http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3480/5/Ta%C3%ADs%20Ossani
Texto
(2)
(3) TAÍS DE CARVALHO OSSANI. ROGELIO SALMONA A espessura heterogênea de uma superfície uniforme Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Profa. Dra. Ruth Verde Zein. São Paulo, 2017.
(4) O84r Ossani, Taís de Carvalho. Rogelio Salmona, a espessura heterogênea de uma superfície uniforme. / Taís de Carvalho Ossani – 2017. 265 f. : il. ; 30cm. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2017. Bibliografia: f. 199-206. 1. Rogelio Salmona. 2. América Latina. 3. Historiografia. 4. Método. 5. Redesenho. 6. Projeto I. Título. CDD 720.986.
(5)
(6)
(7) Aos meus pais, Ademir e Vilma, à minha irmã, Aline e ao meu companheiro Bruno por todo apoio, carinho e incentivo..
(8)
(9) AGRADECIMENTOS À minha orientadora Ruth Verde Zein, por toda ajuda neste processo de crescimento acadêmico. Por compartilhar, de forma tão presente e gentil, sua vasta experiência e conhecimento sobre arquitetura, em especial sobre a América Latina. Obrigada por estar sempre disposta a me ajudar e a me tornar uma pesquisadora e arquiteta melhor. À Capes/Mackenzie pela bolsa concedida, que me permitiu uma dedicação maior ao mestrado. À arquiteta e crítica argentina Marina Waisman, por todo seu estudo e bibliografia, referência fundamental desta pesquisa. À Fundação Rogelio Salmona, em Bogotá. Em especial à Maria Elvira Madriñán, à Silvia Arango Cardinal e ao Andrés Téllez. Às professoras Ana Gabriela Godinho e Mônica Junqueira de Camargo, por estarem presentes desde a banca de qualificação, o que auxiliou, e muito, para o desenvolvimento da pesquisa. Ao meu companheiro Bruno, por toda força, carinho e confiança, cujo incentivo foi fundamental para chegar ao fim deste processo com todo fôlego do início. Aos meus pais, Vilma e Ademir, pelo carinho, compreensão e apoio de sempre. À minha irmã, Aline pelas conversas descontraídas e pela paciência neste percurso. E à Deus, por me dar força e determinação para cumprir esta jornada, que está apenas no início..
(10)
(11) RESUMO A presente dissertação de mestrado propõe um método de estudo e reconhecimento da obra do arquiteto colombiano Rogelio Salmona, na intenção de contribuir para novas discussões acerca de seu trabalho no âmbito da pesquisa acadêmica, da historiografia e dos estudos de projeto. Seu objetivo é o de aprofundar o estudo sobre a pluralidade de estratégias adotadas pelo arquiteto através de um fragmento de quatro obras – a sede da Sociedade Colombiana de Arquitetos (1962), o residencial Torres do Parque (1964), a renovação urbana Nova Santa Fé (1983) e a sede do Arquivo Geral da Nação (1988) – todas localizadas em Bogotá, na Colômbia. A dissertação consta de duas partes complementares. A primeira parte: reconhecimento e seleção, compreende os capítulos 1 e 2, nos quais, primeiramente, é apresentado o universo que abrange as bibliografias e as pesquisas acadêmicas relativas ao arquiteto e sua biografia. Em um segundo momento, cerca de sessenta projetos do arquiteto são redesenhados e categorizados com o objetivo de selecionar a amostra de obras que seja adequada e auxilie na busca pela pluralidade de estratégias adotadas pelo arquiteto. Na segunda parte: exercício prático-reflexivo, composto pelos capítulos 3 e 4, são realizados os estudos críticos e referenciados das quatro obras e são gerados gráficos. combinatórios e interpretativos das mesmas obras, com o intuito de buscar a compreensão da diversidade das ações que constituem este recorte de obras do arquiteto. A dissertação se encerra com as considerações finais que relacionam as questões colocadas no final do capítulo 1 às investigações projetuais desenvolvidas nos capítulos 3 e 4. De modo a concluir, através da prática do arquiteto, elementos pertinentes à investigação da pluralidade existente dentro da superfície uniforme postulada pelas leituras da década de 1980 sobre o arquiteto. Palavras-chave: América Latina. Historiografia. Método. Redesenho. Projeto. Crítica. Reflexão..
(12) ABSTRACT This paper proposes a method of study and recognition about the work of the Colombian architect Rogelio Salmona, with the intention to contribute to new discussions about his work, in the range of academic research, historiography and project studies. The aim is to study deeply the plurality of strategies adopted by the architect through a fragment of four works - the Colombian Society of Architects (1962), the residential Towers of the Park (1964), the urban renovation New Santa Fe (1983) and the General Archive of the Nation (1988) - all located in Bogotá, Colômbia. The dissertation consists of two complementary parts. The first part: recognition and selection, includes chapters 1 and 2, which first presents the universe that covers bibliographies and academic research concerning the architect and his biography. In a second moment, about sixty projects of the architect are redesigned and categorized with the purpose of selecting the works sample that is adequate and helps in the search for the plurality of strategies adopted by the architect. In the second part: practical-reflexive exercise, composed of chapters 3 and 4, the critical and referenced studies of the four works are realized and some combinatorial and interpretative graphs, of the same works, are generated with the purpose of comprehend the diversity of the actions that constitute this snippet of architect's works.. The paper ends with final considerations that relate the questions treated at the end of chapter 1 to the project investigations developed in chapters 3 and 4. To conclude, through the architect's practice, pertinent elements to investigate the plurality existing within the uniform surface postulated by the readings of the 1980s about the architect. Keywords: Latin America. Historiography. Method. Redesign. Project. Critical. Reflection..
(13) LISTA DE ILUSTRAÇÕES [DIAGRAMAS] Diagrama 01: Camadas 1 e 2 – estado da arte e dados biográficos do arquiteto. Fonte: Realizado pela autora ................................................... 43 Diagrama 02: Categoria 7, Combinações. Fonte: Realizado pela autora 81 Diagrama 03: Conformação Quadro cronológico-formal. Fonte: Realizado pela autora............................................................................................... 83 Diagrama 04: Conformação Quadro cronológico-formal, modificações A. Fonte: Realizado pela autora ................................................................... 86 Diagrama 05: Conformação Quadro cronológico-formal, modificações B. Fonte: Realizado pela autora ................................................................... 87 Diagrama 06. Combinação 1 – Sociedade Colombiana de Arquitetos e Torres do Parque. Fonte: Realizado pela autora ................................... 180 Diagrama 07. Combinação 2 – Nova Santa Fé e Arquivo Geral da Nação. Fonte: Realizado pela autora ................................................................. 182 Diagrama 08. Combinação 3 – Sociedade Colombiana de Arquitetos e Nova Santa Fé. Fonte: Realizado pela autora........................................ 184 Diagrama 09. Combinação 4 – Torres do Parque e Nova Santa Fé. Fonte: Realizado pela autora ............................................................................ 186. Diagrama 10. Combinação 5 – Sociedade Colombiana de Arquitetos e Arquivo Geral da Nação. Fonte: Realizado pela autora ......................... 188 Diagrama 11. Combinação 6 – Torres do Parque e Arquivo Geral da Nação. Fonte: Realizado pela autora ..................................................... 190 Diagrama 12. Combinação 7 – Quatro obras: Sociedade Colombiana de Arquitetos, Torres do Parque, Nova Santa Fé e Arquivo Geral da Nação. Fonte: Realizado pela autora ................................................................. 193 [FIGURAS] Figura 01: Perspectiva e corte do edifício Bessudo, 1958, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora .................................................... 51 Figura 02: Plantas (térreo e primeiro pavimento, respectivamente) e corte: residencial Pereira, 1959, Pereira (Colômbia). Fonte: Desenho da autora ................................................................................................................. 52 Figura 03: Planta (térreo) e corte: residencial Polo, 1959, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora .................................................... 53 Figura 04: Planta (térreo) e corte: casa Vivas, 1964, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora........................................................................ 55 Figura 05: Planta (térreo) e corte: casa Amaral, 1968, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora........................................................................ 56.
