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À GUISA DE CONSIDERAÇÕES

Nas diferentes fases da história da Pedagogia, nota-se a tentativa de inserir uma identidade para o pedagogo e delimitar os espaços em que pode atuar. Embasado na resolução CNE/CP n. 1/2006, aos poucos esse profissional vem rompendo a ideo- logia de que deve atuar unicamente em instituições escolares.

Nesse contexto, abre-se a discussão acerca dos currículos das instituições formadoras, corroborando com o conceito de que a educação ocorre em diversos espaços tais como presídios, abri- gos, ONGS, hospitais, igrejas, no campo, entre outros, por meio de projetos e movimentos sociais e de inclusão.

Deve ser compromisso e responsabilidade das instituições formadoras garantirem que princípios humanos sejam desen- volvidos nos conteúdos de ensino, que se constituem em instru- mentos para uma vida de qualidade para todos em sociedade.

Nesse sentido se faz necessário uma formação ampla, a fim de atender a construção do conhecimento no sentido do desenvol- vimento desse profissional, que requer uma formação para além da docência na sala de aula. Para atender essa demanda se torna inevitável a reorganização do currículo, o que tornaria viável a oferta de disciplinas e estágios baseados na atuação do pedago- go em espaços não-escolares.

No presente trabalho, o tema escolhido foi a Pedagogia na Área das Agrárias, com intuito de discutir e conhecer o papel do educador de forma inovadora em terras, até então, pouco debatidas e/ou conhecidas por muitos destes profis-

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desenvolve seu trabalho na área das Agrárias, como sendo uma nova perspectiva de atuação, já que os editais das em- presas EMATER e SENAR ofertaram vaga para pedagogo nos anos de 2018, 2019 e 2020. E nesse sentido compreende-se que o pedagogo, independentemente do lugar de atuação, exerce a prática pedagógica e essa prática pode ser aplicada junto às famílias e ou comunidades rurais, fomentando estratégias de gestão, orientando no investimento em formação de conheci- mentos acerca das atualizações de processos e sistemas de in- formação de produção e de pessoas.

Esta pesquisa foi elaborada por meio de pesquisa quali- quantitativa de cunho bibliográfico e documental, tendo como alicerce o embasamento teórico em autores como Aranha (2006), Brasil (1988 e 2006), Libâneo (2010), Sousa (2017), Nogueira (2009), Brandão(2006), Pimenta e Anastasiou (2010), Kochhann (2016 e 2018), documentos como a Resolução CNE/CP nº 01/2006 bem como os editais vigentes em 2018, 2019 e 2020 da ANATER, EMATER, EMBRAPA, INCRA e SENAR.

Com base na curiosidade e desafio de conhecer o já que foi construído e/ou produzido sobre o tema a Pedagogia na área das Agrárias, foi realizado uma pesquisa denominada o esta- do da arte, por se constituir uma pesquisa de levantamento de dados de um determinado tema. Porém não foram encontrados trabalhos sobre o tema, visto que em dezembro de 2018 não foi localizado no portal de teses e dissertações da CAPES nenhum trabalho que atendesse ao objeto de pesquisa. No entanto, reali- zar um trabalho inédito, tem lá suas vantagens, como por exem- plo, servir de alicerce/ contribuição para pesquisas futuras.

Desenvolver esta pesquisa foi um desafio,ao lembrar que uma das justificativas surgiu do interesse das pesquisadoras em buscar algo novo, que fizesse jus ao desejo de conhecer no- vos campos de atuação do pedagogo. Ao analisar a trajetória histórica da Pedagogia nota-se inúmeros desafios e transfor- mações que a educação tem trilhado. Levando em conta que a

Resolução CNE/CP n. 1/2006 inciso IV, do Art. 5°, atribui ao egresso do curso de Pedagogia a possibilidade de atuar fora do âmbito escolar.

Corroborando com a Resolução CNE/CP n. 1/2006, Libâ- neo (2010) afirma já não ser mais possivel dizer que o trabalho do pedagogo se reduz a sala de aula. Destarte foi trabalhada a hipótese que o pedagogo na área das Agrárias poderá ser um braço pedagógico dentro de empresas como ANATER, EMA- TER, EMBRAPA, INCRA e SENAR gerindo pessoas, formulan- do e elaborando projetos que auxiliem as famílias rurais, entre outras atividades.

A discussão da pesquisa gira em torno da investigação da atuação do pedagogo na área das Agrárias, em como ele poderá desenvolver sua atividade pedagógica em ambientes não- es- colares. No decorrer da pesquisa observa-se que das cinco em- presas brasileiras mencionadas, apenas a EMATER e o SENAR aderiram ao desafio de publicar concursos e/ou processos sele- tivos nos anos de 2018, 2019 e 2020, com vaga um profissional de outra área, neste caso o pedagogo, para compor o quadro de funcionários.

Nota-se que além de ser graduado em Pedagogia, essas empresas necessitam que esse profissional contemple outros requisitos como saber mediar grupos, ter boa comunicação e oratória, domínio de informática e internet, disponibilidade para viagens e ter Carteira Nacional de Habilitação, além do conhe- cimento acerca das políticas da empresa em que irá trabalhar.

Dessa forma, infere-se que, existe a necessidade de um currículo do curso de Pedagogia com disciplinas e estágios voltados para a atuação não-escolar, visto que será cobrado do egresso do cur- so no seu ambiente de atuação, ou ainda que servirão para abrir portas no mercado de trabalho.

No que tange aos objetivos de compreender como o peda- gogo desenvolve seu trabalho na área das agrárias, sendo uma

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o pedagogo desenvolve o seu trabalho como Extensionista Rural e Extensionista de Bem Estar Social direcionados pela Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater). As- sim, o pedagogo poderá desenvolver seu trabalho com ações pe- dagógicas e educação sanitária, voltadas para o desenvolvimen- to produtivo e sustentável das famílias e comunidades rurais.

Poderá trabalhar também como Analista, Analista I, As- sessor Técnico I, Assessor Técnico Sênior e Assessor Técnico Pleno, desenvolvendo seu trabalho elaborando relatórios; mi- nistrando treinamentos diversos com base nas metodologias da Instituição; acompanhando e alimentando o ambiente vir- tual de aprendizagem; elaborando, implementando e coorde- nando projetos e programas voltados para o desenvolvimento produtivo, financeiro e humanizado dos proprietários e traba- lhadores rurais.

Existem desafios para a formação do pedagogo atuante em espaços não-escolares, já que falta esclarecimeto nas Diretrizes que regulamentam o curso quanto as suas reais atribuições, di- ficultando para as instituições de formação a elaboração de um currículo teório- prático que atenda os espaços não-escolares e quiçá a possível atuação desse profissional na área das Agrárias.

Pois, diante das mudanças quanto à formação e as atribuições do pedagogo dispostas na Resolução CNE/CP n. 1/2019, sur- gem novas inquietações e dúvidas, que podem abrir espaço para novas abordagens sobre esse tema, como por exemplo, se have- rá ainda espaço para esse profissional em espaços não-escolares.

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