Localização: Loteamento Cidade Balneário Novo Mun- do - Carapibus
Agentes: Prefeitura Municipal de Conde, Associação de Moradores, TRAMA.
Área: 2117 m²
Custo total aproximado: R$ 3.500,00 (desconsideran- do as obras posteriores)
A experiência piloto do Programa Mutirão na Vizinhan- ça aconteceu entre março e abril de 2017 no conjunto habitacional Ademário Régis, localizado na porção lito- rânea da cidade e próximo à áreas de crescente espe- culação imobiliária. O terreno originou-se da desapro- priação de cinco lotes para a construção de uma praça que nunca foi efetivada. Assim, a única área pública do conjunto acabou se tornando um grande vazio urbano, com potencial de servir a uma população estimada de mais de 2000 pessoas.
Figura 01: Vista aérea do Conjunto Ademário Régis com destaque para a Praça.
Fonte: Google Earth adaptado, 2019.
O conjunto habitacional foi resultado de convênios rea- lizados entre a Prefeitura de Conde e Instituições Finan-
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ceiras no âmbito do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH), sendo implantado entre os anos de 2006 e 2012. Hoje, conta com aproximadamen- te 520 edificações, ainda irregulares, e uma população predominantemente de baixa renda. Com a aprovação da Lei Municipal Complementar 001/2018 (Lei de Par- celamento, Uso e Ocupação do Solo - Zoneamento), o conjunto passou a ser reconhecido como Zona de Es- pecial de Interesse Social (ZEIS) e está em processo de regularização fundiária.
O terreno da Praça, com área total de 2117m², é mar- geado por moradias e fica próximo aos equipamen- tos públicos mais importantes da comunidade: a sede da Associação Comunitária, a Escola Municipal Geni Rufino dos Santos e à Unidade Básica de Saúde (UBS Carapibus), reforçando ainda mais seu caráter de cen- tralidade. Os limites da área eram incertos e não havia nenhum tipo de tratamento urbanístico e infraestrutu- ra. Apesar das condições precárias, seu potencial de espaço público já era reconhecido pelos moradores e explorado principalmente pelas crianças e jovens, que o utilizavam para diversas atividades.
Figuras 02 e 03: Vista aérea e foto da Praça antes da intervenção.
Fonte: Acervo Prefeitura Municipal de Conde/PB.
A demanda por transformar o local em uma praça surgiu por meio da Associação Comunitária como uma solicita- ção antiga. Diante de uma situação financeira desfavo- rável para grandes investimentos e reconhecendo a im- portância no atendimento desta demanda, a Prefeitura lançou a primeira experiência do Programa, que veio se concretizar com a construção da Praça da Amizade.
Tecendo as redes
Os primeiros contatos da Secretaria de Planejamento (SEPLAN) com a Associação e com a possível área de intervenção, ocorreu para analisar a viabilidade da pro- posta, e avaliar algumas questões determinantes como:
a escala da intervenção, o engajamento da associação e de moradores, cronogramas de ação e a situação fun- diária dos terrenos.
Figuras 04: Reunião com a comunidade para entendimento da demanda.
Fonte: Acervo SEPLAN - Prefeitura Municipal de Conde/PB.
Tratando-se de uma região de interesse imobiliário, houve primeiramente a elucidação quanto a proprieda- de dos terrenos. Depois de realizadas buscas cartoriais e em arquivos da Prefeitura, foi constatado que a área já havia sido desapropriada, mas ainda não escriturada, fato que não impediu a continuidade da proposta.
Para atendimento da demanda, e considerando tam- bém a escala da intervenção, foi realizada parceria com o TRAMA (Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanis- mo da UFPB), que ficou responsável pela metodologia da oficina participativa, do desenvolvimento e detalha- mento do projeto junto à Prefeitura e a orientação dos grupos de trabalho no dia do mão-na-massa.
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A Associação de Moradores responsabilizou-se pela mobilização da comunidade a fim de garantir a sua par- ticipação, bem como pela captação de alguns materiais e recursos da região que pudessem ser utilizados na construção do espaço.
