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Envelhecimento e expectativa de vida

No documento Viver, Aprender - Guia do Educador (páginas 192-197)

Envelhecimento e expectativa de vida

Nesta unidade os alunos irão estudar o fenômeno demográfico que tem trans- formado o perfil da população brasileira. Há vários fatores que têm colaborado para o aumento do número de idosos e da expectativa de vida dos brasileiros — dentre eles desataca-se a queda da taxa de fecundidade, o modo de vida urba- no, avanços na medicina, entre outros.

Espera-se que os alunos aprendam a ler e interpretar dados estatísticos que dizem respeito a informações demográficas e a refletir sobre seu impacto no modo de vida das pessoas (mercado de trabalho, oferta de serviços etc.).

Além das tabelas, os alunos serão introduzidos no conceito de média, de modo simples, apenas para que possam compreender o que significa (por exemplo, média de idade).

Sugestões para o

1

desenvolvimento das atividades

Flora

A atividade com a letra de música Flora, de Gilberto Gil, tem como objetivo apresentar aos alunos um texto que trata da beleza da maturidade. Diferente de muitas paqueras e cantadas, Gil fez essa música para conquistar Flora (sua esposa atual) no verão de 1979 na cidade de Salvador.

Eu a tinha conhecido um mês antes e nós ainda não namorávamos.

Telefonei a um amigo comum. “Diga que eu quero vê-la, que vou estar no Teatro Vila Velha entre quatro e seis da tarde. Tenho uma coisa para mostrar a ela”. Quando ela chegou, eu cantei a música. Flora foi por- tanto uma cantada literal. (Rennó, Carlos (org.). Gilberto Gil: todas as letras, incluindo letras comentadas pelo compositor. São Paulo: Com- panhia das Letras, 1997, p. 220)

Essa música apresenta uma proposta de união para a vida toda, pois fala das intenções do autor de viver ao lado de Flora na maturidade ainda não al- cançada. Inspirado por seu nome, Gil utilizou imagens e expressões do mundo vegetal para representar a possibilidade de realização ao lado de uma pessoa durante toda uma existência.

Na letra eu já a imagino idosa, bela senhora, futura. (Rennó, Carlos (org.). Gilberto Gil: todas as letras, incluindo letras comentadas pelo com- positor. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 220)

Inicie a leitura desse texto pela conversa sobre o título da música. Peça aos alunos que falem o que eles sabem sobre o significado da palavra flora e leia a definição que consta no dicionário. A seguir, proponha um jogo de associação, apresente aos alunos a letra de música e a intenção do autor ao escrevê-la e solicite a eles que façam uma lista de 5 palavras que tenham alguma relação com a palavra flora e que poderiam ter sido usadas por Gilberto Gil em sua letra de

(p. 267)

1 Quando as listas estiverem prontas, proponha uma leitura silenciosa aos alunos, se houver condições leve a música para a sala de aula e leia a letra em voz alta. Pergunte a eles se encontraram alguma das palavras de suas listas no texto, se observaram alguma comparação entre a moça e o significado da palavra flora que os tenha surpreendido. Retome cada estrofe e discuta quais as imagens que lhes vêm a cabeça ao ouvi-las. Explore as rimas e o ritmo da música.

A seguir, apresente as perguntas do roteiro de estudo e peça que as respon- dam em duplas no caderno. As perguntas exigem que os alunos tenham compre- endido as imagens e a linguagem figurada usada por Gilberto Gil, por isso vale a pena orientá-los durante a realização dessa atividade e fazer uma correção coletiva das respostas dadas, pedindo que as justifiquem.

Uma parcela da população: os idosos

Nesta atividade os alunos irão ler uma tabela que apresenta o crescimento da população de idosos desde 1940 e estima quantos idosos existirão em 2020. A tabela mostra o crescimento de idosos em números absolutos, que representam a quantidade de pessoas com mais de 65 anos que compõem a população.

Em primeiro lugar, peça aos alunos que leiam, comparem e percebam as diferenças entre as quantidades e os períodos. A partir dos dados da tabela os alunos podem concluir que o número de idosos cresceu e deve crescer ainda mais, o que responde a primeira pergunta do roteiro de estudo. A pergunta 2 traz mais elementos para que os alunos percebam que a população de idosos está crescendo, enquanto se prevê uma diminuição na população de crianças.

Nas outras perguntas do roteiro de estudos, eles deverão levantar as princi- pais hipóteses que podem explicar o fenômeno e apontar suas conseqüências.

Observe com atenção como se manifestam em relação ao papel do idoso na soci- edade. Procure esclarecer que ele não deve ser visto somente como alguém que deve ter sua importância mensurada apenas pelo que pode produzir. É importan- te destacar que a questão do idoso deve ser encarada como prioridade social e objeto de políticas públicas.

(p. 269)

Expectativa

1

de vida do brasileiro

O texto Quantos anos vive um brasileiro trabalha com um importante conceito demográfico: a expectativa (ou esperança) de vida. Ela corresponde aos padrões de qualidade de vida existentes. Assim, em um país onde predominam boas condições de vida (educação, saúde, trabalho, alimentação, lazer, interações sociais etc.), a expectativa de vida é mais elevada. O exemplo apontado é o do Japão, cuja expectativa de vida é de 80 anos, em média. Pode-se usar aqui outros exemplos comparativos: escravos africanos no Brasil (em torno de 35 anos) e países pobres nos dias de hoje (Angola: 47 anos; Moçambique: 49 anos; Bolívia: 56 anos). A longevidade média de uma população depende essencialmente das condições que as pessoas tiveram ao longo de sua existência.

Deve-se registrar que a expectativa de vida é uma média. Assim, no caso do Brasil, há diferenças regionais e sociais que produzem resultados distintos: a esperança de vida é mais baixa na Região Nordeste do que na Região Sul ou Sudeste. Do mesmo modo, faixas de renda acima de cinco salários mínimos apresentam longevidade maior do aquelas até um salário mínimo.

Expectativa de vida de

um grupo da região onde eu vivo

Com este conjunto de atividades pretende-se que os alunos observem que a média é um dos indicadores da freqüência de um acontecimento ou fenômeno. Nesse caso, os alunos terão como desafio perceber que, no cálculo da expectativa de vida, incluem-se os óbitos que ocorrem num período com uma parcela da população. O desenvolvimento dessas noção é a base para que eles aprendam a fazer algumas inferências e previsões. Para que isso aconteça é fundamental promover na sala de aula várias experiências que permitam observar a freqüência de acontecimentos, obter a média e interpretar seu significado.

Retome o texto que apresenta informações sobre a expectativa de vida dos

(p. 270)

(p. 270)

1 vida das pessoas que vivem na localidade, consultando a seção de óbitos do jornal local.

Comente outras situações em que se costuma utilizar a média como re- ferência, como, por exemplo, para acompanhar o desenvolvimento físico de bebês, para acompanhar o desempenho de esportistas (a média de gols de um campeonato), para comparar preços, salários etc.

Quando todos os alunos estiverem com as informações coletadas no jor- nal, oriente-os no cálculo para encontrar a expectativa de vida da região, isto é, o tempo médio de vida das pessoas. É importante que os alunos percebam que essa média pode variar. Caso existam alunos que tenham coletado um maior número de casos de óbitos em crianças, o resultado obtido será menor que aqueles que coletaram um maior números de casos de óbitos em idosos.

Compare e problematize as respostas encontradas pelos alunos.

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