(14) Figura 06: Planta (térreo) e corte: casa Alba, 1969, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora ....................................................................... 57 Figura 07: Planta (térreo) e corte: sede Automóvel Clube, 1970, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora .................................................... 59 Figura 08: Planta (térreo) e corte: Centro Eliécer Gaitán, 1979, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora .................................................... 60 Figura 09: Planta (térreo) e corte: casa Cota I, 1992, Cota (Colômbia). Fonte: Desenho da autora ....................................................................... 62 Figura 10: Planta (térreo) e corte: edifício de Pós-Graduação em Ciências Humanas da Universidade Nacional, 1998, Bogotá (Colômbia). Fonte: Desenho da autora .................................................................................. 63 Figura 11: Entrada S.C.A. Fonte: Foto da autora ..................................... 91 Figura 12: Mapa da localização S.C.A e entorno. Fonte: Base Mapa Governo de Bogotá com modificações da autora ................................... 92 Figura 13: Maquete do anteprojeto da S.C.A. Fonte: Revista Proa, 1967, p.23.......................................................................................................... 93 Figura 14: Plantas do anteprojeto da S.C.A. Rogelio Salmona e Luis Eduardo Torres. Fonte: Revista Proa, 1967, p.25 .................................... 94 Figura 15: Projeto final S.C.A - pavimento térreo. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ................................................................................................... 94. Figura 16: Projeto final S.C.A. - pavimento tipo do 2º ao 18º pavimento. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ......................................................... 94 Figura 17: Propaganda do Edifício da S.C.A na Revista Proa. Fonte: PROA, 1967 ............................................................................................. 97 Figura 18: Vistas da cidade para a S.C.A. Fonte: Google Street View..... 98 Figura 19: Estudo implantação e imediações da S.C.A. Fonte: Desenho da autora .................................................................................................. 99 Figura 20: Vistas do edifício da S.C.A. Fonte: Desenho da autora ........ 100 Figura 21: Composição do edifício da S.C.A. Fonte: Desenho da autora. ............................................................................................................... 101 Figura 22: Implantação do edifício da S.C.A no terreno. Fonte: Desenho da autora ................................................................................................ 102 Figura 23: Decomposição da geometria do edifício da S.C.A. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 104 Figura 24: Decomposição em triângulos e quadrados do edifício da S.C.A. Fonte: Desenho da autora........................................................... 104 Figura 25: Acessos ao edifício da S.C.A e escala do pedestre. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 105 Figura 26: Plantas do pavimento térreo e 2º subsolo da S.C.A. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 106 Figura 27: Planta 1º subsolo da S.C.A. Fonte: Desenho da autora ........ 107.
(15) Figura 28: Plantas pavimento tipo (1º ao 18º) e 19º pavimento da S.C.A. Fonte: Desenho da autora ..................................................................... 107 Figura 29: Composição imagens da S.C.A. Fotos: da autora, da Fundação Rogelio Salmona e da Revista Proa ....................................................... 108 Figura 30: Entrada Torre A, residencial Torres do Parque. Fonte: Foto da autora..................................................................................................... 109 Figura 31: Localização dos edifícios residenciais na área central. Fonte: Google Earth, adaptações da autora .................................................... 111 Figura 32: Quadra 26-5. (Terreno em vermelho). Fonte: Aerofotografia IGAC, apud Urrea, 2014, p.291 ............................................................. 112 Figura 33: Planta da primeira proposta de Rogelio Salmona para o projeto Torres do Parque. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ......................... 114 Figura 34: Maquete da primeira proposta de Rogelio Salmona para o projeto Torres do Parque. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ............. 114 Figuras 35 e 36: Planta e fachada da proposta final das Torres do Parque. Fonte: Fundação Rogelio Salmona .......................................... 115 Figura 37: Vista para as Torres do Parque e ao Monserrate, de dentro da Sociedade Colombiana de Arquitetos. Fonte: Foto da autora ............... 116 Figura 38: Construção do residencial Torres do Parque. Foto: Arquivo Jorge Silva. Fonte: Urrea, 2014 ............................................................. 117. Figura 39: Sistema estrutural de “Muros Cortina” do residencial Torres do Parque. Fonte: Revista Arquitecturas, 1999 ........................................... 117 Figura 40: Implantação do conjunto residencial Torres do Parque – Parque da Independência. Fonte: PROA, apud Urrea 2014.................. 118 Figura 41: Escadaria, antiga Calle 26b. Foto: Paolo Gasparini. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ................................................................... 118 Figura 42: Implantação residencial Torres do Parque e imediações. Fonte: Desenho da autora...................................................................... 120 Figura 43: Vistas do residencial Torres do Parque. Foto: Google Street View........................................................................................................ 121 Figura 44: Vista Torres do Parque para a Praça de Toros. Fonte: Desenho da autora ................................................................................................ 123 Figura 45: Vista Torres do Parque para o Monserrate. Fonte: Desenho da autora ..................................................................................................... 124 Figura 46: Implantação do residencial Torres do Parque. Fonte: Desenho da autora ................................................................................................ 126 Figura 47: Pavimento térreo do residencial Torres do Parque. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 126 Figura 48: Decomposição das formas do residencial Torres do Parque. Fonte: Desenho da autora...................................................................... 128.
(16) Figura 49: Decomposição das formas do residencial Torres do Parque. Fonte: Desenho da autora ..................................................................... 128 Figura 50: Pavimento térreo do residencial Torres do Parque, acessos e circulação. Fonte: Desenho da autora ................................................... 130 Figura 51: Planta do 2º subsolo do residencial Torres do Parque. Fonte: Desenho da autora ................................................................................ 130 Figura 52: Vista dos terraços da torre C do residencial Torres do Parque. Foto da autora........................................................................................ 131 Figura 53: Plantas dos pavimentos tipo Torres do Parque, Torres C, A ,B (respectivamente). Fonte: Desenho da autora ...................................... 132 Figura 54: Corte Torre C e detalhe fachada. Fonte: Desenho da autora133 Figura 55: Vista de um dos dormitórios da torre B do residencial Torres do Parque. Foto da autora ..................................................................... 134 Figura 56: Vista da sala da torre B do residencial Torres do Parque. Foto da autora ............................................................................................... 134 Figura 57: Composição de imagens do residencial Torres do Parque. Fotos da autora ...................................................................................... 135 Figura 58. Entrada Nova Santa Fé. Fonte: Foto da autora ..................... 136 Figura 59: Localização imediações bairro Santa Bárbara. Foto: Google Earth, modificações da autora ............................................................... 138. Figura 60: Localização do projeto Nova Santa Fé. Fonte: Google Earth com modificações da autora ................................................................. 139 Figura 61: Projeto de uma das quadras urbanas do Nova Santa Fé no traçado em cruz inserida em um quadrado. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ................................................................................................. 140 Figura 62: Implantação para as 9 quadras do projeto Nova Santa Fé. Incluindo o Arquivo Geral da Nação e a Superintendência Bancária, projetos posteriores. Fonte: Fundação Rogelio Salmona....................... 141 Figura 63: Imagem do que foi construído do projeto Nova Santa Fé. Foto: Enrique Guzman. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ........................... 142 Figura 64: Localização do que foi construído do projeto Nova Santa Fé (maior) e projeto original (menor). Fonte: Desenho da autora ............... 144 Figura 65: Esquina do conjunto residencial Nova Santa Fé. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 145 Figura 66: Escadaria lateral do conjunto residencial Nova Santa Fé. Foto da autora ................................................................................................ 146 Figura 67: Implantação quadra urbana Nova Santa Fé. Fonte: Desenho da autora ................................................................................................ 147 Figura 68: Decomposição geometria quadra urbana Nova Santa Fé. Fonte: Desenho da autora...................................................................... 148.
