Instalada no município de Bandeirantes. Com a extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool, a área foi cedida à UFPR por um período de 40 anos, para continuidade nas pesquisas com a cultura de cana-de-açúcar. É composta de 50 hectares (UFPR, 2012b).
e) Estação Experimental de Castro
Localizada no município de Castro, distante150 quilômetros da capital, com área de 145 hectares, foi cedida à UFPR pelo Instituto Ambiental do Paraná, no ano de 2002. O enfoque das pesquisas é o desenvolvimento de atividades de agricultura de verão, como milho, soja e feijão, e de inverno, como o trigo e a cevada (UFPR,2012b).
De acordo com o Relatório de Autoavaliação do Curso de Agronomia, realizado em 2012, os centros de estações experimentais foram considerados satisfatórios, por oferecer suporte didático, de pesquisa e de extensão previstos no projeto acadêmico (UFPR, 2012b). A seguir será apresentada a fonte de financiamento das Instituições Federais de Ensino Superior.
universidades. O ex-reitor da Unicamp, professor Zeferino Vaz, à época explicou a sua posição:
O problema não é ser autarquia ou fundação, mas é o quantum que o Governo põe à disposição [da universidade]. A função da universidade é produzir cultura e não dinheiro. O dinheiro deve ser suprido pelo Governo e hoje é suprido pelo Governo mesmo nas mais ricas universidades do mundo. As universidades de Harvard, de Columbia, da Califórnia, que são consideradas universidades riquíssimas e que têm patrimônio imenso, acumulado por séculos, hoje vivem sobretudo das subvenções do Governo Federal dos Estados Unidos e crescem cada vez mais. Portanto é indiferente a estrutura de fundação ou autarquia. Não adianta ser fundação, se da dotação orçamentária de NCr$ 15.000.000,00 o Governo entende de dar NCr$ 10.000.000,00.(CPI apud SGUISSARDI, 1993, p.62, in AMARAL, 2008, p.650)
A importância da continuidade da manutenção financeira das IFES pelo Governo Federal é debatida frequentemente por organismos nacionais e internacionais, pois é através desse suporte financeiro que são mantidos o ensino e a pesquisa. A UNESCO elaborou documentos que defendem a manutenção desse financiamento. Na “Declaração Mundial sobre Educação Superior no Século XXI” e no “Marco referencial de ação prioritária para a mudança e o desenvolvimento do ensino superior” foi incluído que o financiamento da educação superior requer recursos públicos e privados:
O Estado mantém seu papel essencial nesse financiamento.O financiamento público da educação superior reflete o apoio que a sociedade presta a esta educação e deve, portanto, continuar sendo reforçado, a fim de garantir o desenvolvimento da educação superior, aumentar a sua eficácia e manter sua qualidade e relevância. Não obstante, o apoio público à educação superior e à pesquisa permanece essencial, sobretudo como forma de assegurar um equilíbrio na realização de missões educativas e sociais (UNESCO; CRUB, 1999, p.29, in AMARAL, 2008, p.651)
As Instituições Federais de Ensino Superior são responsáveis por mais de 90% das pesquisas realizadas no Brasil. Esse indicador revela a importância da manutenção de seu financiamento. As pesquisas nelas desenvolvidas têm custo elevado. Cada vez mais são necessários equipamentos modernos e, como os recursos financeiros são escassos, as IFES acabam oferecendo cursos de especialização e prestação de serviços que geram recursos adicionais para fortalecer a continuidade das pesquisas (ALMEIDA, 2013).
A Universidade Federal do Paraná é responsável por um número significativo de pesquisas. O resultado de sua produção pode ser visualizado, por Setor Acadêmico, na Figura 6:
Figura 6 Distribuição relativa do número de Grupos de Pesquisa, por grande área - CNPq
Fonte: Relatório de Atividades UFPR 2012.
Analisando os dados de produção e financiamento da pesquisa referente ao ano de 2012, a UFPR é destaque entre as IFES mais produtivas do país. Além disso, destaca-se entre as que mais captam recursos junto aos órgãos fomentadores de pesquisas (ALMEIDA, 2013). Em termos de qualidade de pesquisa, segundo o ranking universitário do jornal Folha de S.Paulo, a UFPR ocupa a 11ª posição entre 188 instituições avaliadas no país. Quanto à quantidade de grupos de pesquisa, dados atualizados do CNPq apontam a UFPR na 13ª posição entre as 540 instituições participantes.
