4.8 POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO JUDICIAL OU VOLUNTÁRIA DO TERMO
4.9.2 A Eficácia do Compromisso de Ajustamento de Conduta como Título
4.9.2 A Eficácia do Compromisso de Ajustamento de Conduta como Título Executivo Extrajudicial
Segundo Carvalho Filho (2005), o § 6° da lei 7.34 7/85, garantiu ao TAC eficácia de Título Executivo Extrajudicial c/c o art. 585, inc II do CPC.
Este tipo de Eficácia ocorrerá quando o Compromisso de Ajustamento de Conduta for firmado antes de ser promovida a Ação Civil Pública, ou seja, durante a fase do Inquérito Civil (CARVALHO FILHO, 2005).
Posto isso, apuradas as ofensas ao direito ambiental no inquérito civil e as partes (MP e causador do dano) resolverem celebrar Ajustamento de Conduta, serão gerados os seguintes efeitos:
[...] efeitos principais a) a determinação da responsabilidade do obrigado pelo cumprimento do ajustado; b) a formação do título executivo extrajudicial. Quanto ao procedimento da investigação o
11 Art. 475-N São títulos executivos judiciais:
III- a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não posta em juízo.
12 Art. 585- São títulos executivos extrajudiciais:
II- [...] o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, [...].
efeito depende da regra vigente na instituição, podendo ocorrer: a) a suspensão do procedimento administrativo no qual foi tomado, ou para o qual tenha repercussão, ocorrendo homologação do Compromisso;
b) a suspensão do procedimento sem que haja a homologação do Compromisso, com o seu enceramento apenas após o seu pleno cumprimento; c) o arquivamento do processo administrativo, havendo a necessidade de se instaurar um novo procedimento para a fiscalização do cumprimento do termo de ajustamento de conduta. Em regra o Ajustamento de Conduta produz todos esses efeitos quando da sua assinatura. (RODRIGUES, 2006, p. 205).
Assim, no tocante ao efeito que deva ocorrer com o procedimento de investigação a autora mencionada acima, afirma que depende da regulamentação interna vigente na instituição.
Por outro lado, preleciona Proença (2001) que sendo pactuado o Compromisso de Ajustamento de Conduta deverá o Ministério Público remeter os autos do inquérito civil ao CSMP, para apreciação de eventual ocorrência de arquivamento implícito.
Da mesma forma, diz Mazzilli (2006, p. 376):
[...] o Compromisso de Ajustamento de Conduta tomado pelo órgão do Ministério Público em autos de inquérito civil, deve-se assegurar que o CSMP reveja o ato. A revisão não se destina a condicionar a eficácia do Compromisso, mas sim deverá ocorrer porque o Compromisso importa, implícita ou expressamente, o encerramento total ou parcial das investigações ministeriais a propósito da questão acordada. E o Conselho Superior pode entender insatisfatória a solução alcançada e determinar até mesmo a propositura da ação civil pública por outro membro da instituição.
Portanto, com a celebração do Compromisso de Ajustamento de Conduta na fase inquisitória, implicará ao Ministério Público remeter o procedimento administrativo ao CSMP para que ocorra a homologação de arquivamento implícito do mesmo. Todavia, a Eficácia do termo fica vinculada a partir do momento das assinaturas do compromitente e do compromissário, ou seja, não dependendo da homologação de arquivamento do inquérito civil pelo CSMP para tanto, pois, este
“[...] não tem o poder de conferir eficácia ao Compromisso de Ajustamento, validamente tomado por outro órgão da instituição.” (MAZZILLI, 2006, p. 374).
Outro efeito que decorre do Ajustamento de Conduta válido, é que os co- legitimados para tanto, não poderão propor ações civis públicas a respeito dos mesmos fatos circunscritos no Compromisso, por falta de interesse de agir, ou melhor, como trata o CPC, por carência de ação (art. 301, X). O descumprimento do Ajuste autoriza a ação de execução. (RODRIGUES, 2006).
Assim, firmado o Compromisso, se porventura, o compromissário não cumpre as obrigações nele estabelecido, o Ministério Público não precisa necessariamente promover a Ação Civil Pública. Poderá ajuizar diretamente a ação de execução, sem fazer o uso do processo de conhecimento, consubstanciada no Compromisso com Eficácia de Título Executivo Extrajudicial, para proteger da forma mais rápida possível o Meio Ambiente.
4.9.3 Eficácia do Compromisso de Ajustamento de Conduta como Título Executivo Judicial
Souza (2005, p.) esclarece que: “Se a Lei n° 7.347/85 prevê a possib ilidade de acordo na esfera administrativa, com muita maior razão pode ele ser celebrado dentro da Ação Civil Pública, onde há o plus do controle jurisdicional imediato.”