(17) Figura 69: Vista frontal quadra urbana Nova Santa Fé. Fonte: Desenho da autora..................................................................................................... 149 Figura 70: Vista e corte quadra urbana Nova Santa Fé. Fonte: Desenho da autora ............................................................................................... 150 Figura 71: Planta pavimento tipo Nova Santa Fé e detalhe 01. Fonte: Desenho da autora ................................................................................ 152 Figura 72: Composição imagens Nova Santa Fé. Fotos: da autora e da Fundação Rogelio Salmona ................................................................... 153 Figura 73: Entrada Arquivo Geral da Nação. Foto da autora ................ 154 Figura 74: Imagem do edifício SENDAS com a Igreja de San Agustín na frente. Fonte: Banco Cultural da República ................. 156 Figura 75: Localização e imediações Arquivo Geral da Nação. Fonte: Mapa Governo de Bogotá com modificações da autora ....................... 157 Figuras 76 e 77: Imagens da apresentação da maquete realizada por Salmona e imagem da construção dos dois blocos do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Arquivo Geral da Nação ................................................. 158 Figuras 78, 79 e 80: Localização e vistas das ruas adjacentes ao Arquivo Geral da Nação. Fonte: Google Earth com modificações da autora ..... 159 Figura 81: Vista pátio de entrada bloco norte do Arquivo Geral da Nação. Foto: Enrique Guzman. Fonte: Fundação Rogelio Salmona .................. 160. Figura 82: Implantação e imediações Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 162 Figura 83: Implantação Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora ..................................................................................................... 164 Figura 84: Entrada Bloco Norte - Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 164 Figura 85: Corte longitudinal Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora ..................................................................................................... 165 Figura 86: Decomposição da geometria Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 166 Figura 87: Pavimentos térreo bloco norte e bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora ......................................................... 167 Figura 88: Corte transversal bloco norte do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora...................................................................... 168 Figura 89: Corte transversal bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora................................................................................. 168 Figura 90: Primeiro subsolo bloco norte e bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora ......................................................... 169 Figura 91: Primeiro pavimento bloco norte e segundo pavimento bloco sul do Arquivo Geral da Nação. Fonte: Desenho da autora ........................ 169.
(18) Figura 92: Pavimento Térreo dos blocos norte e sul do Arquivo Geral da Nação, demarcação das circulações verticais (em verde) e iluminações zenitais (em laranja). Fonte: Desenho da autora ................................... 170 Figuras 93 e 94: Imagens do corredor de circulação bloco sul e do terraço bloco norte, do Arquivo Geral da Nação. Foto: Enrique Guzman. Fonte: Fundação Rogelio Salmona ........................................................ 170 Figura 95. Elevação frontal blocos norte e sul. Fonte: Desenho da autora ............................................................................................................... 172 Figura 96. Elevação posterior blocos norte e sul. Fonte: Desenho da autora..................................................................................................... 172 Figuras 97 e 98. Elevação lateral bloco sul e elevação lateral bloco norte. Fonte: Desenho da autora ..................................................................... 173 Figura 99: Composição imagens Arquivo Geral da Nação. Fotos: da autora e da Fundação Rogelio Salmona................................................ 174 Figura 100. Escala gráfica gradativa de intensidade. Fonte: Realizado pela autora............................................................................................. 176 [TABELAS] Tabela 01: Referências comuns sobre o arquiteto. Fonte: Realizada pela autora....................................................................................................... 40. Tabela 02: Categorização Cronológica, Quatro Períodos. Fonte: Realizada pela autora ............................................................................................... 48 Tabela 03: Categorização Cronológica x Usos, Quatro Períodos. Fonte: Realizada pela autora .............................................................................. 49 Tabela 04: Projetos pertencentes à categoria 1, Ortogonais. Fonte: Desenho da autora................................................................................... 65 Tabela 05: Projetos pertencentes à categoria 2, Planos inclinados. Fonte: Desenho da autora................................................................................... 67 Tabela 06: Projetos pertencentes à categoria 3, Formas Puras. Fonte: Desenho da autora................................................................................... 69 Tabela 07: Projetos pertencentes à categoria 4, Pátios Subsequentes. Fonte: Desenho da autora........................................................................ 71 Tabela 08: Projetos pertencentes à categoria 5, Quadra Aberta. Fonte: Desenho da autora................................................................................... 73 Tabela 09: Projetos pertencentes à categoria 6, Isolados. Fonte: Desenho da autora .................................................................................................. 74 Tabela 10: Projetos pertencentes à categoria 7, Combinações. Fonte: Desenhos da autora ................................................................................. 75 Tabelas 11, 12 e 13: Escalas de perguntas para o estudo das quatro obras. Fonte: Realizadas pela autora.................................................................. 90.
(19) Tabela 14. Quadro síntese das escalas de aproximação. Fonte: Realizada pela autora............................................................................................. 175 Tabela 15. Quadro análise combinatória. Fonte: Realizada pela autora 176 Tabela 16. Escala gráfica x tópicos. Fonte: Realizada pela autora ....... 177 Tabela 17. Relações entre usos, períodos e estratégias projetuais das quatro obras. Fonte: Realizada pela autora........................................... 178 Tabela 18. Resumo das seis combinações entre as quatro obras. Fonte: Realizada pela autora ............................................................................ 179 Tabela 19. Semelhanças e diferenças das seis combinações feitas a partir das quatro obras. Fonte: Realizada pela autora.................................... 194.
(20)
(21) APRESENTAÇÃO Ao apresentar esta dissertação elaborada no Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, penso ser interessante descrever de maneira sucinta um trajeto que, nascido de meus interesses pessoais, transformou-se em um processo de pesquisa e um caminho de descobertas. Explico também sobre o título desta dissertação, de maneira a elucidar as questões que serão discutidas adiante. Durante a graduação em Arquitetura e Urbanismo, sempre me interessei pelas disciplinas de projeto e as de teoria e crítica, mas me frustrava perceber que estas áreas eram tratadas como se fossem dois mundos isolados, que não conversavam entre si. Na especialização em Arquitetura, Cidade e Sustentabilidade, distanciei-me do projeto de arquitetura e fui estudar as implicações das políticas públicas nas cidades. Percebi que o modo como era pensado o meio urbano, a partir de planos, e não projetos, acarretava em um grande descompasso entre o que se pretendia como ideal e o que o organismo complexo das cidades realmente demandava. Assim, vi que as disciplinas de arquitetura e urbanismo também se distanciavam, muitas vezes eram entendidas como sistemas separados, onde em cada campo existiam seus “especialistas” que pouco auxiliavam no processo que ambos desenvolviam. Entretanto,. o que eu enxergava era uma relação de dependência entre meio urbano e arquitetura. Meu interesse pela obra do arquiteto colombiano Rogelio Salmona iniciou-se em uma leitura despretensiosa do livro “O futuro da arquitetura” de Jean Louis Cohen, no qual Salmona era apresentado pelo projeto do residencial Torres do Parque ao lado de outros arquitetos significativos do cenário brasileiro como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha e João Filgueiras Lima, sendo todos englobados na categoria crítica do regionalismo. A partir desta leitura, fui buscar mais informações sobre o arquiteto e suas obras, e percebi que todas as fontes repetiam as mesmas considerações sobre sua utilização dos tijolos e sua representatividade como arquiteto adequado ao meio colombiano. Continuei buscando mais informações, pois curiosa e questionadora que sou, procurava descobrir outras questões sobre sua trajetória que não se circunscrevessem apenas a estas duas facetas do trabalho do arquiteto, o material e a identidade regional. O que eu não tinha percebido claramente na época, mas que fica mais nítido hoje após quase dois anos de estudo sobre o tema, é que o que me instigava na busca de informações sobre este arquiteto e sua obra eram as mesmas questões que me interessam como arquiteta: o projeto, a cidade e as teorias e críticas em torno do seu trabalho, um mesmo tema.
