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4. TEORIA E A PRÁTICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COMPLEXA

4.6. Videoconferência e Televisão: um programa de educação

P orqu e o SENAI d ecid iu in ve sti r n u m p ro je to de sta n a tu re za? O que di fe re um sistema de videocon ferênci a comu ment e utili zado em o utra s in sti tu içõ e s e o anali sad o n est a d isse rta ção?

Ao an al isarmo s a p ro p osta d e u tili za ção d o sistema d e v i deo con fe rên ci a pa r a elab or aç ão d e u m p ro g ra ma de TV à s er v iço d o p ro ce sso ed uc acion a l p er ceb e mo s o ob je tivo de ap rovei tar aquilo qu e a TV t e m d e co nd içõ es co mpro vad as d e in terv en çõ es nu m proc es so f or ma t i vo ( s abe mo s o q u anto e la j á fo r ma e t r ans fo r ma i n dis cr i minad a me n t e, co m su as p ro pag an das e p ro g ra ma s ) ; po r e s t e mo t i vo , t e mo s t an t o a ap ro ve i t a r d os exp er i mento s d e l i n gu ag e m d a t v ab erta e fe ch ada , q uan to d as p ró p ria s ex per iênci as d e v ideo co n ferênci as j á co nh ecida s em ou tro s cu r sos de ed uc aç ão p res enci al o u a d ist ân cia.

Quai s as solu çõ es disp o nív ei s, co nsid e ran d o o e st ág io atual d o d e sen vo l vi me n t o da l in g uage m d a t el ev i s ão , pa ra p ro g ra ma s d e l on g a d uração? P e rceb e-se q u e os p rog ramas de lo ng a du ração n or malme n te en qu ad ram- se ent re o s filme s , o s d e espo rt e e os d e par ticip ação d o p úb l i co, sen do qu e f i l me s e e sp or t e s no r malmen t e t e m d ur a ção máx i ma d e d ua s h or a s: prog r a ma s d e aud i t ór i o cheg am a t er a t é 5 h o ra s d e d ur aç ão.

A s ma neir as en co ntr ad as p elos an i mad ore s de p ro gra ma s d e auditório par a manter a audiênci a de seus espect adores for a m utili zadas

co mo re fe rên ci a n e ste cu r so p ara pl an ej ame n to e re aliz ação d e a tivid ad es e est ra tégia s d e au la pelo p rofe sso r, b u scan do evi tar ex t re mo s sen sacio na lista s e e sc ato lógi cos. O con tato co m o p ro fe sso r f oi i n t er ca lad o po r quad r os p rev i amente ed it ados, animações , vinhetas , v ídeo s d e con teúd o, etc. S aben d o d a fa lta d e exp eriên ci a co m a s TIC’s e co m a ling uagem dramática da televisão , co muns en tre os pro fesso res acostumados co m a sala de au la sem tecnologia ne m recu rsos d ra má t i co s , a co ord en a ção d o cu r s o op t o u po r co l oc ar em c en a u m a t o r p ar a aco mp anh á-lo n o p r og rama.

A co mp an hia d e ste ator t i nh a co mo o b jet i v o au x i li ar o p ro fe s so r na d i n ami c i dad e d o p ro gr a ma , ev it an d o discu r so s l on go s e mo nó t o nos ; o ato r t a mb é m a s su mi a o pap el do alu n o, n a medid a e m q u e ass ist ia às aulas e particip ava ativament e, t i r an d o d ú vid as, intervindo co m p i ad as , cu rio sid ad es , in fo r ma çõe s co mp leme nta re s, sua s p ró p ria s ex per iênci as; mu ita s v e ze s e ra o ato r q u e m pro vo cava o s alu n os à p ar t i ci p ar, co n cl amand o -o s a d i ze r o q u e p en s ava m, d es afi an do -o s co m

quizzes, e t c . A p r es ença d e u m ato r n o pro gr a ma d e T v d o cu r so

permitiu que em alguns mome ntos fo ssem realizad as atividades lúdica s, o u ap re sen taçõ e s t e má tica s e drama t i zada s, co mo fábu l as, co n tos, r ecitai s de poesia ; o caráter est ético e a rtí sti co d e su as pa rti cipaçõ e s e as reaçõ es favo ráv eis do público no telecentro provocava e potenci alizava também a participação d os p r o fesso r e s , em p a rti ci p a ções mu i t as vez es t ão c r i ativ a s e i n usi t ad as q u anto a s d o ato r - ap re sen t ador .

O s alun o s int er ferem c on t inua me n te , se ja ch a man do p or áud io, co mo f aria m p re sen c i al me nte, s ej a fa zen d o sin al n o v í d eo, co m as mã o s l ev an tad as ou co m o ro sto em fr e n te a câ me ra , o q u e era ime dia ta me n te v i s t o n a me s a de ed i ção . Imed i at a men t e o s i nal d e áu d io e vídeo d o telecentro era ab erto e professo r e aluno podiam conversar livreme n te e em temp o real .