A Prefeitura ficou encarregada principalmente da arti- culação com os demais agentes e órgãos, na aquisição de materiais essenciais para execução do mobiliário e da infraestrutura da praça, além do acompanhamento dos serviços e a disponibilização de técnicos, mão de obra e equipamentos.
Viabilizando a ação
Para provocar o envolvimento ativo da comunidade na concepção da nova Praça foi realizada uma oficina participativa que propôs a construção coletiva de um
“Mapa dos Desejos” - processo pedagógico onde a co- munidade expõe suas idéias e anseios para o lugar, para que sejam definidas as diretrizes do projeto. A partir de uma apresentação geral do Programa, da equipe e de ações correlatas, os participantes foram divididos em rodas de conversa, uma especificamente para as crian- ças. Compartilhadas as propostas de cada roda e com o auxílio de uma maquete física, foi construído o traçado da praça, com a delimitação de áreas para paisagismo, calçadas, quadra e playground.
Figuras 05 e 06: Oficina participativa.
Fonte: Acervo SEPLAN - Prefeitura Municipal de Conde/PB.
Com o esboço da proposta de intervenção definido e aprovado coletivamente, o projeto foi desenvolvido e de- talhado com especificações e quantitativos de materiais e equipamentos necessários para a realização do mutirão.
Figura 07: Projeto consolidado da Praça, depois das oficinas participa- tivas.
Fonte: Acervo SEPLAN - Prefeitura Municipal de Conde/PB.
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Colocando a Mão na Massa
O mutirão aconteceu durante dois dias consecutivos (08 e 09 de abril), e os participantes foram divididos em grupos de trabalho para cada intervenção proposta, orientados pelos técnicos da SEPLAN e os voluntários do TRAMA:
Grupo 01: Piso - os participantes demarcaram os cami- nhos/passeios com corpos de prova de concreto rea- proveitados, balizadores de bambu e cordas. Também delimitaram com areia os espaços para a instalação de brinquedos para crianças.
Grupo 02: Brinquedos - foram utilizados diversos ma- teriais adquiridos e/ou reaproveitados como toras de eucalipto, manilhas de concreto e pneus para a cons- trução de brinquedos para as crianças;
Grupo 03: Pintura - pintura de murais artísticos nas pa- redes das casas ao redor da Praça, marcado pela pre- sença predominante das crianças.
Grupo 04: Palhoça - instalação de uma estrutura de sombra feita com varas de bambu e folhas de coqueiro;
Grupo 05: Paisagismo - plantação de grama nos cantei- ros e de mudas de árvores de sombra, cultivadas no Vi- veiro Municipal, assim como a confecção de plaquetas indicando o nome de cada espécie.
Figuras 08 e 09: Material gráfico de divulgação da ação.
Fonte: Acervo SEPLAN - Prefeitura Municipal de Conde/PB.
Figuras 10 e 11: Dia do mão na massa, com pintura de painéis artísticos e playground.
Fonte: Acervo SEPLAN - Prefeitura Municipal de Conde/PB.
Finalizando o novo espaço
Depois de realizadas as primeiras intervenções físicas no terreno, a área estava demarcada e estabelecida, re- presentando, no seu traçado, os anseios da comunida- de local. Entretanto, devido à dimensão do espaço, não foi possível concluir toda a obra e a pavimentação dos passeios já delimitados, a iluminação pública, bancos de alvenaria, a quadra multiuso, foram executados pos- teriormente pela equipe da Prefeitura.
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Figuras 12 e 13: Vista aérea da Praça depois de concluída.
Fonte: Altair, 2018.
A Praça foi inaugurada oficialmente em meio a apresenta- ções culturais e teve seu nome escolhido por votação entre os moradores locais, sendo batizada de Praça da Amizade, simbolizando o processo coletivo que lhe deu origem.
A Praça, hoje, viabiliza uma intensa dinâmica de uso e se tornou um importante ponto de referência e per- manência da região. O espaço transformou-se em um palco aberto à novas e variadas práticas comunitárias, dentre elas: comemoração de festividades natalinas e de ano novo, prática de atividades físicas (aulas abertas de dança e capoeira) além de ser um espaço mais qua- lificado e seguro para as crianças, e que conta também com rede aberta de internet sem fio.