(22) e um conjunto de questões que estavam sempre presentes nos meus estudos. Ao descobrir o amplo universo de possibilidades projetuais e teóricas que o estudo da obra do arquiteto colombiano Rogelio Salmona me possibilitava, veio a difícil decisão sobre a definição do recorte que delimitaria esta dissertação. As entradas eram muitas e todos os assuntos me pareciam interessantes. Ao longo do primeiro ano, muitos recortes foram pensados: a relação do arquiteto com a obra do sociólogo da arte Pierre Francastel, o estudo mais aprofundado de apenas um de seus projetos, o arquiteto como um dos representantes da categoria do regionalismo crítico, entre outros. Em paralelo, em uma das disciplinas cursadas no mestrado, fui descobrindo e me interessando pela leitura dos textos da arquiteta e crítica argentina Marina Waisman, principalmente pelo livro “O interior da história, historiografia arquitetônica para uso de latino-americanos”, que discute conceitos e aborda questões relacionadas à disciplina da história e sobre os instrumentos para análise de arquiteturas, a partir de um ponto de vista latino-americano. Ao longo da leitura de seus textos, fui assimilando questões que havia lido nas bibliografias sobre o arquiteto Rogelio Salmona e traçando alguns paralelos reunindo meus interesses como arquiteta pesquisadora e as “brechas” ou ausências que encontrava. nos trabalhos já realizados sobre o arquiteto. Também descobri alguns dos textos escritos pela minha orientadora Ruth Verde Zein, cujo teor unia o pensamento conceitual e as referências que me faltavam para a conexão entre as disciplinas do projeto de arquitetura, da crítica e da teoria. Inicialmente fui traçando questões e organizando os capítulos que compõem esta dissertação a partir de uma das entradas, a que entendia o arquiteto colombiano Rogelio Salmona como personalidade exemplar da categoria do regionalismo crítico. Porém, no exame de qualificação, este processo passou por um momento de reflexão sobre algumas inconsistências que esse caminho apresentava. Com o auxílio das professoras doutoras Ana Gabriela Godinho Lima e Mônica Junqueira de Camargo, membros da banca examinadora, percebi a possibilidade de outras interpretações, diferentes daquela que eu estava propondo, e que poderiam resultar em caminhos que não eram desejáveis para as possibilidades desta pesquisa. Retomei o trabalho refletindo sobre três questões que foram questionadas na qualificação: o que representava uma dissertação de mestrado para mim, o que eu gostaria de mostrar/discutir através dela e como seria possível que este trabalho se tornasse uma referência para outros pesquisadores. Essas considerações foram de fundamental importância para a elaboração da abordagem definitiva da dissertação..
(23) Tomando como referência outras dissertações que abordavam o tema da pesquisa em projeto de arquitetura, percebi que grande parte dos objetivos desses trabalhos era estudar mais profundamente algumas obras dos arquitetos e reconhecer questões que eram pertinentes a seus trabalhos. Muitos deles também se colocavam como a proposição de um método de estudo, definindo modos de analisar e interpretar a obra de alguns arquitetos. Esta dissertação foi reorganizada corroborando os esforços deste grupo de arquitetos-pesquisadores estudiosos da disciplina de projeto de arquitetura. Buscou-se chamar a atenção para questões/elementos que vêm sendo considerados importantes pelos trabalhos que abordam a obra do arquiteto, de modo a construir uma pesquisa que também apresenta um método de estudo, seleção e interpretação voltado para sua prática. Finalmente, esta pesquisa entende que sua contribuição é também no sentido de um merecido e desejável retorno do estudo sobre este arquiteto e suas obras, de maneira a estimular o âmbito das discussões para os novos pesquisadores, aqueles que desejam reconhecer arquiteturas de qualidade na América Latina. O título da dissertação, “Rogelio Salmona: a espessura heterogênea de uma superfície uniforme”, merece talvez uma explicação, como um prelúdio para a abordagem proposta nesta pesquisa. A utilização dos quatro termos presentes no subtítulo – espessura,. heterogênea, superfície e uniforme – foi deliberada e refletida, e busca referenciar o modo como a obra do arquiteto Salmona foi aqui interpretada. Segundo o dicionário Michaelis, o substantivo feminino “espessura” significa estado de algo denso, aglomeração, ajuntamento de coisas que formam um todo; o adjetivo feminino “heterogênea” caracteriza o que é composto de elementos variados, de natureza desigual, o que revela diferenças; já o substantivo feminino “superfície” significa a parte externa e visível dos corpos e o adjetivo “uniforme” caracteriza ausência de variação, de diversidade. A qualificação destes substantivos “espessura heterogênea” e “superfície uniforme” representa o modo como esta pesquisa propõe o entendimento da obra do arquiteto e a forma como, até agora, vinha sendo interpretada pela literatura e grande parte da pesquisa acadêmica. Esse material bibliográfico existente, descrito no primeiro capítulo desta dissertação, vem conformando uma envoltória sobre o arquiteto e sua obra, exaustivamente reapresentando leituras nascidas na década de 1980, as quais interpretam o arquiteto como personalidade que se adequa ao contexto colombiano, através do uso do tijolo cerâmico nas suas arquiteturas – em outras palavras, vem construindo uma interpretação que interrompe o caminho, como uma barreira de superfície uniforme. Já o que esta pesquisa propõe poderia ser qualificado pela expressão “espessura heterogênea”. Trata-se de uma ação em busca de.
(24) elementos divergentes, de reconhecimento das “brechas” encontradas até nas leituras mais sólidas (e quase impenetráveis) sobre o arquiteto, coletando as várias peculiaridades que em geral passam despercebidas, mas foram sendo consideradas ou descobertas através do estudo crítico e referenciado de suas obras. A dissertação não se propõe a fechar, mas apenas iniciar um processo de pesquisa e interpretação. Assim, optou-se por um recorte cronológico limitado, focado no período entre as décadas de 1960 e 1980, de forma a melhor evidenciar algumas outras questões, e abrir novos campos interpretativos sobre a obra do arquiteto. A espessura heterogênea da obra do arquiteto Rogélio Salmona será estudada, nesta dissertação, através do fragmento das quatro obras. De modo a perceber outras questões, que vão mais além da superfície uniforme de tijolos, de interpretações cristalizadas que acompanham seu trabalho desde a década de 1980..