Nesta perspectiva, ensina Carvalho Filho (2005, p. 223): “[...] é possível que o responsável pela vulneração dos interesses tutelados reconheça o erro de sua conduta e firme o respectivo Termo de Ajustamento quando a ação civil pública já foi proposta e está em curso.”
Dessa forma, vislumbra-se a possibilidade de firmar Compromisso de Ajustamento de Conduta em juízo durante o trâmite da Ação Civil Pública.
Neste caso, Carvalho Filho (2005) ensina que o processo de conhecimento deve ser extinto com resolução de mérito na forma do art. 269, inc. II (quando o réu reconhecer o pedido) do CPC, desse modo, a sentença julgará o mérito da causa, sendo exigível quando ocorrer o trânsito em julgado, gerando em favor do Ministério Público (autor) Título Executivo Judicial.
Da mesma forma, esclarece Rodrigues (2006, p. 237-238):
[...] o Ajuste terá repercussão no feito já em andamento, e só surtirá efeito após a sua homologação. Percebemos que na prática há duas opções sobre a sorte da ação de conhecimento. Em alguns casos a celebração de ajuste apenas suspende o processo judicial, até o atendimento pleno das obrigações do compromisso, em outros enseja desde já a sua homologação e a extinção com julgamento de mérito.
Nesta última hipótese o cumprimento ocorre fora das vias judiciais, e no seu eventual descumprimento, se impõe a propositura da ação de execução. Ora, segundo o nosso entendimento, as duas possibilidades são admissíveis e a realidade de cada situação é que determinará qual a solução adequada. Entendemos, entretanto, que a extinção do feito judicial só deva ocorrer quando as cláusulas do Ajuste sejam líquidas e certas, porque a execução a execução não
será problemática. Todavia, quando o cumprimento do acordo dependa de um evento futuro, como, por exemplo, o resultado de um estudo técnico específico, consideramos o mais prudente que o
processo seja suspenso até definição precisa das obrigações do réu.
Assim, a homologação do Ajuste poderá ocasionar a suspensão da Ação Civil Pública quando depender de evento futuro para se determinar as devidas obrigações, ou extinguir o feito com resolução de mérito, fazendo coisa julgada material, na forma do art. 269, inc. II do CPC.
No tocante a intervenção do CSMP em Ajustamento formulado em juízo, Rodrigues afirma que:
O Ajuste Judicial celebrado pelo Ministério Público não precisa, ao nosso juízo, ser submetido ao Conselho Superior previamente, assim, como é dispiciendo esse controle nos Ajustes Extrajudiciais. [...] é que essa atuação do Ministério Público já está sujeita ao controle do Poder Judiciário. A partir do momento em que a ação está em curso qualquer tipo de iniciativa do órgão do Ministério Público, ou de qualquer outro co-legitimado à tutela desses direitos, está sob o crivo judicial. Nesse sentido, o enunciado da Súmula n° 25 do Conselho Su perior do Ministério Público de São Paulo: “Não há intervenção do Conselho Superior do Ministério Público quando a transação for promovida pelo Promotor de Justiça no curso da ação civil pública ou coletiva”. Sendo homologado o Ajuste faz coisa julgada material erga omnes, o que independe de qualquer aval do órgão superior do Ministério Público.
(2006, p. 241).
Dessa, forma, na formulação do Ajustamento de Conduta em juízo, fica dispensada intervenção do CSMP, por já se encontrar ao controle do Poder Judiciário.
Portanto, o Compromisso de Ajustamento de Conduta poderá ser formado no curso da Ação Civil Pública, sendo homologado pelo juiz, resultará na resolução do mérito da ação ajuizada e, conseqüentemente, originará um Título de Eficácia Executiva Judicial em favor do Ministério Público.
Diante do exposto, resta finalizado o estudo do terceiro capítulo e consequentemente, do tema, todavia, pode-se deduzir que, permanentemente, a
“[...] prática da celebração do Ajustamento de Conduta está em construção”.
(RODRIGUES, 2006, p. 301).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Compromisso de Ajustamento de Conduta vem sendo um instrumento muito utilizado pelo Ministério Público, contra os agressores Ambientais, como forma, de prevenir ou recuperar o Meio Ambiente, garantindo o equilíbrio ecológico e conseqüentemente, a sadia qualidade de vida dos cidadãos.
A presente pesquisa cientifica abordou o estudo da Eficácia do Ajustamento de Conduta, tomado Pelo Ministério Público para resolução dos Conflitos Ambientais.
