Orientação sexual
ZEPHYRUS E HYACINTHUS
Hyacinthus,ou Hyacinth (Jacinto), foi um belo jovem amado por Apolo. Um dia Apolo e Hyacinthus estavam jogando arruelas, Apolo discutiu e acidentalmente jogou uma das arruelas na testa de seu amado, matando-o. Uma outra versão diz que Zephyrus, o deus do vento e rival de Apolo, causou a discussão para matar Hyacinthus. Apolo lamentando sua morte transformou-o em uma flor, e deu seu nome a ela.
Conforme diz o psicanalista Jurandir Freire Costa, em seu livro “A inocência e o vício”, a linguagem amorosa em nossa cultura desde sempre foi essencialmente a linguagem do amor romântico, desde o primeiro flerte até o berçário. Nunca fomos capazes de associar a figura do casal romântico a dois jovens do mesmo sexo; a única imagem que construímos em torno do casal gay foi a imagem da degenerescência, da promiscuidade, da sexualidade fútil e descartável, da doença, após o advento da Aids, ou da jocosa figura do gay ou lésbica típicos cujo estereótipo faz com que os pais mais uma vez se perguntem onde foi que erraram, e os jovens gays e lésbicas permaneçam desamparados sem terem referências na construção de sua sexualidade.
Segundo Varela (2003) se taparmos o olho esquerdo de um recém-nascido por 30 dias, a visão daquele olho jamais se desenvolverá em sua plenitude.
Estimulado pela luz, o olho direito enxergará normalmente, mas o esquerdo não. Ao nascer, os neurônios das duas retinas eram idênticos, porém os que permaneceram no escuro perderam a oportunidade de ser ativados no momento crucial. Tem sentido, nesse caso, perguntar o que é mais importante para a visão: os neurônios ou a incidência da luz na retina?
Em matéria de comportamento, o resultado do impacto da experiência pessoal sobre os eventos genéticos, embora seja mais complexo e imprevisível, é regido por interações semelhantes. No caso da sexualidade, para voltar ao tema, uma mulher com desejo sexual por outras pode muito bem casar-se e até ser fiel a um homem, mas jamais deixará de se interessar por mulheres. Quantos homens casados vivem experiências homossexuais fora do casamento? Teoricamente, cada um de nós tem discernimento para escolher o comportamento pessoal mais adequado socialmente, mas não há quem consiga esconder de si próprio suas preferências sexuais. Até onde a memória alcança, sempre existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de homossexuais. O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que não têm o mínimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em gradações variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos. Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se modificar, podemos perguntar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana? Em contraposição ao comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a cada um de nós. Simplesmente, é!
Dica de sobre um garoto que pensa que é uma quais está a família, que não sabe exatamente como proceder diante do comportamento estranho do filho e da reação indignada
De acordo com Toniette (2005) a sexualidade consiste numa construção social, historicamente datada e culturalmente localizada, que transcende a genitalidade. Sabemos que as culturas fornecem categorias, esquemas e rótulos muito diferentes para enquadrar experiências sexuais e afetivas. A relação entre o ato e a identidade sexual, de um lado, e a comunidade sexual, de outro, é igualmente variada e complexa. Assim, o exercício da sexualidade é ancorado nos mais variados significados e sentidos dados de acordo com a cultura e o período histórico. Essa definição de sexualidade é significativa para a compreensão da transformação de formas outras de expressão sexual que vão além do modelo heterossexual reprodutivo.
Para Marzano (2005) nós recebemos desde cedo uma carga muito grande de valores negativos em relação a pessoas com orientação homossexual. Por isso, acabamos por repetir os comportamentos preconceituosos para rebater algo que não queremos para nós. Essa atitude dificulta tanto a aceitação da diferença, como a própria auto-aceitação de uma pessoa que venha a se perceber homossexual, pois ela acredita que será condenada a ser tudo o que ouviu falar de ruim sobre os homossexuais.
A aceitação de casais homossexuais masculinos sempre foi maior, como se identifica na mídia escrita ou falada. Ao contrário, o preconceito contra a homossexualidade feminino ainda persiste na sociedade e nas leis que ainda fecham os olhos para sua existência.
A expressão lesbianismo deriva de Lesbos, ilha grega que tinha como chefe uma poetisa de nome Safo.
Safo escreveu versos que contam livremente o amor entre mulheres e, seus amores e paixões por suas companheiras (seis séculos atrás). Daí os nomes safismo,
Dica de leitura
Mais uma obra pra ler e refletir sobre o assunto.
SONENREICH, Carol.
Sexualidade e Repressão Sexual.
São Paulo: Manole, 1980.
sáfico, safista e lesbismo, lesbianismo, lesbiana, lésbica passarem a ser usados.
Longe de nós polemizarmos em relação à definição da homossexualidade feminina, pelo fato de que “até hoje não surgiu nenhuma teoria que trate exclusivamente do lesbianismo. As mulheres homossexuais têm sido tratadas pelos pesquisadores como as mulheres são geralmente tratadas, como o segundo sexo” (Charlotte Wolff, 1971).
Vamos aos conceitos. Lílian Federmam (1981) define o amor sáfico: “O lesbianismo descreve uma relação na qual duas mulheres trocam fortes emoções e afetos entre si. O contato sexual pode ser parte dessa relação num maior ou menor grau, ou pode estar inteiramente ausente”. Nesta mesma perspectiva, o
“Grupo de Luta pela Libertação Lesbiana” de Barcelona (1981) aprofundou: “A lésbica não persegue o prazer sexual como finalidade única na relação com a companheira. Seu objetivo não é tanto o sexo, senão a busca de níveis profundos de comunicação, esferas de ternura, carinho e delicadeza. A essência do amor lésbico é a pura sensibilidade. Poder-se-ia dizer que a lesbiana sexualiza a amizade, pois a relação sexual nasce de um sentimento profundo que tem sua base no amor.”
Charlote Wolff (1971) bem definiu em seu livro – Amor entre mulheres – “... não é o homossexualismo, mas o homoemocionalismo, que constitui o centro e a própria essência do amor das mulheres entre si.”
Marzano (2005) em seu artigo, ainda nos diz que o assunto Homossexualismo Feminino vem sendo apresentado na mídia no sentido de que se discutam o assunto para uma regulamentação da união homossexual. No Brasil só temos um projeto da Deputada Marta Suplicy no sentido de legalizar essas uniões, mas que muito tem que percorrer até sair das mesas dos dirigentes.
Podem ser vistas, nas áreas mais escuras do mapa abaixo, os locais que possuem punição para a homossexualidade, chegando até mesmo à pena de morte.
O comportamento homossexual , é observada em muitas espécies animais. Em espécies cujos casais são estáveis, a prática homossexual é normalmente persistente durante toda a vida. Em outras, esse comportamento pode ser abandonado frente a possibilidade efetiva de reprodução da espécie, levando-os à heterossexualidade. Estão documentados comportamentos homossexuais e bissexuais em centenas de espécies animais quer em cativeiro quer na natureza.
Neste momento não existem estudos científicos conclusivos sobre a origem desses comportamentos nos animais.