(25) SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................... 25 PARTE 1 – RECONHECIMENTO E SELEÇÃO CAPÍTULO 1. RECONHECIMENTO DAS CAMADAS DESTA PESQUISA 27 1.1 Camada 1. Autores e bibliografias sobre o arquiteto .................... 30 1.2 Camada 2. Biografia do arquiteto .................................................. 36 1.3 A espessura heterogênea............................................................. 40 CAPÍTULO 2. UMA PROPOSTA DE MÉTODO PARA APROPRIAÇÃO E SELEÇÃO ............................................................................................... 44 2.1 Primeira categorização, categoria cronológica ............................. 46 2.1.1 Primeiros atos, anos 1950....................................................... 50 2.1.2 Ebulição de ideias, anos 1960................................................ 54 2.1.3 Oscilando entre o público e o privado, anos 1970 e 1980 ..... 58 2.1.4 Consolidação de estratégias, anos 1990 e 2000 ................... 61 2.2 Segunda categorização, categoria estratégias de projeto ............ 64 2.3 Confrontando categorizações, subsidiando o recorte .................. 82 2.4 Critérios de seleção ....................................................................... 84 PARTE 2 – EXERCÍCIO PRÁTICO-REFLEXIVO. CAPÍTULO 3. ESTUDO REFERENCIADO E CRÍTICO DE 4 OBRAS DO ARQUITETO SALMONA ........................................................................... 88 3.1 Sociedade Colombiana de Arquitetos ........................................... 91 3.1.1 Camada histórica .................................................................... 91 3.1.2 Camada estratégias projetuais ............................................... 98 3.2 Residencial Torres do Parque ...................................................... 109 3.2.1 Camada histórica .................................................................. 109 3.2.2 Camada estratégias projetuais ............................................. 119 3.3 Renovação Urbana Nova Santa Fé .............................................. 136 3.3.1 Camada histórica .................................................................. 136 3.3.2 Camada estratégias projetuais ............................................. 143 3.4 Arquivo Geral da Nação............................................................... 154 3.4.1 Camada histórica .................................................................. 154 3.4.2 Camada estratégias projetuais ............................................. 161 CAPÍTULO 4. DIAGRAMAS GRÁFICOS-INTERPRETATIVOS DO RECORTE DE OBRAS ............................................................................ 175 4.1 Gráficos combinatórios e interpretativos do recorte de obras ..... 175 4.2 Compreensão quantitativa e caracterizada do contraste ............ 194 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................... 196 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 199 APÊNDICE A .......................................................................................... 207.
(26)
(27) INTRODUÇÃO Esta dissertação se insere no campo das pesquisas sobre o projeto de arquitetura e tem como tema a obra do arquiteto colombiano Rogelio Salmona. Seu objetivo principal é o de reconhecer e aprofundar o estudo sobre a pluralidade de estratégias projetuais que adota em suas obras. Buscando significar outras questões além daquelas já bastante debatidas a partir dos anos 1980, de maneira a buscar ultrapassar essa barreira ou camada rígida, que sempre e apenas o considera no nível da superfície de tijolos e da personalidade adequada ao contexto latinoamericano. Com o estudo crítico e referenciado de seus projetos, esta dissertação expressa a vontade de revisar e confirmar a importância deste arquiteto no cenário latino-americano, e reintroduzir seu trabalho, a partir de outras dimensões, no âmbito das discussões sobre projeto de arquitetura. O método proposto para atingir esse objetivo tem como instrumento principal o redesenho interpretativo. A partir do livro biográfico escrito por Téllez (2006)1 e da coletânea de obras proposta. por ele foram selecionados e redesenhados cerca de sessenta projetos do arquiteto, datados de 1958 a 2005. Visando reconhecer uma parte significativa da sua obra, estabelecendo as bases para sua valoração, através da apreensão dos seus elementos importantes e da sua pluralidade de estratégias. A partir disso, propõe-se uma base mais consistente para a seleção de uma amostragem restrita de projetos, sobre os quais a dissertação irá realizar estudos mais aprofundados. As obras de arquiteturas selecionadas para este estudo foram: a sede da Sociedade Colombiana de Arquitetos (1962), o residencial Torres do Parque (1964), a renovação urbana Nova Santa Fé (1983) e a sede do Arquivo Geral da Nação (1988). Todas estão localizadas na cidade de Bogotá, Colômbia, e foram visitadas pela autora. O referencial teórico de apoio deriva principalmente das leituras de Waisman (2013) e Zein (2011). Waisman (2013) auxilia o desenvolvimento do trabalho no que tange questões relacionadas à historiografia e à utilização de conceitos instrumentais para a análise e crítica da arquitetura, a partir de um ponto de vista latino-americano. Dentre estas questões, estão elementos teóricos, como a relação entre história e arquitetura, os conceitos de periodização, pontos de ruptura e. 1. O livro biográfico escrito por Germán Téllez em 2006 é o segundo livro escrito sobre a obra do arquiteto Rogelio Salmona. O primeiro foi escrito em 1998 por Ricardo L. Castro intitulado “Salmona” e reúne as obras do arquiteto datadas de 1967 a 1992. O livro de. Téllez abrange um período maior e apresenta cerca de 60 obras que datam de 1958 a 2005. 25.
(28) juízo histórico, a divergência entre os pontos de vista latino-americanos e europeus/norte-americanos. Zein (2011) contribui para a análise reflexiva sobre a prática do arquiteto, ou melhor, nos termos que ela adota e são confirmados nesta dissertação, através do estudo crítico e referenciado das obras de arquitetura. Outras questões propostas por Zein movem este trabalho no âmbito da reflexão teórico-prática da pesquisa em projeto de arquitetura, dentre elas o estudo interpretativo e de reconhecimento que se soma a outras leituras já realizadas sobre a obra do arquiteto enquanto propõe um objetivo especifico que se quer atingir, enfatizando a necessidade de dar clareza às premissas estabelecidas para o estudo que se buscou elaborar na dissertação. Esta dissertação se organiza em duas partes complementares, com um total de quatro capítulos voltados ao estudo da obra do arquiteto Rogelio Salmona. A primeira parte, denominada reconhecimento e seleção, inclui os capítulos 1 e 2 e se configura por três momentos: o reconhecimento do “estado da arte”, incluindo o reconhecimento da bibliografia e as pesquisas significativas existentes sobre a obra e a biografia do arquiteto; uma revisão crítica das interpretações que estes autores lançam sobre sua biografia, consideradas como elementos chave para compreender sua formação e obras; e o reconhecimento da autora sobre essa obra, através do redesenho de uma amostra. significativa de projetos do arquiteto. Esta primeira parte é essencial para se estabelecer as bases da possível compreensão referenciada da obra de Salmona. Estabelece o norte que direciona esta pesquisa, compondo os elementos adequados e necessários para a construção deste estudo, ao buscar nos resultados concretos da prática do arquiteto os elementos que guiarão esta reflexão. Ao fim desta primeira parte, foi possível, portanto selecionar um recorte cronológico e de obras mais restrito, que permitisse aprofundar o estudo sobre a pluralidade de estratégias projetuais presentes na obra do arquiteto Salmona. A segunda parte, composta pelos capítulos 3 e 4, conforma um exercício prático-reflexivo. Realiza o estudo aprofundado sobre as quatro obras selecionadas, através do reconhecimento histórico e prático sobre questões projetuais presentes nesse objeto complexo que é o projeto e a obra de arquitetura. Descrevendo e interpretando cada obra individualmente, são considerados os fatos cronológicos pertinentes e as estratégias de projeto, segundo as escalas de aproximação da arquitetura e cidade, da arquitetura e terreno e do interior dos espaços que compõe esta arquitetura. Após as análises individuais das obras, segue-se um segundo momento interpretativo, que busca ampliar o nível de considerações a respeito da pluralidade de estratégias, pertinentes a este recorte de obras. Esse segundo nível interpretativo é apresentado 26.