O Compromisso de Ajustamento de Conduta está consubstanciado na Lei Federal 7.347/85 em seu art. 5°, § 6°, onde estão d efinidos bens jurídicos que podem ser tutelados mediante Compromisso, como também os legitimados para firmarem Ajustamento de Conduta.
Buscou-se uma análise, principalmente, das questões do Compromisso de Ajustamento de Conduta como um instrumento adequado e utilizado pelo Ministério Público, para promover a defesa do Meio Ambiente.
A pesquisa foi dividida em três capítulos, sendo que o primeiro promove uma análise do Ministério Público com relação a sua evolução histórica, conceituação, seus princípios e suas funções institucionais.
Destacou-se no primeiro capítulo o Ministério Público, diante da instituição consubstanciada na Carta Magna de 1988, estabelecendo seu rol de garantias institucionais e pessoais, de suas funções, mormente, na tutela dos interesses transindividuais, torna-se um verdadeiro defensor da sociedade.
No segundo capítulo foi abordado o Direito Ambiental no Brasil e a Tutela Cível, tendo como objetivo de identificar a importância do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado para a sociedade brasileira. Identificou-se que a tutela penal, tipifica os crimes contra o Meio Ambiente, através da edição da Lei 9.605/98, enquanto a normatização cível, através da Lei 7.347/85 bem como da legislação processual cível, visam a promover a defesa da ecologia, no tocante a prevenção ou reparação do bem ambiental coletivo.
Finalmente, o terceiro capítulo abordou a Eficácia do Compromisso de Ajustamento de Conduta como instrumento capaz de promover a defesa do Meio Ambiente, e consequentemente, assegurar a qualidade de vida da sociedade.
No desenvolvimento do presente trabalho, buscou-se a análise das hipóteses inicialmente apresentadas, das quais pode se verificar que, com relação à afirmação
de que Ministério Público tem legitimidade para firmar Compromisso de Ajustamento de Conduta (§ 6° da Lei 7.347/85), tal restou confi rmada através do art. 5° da mesma Lei, este artigo trata da legitimidade ativa para tanto, dispondo assim: A ação principal e a cautelar poderão ser propostas pelo Ministério Público [...].
Assim, consubstanciado no artigo supracitado, vislumbra-se claramente que o Ministério Público pode firmar Ajustamento de Conduta para a defesa dos interesses transindividuais.
A segunda hipótese, no sentido de que o Meio Ambiente poderá ser tutelado por meio de Ajustamento de Conduta, esta também restou confirmada, conforme o art. 1°. Inc. I da Lei. 7.347/85, que determina que as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados ao Meio Ambiente serão regidas pela referida norma.
Dessa forma, o Meio Ambiente poderá ser objeto de Compromisso de Ajustamento de Conduta para apuração da responsabilidade civil.
Finalmente, a terceira e última hipótese, concluindo que o Compromisso de Ajustamento de Conduta previsto no § 6° do art. 5.° da Lei da Ação Civil Pública, é um instrumento adequado para defender o Meio Ambiente, no tocante a sua reparação ou prevenção, restou confirmada uma vez que no instrumento poderão ser inseridas obrigações de fazer, não fazer e dar, revestindo-o de liquidez e certeza.
Ademais, o Ajuste terá eficácia de título executivo extrajudicial, mediante cominação estabelecidas, na conformidade do § 6° do art. 5° d a LACP.
Contudo ao final do estudo percebeu-se ainda que o Ajustamento de Conduta, também poderá ter eficácia de título judicial, quando firmado dentro da ação civil pública, já proposta em juízo.
Assim, sendo firmado e válido o Compromisso de Ajustamento de Conduta, tanto no Inquérito Civil ou na Ação Civil Pública, caso ocorra o descumprimento por parte do compromissário, o Ministério Público poderá propor direto a ação de execução, sem passar pela fase do processo de cognição, consubstanciado no Compromisso por ter força de título executivo.
Dessa forma, o Compromisso de Ajustamento de Conduta é uma das alternativas previstas pela Lei 7.347/85, para a defesa dos interesses ou direitos difusos, aqui, compreendidos como o Meio Ambiente, por meio deste instrumento, o interessado formaliza, espontaneamente, sua intenção de se adequar às exigências legais ou de reparar integralmente o dano por ele causado. Desse modo, o interessado assumirá a sua culpa quanto ao dano cometido no Meio Ambiente, razão
pela qual, será dispensado o processo de conhecimento para tanto, podendo o Ministério Público executar direto o Termo de Ajuste de Conduta, em caso de não cumprimento das cláusulas nele inserido, por força do §6° do art. 5° da LACP, atendendo, assim, o princípio da celeridade processual, como também o da economia processual.
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