Vale ressaltar que, segundo Franco (2018, p. 66),
as categorias vão sendo criadas à medida que surgem nas respostas, para depois serem interpretadas à luz das teorias explicativas. [...] o conteúdo que emerge dos discursos, é comparado com algum tipo de teoria. Infere-se, pois, das diferentes “falas”, diferentes concepções de mundo, de sociedade, de escolas, de indivíduo etc.
A partir de então as falas serão explicitadas em determinados momentos no texto por meio de narrativas, com a tratativa da análise de conteúdo baseada em Bardin (1977), ao afirmar sobre a essencialidade da análise de conteúdo quanto ao material verbal, que é rico e complexo de detalhes.
“A análise de conteúdo de entrevista é muito delicada” (BARDIN, 1977, p. 90), sendo preciso muita atenção e cuidado, por isso segui com as categorias indicadas acima para me nortear no momento de decifrar cada entrevista, me permitindo como pesquisadora imergir no mundo do entrevistado para entender a ideia que quer passar.
Com as categorias criadas e identificando cada fala dos participantes em dada categoria e com a criação das subcategorias, quando necessário, comecei a criar as tabelas, calculando as frequências e identificando o número de vezes que cada assunto aparecia em cada categoria. Podendo com isso me embasar para análise do conteúdo registrado, fazendo um paralelo em alguns momentos com registros de autores da área.
Assim, ao longo da apresentação de cada uma das tabelas, trouxe ainda texto com destaques das falas dos participantes com as devidas identificações, de acordo com o código apresentado anteriormente, em que os chamei de P e um número aleatório correspondente, o texto conta ainda com as minhas considerações sobre o assunto e com ideias de autores referências na área, tudo isso servindo de base para construção do PI que está no apêndice 1. Com isso concluí minha análise.
Existe a chamada ética aplicada, que para Hermann (2019, p. 22) “[...] é um tema contemporâneo que surge em decorrência de termos que resolver problemas práticos relacionados à vida”. O autor afirma ainda que está relacionada ao “estudo dos aspectos éticos de uma determinada questão social ou individual e não deve ser confundido com uma mera aplicação de normas éticas” (HERMANN, 2019, p. 22), assim é possível identificar que a ética na pesquisa é um exemplo de ética aplicada.
A ética na pesquisa
[...] tem por finalidade resolver questões específicas da pesquisa com seres humanos surgidas em diferentes instâncias do processo investigativo, que envolvem o contexto, as consequências éticas das decisões, os pesquisadores, as instituições e os participantes envolvidos (HERMANN, 2019, p. 22).
Os avanços e preocupações com o fator ético na área de ciências sociais e humanas ganharam visibilidade e reconhecimento no século passado e estão relacionados “[...] com os princípios de integridade, transparência e responsabilidade na condução da pesquisa e de seus resultados” (HERMANN, 2019, p. 22).
Vários documentos relacionados sobre ética na pesquisa foram produzidos em busca de “[...] promover a proteção, o bem-estar e a segurança dos participantes”
(GUILHEM; DINIZ, 2008 apud MAINARDES; CURY, 2019, p. 25).
No Brasil temos vinculado ao Ministério da Saúde o Conselho Nacional de Saúde (CNS), que atua com interesses em cuidados éticos referentes às pesquisas com seres humanos através da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e dos Comitês de Ética em Pesquisa – CEP.
Os CEP “são responsáveis pelos protocolos de pesquisa de baixa e média complexidade e são a porta de entrada para todos os projetos de pesquisa envolvendo seres humanos” (BRASIL, 2021). A pesquisa em questão foi submetida ao CEP por cadastro na Plataforma Brasil, com aprovação da proposta apresentada, que envolveu o cuidado com a preservação do bem-estar físico e mental dos participantes de modo que os riscos existentes tivessem seus impactos minimizados, como aconteceu ao longo do percurso.
Como exposto, ao longo da pesquisa, segui com transparência nos diálogos estabelecidos que se relacionavam com este trabalho, tive preocupação desde o momento de elaboração dos textos, passando pelo convite enviado (Apêndice 3), à
realização das entrevistas, até o momento da tratativa dos dados, tendo responsabilidade, respeito e ética para relacionar a fala de cada participante às colocações que trago no texto.
Inicialmente estava pensando em realizar as entrevistas individuais e se houvesse necessidade realizar ainda uma roda de conversa com os participantes, mas como os dados obtidos na pesquisa estavam bem alinhados e um complementando o outro, não havendo uma disparidade das ideias colocadas pelos participantes, optei por não realizar a roda de conversa, avisando para os participantes da pesquisa por meio de um e-mail de agradecimento pela participação na pesquisa (Apêndice 6).
Vale reforçar que, para o voluntário aceitar participar, foi convidado a realizar a leitura e análise do TCLE, antes mesmo de concordar com a participação e seguir na pesquisa. Estava registrado que em momento algum o participante voluntário teria despesas financeiras para participar da pesquisa.
Como bem indicado por Gatti (2019, p. 36), o “respeito total à dignidade humana deve ser a preocupação básica no trabalho de pesquisadores em educação”.
Assim, com tal preocupação, a pesquisa seguiu e contou com pontos que garantiram uma redução de impactos que poderiam gerar prejuízos pessoais e exposição a intensa tensão.
Na busca de minimizar os impactos, os participantes tiveram seus dados mantidos em anonimato, com a confidencialidade das informações pessoais, tendo apenas informações específicas referentes à proposta da pesquisa expostas em eventos e publicações científicas, sem identificação dos voluntários. Todos os dados levantados nas entrevistas individuais por meios digitais, gravações e registro de anotações, estão armazenados digitalmente sob minha responsabilidade, como pesquisadora.
Mesmo com uma probabilidade de existência bem pequena, os voluntários envolvidos na pesquisa estiveram vulneráveis aos seguintes riscos:
• Riscos diretos de cansaço, por dedicarem um tempo a mais para participar da entrevista, entretanto isso foi minimizado no momento em que utilizei um ambiente no próprio campus, que era climatizado e sem ruídos externos. Em nenhuma das entrevistas houve a necessidade de fazer momentos de pausa e descanso, haja vista que levou em média 30 minutos cada entrevista;
• Riscos psicológicos, por desconforto ou constrangimento por estar lembrando e/ou expondo sua vivência e realidade de trabalho no momento da participação da entrevista. Pontos que foram minimizados ao deixar claro que o participante não era obrigado a participar destes momentos, ou a responder todos os questionamentos e que poderia desistir a qualquer momento sem haver penalidade pela desistência.
Dentro do traçado, realizei as pesquisas de forma leve e tranquila, obtendo resultados que se complementaram, como poderá acompanhar no próximo capítulo e que me deram base para elaborar o PI (apêndice 1).
4 CONSTRUINDO IDEIAS: PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO ATUANTES NO CAMPUS NOVA VENÉCIA SOBRE FORMAÇÃO CONTINUADA
Neste capítulo você encontrará a análise do conteúdo coletado na pesquisa realizada no Ifes campus Nova Venécia. Assim, pretendo apresentar as considerações dos informantes da pesquisa sobre: a formação continuada no IFES Nova Venécia; a relevância da formação continuada de professores; ideias para organizar a proposta de institucionalização do espaço-tempo de formação continuada de professores.