(29) através de gráficos combinatórios que ajudam a compreender as aproximações e os contrastes entre os quatro projetos estudados. Os gráficos e os textos interpretativos que os acompanham comparam as ações relativas a cada obra segundo as três escalas de aproximação propostas (arquitetura e cidade, arquitetura e terreno e o interior dos espaços que compõe esta arquitetura), facilitando a visualização, de forma quantitativa, das semelhanças e diferenças presentes entre estas obras. A dissertação encerra-se com as considerações relativas aos elementos apresentados no final do capítulo 1, relacionados às investigações sobre os estudos críticos e referenciados do capítulo 3 e os gráficos interpretativos do capítulo 4, ponderando e refletindo sobre outras possíveis novas interpretações acerca da obra do arquiteto Rogelio Salmona.. PARTE 1: RECONHECIMENTO E SELEÇÃO CAPÍTULO 1. RECONHECIMENTO DAS CAMADAS DESTA PESQUISA Pesquisar sobre qualquer tema para a elaboração de uma dissertação de mestrado, tese de doutorado ou mesmo um artigo leva a um primeiro momento reflexivo, que envolve a investigação profunda. sobre o que já foi pesquisado e escrito sobre um determinado objeto, neste momento inicial, muitas são as possibilidades de entrada. Além de se colocar por dentro do universo que envolve o tema e dos autores que serão utilizados ao longo da pesquisa, é através dele que começa a ser possível se pensar nos limites do assunto abordado pelo trabalho. Constantes repetições de conteúdo podem ser vistas nas pesquisas em todos os campos de estudos e é muito rico para o ambiente acadêmico quando novas questões são apresentadas e podem ser pensadas para além do que já foi extensivamente debatido. Entendendo o ambiente acadêmico como espaço de discussões, cabe a nós, pesquisadores, percebermos a contribuição desse tipo de trabalho, que se alimenta de novos debates, interpretações e sugere novas possibilidades sobre um determinado tema. Na proposta de uma dissertação de mestrado, a questão da inovação, mesmo não sendo primordial, pode ser acionada através da colocação de novas/outras questões/reflexões a serem exprimidas e interpretadas, a partir de elementos já conhecidos de algum tema ou da obra de algum/a arquiteto/a. Esta pesquisa acredita ser importante buscar conhecer o que já foi feito e contribuir com estas novas interpretações. Em que se aborda a produção de um arquiteto não brasileiro, mas de grande relevância no 27.
(30) cenário latino-americano, que exerceu sua profissão principalmente na Colômbia, o arquiteto Rogelio Salmona. Assim, iniciou-se por um esforço de buscar informações para melhor entender o universo de pesquisa já existente sobre esse arquiteto, principalmente no âmbito das pesquisas acadêmicas das universidades colombianas, exigindo uma pesquisa para além do território paulista e brasileiro. Mas justamente por estar fora de seu contexto, talvez possa contribuir para se pensar outras questões, que possam elevar ou redirecionar as discussões sobre sua obra no âmbito da pesquisa acadêmica, da historiografia e dos estudos projetuais na América Latina. O recorte da pesquisa estabelece uma relação direta com esse primeiro momento de investigação, que embasou a escolha consciente desta abordagem e ajudou a definir seus objetivos, que congregam não apenas os interesses da autora como também a percepção de “brechas” no campo já extenso das pesquisas que vêm sendo realizadas sobre Salmona e sua obra. É importante também dizer que a definição do recorte e como a pesquisa foi desenvolvida não se deu de modo exato, mesmo considerando que esse primeiro momento ajudou a conformar um universo de pesquisa um pouco mais delimitado. Certamente, esta não foi a única chave para a definição do prosseguimento da pesquisa. Ao longo do trabalho as percepções iniciais foram se transformando e. ganhando densidade, outros conhecimentos foram sendo percebidos e questões outras tornaram-se evidentes. Pode-se então afirmar que a pesquisa não procedeu como numa linha reta, partindo de um lugar sabido para atingir outro já previamente estabelecido. De fato, a pesquisa se deu por um caminho tortuoso, pleno de momentos de dúvidas, escolhas e juízos, que se sucedem a cada instante. Pode esse caminho chegar a uma conclusão próxima daquela que se intuía ou desejava de início? Sim. Mas também pode acontecer, como aconteceu, de novas questões serem descobertas no caminho, as quais passam a orientar novos rumos. E essa é uma das belezas do trabalho do pesquisador, quando entende todo esse caminho como um processo, como uma ação continuada, que não se esgota ou se fecha, mas sempre se abre para novas e possíveis continuidades interpretativas. Neste primeiro capítulo introdutório ao tema e à dissertação, são apresentados alguns destes momentos reflexivos iniciais da pesquisa. Visando construí-los e entendê-los para que o recorte e os objetivos sejam então claramente enunciados e apresentados. A estrutura deste capítulo foi dividida em três momentos, ou melhor, duas camadas e a proposição desta pesquisa. A utilização do termo camadas é importante para o raciocínio que se deseja traçar. Entendendo que como o objeto de pesquisa é a arquitetura, ou seja, “o 28.
(31) fato a ser examinado possui extensão física e permanência no tempo” (WAISMAN, 2013, p.12) e que apresenta, desde sua criação até a sua significação – que pode ocorrer em tempos diferentes por pessoas diferentes – outras camadas que se sobrepõe e compõem um universo que flutua sobre as coisas, estendendo-se além do momento histórico da criação daquela obra. Aborda-se a questão das camadas para entender que olhar para uma obra de arquitetura nunca é olhar para um objeto puro e vazio, mas sim olhar para as camadas e camadas de significados que vão sendo atribuídas a ela ao longo do devir histórico. Dotando-as de espessuras, que se sobrepõe para compor o substrato do conhecimento que se tem sobre determinado objeto de pesquisa. Zein (2011), em seus estudos apresenta considerações importantes e muito claras sobre estas questões: “É impossível realizar uma leitura atenta de uma obra de arte, ou também de arquitetura, que já não se encontre envolta em uma aura. É impossível ver-se completamente livre dessa aura e pretender atingir esse “puro objeto em si”, como se ele pudesse alguma vez se apresentar, de imediato ou posteriormente, destituído das quantas camadas de significados que ali já foram superpostas, por outros ou por nós mesmos (...) Nunca será possível eliminar radicalmente as “crostas” que bem ou mal se apresentam agregadas à obra, algumas vezes mescladas a ela de maneira quase. inextricável, embora de fato tenham sido ali justapostas ao longo do tempo por autores, usuários, comentadores, etc. Admitindo que assim seja, o melhor a fazer é partir da compreensão desse e admitir que essas camadas estão presentes sempre”. (ZEIN, 2011, p. 6).. Assim, corroborando ao que afirma Zein (2011), duas camadas já presentes ao universo de pesquisa sobre o arquiteto serão apresentadas, pois além de serem questões existentes, que não devem ser negadas ou esquecidas, também é a partir delas que é possível perceber as questões outras/novas de maneira responsável e respeitosa às demais pesquisas e pesquisadores que também se dedicaram a este trabalho, amplo e coletivo, do campo das pesquisas em arquitetura. Estas duas camadas, estão conformadas em dois subcapítulos. A primeira camada aborda a significativa amostragem de pesquisadores e arquitetos latino-americanos, europeus ou norte-americanos que, com seus estudos e trabalhos, auxiliam na composição de um universo de reconhecimento da obra do arquiteto Rogelio Salmona, englobando diversas abordagens e modos de contribuição, como livros, teses, dissertações e artigos. A segunda camada faz uma releitura dessas fontes, construindo o que considera ser os elementos mais significativos da biografia do arquiteto, evidenciando de forma objetiva e resumida os 29.
