criado se não fosse a vontade dos empreendedores da Colônia Mergulhão na época.
Assim nasceu o primeiro circuito rural de São José dos Pinhais, que após sua instalação ganhou obras de infraestrutura como a construção do Portal Italiano, colocação de paralelepípedo, pavimentação asfáltica e iluminação pública. Em 2006 foi realizado outro inventário da oferta turística pela Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais (PMSJP, 2006), e em 2019 ficou pronto o mais recente Inventário _______________
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Caminho do Vinho em São José dos Pinhais, Estrada Mato Grosso em Campo Largo e Circuito Italiano de Turismo Rural de Colombo.
Foi final de 98, comecinho de 99, e daí com as primeiras reuniões e alguns com medo. Foi uma iniciativa nossa, com apoio do poder público, instruções mais do poder público e daí eles trouxeram melhoria... digo... sem estrada, sem pavimentação, sem energia elétrica. Em outra gestão que não tinha nada disso, o ônibus escolar quantas vezes encalhou aí na frente (SCROBOTE, 2016).
Em 1998 foi apresentado o Plano de Desenvolvimento Turístico de São Jose dos Pinhais, iniciativa da Prefeitura Municipal, que contratou o SEBRAE [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas] e a ABBTUR [Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo] para elaborar o estudo, houve também o incentivo de outros órgãos, como a EMATER, Secretaria de Estado do Turismo, mas em ações pontuais, o grande investimento foi Municipal. Nesse Plano, além do inventário e diagnóstico do potencial turístico, foram indicados três projetos turísticos31, sendo executado o projeto do Roteiro de Turismo Rural Caminho do Vinho, com trabalhos iniciados em 1999. Porém, tanto o Plano como o Projeto do Caminho do Vinho não contemplavam um estudo rigoroso da viabilidade técnica do roteiro, ele saiu do papel mais pela vontade de fazer dos atores na época.
Turístico32 da Colônia Mergulhão, porém os dados ainda não foram divulgados (KUSMA, 2019).
b) ‘Circuito rural Taquaral’
No ‘Circuito rural Taquaral’ foi realizado de 2009 a 2012 pela Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais juntamente com a SEAB, EMATER e ACAMP o inventário, o diagnóstico e a orientação, inicialmente aos moradores da comunidade da Campina do Taquaral, com posterior extensão as comunidades próximas, relata o representante do poder público atuante na SICTUR/SJP (KUZMA, 2018). Em 2011 foi elaborado um ‘Plano Técnico de Trabalho a partir do Inventário do Potencial Turístico, o Diagnóstico Participativo e o Plano de Desenvolvimento Turístico, comenta o presidente da ACAMP (ZANCHETTA, 2016).
Salienta o presidente da ACAMP que a troca de gestão municipal é sempre prejudicial à continuidade das atividades, pois a gestão que entra não aceita os estudos feitos pela gestão anterior. Neste caso o material foi arquivado, sendo o ‘Circuito rural Taquaral’ oficialmente lançado apenas em 2015.
c) ‘Turismo rural nas colônias polonesas’ e ‘Verde que te quero verde’
No roteiro ‘Turismo rural nas colônias polonesas’ de Campo Largo e no ‘Verde que te quero verde’, em Campo Magro, os presidentes da associação e os representantes do poder público não souberam informar sobre estudos, planos e projetos realizados para viabilizar os roteiros.
Segundo Martinhago, (2017), turismóloga do Departamento de Turismo de Campo Magro entre 2012 e 2013, no município alguns estudos de viabilidade técnica do roteiro foram realizados ao longo dos anos, entre eles: a “Análise do _______________
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Apesar dos esforços, até o fechamento desta Tese não se conseguiu acesso a este documento. ...teve um pessoal que fez um plano de desenvolvimento, mas nós temos um problema sério que é o de política. Aí mudou o prefeito, mudou a gestão e eles jogaram tudo no lixo aquilo que foi feito, que era um trabalho fantástico realizado em 2011. Foram visitadas todas as propriedades, cadastrado os potenciais, foi feito um diagnóstico bacana. Um inventário, feito pela Prefeitura, EMATER e a ACAMP (ZANCHETTA, 2016).
Potencial Turístico de Campo Magro” de 2002; o “Plano de Desenvolvimento Turístico de Campo Magro” seguido do “Inventário Turístico 2004/2005” (PMCM, 2005), “Pesquisa de Demanda (PD)” realizada em 2006 (CEPP, 2006) e o “Inventário da Oferta Turística (INVTUR) 2011-2012”, este realizado pela prefeitura em parceria com Centro Universitário Uninter (PMCM; UNINTER, 2012). Este último baseou-se, entre outras fontes, nos documentos de frequência da Central de Informações Turísticas33 para os anos de 2006, 2007, 2009, 2010, 2011 e até maio de 2012.
Foi registrado no Inventário Turístico que a procura de Campo Magro para prática de MotoCross e Off road já ocorre a cerca de trinta anos, porém a atividade gera reações conflituosas entre os praticantes e os moradores, já que os benefícios oriundos dessa visitação se restringe a bares e restaurantes do município, em especial ao Bar do Paulo e ao Bar da Canelinha, ambos ainda hoje ativos e ponto de encontro também ciclista, caminhantes e outros dos aventureiros acompanhados de familiares (PMCM; UNINTER, 2012). Atualmente, em frente ao Bar da Canelinha, está atuante uma mercearia que funciona a semana toda e churrascaria aos finais de semana. Ela também é atualmente frequentada pela comunidade local e ponto de encontro dos aventureiros que seguem pela Estrada da Serrinha (MARTINHAGO, 2017).
No Plano de Desenvolvimento Turístico de Campo Magro de 2004 consta que mesmo com todo fomento e formação dos produtores para se preparar para o turismo, a população rural encontrava-se ainda insegura por se sentirem “simples agricultores” concorrendo com empresários experientes. A maior parte da comunidade, nessa época, não reconhecia suas reais potencialidades (PMCM; UNINTER, 2012).
d) ‘Circuito italiano de turismo rural
No ‘Circuito italiano de turismo rural’, segundo Bonin (2018), turismóloga da prefeitura de Colombo, são desconhecidos estudos de viabilidade técnica do roteiro
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Atualmente o município não possui posto de informações turísticas para coleta de dados, como afirmou Vallim (2016) ex-presidente da ATCM.
que tenham sido realizados ao longo dos anos. Tem-se apenas o conhecimento do Inventário da Oferta Turística e Diagnóstico Colombo (PMC; UFPR, 2014/2015).
Os poucos estudos existentes, via de regra, são fomentados externamente a partir de políticas nacionais e estaduais vinculadas a programas de municipalização do turismo, num primeiro momento, e de roteirização deste, posteriormente. A execução dos estudos também foi, em grande parte, fruto de parcerias.