Takahiro Fujimoto (2007) define o ciclo PDCA em suas quatro etapas da seguinte forma:
4. Agir – incorporar o aprendizado do novo processo e padronizá-lo É a fase em que o processo testado atinge as
2.3 WEB ENGINEERING
A internet e consequentemente a web vem sendo cada vez mais utilizada nos dias de hoje. Dessa forma, a complexidade das aplicações vem evoluindo e a capacidade de gerir e planejar esses sistemas não acompanha este crescimento. Inicialmente a internet servia somente como armazenamento de informações. No início do século XXI a internet começou a progredir e se tornou indispensável para negócios, comércio, comunicação, educação, engenharia, governo, finanças e muito outros, mudando a forma de comunicação, de compras e também de obtenção de informação (FERREIRA, 2013).
Segundo Murugesan et al. (2001) na ausência de um processo disciplinado para o desenvolvimento de sistemas baseados na web, pode- se enfrentar sérios problemas de desenvolvimento, implantação, operação e manutenção desses sistemas. Então, segundo o autor, para obter mais sucesso no desenvolvimento de aplicativos e sistemas baseados na web, surge-se uma necessidade de abordagens disciplinadas e novos métodos e ferramentas. Tais abordagens e técnicas devem levar em consideração os recursos exclusivos da web, ambientes operacionais desses sistemas, cenários e multiplicidade de perfis de usuário e tipos diversos de habilidades e conhecimentos das pessoas envolvidas na construção de sistemas baseados na web (MURUGESAN et al., 2001).
Assim, alguns desenvolvedores motivados pela preocupação sobre a maneira caótica pela qual a maioria dos sistemas web eram desenvolvidos, empreenderam novas iniciativas para resolver os problemas do desenvolvimento de sistemas baseados na web e trazer o potencial caos sob controle. Essas iniciativas, promoveram a Web Engineering como disciplina (PRESSMAN, 2000).
A Web Engineering se preocupa com o estabelecimento e uso de princípios científicos, de engenharia, gerenciamento e abordagens disciplinadas e sistemáticas para o desenvolvimento, implantação e manutenção bem-sucedidos de sistemas e aplicativos web de alta qualidade (MURUGESAN et al., 2001). Dentre os seus objetivos encontram-se a facilitação da manutentabilidade e escalabilidade, minimização dos riscos e garantia de qualidade (PORTO, 2010).
Segundo Pressman (2006), a grande maioria dos projetos web seguem 5 etapas:
• Comunicação: comunicação com o cliente e outros interessados para o levantamento de requisitos e atividades relacionadas.
• Planejamento: define-se as ações, tarefas e técnicas que serão utilizadas no projeto, os riscos prováveis, os recursos exigidos, os elementos do trabalho que serão produzidos e um cronograma a ser seguido.
• Modelagem: envolve a criação de modelos de análise e design para auxiliar os desenvolvedores e o cliente a entenderem melhor os requisitos do projeto e o que terá que ser feito para satisfazer esses requisitos.
• Construção: nessa etapa ocorre a programação do projeto, juntamente com os testes necessários para revelar erros nos códigos.
• Implantação: entrega para o cliente, que avalia e fornece feedback.
Esse processo, segundo Powell, Jones e Cutts (1998), tem natureza e características que envolvem uma mistura entre publicações impressas e desenvolvimento de software, marketing e computação, comunicação interna e relações externas e entre arte e tecnologia. Assim, a Web Engineering precisa ser um campo multidisciplinar, abrangendo várias áreas como interação homem computador, interface com o usuário, análise e design de sistemas, engenharia de software, engenharia de requisitos, engenharia de hipermídia, estruturas de informação, testes, modelagem, simulação e gerenciamento de projetos, bem como ciências sociais artes e design gráfico, como mostra a Figura 4.
Figura 4 - Web Engineering: Um campo multidisciplinar
50
Os aplicativos web foram evoluindo ao longo do tempo, as demandas impostas aos sistemas e a complexidade de se projetar, desenvolver, manter e gerenciar esses sistemas também aumentaram significativamente. Assim, eles podem ser classificados em 8 categorias como mostra o Quadro 2.
Quadro 2 - Categoria de aplicações web
Categoria Exemplos
Informacional
Jornais online, catálogos de produtos, boletins, manuais de serviço, classificados e e-books Interativo
Formulário de inscrição, apresentação de informações personalizadas e jogos
Transacional Compras on-line e serviços bancários Fluxo de trabalho Sistemas de planejamento e agendamento, gerenciamento de inventário e monitoramento de status Ambientes de trabalho colaborativo
Sistemas de autoria distribuída e ferramentas de design colaborativo
Comunidades on-line e
Marketplaces
Grupos de bate-papo, sistema de recomendações, marketplaces e leilões
Portais da web Shopping eletrônicos
Serviços web Aplicativos corporativos, informações
3 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
Este capítulo tem como objetivo apresentar a metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho que é o do tipo pesquisa-ação. Em seguida, será apresentado cada etapa do ciclo de uma pesquisa-ação e o que foi feito em cada uma delas.
3.1 A PESQUISA-AÇÃO
A pesquisa-ação é um trabalho realizado em estreita associação com a resolução de um problema coletivo, no qual o pesquisador e os participantes representativos trabalham em cooperação, com o objetivo de endereçar o problema de pesquisa à uma organização (MIGUEL, 2012).
Na pesquisa-ação o termo pesquisa diz respeito à produção de conhecimento e o termo ação, à uma modificação intencional de uma dada realidade. Dessa forma, a produção de conhecimento é direcionada pela prática, onde a modificação de uma dada realidade é parte do processo de pesquisa (MELLO; TURRIONI; XAVIER; CAMPOS, 2012).
Para Bryman (1989) a pesquisa-ação é classificada como uma pesquisa social onde existe uma colaboração entre pesquisador e cliente para o desenvolvimento de um diagnóstico e solução de um problema, de modo que as descobertas resultantes contribuam para a base de conhecimento em um domínio empírico particular.
Para Turrioni e Mello (2012) empregar a pesquisa-ação é apropriada quando a descrição do desdobramento das ações de um grupo se faz necessária para explicar o motivo das decisões tomadas, para consequentemente aprender com elas.
Dessa forma, para esse trabalho optou-se por utilizar a metodologia A3, que segue a abordagem científica de resolução de problemas, assim como a pesquisa-ação, com o intuito de melhorar o sistema. Como resultado dessa pesquisa ação, têm-se um modelo de aplicação da filosofia Lean, em uma empresa desenvolvedora de websites, elaborado a partir dos problemas encontrados na mesma.
A sequência para a condução da pesquisa-ação pode ser delimitada segundo Mello et al. (2012), o qual uniu as ideias de West-brook (1995), Coughlan e Coughlan (2002) e Thiollent (2007), com cada ciclo acontecendo em cinco fases: planejar; coletar dados; analisar dados e planejar ações; implementar ações; avaliar resultados e gerar relatório. No presente trabalho essas fases serão abordadas através da metodologia A3 através das etapas: contextualização, estado atual, objetivo, análise,