(32) elementos chave que permearam sua formação e como ela foi interpretada por esses autores. Após estas duas primeiras camadas, é possível apresentar o terceiro momento, que pode ser compreendido como uma terceira aura ou uma tentativa da proposição de contemplar a possibilidade de investigação que anima esta dissertação de mestrado. Uma interpretação que tem como intenção a contribuição para o avanço de novas discussões acadêmicas sobre a obra do arquiteto colombiano Rogelio Salmona. 1.1 CAMADA 1. AUTORES E BIBLIOGRAFIAS SOBRE O ARQUITETO O estado da arte que contempla bibliografias e trabalhos acadêmicos que investigam questões relacionadas ao arquiteto Rogelio Salmona deve considerar a extensiva quantidade de trabalhos que vem sendo realizados na Colômbia. Principalmente nas Universidades Nacional e Los Andes em Bogotá, que concentram grande parte dos trabalhos e livros pesquisados sobre a obra do arquiteto. Dentre estes trabalhos e outras referências bibliográficas, na maioria dos casos, Salmona é considerado a partir de alguma outra questão, como sua participação nos Seminários de Arquitetura Latino-Americana (SAL) que ocorrem a partir de 1985 e o fato de ter sido um dos colaboradores. latino-americanos do ateliê de Le Corbusier em Paris, ou é também inserido em manuais históricos, neste caso enquadrado como a imagem representativa da arquitetura colombiana moderna e de uma arquitetura regionalista latino-americana. No início da pesquisa desta dissertação de mestrado, foi investigada uma quantidade ampla de exemplos, dentre essas muitas publicações, de maneira a buscar entender melhor quais elementos da obra de Salmona já haviam sido explorados. Visando realizar uma descrição organizada e relevante destas pesquisas, foi dada prioridade a alguns exemplos-chave na construção deste universo de investigações sobre Rogelio Salmona. Estes exemplos foram por sua vez organizados em dois momentos. No primeiro, foram reunidos os autores pertencentes ao contexto latino-americano; e no segundo, coligiram-se as leituras de autores situados para além deste território, pertencentes aos Estados Unidos e à Europa. A maioria desses textos aparece nos anos 1980, quando Rogelio Salmona desponta no âmbito das discussões realizadas por grupos de arquitetos e intelectuais latino-americanos, em trabalhos que buscavam colocar em evidência outras interpretações que trouxessem um novo olhar sobre as manifestações da arquitetura latino-americana. A arquitetura de Salmona parece começar a ser percebida e significada 30.
(33) mais fortemente a partir deste momento. Dois dos autores latinoamericanos que trabalham leituras sobre o arquiteto neste período são os chilenos Browne (1988) e Fernandez Cóx (1991). Browne (1988) estabelece no seu livro “Otra Arquitectura en America Latina” uma compreensão histórica do panorama latinoamericano abrangendo o momento dos anos 1980, propondo a construção de períodos e linhas arquitetônicas, que embora se utilizam da historiografia tradicional europeia, criam alguns pontos de ruptura ou distanciamento ou alteridade, ao reconhecer esses fatos a partir de um ponto de vista latino-americano. Para Browne (1988), a história da arquitetura moderna, até aquele momento, poderia ser dividida em três períodos. O primeiro seria o que antecede o início da 2ª Guerra Mundial (até os anos 30), o segundo abrangendo os anos de 1945 a 1965, por ele chamado de desenvolvimentista, e um terceiro período que ele denomina como Otra Arquitectura, a partir de 1975 até meados dos anos 1980, quando o livro é publicado. Apesar da organização em períodos com data de início e fim, Browne (1988) deixa claro a existência de momentos de auge e de declínios destes períodos e de um certo grau de sobreposição de acontecimentos, que não estariam totalmente estanques nos períodos fixados. A obra de Rogelio Salmona é abordada como representante bogotano do terceiro período ou desta Otra. Arquitectura. Suas obras são vistas pelo arquiteto chileno como uma atitude isolada, pragmática e em contraponto com o período anterior, que teria sido marcado por uma arquitetura que pertencia ao “estilo internacional”. Dentre as características da arquitetura de Salmona, destaca a relação das obras com o contexto, a materialidade dos tijolos e a recombinação de elementos externos e internos ao território colombiano. O crítico e arquiteto Fernández Cóx (1991) também colabora as discussões da década de 1980, cunhando o termo modernidade apropriada. Utilizado em oposição ou contraponto à definição do regionalismo crítico, criada pelos arquitetos gregos Liane Lefaivre e Alexander Tzonis, que começava a ser usada para caracterizar as arquiteturas latino-americanas que emergiam, consideradas como representações de outros interesses, destoando do contexto do modernismo “estilo internacional”. Rogelio Salmona também é visto por Fernández Cóx (1991) como exemplo de uma arquitetura que estava então sendo percebida em moldes distintos daquelas de tintura funcionalista e racionalista, e que se caracterizava pela adoção de um material (o tijolo) adequado ao contexto colombiano. Um segundo grupo de arquitetos latino-americanos irá dar continuidade a esta caracterização evidenciada nas leituras de Browne 31.
(34) (1988) e Fernández Cóx (1991), utilizando-se da mesma roupagem que começa a ser criada sobre a arquitetura de Rogelio Salmona. Dentre eles estão Arango Cardinal (2012a), Téllez (1998), Waisman (2013), Bastos e Zein (2010) e Gonçalves (2013). Arango Cardinal (2012a) em seu livro constrói uma narração histórica sobre as seis gerações que construíram a América Latina. Assim como Browne (1988), ela caracteriza a historiografia arquitetônica, no caso dela com a percepção de seis períodos, ou como ela denomina, seis gerações, com durações de 15 anos cada, iniciando em 1900 com a geração cientificista e terminando em 1990 com a geração técnica. Arango Cardinal (2012a) caracteriza a arquitetura de Rogelio Salmona como pertencente à nova geração do final da geração técnica, chamada por ela de sociedade pós-moderna ou arquitetos de ruptura. Ela entende que Salmona e outros arquitetos como Paulo Mendes da Rocha, no Brasil, vão emergir enfatizando o interesse pelas ciências humanas, histórias locais, identidade e tecnologia na América Latina. Téllez (1998) em seu compilado de textos escritos e reunidos no livro “Crítica e Imagem” apresenta em um dos artigos intitulado “Notas para uma historia de la arquitectura contemporanea en Colombia” uma cronologia da história arquitetônica colombiana que é compreendida entre as décadas de 1960 a 1990. Nas descrições sobre elementos-. chave destes períodos históricos introduz, a partir da década de 1960, a figura do arquiteto Rogelio Salmona como um dos iniciantes da arquitetura genericamente denominada de orgânica na Colômbia, depois de um pequeno período de adoção de uma linguagem mais racional, devido à experiência no ateliê da Ruè de Sevres com Le Corbusier. Esta década representa uma mudança do panorama ideológico arquitetônico para a Colômbia, que acabava de sair de períodos com grande influência de movimentos racionalistas europeus e personalidades como Walter Gropius e Le Corbusier. O autor Téllez (2006) também escreve um livro inteiro dedicado à história do arquiteto e suas obras, esta referência será utilizada em toda dissertação, mas principalmente como instrumento gráfico de apoio que complementa os demais referenciais para o redesenho das obras do arquiteto. Waisman (2013)2 em seu livro “O interior da história, historiografia arquitetônica para uso de latino-americanos”, apresenta a figura do arquiteto Salmona exemplificado em um dos conceitos instrumentais para a análise da arquitetura a partir de um ponto de vista latino-americano, mais precisamente o conceito de linguagem. Sobre este conceito, 2. Publicado originalmente em espanhol em 1990. A versão utilizada nesta pesquisa é uma edição traduzida para o português por Anita Di Marco publicada pela editora Perspectiva em 2013. 32.