M ui t a s d as prop o st a s pen sad a s par a o cur so , sej a n o p r ogra ma d e TV s ej a n o W eb en si no , não fo r am r e al i zad a s o u fo r a m r e ali zada s

p arcia l men te. U ma da s po ssív ei s açõ es, qu e p od eria te r u ma r epercu ssão f avo r áv el no s alun o s e n o p ro c esso ens i no -ap r end i zage m f or a a possibilidade de fornecer condições aos alunos d e produzirem quadros p ara o pro gra ma ; p e rc eb e-se ao as sistir as au las qu e esta estra tég i a fo i pouco utili zada, ainda assi m, os alunos tiveram dur ante du as semanas, u ma o f i ci na d e v ídeo e m P o w er Po i nt, o nd e ap ren der a m, e m g ru p os , a co nc eb er, redigir e cr iar mídias audiov isuais, pequeno s videoclipes, que c aso fo s se m ma i s ex p lo r ado s ser i a m d e gran de v al ia pa ra o proc es so ed uc acio na l e p a ra o de s env o lv i men t o d os alun o s, qu e p od er ia m en xerg ar seu s trab alho s ex po sto s, d eix an do o p rog ra ma a in da ma i s p arecid o co m e le s me s mo s , re fo rçan do su a au to -e sti ma6.

A id éia de mo ntar u m p ro g rama de TV par tia d o princíp io d e q ue aq ue la s n ão s eria m au la s isol ad as, g ran de s paco te s d e co nh ec i mento s co lado s u ns no s o utros a sere m t ransmitid o s pel a red e. A p ro p osta co n si st i a e m p r omo v er a d i n a mi cid ad e da s i mag en s e d os discurso s, p ermitindo uma lingu ag em audiov isual ma is veloz, próxima a l i ng u agem d os vid eo cl i p e s e d a MTV , p r od u t os co nh ecid os p el o p úb l i co ad ole sc ent e e q ue já t inh a m su a ac eitaç ão p r évia .

Para atingir esta velocidade e in tensid ad e, várias idéias fo ram discutidas e av aliadas, dentre el as:

• Na elaboração dos primeiros planos de aula, assim que os roteiros co me ç aram a ser p ro d uzid os, p erceb e mo s qu e o s p acot es d e co nteú d os ap resen tad os p e los p ro fesso re s p ara su as aula s e ra m g ran d e s, r e fo rç an do a l óg ic a do pro fe ss or de t en t or d o s ab er , mu ito ma is p reocu pado co m o q u e prec isava s er d ito d o qu e co m a ma n eira que ut ilizari a para di zer . O resul tado disso no programa

6 Além da questão da auto-estima e da autonomia, a produção de clipes em powerpoint pelos alunos, caso

fosse uma estratégia mais explorada, poderia alçar a realidade de execução deste curso a um outro patamar de interação aluno-tecnologia-programa; a interação entre programa de tv e aluno que se dava na maior parte das vezes em tempo real por meio de diálogos, poderia também ocorrer na participação do aluno na grade de programação, visto que alguns dos elementos produzidos por eles mesmos poderiam ser transmitidos, fariam parte da grade; vale a reflexão para futuros trabalhos de mesma natureza.

s er i a m l o ng o s p erío d os d e um d i s cur so u ni l at era l , o qu e p od er i a g er ar mo n ot o nia e disp e r s ão po r par t e d os alun os. Pen s a mo s e m r ecort ar e st es cont eúd o s em p acot es meno r es, q u e evitas se m a ma nuten ção da imagem co ngelad a do pro fessor por muito temp o, em d i scurso s demorados e estáticos, pois ainda que tivéssemos ma i s d e uma câmera no estúd io , o q ue p ermi tia t ro cá-las ev itando a est as e d o si ste ma , t r atav a - se d e u m me s mo p er so nag e m f a lan d o.

• Trabalhar com pacotes menores de conteúdo não significava t r abalh a r co m me n os co n teúd o. S e o s p a cot es era m me n o re s, p od i a m s er rep et i dos ma i s v ez es e e m o rd en s var i ada s , per mi t i nd o u ma exposição exaustiva dos tema s mais relevantes; uti lizo o t er mo r ep et i r p or t r at ar- se de u ma ex p os i ção de u m mes mo co nteú d o ma i s d e u ma v e z, en t r etan to a exp os i ção d est e co n t eúd o d ever i a se r r eq ui si t ad a pel o con t ex to d a dis cus s ão e anda men to da s au las e não gratuita me nt e, o q ue inval idari a t oda propos ta . Além da repetição propriamente dita, tamb ém se propõe a utilização d e est ratégias de re curs ão ou sej a, a r epeti ção p ro g ra ma d a d e p ar t es esp ec í fi ca s do s co nteú do s e d o pró pr i o p ro ce ss o ens i no -ap r end i zage m q ue i n t er fe re m n o p ró pr i o p ro ce ss o , mo d i fi can do -o e mo v en d o- o .

