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A INFLUÊNCIA DE HERBERT MARCUSE

No documento TCC 2019.pdf (páginas 78-82)

77 solução determinada, específica, para a educação familiar. Uma criança que a partir do terceiro ano de vida tivesse sido educada juntamente com outras crianças, sem influência do pai e da mãe, desenvolveria a sua sexualidade de maneira completamente diferente, em formas que aqui não poderão ser discutidas.

(REICH, 1981)207.

Neste sentido, Reich (1981) afirma que a única moral que ele reconhecia era: “a de não violentar, não assassinar etc”. Para ele, essa moral “só pode ser estabelecida com a mais plena satisfação das necessidades naturais” e declara contra o que ele luta: “a outra espécie de "moral" que negamos e ela é a abstinência sexual para crianças e adolescentes, fidelidade eterna absoluta, matrimônio forçado etc., essa é própria doentia e gera o caos que ela pretende dominar. Contra esta se dirige nossa luta sem trégua”208.

78 seus lemas era a ideia de que a livre expressão da sexualidade seria uma arma política contra o sistema capitalista209.

Os acontecimentos e experiências que podem despertar o material reprimido mesmo sem um fortalecimento específico dos instintos que lhe estão ligados são, no nível social, os que se nos deparam nas instituições e ideologias que o indivíduo enfrenta cotidianamente e que reproduzem, em sua própria estrutura, tanto a dominação como o impulso para a destruir (família, escola, oficina e escritório, o Estado, a Lei, a filosofia e moral predominantes)210. (MARCUSE, 1978, p.80)

A luta principal de Marcuse era contra a moralidade cristã, para ele a existência da moralidade cristã e seu “triunfo torna os instintos vitais pervertidos e restringidos;

a má consciência foi ligada a uma culpa contra Deus. Nos instintos humanos implantaram-se a hostilidade, a rebelião, a insurreição contra o mestre, o pai, o ancestral e a origem primordiais do mundo . A pressão e a privação foram, pois, justificadas e afirmadas; converteram-se nas forças dominantes e agressivas que determinavam a existência humana. Com a sua crescente utilização social, o progresso tornou-se, necessariamente, uma repressão progressiva211.

Para MARCUSE o filosofo Nietzsche

expõe a gigantesca falácia sôbre a qual se edificaram a Filosofia e a moralidade ocidentais: a transformação de fatos em essências, de condições históricas em metafísicas. A fraqueza e desalento do homem, a desigualdade de poder e riqueza, a injustiça e o sofrimento, tudo foi atribuído a um crime e culpa transcendentes; a rebelião passou a chamar-se pecado original, desobediência a Deus; e a luta pela gratificação tornou-se concupiscência. (MARCUSE, 1978)212.

Marcuse entendia que se os jovens se revoltassem contra os pais, a repressão que estava sobre eles e que de acordo com sua teoria era imposta pelos pais, pela igreja e pela moral, poderia ser usada para a causa revolucionária:

209 RICARDO, P. A revolução sexual e suas consequências. Fonte: Destrave Canção Nova:

https://destrave.cancaonova.com/a-revolucao-sexual-e-suas-consequencias/. 21 de Setembro de 2012

210 MARCUSE, H. (1978). Eros e civilização. Rio de Janeiro: Zahar Editores S. A, p.80

211 Ibid p,114

212 Ibib p,115

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“A juventude está protestando contra a repressão na afluência e a guerra no estrangeiro. É revolta contra os falsos pais, falsos professores e falsos heróis solidariedade com todos os infelizes da Terra. (MARCUSE, 1978)213.

Para que isso fosse possível, Marcuse fez com que os jovens entendessem que a repressão exercida pelos pais e pelos outros agentes morais gerava culpa sobre eles quando transgrediam algum preceito e que essa culpa poderia causar-lhes algum dano mais tarde.

Ora, as restrições externas que, primeiro, os pais e, depois, outras entidades sociais impuseram ao indivíduo são introjetadas no ego e convertem-se na sua consciência ; daí em diante, o sentimento de culpabilidade a necessidade de punição, gerada pelas transgressões ou pelo desejo de transgredir essas restrições (especialmente, na situação edípica) impregna a vida mental. (MARCUSE, 1978)214.

Marcuse injetou na mente da juventude americana a ideia de que o sexo livre é o grito de protesto mais alto contra o sistema.

A juventude está protestando contra a repressão na afluência e a guerra no estrangeiro. É revolta contra os falsos pais, falsos professores e falsos heróis solidariedade com todos os infelizes da Terra. [...] O protesto dos jovens continuará porque é uma necessidade biológica. Por natureza , a juventude está na primeira linha dos que vivem e lutam por Eros contra a Morte e contra uma civilização que se esforça por encurtar o atalho para a morte , embora controlando os meios capazes de alongar esse percurso. Mas, na sociedade administrativa, a necessidade biológica não redunda imediatamente em ação; a organização exige contra-organização. Hoje, a luta pela vida, a luta por Eros, é a luta política. MARCUSE, 1978)215.

A popularidade deste filósofo era tão grande que estudiosos chegam a dizer que todo universitário nos anos 1960 tinha o livro de Marcuse debaixo do braço e que este seria o livro de cabeceira de uma geração.

213 Ibid P,17

214 Ibdi

215 Ibid p.23

80 Marcuse defendia que os americanos eram nervosos e estressados porque o sexo era muito reprimido e de acordo com sua teoria, a forma que os americanos encontravam para extravasar a agressividade e alimentar seu sistema capitalista, era fazendo guerra.

A propagação da guerra de guerrilhas no apogeu do século tecnológico é um acontecimento simbólico: a energia do corpo humano revolta-se contra a repressão intolerável e lança-se contra as máquinas da repressão. Talvez os rebeldes nada saibam a respeito dos métodos de organização de uma sociedade, de edificação de uma sociedade socialista; talvez estejam aterrorizados por seus próprios líderes, que sabem alguma coisa a tal respeito, mas a chocante existência dos rebeldes está em total necessidade de libertação e a sua liberdade é a contradição das sociedades superdesenvolvidas.

(MARCUSE, 1978)216.

E de maneira absurda, Marcuse defendeu que o capitalismo e suas intenções econômicas é fruto de uma classe que renuncia e desvia seus desejos e impulsos sexuais para o trabalho.

O motivo da sociedade, ao impor a modificação decisiva da estrutura instintiva, é, pois, econômico; como não tem meios suficientes para sustentar a vida de seus membros sem trabalho por parte deles, [a sociedade] trata de restringir o número de seus membros e desviar as suas energias das atividades sexuais para o trabalho [...] O trabalho tornou-se agora geral, assim como as restrições impostas à libido: o tempo de trabalho, que ocupa a maior parte do tempo de vida de um indivíduo, é um tempo penoso, visto que o trabalho alienado significa ausência de gratificação, negação do princípio de prazer. A libido é desviada para desempenhos socialmente úteis, em que o indivíduo trabalha para si mesmo somente na medida em que trabalha para o sistema, empenhado em atividades que, na grande maioria dos casos, não coincidem com suas próprias faculdades e desejos. (MARCUSE, 1978)

A partir desse pensamento, palavras de Marcuse (1978) como: “Não faça guerra, faça amor” ou “paz e amor”, viraram lemas de uma época. Os relacionamentos começaram a mudar, os jovens que até então namoravam apenas no sofá da casa da

216 Ibid p.19

81 moça, começaram a namorar no portão e na calçada, tendo agora a possibilidade de dar um beijo quando ninguém tivesse observando.

No documento TCC 2019.pdf (páginas 78-82)