(35) Waisman (2013) apresenta algumas formas de entendê-lo atribuindo perspectivas diferentes para a utilização da palavra, que comunica algo, mas pode se diferenciar pelos pontos de vistas morfológico, funcional e estrutural. No caso de Salmona, a referência é estrutural e funcional, apresentada através da arquitetura de tijolos, que tem por base a construção artesanal tradicional, com valores funcionais e com referências à cultura local colombiana. As autoras Bastos e Zein (2010) no livro “Brasil: arquiteturas após 1950”, assim como Cardinal Arango (2012a), constroem uma periodização histórica sobre a arquitetura brasileira, com algumas entradas de outros exemplos latino-americanos. Os quatro períodos delimitados têm início em 1945 e chegam até 1985, com durações de 10 anos cada um. No capítulo intitulado “Pragmatismo cultural e urbano: arquitetos e obras”, levantam as discussões sobre a segunda metade dos anos 1970, onde começam a ficar evidentes as arquiteturas comprometidas com o meio, citando o arquiteto mexicano Luís Barragán, o uruguaio Eladio Dieste e o colombiano Rogelio Salmona. Para Rogelio referenciam sua obra “a uma arquitetura que se pretendia adequada ao lugar” (BASTOS, ZEIN, 2010, p.207) e entendem que a busca de alternativa no uso do tijolo marcou a exploração da entrada dos anos. 1980 como uma alternativa à onipresença do concreto armado (BASTOS, ZEIN, 2010). Por fim, para fechar este primeiro momento de autores latinoamericanos pesquisados, é importante citar a tese de doutorado de Gonçalves (2013) que corrobora com as interpretações que constroem períodos históricos. O autor inclui o arquiteto colombiano em suas considerações e reforça a ideia apresentada por Bastos e Zein (2010) das preocupações do arquiteto com as questões de identidade e com a tradição construtiva popular, representada através da materialidade do tijolo que pode ser vista ao longo de sua obra. Além destas referências, alguns outros trabalhos acadêmicos que envolvem dissertações de mestrado e teses de doutorado devem ser mencionados. Dentre os inúmeros trabalhos realizados por autores latinoamericanos, boa parte ainda representa uma coletagem biográfica com pequenas variações de abordagem. As teses de doutorado de Urrea (2014) e Peñate (2010) reúnem um extensivo material sobre a trajetória do arquiteto. Sendo estes alguns documentos relativos à época em que estudou na Universidade Nacional da Colômbia, que trabalhou com Le Corbusier e desenhos do acervo gráfico disponibilizado pela Fundação Rogelio Salmona, além de registros do arquiteto como croquis e entrevistas. Ambas as teses possuem um caráter maior de coletagem e 33.
(36) organização de material biográfico levantado, sinalizando os pontos significativos em comum da sua trajetória, como a importância das viagens pelo continente europeu e a convivência/aulas do sociólogo de arte Pierre Francastel, mas pouco se arriscam a interpretações mais críticas sobre as categorias atribuídas ao arquiteto. Na segunda parte da tese de Urrea (2014), além da coletagem, há uma leitura mais aprofundada do projeto Torres do Parque. Enquanto isso, o trabalho de Peñate (2010), além da coletagem, também apresenta um tomo com a reunião dos desenhos, que nem sempre estão com uma boa qualidade, de todas as obras do arquiteto, fazendo pequenas intervenções que envolvem as características principais das obras. As teses realizadas no Brasil, na Universidade de São Paulo sob a orientação do professor Paulo Valentino Bruna, como as de Quintana Guerrero (2016) e Souza (2013), tangenciam o tema sobre o arquiteto, ora explorado como colaborador latino-americano de Le Corbusier, ora envolvido nos Seminários de Arquitetura Latino-Americana (SAL), junto a outras personalidades como Marina Waisman, Ruth Verde Zein, Enrique Browne, Silvia Arango entre outros. E a dissertação de mestrado realizada recentemente por Costa (2017) na UniRitter, em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, aborda superficialmente o. arquiteto e suas obras, focando nas obras do 1º ciclo do Prêmio LatinoAmericano Rogelio Salmona, que ocorreu em 2014. Na transição deste primeiro momento, que aborda os autores latino-americanos, para o segundo, é significativo apresentar os autores que colaboraram com o livro “Latin American in Construction, Architecture 1955-1980” (BERGDOLL. ET AL, 2015). Esse livro foi escrito em conexão com a exposição de mesmo nome ocorrida em 2015 no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), tendo como precedente notável a exposição de 1955, “Latin American Architecture since 1945”. Nesse livro, que envolve a abordagem de autores latino-americanos sobre obras locais para uma exposição em Nova York, a figura do arquiteto Salmona aparece em dois momentos. Primeiro no artigo “Architectures for Progress: Latin America 1955-1980” de Liernur (2015, p. 84) no qual o arquiteto é apresentado como um exemplo dentro da categoria de abordagem de elementos relacionados ao regionalismo crítico, que segundo o autor, estaria ocorrendo no período de recorte daquela exposição. Também comparece nos capítulos nos quais são apresentadas as obras mais significativas de cada país latino-americano, em texto de Murcia (2015, p. 173). Este apresenta três obras do arquiteto e discorre sobre os elementos relacionados à técnica da construção em tijolos. 34.
Outline
Documentos relacionados
O direito tributário tem na legalidade um princípio basilar de toda sua estrutura jurídica, tendo exigências específicas para a aplicação da lei tributária, de
Um guia de onda é uma região de um substrato em que o índice de refração é maior do que em outra, de tal modo que a luz (ou uma onda eletromagnética), possa ser confinada e
A partir desses pressupostos, desenvolveu-se aqui uma proposta de formação inicial e continuada de professores, visando à utilização de geotecnologias para o ensino
Para este grupo de frutas, a forma mais fácil para obtenção do suco é a trituração em liquidificador com adição de uma pequena porção de água. Após a trituração, filtra-se
À premência da adoção da perspectiva social na Constituição, reconhecendo a organização da sociedade em grupos que mereciam representação, expandindo direitos trabalhistas
Tendo como referência a letra da música Camaro Amarelo, julgue os itens de 83 a 85 e faça o que se pede no item 86, que é do tipo D.. 83 Nas canções Camaro Amarelo e Cuitelinho,
Um dos principais objetivos deste trabalho é produzir conhecimento sobre o comportamento do consumidor, através de sua reação às exposições que lhe são propostas. O objetivo
Devido ao seu impacto frente ao projeto e operação de sistemas de separação por membranas, uma vez que ela afeta a definição do pré-tratamento, limpeza das