• Contextualizar os conteúdos em atividades, como resposta as d i fi cu ldad e s e inq uiet açõ es do s a lu no s, ev itan d o a exp o si ção d iscu rsiv a e ex au stiva. A s ativ idad es fo ram p en sad as seg u ndo d ois p a râme t ro s p rin cipai s: p ri me iro r e fo rç ar a inte ração d os al u no s, atividad es de j ogo s d e p erguntas e resp osta s , gincanas, q uizz es, et c, p ois as si m o s alu n os ma nt eri a m a at en ção v oltad a ao p ro g ra ma , j á q ue a q u alq u e r mo me nto p o di am s e r cha ma do s a particip ar; em segundo lugar, estas atividades co m u ma ex tensão n o p or t al w eb d e ap r end i zag e m, o nd e o cu rso co nt i nua e é

co mp le men tad o, p oi s ali ele p od e r eg istra r seus tr abalh os p ara av alia ção , fa zer p e sq uisa s on line , v er no tí cia s, e tc .

• As atividades propostas não ocorrem só no programa; o portal web de ap rendizagem tamb ém contém atividad es programa das a serem co ncluídas no progra ma . Nestas oportunidades recu rsos mu lt i mídia s, jo g os e l etrô nico s, si mu l açõ e s, mo delo s an i mad os, g rá ficos e d iag rama s, além d o h ipe rtexto e d as ferra men ta s d e co mu nic aç ão o n lin e , co mo ch ats, fó run s, blog s, et c, fo ra m utilizados p ar a dar ênfase ao compromisso do curso com o en vo lv imento da s TIC ’s n a po ten c ial iza ção da p rod u ção d o co nh ec i men to e p ara a mo t iva ção dos alu no s p ar a as ativ id ad es r eal izad as. O r e forço d a s a tivid ad e s no p ort al w eb au me n tam a au tono mia do aluno na manipulação da rede, tornando su a in c lusão d igita l aind a ma i s av an çad a .

• Os pacotes menores de conteúdos associados às atividades do p ro g ra ma e da r ede e ao s vídeo s e q uad r os d o p r og r ama p e r mi t e m u ma flexibilidade de construção dos progr amas, que podem co me ç ar u m d i a d e u m j ei t o e s e re m t ot al men t e d i fer ente s n o d i a seguinte, faci litando o sentimen to do novo, o que é ma i s u m fator d e mo tiv ação para os alun os .

• Produzir quadros lúdicos com o ator e o professor, reforçando a fan ta sia e a d ra ma tiz aç ão , p ara co ntex tua liza ção do s t e ma s a s er e m d i s cu t i d os n o d i a e d is cus sões d e t ema s t r an sver sa i s . Est es for a m mo me n tos que con seguiam to ma r a at enção de tod a a sal a d e aul a n o pro gr a ma .

• Ampliar quadros do programa com visitas de personalidades ou esp ec ial istas p a ra en trev i s tas . Além de ve rem a lguém novo no

p ro g ra ma , o q u e j á ch a ma n at u ra l me n t e a a t enç ão , e st a aç ão p ro v oca ma i s in t eração e cu rio sid ade .

• Pensar em quadros e estratégias de ampliação da interatividade, val endo citar um exemplo de so luçõ es deste tipo utilizada no pro gra ma : d ur ante a au l a, quan do o professor faz uma pe rg unta e n i ng u é m r espo n de, ao in v é s d o pro fes s or f i c ar cir culan d o co m a me s ma p er g un t a esp er an d o qu e algu ém s e pro nu n cie , “Qu e m v ai me respon der?”, ele p edi a para acio narem u m q u adro chamad o d e “A b o mba ” , u m peq u eno pro gr a ma de co mpu t ad or qu e so rte av a aleatoriamen te u ma das fo tos dos alunos e a ap re sentava.

• Percebeu-se também que era preciso construir uma continuidade nos prog rama s di a após dia; para favorec er es te sentimen to de co ntin uidad e fo i sug e rid a a produ ção d e qu adro s curtos e freq ü entes co m re fe rênci as a u ma ló g i ca ma io r, co mo no ca so d e g incan as, q u iz ze s longos, ou histórias continuadas co mo as novelas, ou esquetes temático s em contextos repetidos, co mo os seri ado s a me r icano s “Fr iend s”, “Sein fe ld ”, e o s b ra sil eiro s “Os Nor ma is” , “Os Asp o nes ”.

Mui ta s r efl ex ões, mu it as d ificu ld ades. Ao fin a l aq uilo qu e fo i p ro d uzid o e t ran s mi t i d o acab o u assu mi n do u ma for ma b e m mai s ríg i da q ue o e sp er ad o, n ão ad q ui r i nd o a v el oc i d ad e p r eten d i da , ma s co ns egu ind o su stenta r a mo tiv a ção e aten ção do s a lu no s duran t e as aul as d o cu r so.