a partir de cursos que ocorrem anualmente com carga horária de 40 horas. Em 2007, esse mesmo programa passou a oferecer o Curso de Aperfeiçoamento de Professores do Atendimento Educacional Especializado, que vigorou até 2011, por estar vinculado ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).
A partir do que foi exposto, podemos observar que a formação docente vem se reestruturando desde a sua origem, e ainda não pode ser considerada de qualidade diante da importância da atuação desse profissional em sala de aula. Em seu aspecto geral, não seria diferente no que tange à formação docente na perspectiva inclusiva, que, apesar das exigências legais, o processo educacional ainda é precário, seguindo um modelo tradicional, homogeneizante tanto para quem ensina quanto para quem aprende.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este capítulo tem por objetivo apresentar a arquitetura metodológica da pesquisa, bem como os resultados e a discussão dos dados coletados, com a finalidade de investigar a formação em educação inclusiva de professores da rede pública municipal que atuam com crianças com deficiência na escola regular do Ensino Fundamental e identificar suas possíveis inquietações acerca do tema.
Assim, a presente pesquisa se configura como uma investigação de natureza qualitativa que, de acordo com Minayo (2001), trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 2001, p. 14).
Para a definição da unidade escolar, onde ocorreu a pesquisa, foram identificadas - junto ao Setor Multiprofissional da Secretaria Municipal de Educação - as escolas com os maiores números de alunos com deficiência matriculados, sendo definida a unidade educacional devido ao quantitativo significativo de alunos com deficiência que frequentam as classes regulares, assim como sua trajetória no que concerne à inclusão desses educandos, somados à localização física, por estar localizada na área central da cidade e ser de fácil acesso para a realização da pesquisa.
A respeito da coleta de dados, foi realizada uma entrevista semiestruturada, com um roteiro que dispunha de questões que relacionam a formação do docente que atua em classe regular com alunos com deficiência incluídos, suas práticas, assim como suas possíveis inquietações.
A escolha pela entrevista semiestruturada justifica-se pelo fato dela favorecer a liberdade e espontaneidade do sujeito participante, assim como do investigador, enriquecendo o desenvolvimento do estudo (Triviños, 1987). Essa estratégia permite alcançar outras possibilidades, além daquelas estabelecidas inicialmente. Nesse contexto, o roteiro estabelecido pelo pesquisador é apenas um direcionamento, no qual ele se encontra livre para buscar esclarecimentos, bem como aprofundamento das respostas obtidas.
Entrevista semiestruturada é aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas junto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que recebem as respostas dos informantes. Dessa maneira o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa (TRIVIÑOS, 1987, p. 46).
O tempo dedicado em campo para a coleta de dados para este estudo foi de quatro meses, de agosto a dezembro de 2018, obtendo autorização junto à Secretaria Municipal de Educação de Campos dos Goytacazes/ RJ, seguida da autorização da direção escolar.
Com o objetivo de registrar corretamente as entrevistas com os professores, adotou-se um protocolo de registro dos depoimentos dos professores, feitos a partir de uma entrevista
semiestruturada, com codificação de registros, sendo os sujeitos identificados pela palavra
<Professor> , seguido de sequencia numérica e os diálogos transcritos na integra a partir da análise de conteúdo ( BARDIN, 1977). Desta forma, os professores foram codificados em <
Professora 1>, < Professora 2>,< Professora 3>,< Professora 4>,< Professora 5>,< Professora 6>,< Professora 7>,< Professora 8>,< Professora 9>,< Professora 10>,< Professora 11>,<
Professora 12>,< Professora 13> e < Professora 14>.
As entrevistas ocorreram dentro das dependências da unidade escolar nos turnos matutino e vespertino, terças-feiras e quintas-feiras. As entrevistas com as professoras 1, 7, 8 e 11 aconteceram nas salas de aula, durante a aula e com os alunos realizando atividades, enquanto as entrevistas com as professoras 2, 3, 4, 13 e 9 foram desenvolvidas no horário de intervalo, já com as professoras 5, 6, 10, 12 e 14 efetuou-se no horário da saída. As durações dos encontros variaram conforme o tempo que cada professora dispunha, mas ficou evidenciado, a partir da interação com as mesmas, que todas realizaram a entrevista com calma e atenção.
Antes do início da entrevista foi apresentado o termo de consentimento livre e esclarecido (disponibilizado nos apêndices) que foi devidamente assinado pelos participantes, o que tornou possível o conhecimento dos objetivos da pesquisa por parte das professoras, bem como de sua importância para a elaboração deste trabalho.
Foi esclarecido e assegurado a todas as professoras o resguardo de sua identidade e divulgação dos dados coletados, para que elas se sentissem liberadas para explanar claramente, sem receios, suas respostas acerca dos questionamentos.
As entrevistas foram gravadas e, posteriormente, transcritas, sendo organizadas de modo a identificar, como aponta Lüdke & André (1986), os padrões e tendências relevantes nas respostas das docentes, participantes da pesquisa. O tratamento dos dados foi realizado a fim de analisar as ponderações das entrevistadas, fundamentando teoricamente o estudo, a fim de atingir os objetivos propostos para a pesquisa.
Os dados coletados, a partir das entrevistas semiestruturadas, foram organizados em categorias com base na Análise de Conteúdos que, de acordo com Bardin (1977, p. 37), pode ser definida como:
Um conjunto de técnicas da análise das comunicações, visando, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens. As inferências podem ser feitas tanto
sobre o emissor quanto ao receptor da comunicação, ou seja, sobre a origem da mensagem e do próprio destinatário.
De acordo com os apontamentos de Minayo (2001, p. 203), a Análise de Conteúdo tem como objetivo “ultrapassar o nível do senso comum e do subjetivismo na interpretação e alcançar uma vigilância crítica em relação à comunicação de documentos, textos literários, biografias, entrevistas ou observação”.
A análise de conteúdo de Bardin (1977, p. 37) do discurso dos professores permitiu levantar os principais temas e identificar problemas da prática pedagógica inclusiva enfrentados por eles assim como sua formação inicial e continuada. Este processo envolveu três fases: (i) a pré-análise, (II) a exploração do material e (III) a análise e interpretação dos resultados.
Na pré-análise foi realizada uma leitura flutuante para, de acordo com o objetivo, definir a unidade de registro, que é uma unidade de significação a ser codificada visando a categorização, foi utilizado o tema como unidade de registro por ser a unidade considerada adequada a estudos que envolvem atitudes, valores, opiniões e percepções.
A exploração do material se constitui como um processo de codificação do recorte dos textos em temas, enquanto que a análise e a interpretação caracteriza-se pelas inferências e interpretações realizadas a partir da análise de avaliação, interpretando a carga avaliativa atribuída pelos professores aos temas levantados, identificando assim, os problemas.
Os dados coletados foram analisados qualitativamente e organizados em categorias, conforme descrito por Valentim (2005). A análise categorial é uma das técnicas para desenvolver a análise de conteúdo que, inicialmente, divide o discurso em categorias. A delimitação e a escolha das categorias ocorrem de acordo com os temas e objetivos da pesquisa que foram identificados nas falas dos docentes pesquisados, conforme explicitado nos apêndices.