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A confiança como fator de sustentabilidade na gestão

2.2 A ética e sua aplicação na gestão

2.2.3 A confiança como fator de sustentabilidade na gestão

66 gestão na empresa e ao seu desenvolvimento ético e social. Passa-se a destacar tal ponto.

67 estado relegada ao lado de fora da própria racionalidade econômica.

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Sinner aponta que ―onde não há confiança, falta o fio para costurar a sociedade e dar coesão a ela‖ 102. Esta é a direção a se ter: tratar da confiança como fator inerente à vida da empresa e sua atividade econômica. Com o processo da globalização cada vez mais extenso, tanto pela livre circulação das mercadorias quanto pela informação cada vez mais ampliada em suas formas de acesso, urge-se pensar em confiança tanto na dimensão interna quanto externa da empresa.

Numa dimensão externa, ou seja, nos modos de relacionamento da empresa com seus clientes tanto dentro de um país, quanto com suas filiais afora, recai a necessidade de pensar e atuar de forma confiante diante de tal situação. A globalização produz esferas de interdependência capazes de uma autonomia que somente em meio à confiança se construiria relacionamentos profícuos. García- Marzá assim descreve ao tratar da dimensão da confiança nas realidades empresariais:

Não é preciso dedicar muitas linhas à importância da confiança nas relações empresariais, ainda mais quando novas oportunidades, efetuadas pelos processos de globalização, significaram, realmente, um aumento da interdependência e da consequente vulnerabilidade.

De fato, esse foi o novo ponto de partida: no novo contexto global, a confiança se converte em um recurso imprescindível para erigir relações sociais de qualquer tipo. 103

A vulnerabilidade das empresas conforme asseverado acima se dá justamente pela sociedade da informação que fez do mundo uma aldeia global.

Medidas que venham a situar-se na direção de relações cada vez mais consistentes, contribuirão para construção significativa da confiança entre as partes envolvidas no mundo empresarial.

Essas análises podem ser notadas também no mundo político. Com a geopolítica se reconfigurando, força-se governos a situarem-se a partir de uma lógica de diplomacia que inclua em sua agenda a confiança. No caso da empresa, considerando seu protagonismo na sociedade atual onde o colaborador passa pelo menos 1/3 de sua vida diária dentro de suas estruturas, o nível de confiabilidade

101 GARCIA- MARZÁ. Ética empresarial: do diálogo à confiança, p. 29-30.

102 SINNER, Confiança e convivência, p.11.

103 GARCÍA-MARZÁ, Ética empresarial, p. 65.

68 interna gerará proporções para além da empresa, expandindo sua cultura organizacional junto à sociedade.

Os gestores encontram aqui o fundamento para a atuação consciente diante de seus pares à medida que desenvolvem a confiança como fator preponderante em suas atividades. Sinner, ainda verifica que ―a diferença decisiva está no grau de certeza que posso ter em que minha confiança não será decepcionada, ou seja, que o comportamento do outro vai efetivamente ser em meu ou nosso benefício e não nos prejudicar‖ 104.

Diante disso, tanto no âmbito externo – relação com o mercado e com o mundo globalizado – quanto em ações internas – junto aos colaboradores – a empresa pode desenvolver relações de confiança capaz de colocá-la em uma dimensão de protagonismo quando a questão é certa forma de educação que nasça de uma cultura da organização. Por isso mesmo vivenciar a experiência da confiança dentro da empresa poderá impactar, por consequência, a própria sociedade.

Na verdade, agir com confiança é proceder como se soubéssemos do outro, mais do que de fato sabemos. Isso implica sempre a assunção de um risco, precisamente porque não há mecanismos de controle que assegurem a resposta desejada. Nessas condições, a função social da confiança destina-se a possibilitar ações que, de outro modo, seria impossível realizar. 105

Agir com confiança dentro da empresa e para fora dela constitui numa convergência de interesses que resulta na factibilidade de um projeto em que atores diversos colaboram em sua construção. A confiança, dentro da empresa resultaria em ações integradoras nos processos gerenciais, à medida que a visão sistêmica destes ocasionaria na diminuição de conflitos de interesses. A confiança para fora da empresa teria uma dupla dimensão: uma expansão de sua cultura interna para além de suas fronteiras e uma aposta na construção de novas possibilidades de recriação dos modos de sentir e ser de uma sociedade marcada pela fragmentação das sensibilidades e pela globalização. Por isso,

O reconhecimento de que as atividades conjuntas requerem cooperação, confiança mútua e acordos é uma questão muito elementar, mas, ao mesmo tempo, de longo alcance, e está em relação com o estabelecimento de uma boa ordem social. O papel de

104 SINNER, Confiança e convivência, p. 12.

105 GARCÍA-MARZÁ, Ética empresarial, p. 66

69 uma ética empresarial no desenvolvimento e na sustentabilidade de uma ordem social pode ser central. [...] Todavia, o que é preciso reconhecer em primeiro lugar é o papel primordial da ética da empresa em tornar possível a cooperação e a interação empresarial.

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A reputação, o honrar contratos, a responsabilidade social e ambiental com os seus investimentos, a preocupação com a formação de seu quadro interno tendo a consciência de sua importância cultural para a sociedade em geral, torna a empresa confiável, com a consideração dos colaboradores e clientes. Assim, toda forma de dinamismo que verse a construção destes ideais se configurará como avanço significativo no mundo corporativo.

A gestão ética da empresa não se reduz ao papel educativo e formador de cultura; as decisões tomadas e os impactos advindos de tais decisões merecerão atenção quando a questão-tema é a ética empresarial. A empresa, por possuir a face subjetiva, pode expandir sua compreensão para vida e cultura de seus colaboradores. Com sua face objetiva, tem importante tarefa na condução de projetos que foquem o cuidado com o meio ambiente onde atua. É o que se articula a seguir.