Tabela 4 Pesquisa vinculada aos Programas de Pós- graduação da UFPR - 2012
PRODUTO QUANTIDADE
Artigos publicados em periódicos 3.962
Trabalhos completos publicados em anais 3.492
Produção artística 172
Produção técnica 1.679
TOTAL 9.305
Fonte: Relatório de Atividades UFPR- 2012.
Tabela 5 Recursos financeiros recebidos para projetos de pesquisa da UFPR - 2012
ORIGEM DOS FINANCIAMENTOS VALORES APROVADOS (R$)
CT-INFRA 2010/FINEP 11.857.815,00
CAPES (pró-equipamentos) 2.720.000,00
Orçamento da União (*) 130.000,00
TOTAL 14.707.815,00
Fonte: Relatório de Atividades UFPR- 2012 Notas: (*) Programas de Apoio:Participação em Eventos Científicos – UFPR/TN e de Apoio e Manutenção de Equipamentos Multiusuários.
Diante desse cenário de escassez de recursos, com as Instituições Federais de Ensino Superior necessitando de suporte para continuidade de pesquisas, cuja atribuição a elas está dirigida, cabe uma pergunta: Qual é a fórmula para alocação de recursos financeiros para as IFES? Como resposta os autores Conceição et al(1998), Velloso (2000), Jongbloes e Maassen (1999) apresentam uma metodologia de financiamento cuja composição se dá por quatro modalidades:
financiamento incremental ou inercial;
financiamento por fórmulas;
financiamento contratual;
financiamento por subsídios às mensalidades dos estudantes.(CONCEIÇÃO et al, 1998; VELLOSO, 2000; JONGBLOES;
MAASSEN, 1999, in AMARAL, 2008).
Amaral (2008) explica que para o financiamento incremental ou inercial os recursos são alocados com base nos recursos destinados no ano anterior, fazendo- se apenas um pequeno ajuste nos percentuais. No financiamento contratual, entre Estado e instituição, ficam determinados metas e programas a serem cumpridos para que se receba um determinado recurso. No caso do financiamento por subsídio, são disponibilizados cheques educacionais, conforme se pode destacar o seguinte:
A parcela de receitas que o Estado cobra em impostos e destina à educação são divididos em cheques, estes são repassados aos estudantes para freqüentarem a universidade que entenderem. Desta forma as universidades que têm que competir entre si, sujeitando-se exclusivamente às regras de mercado, dependentes apenas da escolha dos estudantes.
Embora admitida freqüentemente como metodologia de financiamento, a dificuldade em prever as conseqüências da alteração da relação aluno/universidade resultantes da implementação do conceito tem limitado a sua concretização. (CONCEIÇAO et al, 1998, p. 86, in AMARAL,2008)
E, finalmente, o financiamento por fórmulas, que ocorre pelo ajuste de variáveis e indicadores institucionais que irão determinar os valores a serem alocados na instituição. Nesse sentido, Velloso (2000, p.49) exemplifica, com muita propriedade:
Podem envolver a combinação de um largo espectro de variáveis, relativas à manutenção da instituição, como o número de docentes e de alunos em cada instituição, até indicadores tidos como de desempenho, como a relação entre matrícula nova e o quantitativo de diplomados, passando por índices tidos como de eficiência, a exemplo das relações médias aluno/docente por universidade ou área do conhecimento.
A título de esclarecimento, AMARAL (2008) complementa que a programação financeira das IFES ocorre utilizando-se duas formas metodológicas: de financiamento incremental e por fórmulas, modalidade essa acordada entre o MEC e a Associação Nacional dos Dirigentes das IFES (ANDIFES).
Com relação à metodologia adotada pela ANDIFES, Vasconcelos (2010) menciona que tal método determina a forma de distribuição dos recursos para outros custeios e capitais (OCC), sendo que para isso utiliza-se o uso de indicadores que estão relacionados com o desempenho de cada instituição. Os indicadores de maior peso são:número de alunos matriculados, formados e titulados, oferta de cursos noturnos e volume de oferta de cursos. Esses critérios provocaram uma mudança de paradigma institucional, inserindo a cultura de avaliação e acompanhamento de resultados.
