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Figura 81. Vista pátio de entrada bloco norte do Arquivo Geral da Nação. Foto: Enrique Guzman. Fonte: Fundação Rogelio Salmona. Em 1994, antes da conclusão completa da obra, o Arquivo Geral

da Nação recebeu o prêmio da XIV Bienal de Arquitetura Colombiana, junto com outros trabalhos de Rogelio Salmona como a Casa de Hóspedes de Cartagena (TÉLLEZ, 2006, p. 371). Segundo TÉLLEZ (2006, p. 371) “a indicação foi feita por se tratar de um exemplo de modelo do que deveria ser a arquitetura atual, inserida em um contexto urbano histórico”25. O prêmio foi na categoria desenho arquitetônico e a ata julgadora do concurso foi publicada na Revista Proa (1995, p. 18) com as seguintes considerações:

“Pela excelência e maestria que apresenta a obra, em que se conseguiu conciliar a solução de um complexo problema técnico com a utilização de recursos arquitetônicos apropriados ao meio que se localiza. Porque representa um destacado exemplo de como a arquitetura pode dignificar a função pública sem recorrer a estereótipos formais26”.

25 Texto original: “El jurado calificador de la Bienal acogió como candidata al Premio

Nacional esa obra de Salmona, indicando que se trataba de um ejemplo modélico de lo que debía ser la arquitectura actual inserta en um contexto urbano histórico” tradução da autora.

26 Texto original: “Por la excelência y maestria que presenta la obra en la que se ha

conseguido conciliar la solución de um complejo problema técnico con la utilización de recursos arquitectónicos apropriados al médio en que se ubica. Por cuanto representa um

destacado ejemplo de como la arquitetctura puede dignificar la función pública sin recurrir a estereótipos formales” tradução da autora.

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3.4.2 CAMADA ESTRATÉGIAS PROJETUAIS

O projeto do Arquivo Geral da Nação colombiana está inserido nas dinâmicas urbanas que se iniciam na década de 1970, com o projeto de requalificação do eixo centro-sul da cidade. Esta obra foi considerada no capítulo 2 como pertencente à categoria das estratégias projetuais “Combinações”, relacionada a duas outras estratégias, a 3 – Formas Puras aliada à 5 – Quadra Aberta. Parece haver certa correspondência e continuidade com as intenções projetuais do residencial Nova Santa Fé, próximo espacial e formalmente do edifício do Arquivo.

O contexto urbano imediato compreende o Conjunto Nova Santa Fé, o edifício SENDAS, a Igreja San Agustín e a de Nossa Senhora de Carmem. As relações que se estabelecem entre eles são variadas. Com o projeto Nova Santa Fé, as relações são mais diretas por serem obras do mesmo arquiteto que ademais buscou dar continuidade a ambos. Há uma conexão visual direta com a Igreja Nossa Senhora de Carmen através de um eixo diagonal de conexão com a entrada no bloco norte do Arquivo. A relação com o edifício Sendas pode ser compreendida como de contraste. Entendendo como duas construções públicas, de décadas distintas, para programas diferentes, podem se distanciar tanto em soluções formais como na implantação para o terreno.

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Figura 82. Implantação e imediações Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora.

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O edifício se diferencia da paisagem urbana imediata do centro e sul da cidade. Sua implantação na esquina entre a Calle 7 e a Carrera 6 faz com que o edifício ganhe destaque ao olhar do pedestre que chega, vindo da área central.

Devido à função do edifício, o modo como se comunica com a cidade é realizado de maneira controlada. O bloco mais ao norte apresenta-se mais livre e acessível, pelas aberturas nas fachadas e pelo acesso ao pátio circular aberto. Muito por conta de sua função de arquivo público de documentos, imagens e mapas históricos. O bloco ao sul é mais fechado, e pouco se comunica com o entorno. Nesse bloco, o modo como estão arranjados os tijolos nas aberturas, além de se apresentar como solução para ventilação e iluminação natural controlada, também se apresenta ao usuário que passa pela rua como um “véu” ou uma renda fina que se contrapõe à solidez da forma pura e fechada do objeto arquitetônico.

As fachadas do edifício são planas e com aberturas bem delimitadas. A utilização do desnível organiza pavimentos inferiores semienterrados dando leveza ao volume, especialmente para quem caminha pela relativamente estreita Carrera 6. A partir da Calle 6D a fragmentação do projeto em dois blocos pode sugerir a intenção de que

esta Calle continuasse para o trajeto do pedestre e encontrasse posteriormente a Igreja San Agustín, através do edifício Sendas.

