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A prática com o SIGProj à Luz do Modelo de Meta-estruturação e Estruturação da Tecnologia

3 Hipóteses sobre a adoção do SIGProj

3.1 Visão Geral sobre o Processo de Apropriação

A presente pesquisa aborda aspectos da adoção e apropriação do SIGProj e tem como foco a investigação sobre o que essa ferramenta tecnológica digital pode ter proporcionado quanto a mudanças significativas na gestão da Extensão da UFPE.

A princípio, supõe-se que houve uma mudança do tipo incremental (Silva, 1999) ocasionada por fatores internos e externos que conduziram a Pró-Reitoria de Extensão da UFPE a adotar o SIGProj como alternativa em substituição ao Sistema SIEXBRASIL. Esse processo indica a existência de atitudes positivas e negativas dos indivíduos frente a mudanças, tais como: resistência, pessimismo, entusiasmo, bem como, um possível desenvolvimento de novas competências e aprendizagens.

Duas lentes teóricas, a Teoria da Mediação Cognitiva e a Sociomaterialidade, contribuem para a compreensão desse processo, proporcionando possíveis respostas quanto às diferentes práticas de trabalho, que podem estar acontecendo em decorrência da interação dos diversos agentes extensionistas com o SIGProj.

De uma maneira geral, percebe-se que tarefas realizadas no ambiente de trabalho têm tido cada vez mais auxílio tecnológico como forma de suprir as demandas de seus executores. Em seu ambiente de trabalho, o indivíduo tem interagido com diversos tipos de hardware, software, navegação pelas redes, busca de informações, comunicações por e-mails, chats, grupos virtuais, incorporando, dessa maneira, uma infinidade de conceitos sofisticados, como por exemplo: “digital/analógico”, “interatividade”, “interface”, “redes”, “hipertexto”, “website”, “spam”, “chat” e afins (DE SOUZA, 2014).

Não é diferente o contexto da Extensão da UFPE. Ela, como um todo, e especificamente, a PROExC tem-se movimentado no sentido de proporcionar maior familiaridade no uso de ferramentas que tem adotado em suas práticas.

Assim, por meio da Teoria da Mediação Cognitiva, tem-se a possibilidade de achar algumas respostas para as diferentes formas práticas que têm sido utilizadas nesse âmbito. Para essa teoria, os indivíduos podem se utilizar de uma forma mais evoluída de mediação

cognitiva, denominada Hipercultura, a qual pode viabilizar o uso de mecanismos tecnológicos como estruturas extracerebrais (SOUZA, 2004).

Através da Teoria da Mediação Cognitiva, pode-se supor que uma ferramenta tecnológica digital, como por exemplo, o SIGProj, funciona como uma estrutura extracerebral que auxilia o processamento de dados. Percebe-se que existe tanto a possibilidade de a ferramenta ser um mecanismo transformador da cognição do usuário como, para seu uso, ser necessário uma aptidão prévia, proveniente do nível de hipercultura que o indivíduo já possua. Ou seja, se o indivíduo tem internalizada a forma hipercultural de pensar, isso irá facilitá-lo a usar a ferramenta tecnológica como também, em sentido inverso, o uso da ferramenta tecnológica poderá modificar sua forma de pensar e agir. Isso ocorre porque há, de acordo com a TMC, o estabelecimento de uma relação de duas vias: enquanto a mente influencia a tecnologia, a tecnologia influencia a mente, o que reforça a existência de uma relação recíproca entre agente humano e agente material.

Nesse processo, a Teoria da Mediação Cognitiva vem dar respaldo ao entendimento sobre o que a hipercultura proporciona, no sentido de explicar que o nível de conhecimento prévio dos extensionistas interfere em sua adaptação ao novo modelo de gestão, auxiliada pela ferramenta digital SIGProj, identificando os diferentes níveis de hipercultura e relacionando- os às diversas formas de atuação no uso da ferramenta.

Através da abordagem da sociomaterialidade (Orlikowski, 2000), pode-se identificar diferentes formas de utilização da ferramenta SIGProj , uma vez que irá depender de como os agentes humanos (extensionistas) e agente material (SIGProj) irão se constituir mutuamente.

A premissa é que houve uma inovação tecnológica no contexto da Gestão da Extensão da UFPE, que só vai traduzir-se em benefícios caso tenha acarretado mudanças nas práticas de trabalho.

Busca-se verificar se essas mudanças estão acontecendo, quais as “forças” que estão envolvidas, que as favorecem ou não, se estão acontecendo resistências e persistências nas formas antigas de executar as tarefas, se são influenciadas por aspectos culturais, dentre outros fatores. Provavelmente, diferentes formas de adoção do SIGProj estão acontecendo na prática nos diferentes âmbitos da Extensão da UFPE.

Das três formas de adoção que podem ser identificadas através da pesquisa e, sob a lente da Sociomaterialidade, estão: as adoções por Inércia, por Aplicação ou por Mudança propriamente dita. A Inércia poderia ser identificada ao perceber que os indivíduos (extensionistas) estão, em suas práticas, apresentando uso limitado do SIGProj, não havendo alteração no status quo , ou seja, sem consequências estruturais, tecnológicas e processuais.

Um exemplo prévio seria o de que, alguns gestores, que poderiam utilizar-se do SIGProj, estejam optando por analisar as informações gerenciais através de sistemas manuais.

Outra forma de adoção (por Aplicação) poderia ser identificada, por exemplo, pela presença de práticas colaborativas de uma pequena parte dos gestores, podendo-se supor como consequências processuais e estruturais, um aumento da eficiência na comunicação, ganhos individuais no trabalho com reforço e melhora do status quo.

Outra maneira, hipoteticamente possível, poderia acontecer pela mudança propriamente dita. A exemplo, a mudança poderia estar acontecendo inicialmente num loco mais específico, de forma mais substancial, onde ocorrem as decisões estratégicas e o monitoramento e contabilização das atividades de extensão (na CGE), podendo-se supor que houve alterações consideráveis no fluxo de procedimentos, e até mudanças na estrutura, proporcionando uma nova maneira de pensar a gestão como algo mais participativo e qualitativo, abrindo-se oportunidades para uma melhor comunicação entre seus agentes de mudança, e consequente melhora na execução de tarefas.

Assim, a identificação desses aspectos implica posteriores decisões quanto à realização de treinamentos, orientações, realização de tutoriais, a fim de viabilizar maior interação com a ferramenta, permitindo experiências prévias para seu uso posterior mais produtivo.