Primeiramente as entrevistas dos quatro Focus Group e da entrevista em profundidade foram transcritas, para posterior inserção dos dados no Atlas.ti. O programa identificou o número de vezes que as respostas se relacionavam com as variáveis de análise estudadas. O fluxograma gerado pelo software, demonstra as relações existentes entre os padrões de resposta dentro de um mesmo grupo focal (homogêneo), assim como convergências e divergências existentes entre as respostas dos quatro grupos focais (heterogêneos), subsidiando o tratamento dos dados e a discussões dos resultados da pesquisa.
Por conseguinte, os dados coletados com a Entrevista em Profundidade assim como, com os grupos focais, foram analisados de forma concomitante para cada variável de análise, para posterior comparação com os estudos de Schouten e McAlexander (1993,1995) e Schembri (2009).
Nesta pesquisa o uso do software Atlas.ti, facilitou a análise dos dados e a geração das considerações a respeito dos resultados, contribuindo com a análise sistemática de fenômenos complexos escondidos em dados não estruturados, como texto e material multimídia. O programa ofereceu ferramentas que permitiram a codificação e registro dos dados coletados.
3.4.1 O uso do Atlas.ti no análise dos dados
O software Atlas.ti permite encontrar fenômenos complexos que não seriam possíveis identificar apenas com a leitura de textos. O software possibilita a analise e o gerenciamento de diferentes documentos, ou instrumentos utilizados na coleta dos dados, como: respostas de questionários, relatórios e qualquer tipo de textos e arquivos de áudio, permitindo codificar os dados, com base nas palavras-chave, ou renomear ou juntar os códigos existentes sem alterar o restante do texto. Também gera visualizações de códigos emergentes e a relações com o outro, tornando possível acompanhar a evolução das análises, pois registra automaticamente as mudanças de codificação, (ZHANG; WILDEMUTH, 2009; QUEIROZ; CAVALCANTE, 2011).
Este Programa consolida grandes volumes de documentos e mantém o controle de todas as notas, anotações, códigos e memorandos em todos os campos que requerem estudo atento e análise de material primário consistindo de texto, imagens, áudio e vídeo. Segundo Klüber (2014), o software Atlas.ti foi desenvolvido para análise qualitativa em grandes quantidades, objetivando o tratamento de uma grande quantidade de dados.
Um dos principais dados a serem tratados foram as entrevistas dos grupos focais e da entrevista em profundidade. Estas entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas para um documento de texto. Para fazer estas transcrições, foi preciso ouvir as gravações de áudio e escrever os diálogos no documento de texto (Word).
Para estas transcrições, foram gastos em média 5 minutos para transcrever cada 1 minuto de áudio, no total foram cerca de 8 horas de transcrição para cada entrevista.
Devido ao grande número de informações obtidas com as entrevistas, o software Atlas.ti foi utilizado na criação dos mapas contendo a síntese das respostas de cada grupo focal, indicando similaridades, pelo estabelecimento de ligações.
Os resultados desta etapa foram apresentados pelo software, em imagens.
Estas imagens representaram esquemas gráficos, objetivando melhor compreensão e visão sistêmica das várias respostas dos diversos grupos, assim como a relação existente entre várias respostas destes. Sendo assim, as respostas foram dispostas em seis grupos de questões e selecionadas de acordo com as variáveis de análise
estudadas. Para o tratamento dos dados, por meio do software Atlas.ti, foram adotados alguns procedimentos.
No primeiro, foi criado um novo projeto, denominado pelo software como
“unidade hermenêutica”. A unidade hermenêutica, contempla todas as informações, codificações, dados e documentos a serem tratados.
O segundo procedimento, consiste na importação do documento com os dados a serem tratados, denominados como “documentos primários”. De acordo com Bandeira de Mello e Cunha (2003), documentos primários consistem nos dados primários coletados, podendo ser transcrições de entrevistas e notas de campo e de checagem. No software, estes aparecem como “Px”, onde “P” representa o documento primário e “x” o número da ordem em que foram importados, seguido com o nome do documento.
O terceiro procedimento foi a codificação, após a importação dos quatro documentos primários, cada um correspondente à transcrição de uma entrevista.
Estas entrevistas foram interpretadas e codificadas. Esta parte exige a interpretação do pesquisador para a codificação. Para Bandeira De Mello e Cunha, (2003) e Klüber (2014), os codes são gerados pela interpretação do pesquisador. Nesta linha, para cada pergunta feita aos grupos focais, foram obtidas diversas respostas. Sendo assim, a codificação foi utilizada para marcar palavras-chave que respondem ao questionamento, considerando a interpretação do pesquisador na seleção de palavras que descrevam determinado sentimento ou significado, naquela resposta.
No quarto passo, foram organizadas as codificações, entre os diferentes grupos. Nesta etapa se utilizou a ferramenta Network View, com esta é possível criar uma representação gráfica ou mapa conceitual dos codes, facilitando a interpretação e a visualização das ideias de cada grupo, servindo como uma imagem. Klüber (2014) defende que estas representações são esquemas gráficos, que contribuem, auxiliando com a visualização do desenvolvimento da teoria. Por este motivo, foi criado um esquema gráfico para cada pergunta, possibilitando que as respostas de todos os grupos fossem analisadas simultaneamente, para cada questionamento feito.
No entanto, em resposta aos questionamentos, para cada pergunta feita aos grupos focais, algumas citações foram interpretadas e codificadas. Sendo assim, todos estes codes, foram importados pelo campo import nodes. Nesta etapa, as codificações foram automaticamente ligadas por setas, ao seu documento primário,
por meio do Network View, facilitando a interpretação, com base no número de respostas com o mesmo conteúdo.
Por último, para quantificar os dados já codificados, pode se extrair um relatório detalhado da unidade hermenêutica, no campo Codes-primary Documents Table, pela abertura de um contador de citações, onde é possível selecionar quais famílias (neste caso, cada pergunta foi considerada como uma família, ou agrupamento dos codes), juntamente com os documentos primários (cada documento primário foi considerado como sendo um grupo), para gerar uma planilha com as quantidades de citações feitas, por cada grupo focal.
Todos os dados tratados pelo Atlas.ti foram representados na forma de imagem, para a interpretação e descrição de cada resposta obtida na transcrição do Focus Group.
A próxima seção apresenta os dados coletados nesta pesquisa, bem como suas análises.
4 RESULTADOS
A apresentação dos resultados da pesquisa em questão inclui, primeiramente, a aplicação da técnica de pesquisa Observação Participante, aplicada à HDSC, no HOG Florianópolis Chapter, descrevendo ações e observações acerca do comportamento dos consumidores, durante os encontros do pesquisador com o grupo pesquisado.
Na segunda etapa, as respostas dos grupos focais foram analisadas, pela interpretação das imagens geradas pelo software Atlas.ti, objetivando atender, parcialmente, aos objetivos específicos (A) e (B) deste estudo.
A terceira etapa se deu, pela transcrição de informações relevantes e por análises feitas pelo pesquisador, baseadas nos dados obtidos com a entrevista em profundidade, feita com o membro mais antigo e experiente da HDSC da região de Florianópolis.
A análise Cross-Cultural foi feita juntamente com a primeira, segunda e terceira etapas. Sendo assim, cada variável de análise identificada em cada observação, grupo focal e na entrevista em profundidade, foi comparada com os resultados dos estudos anteriores selecionados.
Por fim, uma análise geral foi realizada, contemplando os resultados obtidos com na aplicação de cada técnica, objetivando maior aprofundamento do assunto e ampliação das contribuições do estudo.