O edifício do Arquivo Geral ocupa quase a totalidade do terreno, exceto por alguns espaços vazios, como o recuo da esquina, dando passagem ao pátio circular de acesso, o vazio situado entre os dois blocos (norte e sul) e ao fundo do bloco sul, com algumas poucas vagas de estacionamento. O acesso a estes espaços é livre ao público, mas eles não estão conectados.

O edifício do bloco norte contempla dois subsolos, o pavimento térreo, o primeiro pavimento e o terraço. O bloco sul também tem dois subsolos, um pavimento térreo (que está em nível diferente do pavimento térreo do bloco norte), o primeiro e segundo pavimentos, mais o terraço superior.

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O interior dos dois edifícios é acessado pelo público em geral através da entrada pelo bloco norte. A passagem entre os dois blocos não se dá pelo térreo, mas através das conexões entre os dois subsolos e de uma passarela situada no segundo pavimento do bloco sul/primeiro pavimento bloco norte. A entrada principal é simétrica e elevada, de escala monumental, configurando um primeiro portal que leva a um pátio circular aberto, com um plano de piso muito trabalhado e visão em 360° do edifício. Este pode ser adentrado, finalmente, por uma outra grande abertura para o interior do edifício.

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Figura 86. Decomposição da geometria Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora.

Os dois edifícios são compostos por dois volumes de planta quadrada com chanfros em todas as quinas. O bloco norte tem composição muito próxima de um quadrado, com um lado de dimensão 52 m e o outro 50 m, contendo um vazio interno correspondente a um círculo com 22 m de diâmetro em posição central e simétrica. Este círculo aberto colabora na iluminação natural do edifício, cuja largura fica com aproximadamente 15 m. Os chanfros em três quinas do quadrado desenham uma reentrância de iluminação; a quina de acesso ao edifício tem chanfro maior. O bloco sul tem planta quadrada com laterais de 45 m e chanfros nas quatro quinas também utilizadas para iluminação, com desenho distinto do bloco norte. Os dois edifícios estão alinhados entre si e distam 12 m.

A forma pura em quadrado dos dois blocos pode ser decomposta de diversas maneiras, em triângulos ou quadrados menores. São diversas as variações possíveis e todas as realizadas para esta dissertação são simétricas e consideram o círculo no centro do bloco norte.

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Figura 87. Pavimentos térreo bloco norte e bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora. O acesso ao interior do arquivo se dá pelo pavimento térreo do

bloco norte, na esquina entre a Calle 7 e Carrera 6 (setas em vermelho na fig. 87). Este acesso está elevado em relação ao nível da calçada por 11 degraus distribuídos em 4 lances. Ao adentrar a primeira abertura, chega-se a um pátio circular aberto, onde se pode ver toda a arquitetura do conjunto e o plano de piso trabalhado, composto a partir de tijolos, definindo padrões geométricos circulares. No mesmo eixo, encontra-se a segunda entrada para o interior do edifício, chegando a um espaço de circulação que contorna todo o perímetro do edifício. No pavimento térreo do bloco norte, encontram-se o auditório, salas de pesquisa e áreas administrativas, a altura do piso a piso é de 4,80 m.

O pavimento térreo do bloco sul está em cota 1 m acima do nível do pavimento térreo do bloco norte, e abriga os arquivos documentais. A circulação vertical no bloco sul se dá por uma escada com elevador e a horizontal por um corredor de acesso às salas. O piso a piso é de 2,90 m. Os térreos de ambos os blocos não possuem conexão entre si.

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Figura 88. Corte transversal bloco norte do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora.

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Figura 90. Primeiro subsolo bloco norte e bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora.

Figura 91. Primeiro pavimento bloco norte e segundo pavimento bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora. Abaixo do pavimento térreo, tanto no bloco norte quanto no bloco

sul, há dois pavimentos de subsolo, conectados em ambos os níveis. No bloco sul, a planta do pavimento térreo repete-se nos dois subsolos. No bloco norte, as plantas dos subsolos também destinam-se às salas de armazenamento dos documentos e de conservação dos materiais, mas a circulação horizontal é, de certa maneira, labiríntica, pois circunda as salas que são menores e mais fragmentadas.

No bloco norte, os pavimentos superiores seguem a mesma lógica de circulação do térreo, dando acesso a salas administrativas, de estudo e pesquisa de documentos. No bloco sul, as duas plantas acima do térreo seguem o mesmo desenho do térreo e subsolos; os pés direitos são mais baixos. A passarela de conexão entre os dois blocos situa-se no primeiro pavimento do bloco norte que corresponde ao segundo pavimento do bloco sul. O terraço de cobertura de ambos os edifícios é utilizado podendo ser acessado para a visualização do entorno. No terraço, é possível ver as aberturas zenitais que iluminam ambos os prédios, no caso do bloco sul o rasgo permite iluminar todos os pavimentos e no bloco norte a luz natural atinge até o pavimento térreo.