Vasconcelos (2010) ainda reforça que o maior impacto no orçamento das IFES está relacionado às despesas com pagamento de pessoal ativo, pensionistas e aposentados, pois está no mesmo bloco de transferência do MEC, sendo contabilizado como gasto com educação. Segundo a ANDIFES, o volume de despesas é elevado também por conta das despesas provenientes da manutenção de hospitais universitários, bibliotecas, museus, orquestras, entre outros, sem separação de atividade. É importante destacar que “os recursos não podem ser intercambiados entre pessoal e benefícios, e manutenção e investimentos”
(ANDIFES, 1998, p.5).
Outra forma de financiamento que as IFES alcançam vem das agências de fomento, que são: Fundação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (CNPq), Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), além de fundações estaduais de apoio à pesquisa. Essas agências contribuem com a sustentação financeira dos cursos de pós-graduação, oferecendo bolsas e treinamentos no exterior a docentes e acadêmicos, tornando a pós-graduação mais atrativa para os docentes do que os cursos de graduação (VASCONCELOS, 2010).
No Setor de Ciências Agrárias os programas de mestrado e doutorado são responsáveis pela captação de recursos disponibilizados pelas agências de fomento.
A sua expressiva relevância é destacada pelo conceito atribuído aos programas.
Tabela 6 Programas de Pós-graduação do Setor de Ciências Agrárias
PROGRAMA DE MESTRADO ANO DE
INSTALAÇÃO
CONCEITO CAPES
Agronomia Produção Vegetal 1994 5
Ciências do Solo 1978 4
Ciências Veterinárias 1987 4
Engenharia Florestal 1973 4
Meio Ambiente e Desenvolvimento5 2010 4
PROGRAMA DE DOUTORADO ANO DE
INSTALAÇÃO
CONCEITO CAPES
Agronomia Produção Vegetal 1995 5
Ciências do Solo 2012 4
Ciências Veterinárias 1982 4
Engenharia Florestal 2009 4
Meio Ambiente e Desenvolvimento6 1993 3
Fonte: PRPPG/Relatório de Atividades UFPR 2012.
A contribuição através das agências de fomento não é contabilizada no orçamento das IFES, uma vez que seu acesso é por intermédio de fundações de apoio à pesquisa. Essas fundações são de natureza privada, e trabalham no sentido de apoiar as atividades das universidades (AMARAL, 2008). Na década de 1990, as fundações, além de gerenciar os recursos financeiros captados, permitiam a ampliação do quadro de pessoal, minimizando o quadro escasso de servidores públicos (VASCONCELOS, 2010).
A forma para aumentar o orçamento das IFES poderia ser a apresentada pelo resultado de uma pesquisa comparativa entre instituições brasileiras e norte- americanas, realizada por Riscarolli (2007). Em sua tese, a autora comprova a possibilidade de financiamento via recebimento de doações de pessoa física, de empresas, de herança, de ex-alunos, sem ferir a legislação brasileira e sem ferir o tripé de incumbência das IFES, que é a ênfase no ensino, na pesquisa e na extensão. A autora destaca que seria necessário um planejamento sobre essa captação de recursos com vistas à manutenção dos mesmos, sem prejuízo à
5 Curso Intersetorial Tecnologia e Exatas/Terra e Agrárias.
6 Idem.
instituição (RISCAROLLI, 2007). Nesse sentido é necessário o envolvimento da administração superior:
Se o papel da captação for periférico, sua força será insignificante e pode cair no descrédito, transformando-se mais em estorvo do que em uma real ajuda para a instituição. Se esse mesmo papel for central na questão da sustentabilidade, então torna-se o principal agente de transformações desejadas na instituição. Assim, a captação passa a envolver e comprometer a todos, especialmente a alta administração,nas questões que sustentam suas atividades. (RISCAROLLI, 2007, p. 175)
Finalizando a apresentação do modelo de distribuição de recursos entre as IFES utilizando-se de reajuste incremental e por fórmulas, com uso de indicadores de desempenho entre as mesmas, nota-se que internamente ocorre essa metodologia. Como opção, é apresentada uma possibilidade de financiamento por meio de recebimento de doações. Para isso, é necessário o envolvimento e participação da administração superior das universidades, minimizando, assim, a escassez de recursos, tão necessários para continuidade de pesquisas, cuja atribuição cabe às Universidades Públicas, pois as mesmas já possuem as pesquisas instituídas e, inclusive, com capacidade física já estabelecida.