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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.8. Análise das Vulnerabilidades Socioeconômicas e Ambientais

4.8.4 Vulnerabilidade ambiental

Embora as áreas em estudo façam parte do semiárido com chuvas irregulares, a sua vulnerabilidade ambiental global foi de 29,6%, sendo classificada como média. Esse valor é justificado tanto pela localização do projeto, o qual se encontra inserido entre dois grandes rios perenes o Piranhas e o Peixe, quanto em razão do seu abastecimento hídrico ser feito a

partir da captação no açude Coremas-Mãe D’água. A água é conduzida por meio do Canal Adutor (Canal da Redenção), com 37 km de extensão e capacidade de vazão de 4m³/s. Sua estrutura hídrica é composta por reservatório de compensação; canal de interligação; subestação elétrica; estação de bombeamento, bombas de recalque, quadros elétricos de comando, mesa de controle com sistema manual e de automação entre outras ferramentas, sendo a água distribuída por meio de tomadas d’água em todos os lotes.

Dessa forma, é assegurada água para as atividades agrícolas e consumo animal durante todo o ano, razão pela qual não fazem o racionamento de água, além da falta de orientação e conhecimento de que a água é um bem finito. Nesse pressuposto, uma preocupação deve-se ter em mente, a sustentabilidade do empreendimento, Paz et. al., (2000) partilhando dessa necessidade, diz que a importância do uso eficiente da água, obviamente, varia de região para região e de época para época; por exemplo, em regiões áridas e semiáridas a necessidade de água é maior que em regiões úmidas; portanto, os custos, os benefícios e o uso propriamente dito da água, devem ser considerados; além disso, os fatores de ordem econômica e social também são importantes e, em muitos casos, a educação tem levado à conservação e ao melhor uso da água disponível.

No Assentamento Nova Vida I como já foi anteriormente abordado a vulnerabilidade ambiental é de 73,64%, possivelmente, em razão das condições inóspitas em que as famílias vivem. Outro fator é o suprimento de água para consumo humano ser feito por meio de carros pipa, enquanto para o consumo animal e uso doméstico a captação de água é feita por meio dos poços artesianos existentes na área. Salienta-se que os entrevistados não relataram experiências vividas em períodos de seca nem tão pouco fazem experiências sobre a previsão do tempo. Nas áreas próximas ao assentamento as espécies nativas da caatinga estão sendo gradativamente dizimadas tanto para expansão da área agrícola quanto para uso da lenha como energético, embora existam esforços para salvaguardar essa vegetação por meio de fiscalização da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca - SEDAP, articulada à gerência do projeto, tendo mantido dentro da área do PIVAS 1.267,18 hectares de reservas legal e 206,37 de preservação permanente, enquanto 405,84 hectares foram destinados à infraestrutura e corredores da fauna.

Do exposto, as informações aqui apresentadas visam, sobretudo, enfatizar a importância da sustentabilidade dos compartimentos ambientais, destacando os indicadores físicos, químicos e biológicos de qualidade do solo, e a preservação da diversidade biológica como condição indispensável para a manutenção do sistema agrícola produtivo e das condições socioeconômicas do produtor familiar.

5. CONCLUSÕES

A qualidade dos Vertissolos sob uso agrícola será mantida por meio do monitoramento de um conjunto mínimo de indicadores físicos e químicos, como: densidade do solo (1,0 ≤ Ds ≤ 1,3 g cm-3), porosidade total (0,40 ≤ Pt ≤ 0,60 m3 m-3), resistência à penetração (1,0 ≤ RP ≤ 2,5 Mpa), teor de matéria orgânica (MO > 40 g kg-1) e capacidade de troca de cátions (CTC > 10 cmolc dm-3).

O sistema de manejo convencional apresenta indícios de compactação do solo para a camada de 0,20 – 0,40 m, com valores de resistência à penetração de 2,13 Mpa e o sistema de manejo orgânico assemelha-se ao sistema de manejo da caatinga ambos apresentando melhores condições dos atributos físicos do solo quando comparados ao sistema de manejo convencional. No entanto, os atributos químicos foram pouco afetados pelo uso do solo para os três sistemas de manejo.

A análise temporal do período de 1998 a 2011 mostrou que 86% dos totais pluviais se precipitam entre quatro a cinco meses. Embora o ano de 1998 tenha sido marcado por uma seca e 2011 por um bom inverno, essa típica irregularidade climática não interferiu nos estratos e na densidade da vegetação encontrada. Verificando-se que o Projeto de Irrigação Várzeas de Sousa-PB promoveu uma dinâmica da cobertura vegetal com modificações nos estratos da caatinga ocorrendo um decréscimo das áreas cobertas por vegetação densa e rala, de 70,32% e 37,47%, respectivamente, e de 54,73% nos solos expostos diminuindo os riscos à degradação desses solos pela erosão. Ressalta-se no período uma expansão agrícola de 303%, essa mudança potencializou alguns impactos negativos como perda da diversidade biológica da caatinga, salinização, sodificação e degradação do solo, entretanto atenuou os problemas socioeconômicos, pela fixação de moradia, geração de alimentos, emprego e renda.

As vulnerabilidades socioeconômicas e ambientais das famílias do Projeto de Irrigação das Várzeas de Sousa foram classificadas como média, entretanto, a vulnerabilidade tecnológica foi considerada alta com 33,12%, refletindo a carência da assistência técnica e práticas conservacionistas para a sustentabilidade do empreendimento. Enquanto o Assentamento Nova Vida I apresentou alta vulnerabilidade econômica (68,1%), social (61,24%), tecnológica (72,73%) e ambiental (73,64%), em consequência das condições inóspitas em que as famílias estão sujeitas quando comparadas as vulnerabilidades do Projeto de Irrigação das Várzeas de Sousa.

A implantação de perímetros irrigados faz toda a diferença no semiárido com relação às vulnerabilidades socioeconômicas, tecnológicas e ambientais em razão da redução da migração para áreas urbanas, a geração de empregos e fortalecimento da economia local, organização dos produtores, formação de associações e impacto positivo no volume de alimentos produzidos.