1.3 CONSIDERAÇÕES ACERCA DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE
1.3.2 A DOÇÃO NO E STATUTO DA C RIANÇA E DO A DOLESCENTE
É inegável, que a adoção teve forte impulso no ano de 1.990, com a promulgação da Lei 8.069 de 13 de julho do referido ano, o assim denominado até os dias atuais de “Estatuto da Criança e do Adolescente- ECA”.
O Estatuto revogou o Código de Menores, e trouxe consigo avanços fundamentais no que diz respeito ao instituto da adoção, dentro da sistemática jurídica do nosso país.
O ECA, direciona a adoção aos problemas sociais existentes no Brasil, como a questão dos menores desamparados, esquecendo as idéias de sucessão ou extinção da família, que antes eram primordiais.
Entre os diversos direitos elencados na Lei n.º 8.069/90, dispõe que a criança ou adolescente tem o direito fundamental de ser criado no seio de uma família, seja esta natural ou substituta. O ECA, denominou de
“Família Substituta” aquela que pelo nome substituirá a família consangüínea, onde o menor ingressa sem laços biológicos com os demais, através dos processos de guarda, tutela e consequentemente adoção, conforme texto do artigo 28 do referido Estatuto.
A adoção disciplinada pelo ECA, é direcionada à crianças e adolescentes com idade até dezoito anos, exceto quando já estiverem sob a guarda dos adotantes anteriormente a esta idade, conforme artigo 40 da lei em discussão.
Também trouxe inovações em relação a possibilidade de ser adotante independente do estado civil, o maior de vinte e um anos, desde que não fosse ascendente ou irmão do adotando (Art. 42). Contudo, há a exigência de que um dos cônjuges ou concubinos tenha, à época do requerimento, no mínimo, vinte e um anos, além da estabilidade conjugal (Art. 42, §1° e 2°).
No Brasil, é comum um tipo de adoção, que é chamado de
"adoção à brasileira" que consiste em registrar uma criança em nome dos adotantes, sem o devido processo legal. Apesar da boa intenção e do perdão judicial, esse ato continua sendo considerado crime e, portanto, não deve ser estimulado. Registrar filho de terceiro como próprio é crime, previsto no artigo 242, do Código Penal, pena que pode variar de 2 a 6 anos de reclusão. O registro falso será sempre falso, eis que jamais se convalida com o tempo.
Foi mantida no Estatuto da Criança e do Adolescente, a diferença entre adotante e adotado de dezesseis anos (Art. 42, §3°). Outra inovação importante está sacramentada no §4° do mes mo artigo 42, da Lei em epígrafe, que reconhece a possibilidade da adoção conjunta por pessoas divorciadas ou separadas judicialmente, desde que acordem sobre a guarda e o direito de visitas e o mais importante, que a convivência com o adotado tenha se iniciado ainda na constância da sociedade conjugal, ora desfeita. Percebe-se assim a preocupação do legislador em se adequar as exigências e situações à sua época, pois tal enquadramento é muito adequada no mundo em que vivemos.
Outra peculariedade na adoção via Estatuto da Criança e do Adolescente, é que se faz necessário o consentimento dos pais biológicos ou do representante legal, sem o qual, o procedimento não será válido. Em contrapartida, esse mesmo consentimento será dispensável caso os pais tenham falecido ou decaído do Pátrio Poder, por sentença judicial irrecorrível (Art. 45,
§1°).
Em suma, no Estatuto da Criança e do Adolescente, do artigo 39 ao 52: é determinado todo o procedimento para a adoção de crianças brasileiras, seja por nacionais ou estrangeiros domiciliados e residentes em território nacional, haja vista que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5.◦, assegura a todos os que aqui residem a igualdade perante a lei. Importante salientar, ainda, que o brasileiro domiciliado e residente no exterior, terá os mesmos direitos que o nacional que encontra-se em solo pátrio.
A adoção importa o rompimento de todo o vínculo jurídico entre a criança ou adolescente e sua família biológica, de maneira que a mãe e o pai biológicos perdem todos os direitos e deveres em relação àquela e vice-versa (há exceção quando se adota o filho do companheiro ou cônjuge). O registro civil de nascimento original é cancelado, para a elaboração de outro, onde irá constar os nomes daqueles que adotaram, podendo-se até alterar o prenome da criança ou adolescente.
A adoção tem caráter irrevogável, ou seja, aquele vínculo jurídico com a família biológica jamais se restabelece, ainda que aqueles que adotaram vierem a falecer.
Por outro lado, a adoção dá à criança ou adolescente adotado todos os direitos de um filho biológico, inclusive à herança.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/90) estabelece regras e restrições para a adoção, quais sejam:
a idade mínima para se adotar é de 21 anos, sendo irrelevante o estado civil;
o menor a ser adotado deve ter no máximo 18 anos de idade, salvo quando já convivia com aqueles que o adotarão, caso em que a idade limite é de 21 anos;
o adotante (aquele que vai adotar) deve ser pelo menos 16 anos mais velho que a criança ou adolescente a ser adotado;
os ascendentes (avós, bisavós) não podem adotar seus descendentes; irmãos também não podem;
a adoção depende da concordância, perante o juiz e o promotor de justiça, dos pais biológicos, salvo quando forem desconhecidos ou destituídos do pátrio poder (muitas vezes se cumula, no mesmo processo, o pedido de adoção com o de destituição do pátrio poder dos pais biológicos, neste caso devendo-se comprovar que eles não zelaram pelos direitos da criança ou adolescente envolvido, de acordo com a lei);
tratando-se de adolescente (maior de doze anos), a adoção depende de seu consentimento expresso;
antes da sentença de adoção, a lei exige que se cumpra um estágio de convivência entre a criança ou adolescente e os adotantes, por um prazo fixado pelo juiz, o qual pode ser dispensado se a criança tiver menos de um ano de idade ou já estiver na companhia dos adotantes por tempo suficiente.
Enfim, o ECA, introduziu profundas modificações no instituto da adoção, tendo como alicerçe a proteção integral da criança e do adolescente.
Também apresenta uma maior preocupação com a adoção internacional, ficando evidente o interesse do legislador nessa proteção, mediante a imposição de critérios rigorosos, e, que devem ser cumpridos para que os adotados deixem o Brasil e passem a conviver com família adotante em um país estrangeiro.