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Figuras 93 e 94. Imagens do corredor de circulação bloco sul e do terraço bloco norte, do Arquivo Geral da Nação. Foto: Enrique Guzman. Fonte: Fundação Rogelio Salmona. Figura 92. Pavimento Térreo dos blocos norte e sul do Arquivo Geral da Nação,

demarcação das circulações verticais (em verde) e iluminações zenitais (em laranja). Fonte: Desenho da autora. A circulação vertical que interliga todos os pavimentos do bloco sul é feita pela única escada existente e pelo elevador. No bloco norte, três escadas com elevadores interligam os pavimentos, as demais circulações verticais vão só do pavimento térreo aos subsolos.

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A composição das fachadas do Arquivo Geral da Nação merece um melhor detalhamento. Um olhar corriqueiro talvez não distinga as diferenças, mas a observação cuidadosa percebe as pequenas alterações, as sutilezas de desenho que escapam ao olhar superficial. Os planos de cada fachada nunca apresentam apenas uma vista, pois os chanfros nas quinas permitem distinguir as laterais e o início das fachadas lindeiras, permitindo ver, ao menos parcialmente, duas fachadas num mesmo plano.

Apesar de muito semelhantes, as composições das aberturas de cada fachada apresentam diferenças sutis. Para orientar a descrição, a fachada voltada para a Carrera 6 foi chamada de frontal, a fachada voltada para a Calle 6C Bis de lateral do bloco sul, a fachada voltada para a Calle 7 de lateral do bloco norte e a fachada oposta à Carrera 6, voltada a Carreira 7, foi chamada de posterior. A fachada definida como frontal é onde ocorre a mais frequente circulação de pedestres.

As aberturas presentes em ambos blocos, norte e sul, são compostas por quadrados, ora maiores, ora menores, que estabelecem uma movimentação ritmada e aparentemente homogênea entre si. A primeira diferença entre as aberturas do bloco sul e do bloco norte é nos fechamentos. No caso do bloco norte, todos os fechamentos são em vidro, no bloco sul, para garantir a iluminação e ventilação controlada, o

fechamento é realizado por uma segunda camada recuada de tijolos, dispostos de maneira a compor uma trama vazada.

As fachadas frontal e posterior do bloco sul seguem padrões semelhantes de composição. Na fachada posterior, há adição de aberturas ainda menores para ventilar/iluminar os pavimentos inferiores. Chamaremos esse padrão de 1, no qual duas aberturas menores se alinham com a dimensão de uma abertura maior (figs. 95 e 96). Esse padrão 1 de composição repete-se na fachada frontal e posterior do bloco sul. Nota-se um outro padrão de composição entre os elementos quadrados menores e maiores nas fachadas frontal e posterior do bloco sul, a este outro padrão chamaremos de 2. Nele cada abertura menor está centralizada em relação à abertura maior (figs. 95 e 96).

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Figuras 95. Elevação frontal blocos norte e sul. Fonte: Desenho da autora.

Figuras 96. Elevação posterior blocos norte e sul. Fonte: Desenho da autora.

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Figuras 97 e 98. Elevação lateral bloco sul e elevação lateral bloco norte. Fonte: Desenho da autora. Diferentemente do padrão 1 (que ocorre nas fachadas frontal e

posterior do bloco sul), nenhuma das fachadas está composta integralmente pelo padrão 2, pois sempre aparece combinado ao padrão 1, numa disposição sequencial. Esta segue a mesma lógica na elevação frontal e posterior do bloco norte, de ritmo 1-2-1-2. Mas nas fachadas laterais tanto do bloco sul como no bloco norte, segue um ritmo 2-1-2-1.

A quantidade de aberturas em cada fachada também varia. Nas fachadas frontal, posterior e lateral do bloco sul há 14 aberturas menores e 3 aberturas maiores. Nas fachadas frontal e lateral do bloco norte há 15 aberturas menores e 4 maiores. Já na fachada posterior do bloco norte há 18 aberturas menores e 5 maiores. Apesar dessas diferenças, o conjunto aparenta ser, para um primeiro olhar, bastante homogêneo, e só a observação acurada revela as diferenças – que são tão harmônicas que só foram notadas quando feita a realização dos estudos gráficos.

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Tabela 14. Quadro síntese das escalas de aproximação. Fonte: Realizado pela autora.

CAPÍTULO 4. DIAGRAMAS GRÁFICOS E INTERPRETATIVOS DO